Dedicado a Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedenta Swami Prabhupada e Gurudeva Srila Dhanvantari Swami

Dedicado a Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedenta Swami Prabhupada e Gurudeva Srila Dhanvantari Swami
Jagad Guru Srila Prabhupada

terça-feira, 19 de junho de 2007

Manter o Voto de Cantar 16 Voltas de Japa Sob Quaisquer Circunstância


Manter o Voto de Cantar 16 Voltas de Japa Sob Quaisquer Circunstância
Por Romapada Svami

Pergunta: Diz um devoto, depois de ser iniciado, ter sido incapaz de cantar suas 16 voltas de japa em um dia ou alguns dias, devido à doença ou alguma outra coisa desse tipo. Isso é quebra de voto, certo? Então, o que o devoto deve fazer em tal situação?
Ao fazer o solene voto ante o mestre espiritual, ante os Vaisnavas e as Deidades, nós recebemos também o poder, ou seja, somos empossados da capacidade de manter o voto sob toda e qualquer circunstância, exceto em muitas raras e excepcionais emergências. Um discípulo deve então estar determinado a manter seu voto a todo custo, com a convicção que a habilidade para cumpri-lo está latente dentro deste compromisso – nós simplesmente temos que estar desejosos de fazê-lo.
Isto significa fazer todos os necessários esforços para fazer isto acontecer – tais como dar ao canto a primeira prioridade do dia, dedicando um tempo específico nas primeiras horas da manhã para esta atividade que é a mais importante, antes que outros deveres demandem sua atenção, arranjando nossa vida de tal maneira que isso seja possível.
Isto também significa manter boa associação estudando as escrituras, dentre outras práticas, para assegurar-se que o fogo de nossa determinação pelo cantar bem se mantenha saudável e forte. Então, mesmo quando desafios surjam no nosso dia-a-dia, tais como doenças ou outras exigências, nós seremos capazes de agüentar pela virtude da força devocional. Em resumo, o compromisso de cantar 16 voltas envolve progressivos esforços e estarmos seguros de não criarmos circunstâncias para nós mesmo, em meio às quais não seremos capazes de cumprir nosso compromisso.
Se, depois de todos os sinceros esforços de nossa parte, devido a alguma inevitável situação de emergência, alguém seja incapaz de completar o cantar prescrito num dia ocasional, então esse alguém deve sentir-se genuinamente arrependido e esforçar-se por recuperar aquelas voltas no próximo dia ou na oportunidade mais próxima – esta foi a recomendação feita por Prabhupada.
A precaução, entretanto, é que isto não deve se tornar uma prática comum, uma fraqueza racionalmente introduzida dentro de nossa interna resolução de cumprir nossos votos. Há uma tendência comum nas almas condicionadas de relaxar quanto aos seus compromissos e encarar seus votos solenes de modo mais leve ou desleixado por um período de tempo; estes lapsos ocasionais são lamentáveis e, tomando voto de cantar mui seriamente, essa tendência pode ser refreada, e as ofensas por negligência podem ser evitadas.

Tradução por Bhaktin Celeste (DvS), Revisão por Bhagavan dasa (DvS).

terça-feira, 5 de junho de 2007

Vaticanistas vêem rigor e conservadorismo em texto papal




Por Valquíria ReyDe RomaExtraído do www.bbcbrasil.com


Vaticanistas italianos afirmam que o documento que rege a celebração de missas divulgado nesta terça-feira no Vaticano reforça a face conservadora e rígida do papa Bento 16.No documento, intitulado Sacramentum Caritatis, o papa reafirma a posição da Igreja sobre o celibato, o matrimônio entre homossexuais e a comunhão de divorciados, confirmando o conservadorismo do atual papado. Quando determina novidades, o papa nada mais faz do que voltar ao passado."É um documento muito conservador. O papa não utilizou as recomendações do Sínodo dos Bispos de maneira progressista", diz Bruno Bartoloni, vaticanista do jornal Corriere della Sera, à BBC Brasil. "Em vez disto, ele foi rigoroso".Entre as alterações, o papa propôs um maior uso do latim na igreja, tanto por parte dos padres como pelos fiéis, e dos cantos gregorianos, pedindo que não sejam utilizados gêneros musicais que desrespeitem o sentido da liturgia."É necessário que se valorize adequadamente o canto gregoriano como próprio da liturgia romana. É necessário evitar a improvisação genérica ou a introdução de gêneros musicais que não respeitem o sentido da liturgia", diz o documento.CritériosCom relação à homilia, sermão feito pelo sacerdote no decorrer da missa após a leitura do Antigo e do Novo Testamento, Bento 16 pede que sejam evitados temas genéricos ou abstratos.O papa diz que é "oportuno oferecer, prudentemente, homilias temáticas aos fiéis que tratem, ao longo do ano litúrgico, dos grandes temas da fé cristã".No documento, de 140 páginas, consta um veto às penitências e absolvições em grupo e um pedido de moderação no momento da saudação da paz, quando os fiéis se cumprimetam antes de receber a comunhão, limitando o gesto apenas a quem está mais próximo."O papa apresenta critérios muito precisos de como quer a sua missa", diz o vaticanista Ignazio Ingrao. "Ele não rompe com os princípios do Concílio Vaticano 2º. O documento não representa um retorno total ao passado, mas apresenta uma reforma muito rígida."Bento 16 defendeu a realização de celebrações eucarísticas em pequenos grupos e a limitação de grandes concelebrações com numerosos padres, que só devem ser realizadas em situações extraordinárias.Na opinião de Ingrao, o papa não quis alterar a posição da Igreja com relação a temas polêmicos e mostrou claramente como é a missa dele, como quer que ela seja celebrada.Arquitetura sacraBento 16 não proibiu o acesso à comunhão aos políticos que se dizem católicos, mas votam em leis contra a moral da Igreja.Divorciados que se casaram pela segunda vez, no entanto, não podem comungar. O documento não diz que eles estão proibidos de estar nas missas, mas recomenda que os bispos estejam atentos e vigilantes.Aos muçulmanos polígamos que se tornam católicos, o papa recomenda que eles abandonem suas mulheres.Em sua exortação apostólica, ele fala sobre a arquitetura sacra, a posição do sacerdote com relação ao altar e o lugar adequado do sacrário (a caixa onde é guardada a eucaristia) após a celebracão, dentro das igrejas.Bento 16 também propõe mudanças na consagração na tradição italiana e diz como quer que seja feita a saudação de despedida no final da celebração eucarística.
Postado por Rasananda Dasa

Cantar japa


Cantar japa não significa realmente cantar, no sentido de melodias, etc., e sim apenas entoar, pronunciar o mantra. A palavra japa em si pode ser traduzida como murmurar.
Instruções sobre como cantar japa.1. Segure a japa (rosário com 108 contas) na mão direita. Se você não tiver acesso a uma japa-mala pode até mesmo utilizar um barbante com 108 nós.2. Mantenha a japa entre os dedos polegar e médio, na primeira conta depois da principal.3. Passe suavemente para a conta seguinte, à medida que entoe o maha-mantra: Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare, Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare. Pode fazer bem baixinho, de forma que apenas você consiga ouvir, ou pode fazer mais alto, conforme preferir ou for conveniente.4. Passe para a conta seguinte e cante novamente o maha-mantra. Em seguida, passe para a próxima e repita o processo, assim por diante.5. Ao chegar à última conta antes da principal (que não é cantada), vire a japa e continue a cantar, começando com a conta na qual você terminou a volta (uma volta tem 108 contas).6. Cante uma ou mais voltas por dia, de acordo com suas possibilidades, mas tente nunca cantar menos do que o número que você determinou-se a cantar. Os devotos iniciados do movimento Hare Krishna cantam pelo menos 16 voltas por dia. O importante é manter um compromisso fixo e não falhar. Isso é o item mais importante de seu saddhana.Embora não existam regras fixas e inflexíveis para cantar os santos nomes de Deus, apresentamos adiante algumas dicas que podem ajudá-lo neste processo:a) Cante com sentimento, como se você fosse uma criança clamando pela presença da sua mãe.b) Cante com nitidez, ouvindo cada sílaba e fixando a mente no som do maha-mantra.c) Cante sem interrupções, como um rio fluindo para o oceano.d) Cantar bem cedo, antes mesmo do sol nascer, é recomendável. Sentirá como é mais fácil fixar sua mente nos santos nomes nesses horários. Também, por ser a prática mais importante do seu dia, é bom dar prioridade a isso, antes que as exigências do dia lhe roubem todo seu tempo.e) O objetivo é apenas ouvir seu cantar. Tente não pensar em mais nada, nem mesmo em assuntos de natureza transcendental. Cantar japa atentamente não é fácil, mas deve ser seu objetivo constante. Sempre que sua mente lhe arrastar para qualquer outro assunto enquanto canta japa (o que vai acontecer muito!), traga-a de volta aos santos nomes. Nunca desanime. Mesmo o cantar desatento é extremamente poderoso. Portanto, o segredo é continuar sempre cantando, fazendo seu melhor e dependendo da misericórdia de Krishna.Lembre-se também que sempre que estiver falando (ou mesmo escrevendo) sobre Deus, ou qualquer assunto diretamente ligado a Ele, está praticando o “cantar”, pois toda divulgação das glórias, nomes, atividades, devotos, livros, etc. de Deus é também pura bhakti-yoga.Na medida que avançar, assimilando bem os conhecimentos através da prática do item anterior (ouvir) e realizando-as através do cantar, poderá e deverá transmitir seu conhecimento transcendental, em especial divulgar o cantar dos santos nomes de Deus, como puder, dentro de suas possibilidades. Apenas não seja um farsante! Transmita apenas aquilo que compreendeu, sem modificar ou acrescentar nada. Mais fácil ainda, apenas divulgue seus bons resultados com as práticas de bhakti-yoga (e pode ter certeza que se praticar terá bons resultados!), recomendando que as pessoas sigam o mesmo caminho que está trilhando agora.


Manual de Bhakti-yoga
P/ Giridhari Das

Emergência Espiritual e a Crise Global




A ciência moderna dispõe de todo conhecimento necessário para eliminar a maioria das enfermidades, combater a pobreza e a inanição e gerar abundância de energia segura e renovável. Contamos com recursos e mão-de-obra suficientes para realizar os mais desvairados sonhos da humanidade.Contudo, mesmo com todo esse progresso, estamos cada vez mais longe de um futuro feliz, livre de sofrimentos. Os mais importantes triunfos tecnológicos- a energia atômica-, a cibernética, a química e a bacteriologia – voltaram-se para propósitos belicosos, criando um poder destrutivo inimaginável. Centenas de milhões de pessoas morrem de fome e de doenças, que poderiam ser remediadas pelos bilhões de dólares gastos anualmente na loucura da corrida armamentista. Além disso, vários cenários plausíveis de hecatombe global, da gradual destruição ambiental de vários tipos à devastação repentina e imediata pelo holocausto nuclear, deixa-nos com o dúbio privilégio de sermos a primeira espécie da história do planeta a desenvolver o potencial para cometer suicídio coletivo e, o que é pior, destruir com esse ato todas as outras formas de vida.Diante dessa perigosa situação, é vital identificarmos as raízes da crise global e desenvolvermos remédios eficazes para aliviá-la. A maioria das atuais abordagens dos governos e de outras instituições tem como foco medidas militares, políticas, administrativas, legais e econômicas que refletem as mesmas estratégias e atitudes que criaram a crise, atacando antes os sintomas do que as causas e, por essa razão, produzem, quando o conseguem, resultados limitados.Se temos os meios e o conhecimento tecnológico para alimentar a população do planeta, garantir a todos um padrão de vida razoável, combater a maioria das enfermidades, reorientar as indústrias para fontes de energia inesgotável e evitar a poluição, o que nos impede de dar esses passos positivos?A resposta está no fato de todas as situações difíceis acima mencionadas serem sintomas de uma única crise fundamental: os problemas que enfrentamos não são, em última análise, apenas econômicos, políticos e tecnológicos. Eles são reflexos do estado emocional, moral e espiritual da humanidade contemporânea. Dentre os aspectos mais destruidores da psique humana, estão a agressão mal-intencionada e o consumismo insaciável. Trata-se de forças responsáveis pelo desperdício inimaginável da beligerância moderna. Elas também impedem uma divisão mais adequada dos recursos entre pessoas, classes e nações, bem como a reorientação para prioridades ecológicas essenciais à continuidade da vida neste planeta. Esses elementos destruidores e autodestrutivos na atual condição humana são uma conseqüência direta da alienação da humanidade moderna tanto de si mesma como da vida e dos valores espirituais.Em vista desses fatos, um dos poucos movimentos encorajadores e auspiciosos do mundo de hoje é o renascimento do interesse pelas antigas tradições espirituais e pela busca mística. Pessoas que passaram por intensas experiências de transformação e conseguiram aplicá-las à sua vida cotidiana exibem mudanças muito nítidas em seus valores. Esse resultado encerra uma grande promessa para o futuro do mundo, uma vez que representa um movimento que se desvia das características destruidoras e autodestrutivas da personalidade, bem como o surgimento de características que promovem a sobrevivência individual e coletiva.As pessoas envolvidas nos processos de emergência espiritual tendem a desenvolver uma nova apreciação de todas as formas de vida, bem como reverência por elas, ao lado de uma nova compreensão da unidade de todas as coisas, o que costuma levar a intensas preocupações ecológicas e a uma maior tolerância diante dos outros seres humanos. A consideração por toda a humanidade, a compaixão por todos os elementos da vida e o pensamento em termos do planeta como um todo passam a ter prioridade diante dos interesses estreitos das pessoas, das famílias, dos partidos políticos, das classes, das nações, e dos credos. Aquilo que nos une mutuamente e aquilo que temos em comum se torna mais importante do que as nossas diferenças, vistas antes como fator de aperfeiçoamento do que como ameaças. Podemos ver, nas atitudes típicas da emergência espiritual, o contraponto da intolerância, da irreverência para com a vida e da falência moral – raízes da crise global. Dessa maneira é nossa esperança que o crescente interesse pela espiritualidade e a grande incidência de experiências místicas espontâneas sejam o arauto da mudança da consciência da humanidade numa direção que vai ajudar a reverter o nosso atual curso de autodestruição.Vimos que pessoas que passam por emergências espirituais obtêm enormes benefícios de abordagens que apóiam o potencial transformador desses estados. Essas novas estratégias também podem ter efeitos muito benéficos no ambiente humano imediato dessas pessoas – a família, os amigos, e os conhecidos. É estimulante considerar que essas atividade pode , além disso, ter relevância para a sociedade humana como um todo, ajudando a minorar a crise por que todos passam.


Stanislav Grof e Christina Grof

quinta-feira, 17 de maio de 2007


Enviado por Sua Santidade Param Gati SwamiHare Krishna!

Por favor aceitem minhas humildesreverências.

Todas as glórias a Srila Prabhupada.


Nirguna Prabhu acaba de me enviar um email explicandoque ele tem um tumor, ou algo no peito e ele partiu dosEstados Unidos e agora está em Mumbai no HospitalBhaktivedanta aguardando cirurgia. Por favor orem porele. Parece ser algo bem sério. Para aqueles que não oconhecem, Nirguna prabhu é um dos maiores devotos domundo. Ele tem distribuido os livros de SrilaPrabhupada por 32 anos desde 1975. Ele é um devotomaravilhosos e perde-lo seria uma grande ma fortuna.Seria bom se os devotos em geral colocassem uma notanos seus sites para que todos possam orar por Nirgunaprabhu. Os distribuidores de livros são tão queridospara Krishna que devemos tentar ajudar Nirguna prabhude toda maneira possivel. Para os devotos que estão emMumbai, se voces lerem este e-mail por favor visitemNirguna no hospital e veja se ele precisa de qualquercoisa. Isto seria um grande serviço.Muito obrigado. Todas as glórias a Srila Prabhupada!Todas as glórias ao movimento de sankirtana!


Seu servo,

Devaki Nandana Dasa

terça-feira, 15 de maio de 2007

OS PARADOXOS E A ESTÉTICA DO ABSOLUTO NA FILOSOFIA INDIANA


O texto é grande, mas pra quem gosta de filosofia vedica vale muitissimo a pena !


OS PARADOXOS E A ESTÉTICA DO ABSOLUTO NA FILOSOFIA INDIANA


por Lokasaksi DasaRESUMO: A filosofia indiana é geralmente conhecida pelo seu idealismo panteísta. Mas toda a história da filosofia na Índia foi construída a partir do debate crítico entre as duas grandes vertentes do Hinduísmo: o idealismo gnóstico de Shankara e o realismo teísta dos Vaishnavas. Enquanto Shankara reduz toda a natureza fenomenal a uma grande ilusão (maya), e a sua relação com o Absoluto como sendo anir-vacaniya "indescritível", os Vaishnavas aceitam a realidade da unidade e diferença simultânea do Absoluto com suas energia (as almas e o mundo). Sua relação seria achintya "inconcebível" e baseada numa estética espiritual (bhakti-rasa) que seria o arquétipo de todos os relacionamentos humanos. INTRODUÇÃO A palavra em sânscrito utilizada na Índia para designar "filosofia" é "dársana", que vem da raiz verbal dåç "ver" ou "observar", significa literalmente "ponto de vista". Os sábios hindus tinham discernimento para observar as coisas com seu olho interno, com sua visão intuitiva. Não se procurava unicamente uma atitude racional crítica, - já se conhecia os limites da razão- mas sim um cultivo gradual das potencialidades humanas internas, sempre dentro do molde prático de uma disciplina. Assim a filosofia oriental foi sempre seguida pela prática de alguma forma de exercício de yoga, ascetismo, meditação, oração e culto. O conceito hindu de razão era o de uma razão superior, que se igualava à Razão divina. Daí a necessidade de sempre correlatar e autenticar o insight filosófico ou místico individual com a revelação universal encontrada nas escrituras védicas. Essa é a característica dos dársanas ortodoxos hindus. Tanto na Índia como do Ocidente, uma questão sempre se apresentou ao pensamento filosófico. É a da relação entre Deus e o homem, o Absoluto e o mundo da experiência finita, o númeno e o fenômeno. A síntese desse debate se coloca, pelo paradoxo, numa superação do pensamento racional puro, o que prepara, nas asas do misticismo, a busca estética do relacionamento amoroso na transcendência. A RELAÇÃO NÚMENO-FENOMENAL O problema da relação entre Deus e o homem tem sido conduzido de duas formas: alguns pensadores, enfatizando a distinção essencial entre o infinito e o finito, aceitam a transcendência absoluta de um sobre o outro, enquanto que outros, enfatizando a identidade de ambos, consideram Deus como imanente no espírito humano e no mundo fenomenal. No Ocidente, a visão de um Deus transcendente ganhou notoriedade na Europa com o surgimento do individualismo no século XVIII. Para Leibniz, por exemplo, Deus era uma deidade extramundana, sem conexão alguma com o homem e o mundo finito. Ele era a mônada das mônadas, a mônada suprema, absolutamente auto-suficiente e eternamente fechado para outros seres e mônadas. Inexistia qualquer tipo de relação imediata entre Deus e o homem. As dificuldades desse tipo de filosofia eram óbvias. Muita ênfase na transcendência de Deus dava lugar a um tipo de deísmo mecânico; Deus se reduzia a uma grande primeira causa. Como um relojoeiro, Ele cria a maquinaria do mundo, de uma vez por todas, e, sem interferir mais nela, meramente se contenta em "observá-la funcionar". Fora o fato de que tal Deus dificilmente satisfaz a consciência religiosa, a posição deísta cria em um abismo intransponível entre Deus e o homem, além de enfraquecer a noção essencial da unidade de todos os seres. Assim, Leibniz perde-se na explicação da unidade ou harmonia das coisas, sendo conduzido, no final, a essa mesma conclusão, através de sua crença na harmonia pré-estabelecida do Universo. Além do que, dualismo e pluralismo são conseqüências inevitáveis da filosofia da transcendência, e sugerem limitações na liberdade absoluta e na perfeição infinita de Deus. Insistência na transcendência conduz a um agnosticismo irremediável em Kant: o Universo é bifurcado em númeno e fenômeno, o mundo dentro e fora da experiência; Deus é considerado como uma realidade que faz parte do mundo numenal como a coisa-em-si incognoscível, em toda a sua pureza primitiva, que a razão humana não ousa tocar e contaminar. A imanência, por sua vez, é enfatizada por Hegel. Ele se revolta contra o agnosticismo de Kant e insiste na imanência da razão divina no mundo. Mas, a ênfase indevida na imanência, em Hegel, levou à identificação de Deus com o mundo da experiência. Considera-se, então, que o mundo é o pensamento de Deus e que os diferentes pensadores finitos são funções ou modos da autoconsciência universal. As almas finitas são desprovidas de sua existência independente e feitas sombras de Deus. De outro ponto de vista, quando identifica a experiência humana com a experiência divina, Hegel virtualmente nega qualquer realidade para um Deus em si mesmo. Ele considera a história da humanidade como um processo necessário através do qual Deus torna-se autoconsciente. A doutrina da evolução, sem dúvida alguma, é uma das suas contribuições mais importantes à filosofia. Mas, quando identifica as fontes divinas e a meta da evolução como sendo as manifestações humanas mais elevadas, ele se coloca na mesma posição dos materialistas. Deus não é mais só auto-existente, mas a Sua existência depende do aparecimento do homem: o aparecimento do homem é idêntico ao Seu auto-aperfeiçoamento final. Para desembaraçar o Absoluto hegeliano dessa dificuldade é necessário insistir em sua existência independente e transcendência absoluta de todas as nossas categorias de pensamento e de "ser". Isso leva ao panteísmo, ou acosmismo, que, ao admitir a existência de uma substância indiferenciada e todo-abrangente como a realidade única, rejeita a existência finita, considerando-a uma espécie de ilusão. Na filosofia ocidental, isso encontra sua principal expressão em Spinoza e no Neoplatonismo, enquanto que na Índia temos o Advaita-vedanta, que tem como seu principal expoente Shankara (788-820 d.C.). Tanto Espinosa como Shankara, em vez de explicar a relação existente entre o finito e o infinito, saem da situação cancelando um dos termos da relação. Espinosa descreve o finito como uma manifestação dos atributos da substância indiferenciada, que na verdade não lhe pertence, mas lhe é sobreposta. Shankara descreve isso como o resultado de upadhis ou condicionamentos. Desde que a natureza de uma falsidade, ilusão ou upadhi é o de "não-existência", não pode haver o problema de relação. Mas o problema, que o panteísmo tenta de alguma forma descartar, lhe retorna de outra forma, ainda mais complicada. Pois, apesar de se buscar eliminar o finito, por ser não-existente, este finito ainda persiste na forma de sua aparência, que não pode ser negada. O problema da relação entre o finito e o infinito, apesar de aparentemente resolvido, reaparece na forma do problema da relação entre "aparência" e "realidade", que Spinoza e Shankara não conseguem resolver. A SÍNTESE NECESSÁRIA E O VEDANTA A história da filosofia nos mostra que nem a imanência e nem a transcendência pode resolver o problema da relação entre Deus e o mundo. Os conceitos de identidade e diferença são ambos inadequados para descrever a natureza das coisas. Ênfase exclusiva em um leva à negação virtual do mundo, considerado uma ilusão, enquanto que ênfase exclusiva no outro bifurca a realidade em duas e cria um abismo intransponível entre Deus e o mundo. Ambos os conceitos, entretanto, parecer ser igualmente necessários. Identidade é uma exigência necessária da razão e diferença um fato inegável da experiência. A síntese ideal de identidade e diferença deveria ser a meta buscada pela filosofia. Mas essa síntese, apesar de necessária, não é possível ou pelo menos concebível. Esse é o teste final da lógica humana. Ela é deficiente. Mas a lógica do infinito tem êxito onde a lógica humana fracassa. No ser perfeito não há conflito entre necessidade e possibilidade. O que é necessário, é verdadeiro. O Vedanta, que constitui a síntese da metafísica e a conciliação de todo o conhecimento contido nos Veda e Upanishads, vincula muito bem esse problema. Generalizações superficiais tem identificado o Vedanta com a filosofia de Shankara, apesar de toda a história da filosofia na Índia foi construída a partir do debate filosófico entre as duas principais vertentes do Hinduísmo, o Smartismo e o Vaishnavismo. Temos, assim, duas grandes linhas de interpretações do Vedanta: a do "idealismo panteísta" de Shankara e a do "realismo teísta" dos mestres Vaishnavas, tais como Ramanuja (1017-1137 d.C.), Madhva (1238-1317 d.C.), Nimbarka (séc. XII) e Chaitanya (1485-1533 d. C.). O PARADOXO EM SHANKARA E CHAITANYA Segundo os Vaishnavas, o Absoluto, ou Brahman, é a causa material do mundo, mas de acordo com Shankara, o mundo é apenas uma superposição no Brahman, causado pela ignorância (ajñana). Para ele o Brahman não se submete a nenhuma mudança durante a criação, já que a aparência do mundo é meramente uma projeção, como uma miragem. Mas segundo os Vaishnavas, Brahman, de alguma forma, sofre uma mudança real. Para Shankara, Maya, a natureza material, não é real, porque o Brahman é a única realidade; mas ela também não é irreal porque produz as aparências do mundo. Ela é ao mesmo tempo real (sat) e irreal (asat). Ela é indeterminada e indescritível (anir-vacaniya). Ela é sem começo (anadi) mas tem um fim (ananta), uma vez que é cancelada com a liberação (mukti). Brahman é a verdadeira natureza do universo. O que faz o universo parecer real é Maya. Maya é o poder de Brahman e sua função de esconder o real e projetar o irreal. Quando ela se projeta na mente individual é chamada avidya (ignorância). Segundo Chaitanya, a chave para a solução do problema encontra-se no poder inconcebível (achintya-shakti) de Deus, pelo qual os conceitos de identidade e diferença são transcendidos e conciliados numa síntese superior. É possível para o Absoluto, ou Brahman, ser diferente e simultaneamente igual ao mundo, criar o mundo de si e em próprio e permanecer fora dele. Isso não pode ser explicado pela razão. Transcendência e imanência seriam aspectos associados de uma unidade permanente em Deus. Essa é a doutrina de Achintya-bheda-abheda "inconcebível diferença e igualdade simultânea", que considera Deus (Isvara), as almas (jivas), e a natureza (prakriti ou maya) como sendo todos reais e, de uma forma inconcebível pela razão (achintya), simultaneamente iguais e diferentes. O aspecto imanente de Deus é chamado Paramatman, enquanto que o Seu aspecto transcendente, com todo Seu esplendor de perfeições, potências, a atributos infinitos é denominado Bhagavan. Essa concepção de Chaitanya baseia-se num famoso verso do Bhagavata Purana: Videntes conhecedores do Absoluto chamam essa substância não-dual de Brahman, Paramatma e Bhagavan. Esse texto expressa como a Verdade absoluta pode ser realizada diferentemente como Brahman, o Ser ou existência impessoal onipresente, Paramatma, a Superconsciência imanente em todos os seres e Bhagavan, a Personalidade transcendental da Divindade. A ênfase exclusiva de Shankara na identidade e unidade, bem como sua doutrina que vê o Brahman como a única realidade e o mundo e as almas como aparências ilusórias, não são aceitas pelos Vaishnavas. Para Chaitanya, Deus, as almas e o mundo são realidades inseparáveis, mas, ao mesmo tempo, distintas umas da outras. Deus é imutável e Suas potencias (shaktis) se manifestam como as almas e o mundo. Na criação, Deus não se transforma, é a sua potência material que se transforma. Dá-se o exemplo do fogo e de suas energia de calor e luz; as energias se transformam, no ato de cozinhar e iluminar, mas o fogo permanece à parte, imutável. A distinção é tão importante quanto a identidade. Segundo eles, nem a categoria da identidade nem a categoria da diferença pode expressar adequadamente a relação existente entre Deus, a energia ilusória (maya) e o universo. Conscientes da dificuldade lógica que existe em reconciliar identidade com diferença no mesmo ponto de vista, os seguidores de Chaitanya chamaram essa relação achintya , ou "inconcebível para a razão humana". Temos, entretanto, que distinguir o conceito de achintya (inconcebível), como compreendido na escola de Chaitanya, do conceito de anir-vacaniya (indescritível) no Advaita-vedanta de Shankara. O Brahman e suas potências (shaktis), segundo Chaitanya, são achintya, mas não anir-vacaniya. Achintya é aquilo que não é lógico, um "paradoxo", mas que deve ser aceito unicamente em base da autoridade da revelação. AS POTÊNCIAS INFINITAS E INCONCEBÍVEIS Segundo Chaitanya, a potência de Deus é infinita, inconcebível e Lhe é intrínseca. Ou seja, Seus poderes não são limitados nem pelo tempo nem pelo espaço, pois, só Ele pode criar o tempo e o espaço. O poder só pode ser conhecido ou concebido pelo seu exercício. Concebe-se, portanto, três energias que são partes integrantes da potência de Deus: 1) Jagat ou Maya-shakti, a energia externa, que é o atributo de criar e manifestar a existência fenomenal, o mundo material; 2) Tatastha ou Jiva-shakti, a energia marginal, que é o atributo de poder manifestar as almas individuais; 3) Chit-shakti, a energia interna, que é o atributo de exibir a existência espiritual perfeita, o mundo espiritual arquetípico. Juntos esses atributos, formam a potência suprema chamada Para-shakti. Apesar dessa shakti suprema não ser diferente de Deus, seus atributos se manifestam separadamente, em ações distintas. Bhagavan ou Deus, sendo a vontade suprema, acima de qualquer moral, exerce Seus poderes infinitos, enquanto permanece inalterado por eles. Não podemos compreender isso com a razão lógica, mas sentir na alma como verdade intuitiva. A alma individual, por posição constitucional (svarupa) situa-se entre o mundo material (maya-shakti) e o mundo espiritual (chit-shakti), daí ser também chamada de energia marginal. No exercício do seu livre arbítrio, ela pode escolher associar-se com a energia material e ser iludida por ela, esquecendo-se de sua essência espiritual, ou, em consciência plena, viver em harmonia com a natureza espiritual, agindo como servo eterno de Deus. OS SENTIMENTOS ESTÉTICOS DAS RASAS Para Shankara, a única realidade é o Ser, impessoal, informe, não-qualificado e sem atributos; toda a diversidade e variedade (vishesha), por ser produto de Maya, são ilusões. Mas para Chaitanya, somente a variedade material é ilusória, por ser temporária e baseada na dualidade. A variedade material é um reflexo ou sombra da variedade encontrada na energia espiritual. Na energia espiritual, pelo contrário, a vida é governada pela lei da unidade, pela lei da harmonia. O amor é a lei da harmonia na sua forma mais elevada. O amor espiritual, que é eterno, não se confunde com a paixão transitória e ilusória do mundo material, mas identifica-se com bhakti, a devoção amorosa, ou amor a Deus. Rupa Gosvami (1489-1564 d.C.) define a forma mais elevada de bhakti como sendo a busca desinteressada e ininterrupta de Deus, sem nenhum interesse no conhecimento ou em atividades morais. Essa devoção tem muitas nuanças, que recebem o nome de rasa, ou bhakti-rasa. Rasa significa "suco" ou "gosto". Ele representa o que é essencial em qualquer coisa que possamos experimentar, o sentimento que extraímos de qualquer coisa ou de qualquer relacionamento. Na filosofia Vaishnava ou Bhagavata, ele se refere à experiência estética última na transcendência - o relacionamento amoroso com a Divindade, a plenitude ou satisfação emocional da alma. O conceito de rasa, portanto é muito amplo, indo além da questão ontológica do ser, - no Brahman - e mais além ainda da questão moral da consciência ou conhecimento, - no Paramatman. Ele é um princípio eterno, relacionado com a questão estética, no relacionamento espiritual da alma com Deus. As Upanishads descrevem Deus (Bhagavan) como a personificação ou oceano de rasa. A Rasa dá-nos um insight sobre quem verdadeiramente somos, sobre o que somos no mundo espiritual. Na Taittiriya Upanishad afirma-se que: A realidade última é rasa, ou seja, doçura ou experiência espiritual estética; unicamente ela pode dar a bem-aventurança. Na rasa espiritual, as almas - umas com as outras e todas com o maravilhoso Senhor - atuam liberadas no mundo espiritual, sendo transcendentais ao tempo e espaço materiais. Bhakti, a devoção amorosa ou amor por Deus, é um modo ou função (vritti) da potência espiritual de bem-aventurança de Deus. Não deve ser considerada como um mero produto de Maya, a energia material. Bhakti-rasa não é uma mera sublimação do amor e da paixão humanos. Pelo contrário, a nossa carência emocional e estética deriva da expectativa absoluta que temos e que nos leva a idealizar as "rasas mundanas". Isso demonstra a natureza arquetípica da natureza espiritual, pois, tanto os artistas, como o místico, são amantes que se desconhecem e se descobrem. CONCLUSÃO O pensamento dos sábios indiano, não se bastou nas especulações filosóficas, que os elevou, no Hinduísmo, bem além do ritualismo brâmane. Não se contentou também com o idealismo que exaltava a fusão da existência individual em Deus, em um nirvana gnóstico. O reconhecimento dos paradoxos da razão no Absoluto realizou-se plenamente somente quando, em direção inversa ao Ocidente, ocorreu o renascimento de bhakti - a busca do amor divino. Essa espiritualidade, que, nas cores de uma devoção prática e popular, resgatou a estética das emoções puras, nas artes, na música, nas danças e nos dramas, também formatou a civilização de sabedoria e do misticismo transformador. Esse patrimônio espiritual da humanidade, assim como o fez no passado, hoje também está atraindo e contribuindo para a "Nova Era" emergente, que na globalização planetária, permitirá que o aleijado tecnológico do Oriente possa andar nas costas do cego do Ocidente, que por sua vez poderá enxergar com a visão de sabedoria do Oriente.


por Lokasaksi Dasa


A ORIGEM DOS ARIANOS E SUA INFLUÊNCIA SOBRE O MUNDO


A ORIGEM DOS ARIANOS
E SUA INFLUÊNCIA SOBRE O MUNDO

Sri Nandanandana Dasa (*)
Extraído do livro:
Proof of Vedic Culture's Global Existence
tradução: Vanavihari Devi Dasi

Ainda é incerto como o nome “ariano” foi atribuído aos povos ditos “invasores” das regiões do Vale do Indus, mas não é uma consideração legítima se realmente houve alguma invasão. Entretanto, chamou-se de “ariano” aos ocupantes das planícies entre os mares Cáspio e Negro. A hipótese acadêmica é de que eles começaram a migrar no começo do segundo milênio a.C. Alguns teriam ido para o Norte e Noroeste, outros, para o Oeste se instalar em regiões do Oriente Médio, enquanto outros ainda teriam viajado para a Índia através do Vale do Indus. Esses que teriam entrado na Índia são chamados de “arianos invasores”.

Entretanto, a literatura védica estabelece um argumento diferente. Ela apresenta evidência de que a antiga Índia, a Índia pré-histórica, se estendia numa área muito mais extensa. E que os verdadeiros arianos não eram os invasores provenientes do Norte para o Vale do Indus, mas eram sim os residentes originais da região, descendentes da sociedade védica que havia se espalhado a partir da Índia sobre todo o mundo.

É bom lembrar que o termo ariano foi confundido com o significado ‘claro’, ‘de aparência clara’. Porém, ariano refere-se a arya (do Sânscrito), ou uma consciência clara para Deus, não às pessoas brancas. No sutras védicos, a palavra aryans é usada para se referir aos que são orientados espiritualmente e de caráter nobre. A palavra aryan em Sânscrito está ligada lingüisticamente à palavra harijana (pronunciada hariyana), significando ‘relacionado a Deus, Hari’. Então, ariano refere-se aos que praticam os ensinamentos védicos e não significa uma raça em particular. Qualquer pessoa pode ser um ariano seguindo a clara filosofia védica, enquanto os que não a seguem são não-arianos.

Assim, o nome ariano, como geralmente é aceito hoje, foi desviado a um grupo de pessoas que teria migrado do Norte para a Índia. Vieram a chamar esse povo de “sumerianos”, mas L. A. Waddell (The Indo Sumerian Seals Deciphered, 1980; Hawthorne, Califórnia: Omni Publications), embora use o termo, explica que o nome sumeriano não existe como uma classificação étnica. Segundo ele, foi fabricado pelos assiriologistas modernos e é usado para rotular os povos arianos. E Dr. A. Rupert Hall, em seu livro Ancient History of the Near East, diz que há entre os dravidianos da Índia e o sumerianos da Mesopotâmia uma semelhança antropológica que sugere que o povo chamado de sumeriano de fato seja descendente indiano. Com esta informação em mente, está claro que os reais arianos eram os seguidores védicos que já existiam em toda Índia e ao Norte, além do Vale do Indus.

Para ajudar a entender como a influência ariana se espalhou pelo mundo, L. A. Waddell explica que os arianos estabeleceram as rotas pré-históricas de comércio por terra e mar, desde pelo menos o começo do terceiro milênio a.C., se não desde muito antes. Onde quer que os arianos fossem, eles impunham sua autoridade e cultura, para melhoria da cultura que encontravam. Reuniam em unidade nacional tribos e clãs desgarrados, que se tornavam cada vez mais hábeis em seus sistemas de organização social, comércio, e arte.

Em busca de novas fontes de metal, como estanho, cobre, ouro, e chumbo, os arianos estabeleceram portos e colônias entre as tribos locais, que depois desenvolveram em nações separadas muitas das tradições e características culturais dos arianos governantes. Claro que, como o comércio com os arianos diminuiu, especialmente depois da Guerra de Mahabharata na Índia, surgiram variações nas lendas e culturas. Isto responde pelas muitas semelhanças que havia entre as diferentes civilizações antigas do mundo, como também pelas semelhanças ainda hoje existentes.

Os antigos puranas explicam que Manu e seus filhos governaram tanto sobre terras ao norte, quanto sobre terras ao sul do Monte Meru e Kailas. Outros arianos poderiam ter descido facilmente os rios Sarasvati e Sarayu no norte a Índia. Outros, do Indus, entraram em Kashmir, no Afeganistão e na Ásia Central. Outros ainda entraram nas áreas de Gujarat e Sind, e por sobre a Pérsia e a região do Golfo. Eis como a civilização sumeriana foi fundada, junto com a Babilônia. De lá, eles entraram mais adiante, na Turquia e na Europa.

Depois de se espalharem pelo sul da Índia, eles prosseguiram Ganges abaixo pelo Mar do Leste, na Malásia e na Indonésia, fundando antigas culturas védicas. Através do mar, seguiram para a China, onde provavelmente já havia arianos. Da China e do Oriente, velejaram sobre o Oceano Pacífico e finalmente alcançaram e colonizaram as Américas. Há bastante evidência disto.

Podemos ver alguns dos efeitos dessa expansão fora de Índia quanto ao termo aryan. O nome harijana ou aryan desenvolveu-se em syrian na Síria; hurrian em Hurri; e iranian no Irã. Um caso semelhante é o desenvolvimento do nome parthian em Partha, outro antigo país na região da Pérsia. Partha era o nome do amigo de Krishna Arjuna, um ariano védico, e significa ‘o filho do Rei Prithu’. Assim o nome parthian indica ‘aqueles que são descendentes de Rei Prithu’. E os gregos se referiam aos judeus como judeos, ou jah deos, ou yadavas, significando ‘povo de Ya’, ou ‘descendentes de Yadu’ – Yadu era um dos filhos de Yayati.

Outro aspecto da conexão entre essas várias regiões e a cultura védica é explicado na literatura védica. No Rig-Veda (10.63.1), Manu é o primeiro dos reis e videntes. Ele e sua família foram sobreviventes do dilúvio mundial, como mencionado no Shatapatha Brahmana (1.8.1). Assim, um novo começo para a raça humana veio de Manu, e toda a humanidade descende dele. O Atharva-veda (19.39.8) menciona onde a nau de Manu ancorou no Himalaya, depois da inundação. No norte da Índia, na colina de Manali, há um templo que marca este local. Seus descendentes são o Pauravas, Ayu, Nhusha, e Yayati.

De Yayati vieram o cinco clãs védicos: Purus, Anus, Druhyus, Turvashas, e Yadus. Os Turvashas estão relacionados ao sudeste da Índia, Bengala, Bihar, e Orissa, e são os ancestrais dos dravidianos e dos Yavanas. Yadu está relacionado ao sul ou sudoeste, Gujarat e Rajasthan, de Mathura para Dwaraka e Somnath. Os Anus estão relacionados ao norte, Punjab, Bengala e Bihar. Os Druhyus relacionam-se ao oeste e noroeste, como Gandhara e Afeganistão. Os Purus estão conectados com a região central de Yamuna/Ganges. Todos menos os Purus eram conhecidos por terem caído intermitentemente do dharma védico, e várias guerras nos puranas foram com estes grupos.

De acordo com Shrikant Talageri, no livro The Aryan Invasion Theory: A Reappraisal (1993; pp. 304-5, 315, 367-368; Delhi: Model Town II), destes ancestrais, os Purus eram o povo do Rig-Veda e desenvolveram a cultura védica no norte central da Índia e no Punjab, ao longo do Rio Saravati, (Rig-Veda 7.96.2). Os Anus do sul de Kashmir espalharam-se sobre a Ásia Ocidental, ao longo do Parushni, ou atualmente Rio Ravi (Rig-Veda 7.18.13), e desenvolveram as várias culturas iranianas. Os Druhyus do noroeste da área do Punjab e Kashmir espalharam-se na Europa e se tornaram os indo-europeus ocidentais, ou os druidas e celtas antigos. Um primeiro grupo foi para noroeste e desenvolveu o dialeto Proto-Germânico, e outro grupo viajou para mais longe ao sul e desenvolveu os dialetos Proto-Helênico e Itálico-Celta. Outras tribos incluíam os Pramshus, em Bihar Ocidental, e Ikshvakus, do norte de Uttar Pradesh.

Outras tribos mencionadas nos textos védicos incluem os Kiratas, o povo das montanhas do Tibete e Nepal, considerado impuro por não praticar o dharma védico. O Vishnu Purana (4.3.18-21) também menciona os Shakas (scythians da antiga Ásia Central); os Pahlavas (persas); e os Cinas (chineses). Todos considerados nobres caídos, ou kshatriyas expulsos da Índia durante o reinado do Rei Sgara.

Para explicar mais, Yadu era o primogênito dos cinco filhos de Yayati, um grande imperador do mundo e um dos ancestrais originais dos arianos e da herança indo-européia. Yayati dividiu seu reino entre os filhos, que, então, começaram as próprias dinastias. Yayati teve duas esposas, Devayani e Shamistha. Com Devayani teve dois filhos: Yadu e Turvasu. Yadu era o criador da dinastia de Yadu, ou Yadavas, conhecida como a Dinastia Lunar. De Turvasu vieram os Yavana, ou Dinastia Turca. De Sharmistha, Yayati teve três filhos: Druhya, que começou a dinastia de Bhoja; Anu, que começou a Dinastia Mleccha, ou Grega; e Puru, que começou a Dinastia Paurava, estabelecida ao longo dos rios Ravi e Sarasvati. Alguns dizem que este clã foi depois para o Egito e deu origem aos faraós. Estas tribos arianas, originárias da Índia, do rei Yayati, mencionadas no Rig-Veda e nos Vishnu e Bhagavat puranas, espalharam-se pelo mundo inteiro.

O Mahabharata menciona várias províncias do sul da Europa e da Pérsia, que uma vez estiveram conectadas com a cultura védica. O Adi-parva (174.38) do Mahabharata descreve a província de Pulinda (Grécia), conquistada por Bhimasena e Sahadeva, dois dos irmãos Pandavas. Assim, os gregos antigos uma vez foram parte de Bharata-Varsa (Índia) e da civilização védica.

Mais tarde, esses povos abandonaram sua ligação com a sociedade védica e, então, foram classificados como Mlecchas. Porém, na seção de Vana-parva do Mahabharata está predito que esta sociedade não-védica um dia governaria a maioria do mundo, inclusive a Índia. Alexandre o Grande conquistou a Índia para os Pulindas, ou civilização grega, em 326 a.C., cumprindo a profecia.

As seções de Sabha-parva e Bhisma-parva do Mahabharata mencionam a província de Abhira, situada próximo ao que uma vez foi o Rio Sarasvati, no antigo Sind. É dito que os Abhiras foram guerreiros que deixaram a Índia com medo do Senhor Parashurama e se esconderam nas colinas do Cáucaso, entre os mares Negros e Cáspio.

Outra província mencionada no Mahabharata (Adi-parva 85.34) é a dos Yavanas (turcos) assim nomeados por serem descendentes de Maharaja Yavana (Turvasu), um dos filhos de Maharaja Yayati. Eles também deixaram a cultura védica e se tornaram Mlecchas. Lutaram na Batalha de Kurukshetra, contra o Pandavas, em nome de Duryodhana. Porém, foi predito que um dia voltariam para conquistar Bharata-Varsa (a Índia), e, realmente, isto ocorreu. Muhammad Ghori mais tarde atacou e conquistou partes da Índia, em nome do Islã, de Abhira e Yavana, ou países turcos.

Esta é a versão védica das origens da civilização ariana e como sua influência se espalhou pelo mundo.

(*) Sri Nandanandana Dasa é norte-americano,
discípulo de Srila Prabhupada, foto-jornalista
e pesquisador da Cultura Védica.
fonte: www.culturavedica.net/Page333.htm