Dedicado a Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedenta Swami Prabhupada e Gurudeva Srila Dhanvantari Swami

Dedicado a Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedenta Swami Prabhupada e Gurudeva Srila Dhanvantari Swami
Jagad Guru Srila Prabhupada

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Simultaneidade de Lilas 3


Parte 1

No seu Tika no Manah-siksa,Thakura Bhaktivinoda diz:"Sem primeiro lembrar-se e adorar o Mestre Espiritual e o Senhor Gauranga,um devoto não pode oferecer serviço devocional amoroso puro ao divino casal Radha e Krsna.Qualquer desvio deste processo restringirá todo o avanço espiritual."
Outro texto do Bhakti Ratnakara:"Em meditação(manasi seva) Srinivasa Acarya certa vez ofereceu uma fragrante guirlanda de flores ao Senhor Gauranga,o qual estava sentado numa Simhasana repleta de jóias,rodeado pelos Seus queridos devotos,na floresta de Navadvipa.
Dominado por emoções transcendentais,Srinivasa Acarya começou a chorar profusamente.Em reciprocidade amorosa, o Senhor Gauranga ofereceu a mesma guirlanda de volta a Srinivasa.Isto interrompeu a meditação de Srinivasa.Retornando a consciência externa,Srinivasa ficou surpreendido ao constatar que a guirlanda adornava seu pescoço, e difundia um aroma imcomparável.
Então Srinivasa começou a meditar no Holi Lila(Passatempo de atirar cores)de Radha Govinda em Vrndavana.Na sua forma espiritual concebida mentalmente como Mani-manjari,Srinivasa Acarya ofertou pó colorido a Srimati Radhika.Desta vez, quando quebrou sua meditação,tinha todo o corpo coberto com pó colorido divinamente perfumado."

Podemos perceber que Srinivasa Acarya deu o exemplo perfeito do princípio de primeiro adorar Gauranga Lila e depois Radha-Madhava Lila.
No entanto,no Gaudiya Vaisnavismo ocorre a simultaniedade na adoração de Lilas.
A seguir a explicação de Bhaktivinoda Thakur no Jaiva Dharma:
"Gauranga Lila e Govinda Lila devem ser adoradas simultaneamente,porque ao alcançar a perfeição,os sadhakas Gaudiya Vaisnavas obtém dois corpos espirituais.
Geralmente, ao alcançar a perfeição espiritual,uma entidade viva tem somente um svarupa(corpo transcedental).

Porém, em muitos casos,o destino último dos seguidores de Srila
Rupa Goswami é obter duas forma espirituais:

1) Uma forma majestosamente bela de Kaisori (Uma jovem) Manjari-gopi, para servir Radha-Govinda na associação de outra sakhis e manjaris de Vraja.

2) Uma forma masculina maravilhosamente dourada de Kaisora (Um jovem) para servir o Senhor Gaurasundara e Seus associados em Navadvipa-Dhama.

O mais afortunado devoto participará simultaneamente nestas Lilas para eternamente servir o Senhor."

Aprecio muito o seguinte verso do Sri Caitanya-Caritamrta (Madhya-Lila,25-277):

caitanya-lila-amrta-pura krsna-lila-sukarpura
duhe mili'haya sumadhurya
sadhu-guru-prasade taha yei asvade
sei jane madhurya-pracurya

Caitanya-lila-amrta-pura: os passatempos do Senhor Caitanya Mahaprabhu são plenos de néctar.
Krsna-lila-sukarpura: os passatempos do Senhor Krsna são tão qual a cânfora.
Duhe mili:os dois encontrando-se.
Haya:tornam-se.
Su-madhurya:muitíssimo saborosos.
Sadhu-guru-prasade: pela misericórdia de pessoas santas e devotos na posição transcedental.
Taha: isto.
Yei: qualquer pessoa que.
Asvade: prove este néctar delicioso.
Sei jane: pode compreender.
Madhurya-pracurya: a imensa quantidade de doçura no serviço devocional.

"Os passatempos de Sri Caitanya Mahaprabhu são plenos de néctar e os passatempos do Senhor Krsna são como a cânfora. Quando se misturam estes ingredientes,resulta um sabor muito doce.Pela misericórdia dos devotos puros,todos que saboreiam isto podem compreender a extensão desta doçura."

No Sri Caitanya Candrodaya, Srila Kavi Karnapura explica como Sri Caitanya abençoou Sri Advaita Acarya:"Oh! Acarya, estou sempre absorto nos Meus passatempos, residindo em Vrndavana, e darei a vocês todos os corpos (espirituais) adequados para juntarem-se a Mim nos passatempos de Vrndavana."Sri Advaita Acarya respondeu:"Pelo Seu desejo nós poderemos alcançar o que quer que o Senhor deseje, numa outra morada ou outro corpo. Iremos sempre lembrar nossa origem nos Seus passatempos maravilhosos."

Parte 2

Existem dois tipos de passatempos do Senhor:

Nitya (Regular)

Naimittika (Lilas ocasionais)

Os passatempos de Nrsimhadeva com Prahlada Maharaja são Naimittika Lila. Começam e terminam e depois começam e terminam em outro Universo.

Prahlada Maharaja certamente ocupa uma posição especial.

"Meu querido Prahlada, enquanto estiveres neste mundo material, irás terminar com as reacções de todas as actividades piedosas por sentir felicidade, e por actuar piedosamente irás neutralizar as actividades impiedosas.
Devido ao factor tempo, irás deixar este corpo, mas as glórias das tuas actividades serão cantadas nos sistemas planetários superiores, e estando livre de todos os condicionamentos, irás retornar ao Lar, ao Supremo."

Srila Prabhupada explica:
"Prahlada Maharaja é um Siddha misto, ou seja, ele é perfeito porque em parte executou serviço devocional e em parte por causa da sua perfeição eterna. Ele é comparado a devotos como Narada." Srimad Bhagavatam 7.10.13

Portanto, a forma de Prahlada Maharaj não é Siddha Deha, mas Sadhaka Deha, visto que não há descrições do fim dos passatempos de Prahlada Maharaja e como alcançou Siddha.

Ou seja, não existe uma descrição pormenorizada do Siddha Svarupa de Prahlada Maharaja.

Seu servo
Prahladesh Dasa

Vivendo no Gita e em Srila Prabhupada

Bloco de texto
Todas as glórias a Srila Prabhupada!!
Lembrando para viver Do Srimad Bhagavad-Gita Como Ele É: "É muito melhor cumprir os deveres prescritos próprios, embora com defeitos, do que executar com perfeição os deveres alheios। A destruição durante o cumprimento do próprio dever é melhor do que ocupar-se no deveres alheios, pois seguir o caminho dos outros é perigoso।" BG 3।35 SIGNIFICADO: Devemos, portanto, executar em plena consciência de Krsna nossos deveres prescritos em vez daqueles prescritos para outros। Materialmente, os deveres prescritos são impostos segundo a condição psicofísica da pessoa, sob o encanto dos modos da natureza material। Os deveres espirituais são aqueles que o mestre espiritual decreta para o serviço transcendental a Krsna। Mas quer materiais quer espirituais, a pessoa deve ater-se a seus deveres prescritos mesmo confrontado a morte, ao invés de imitar os deveres prescritos alheios। Os deveres na plataforma espiritual e os deveres na plataforma material talvez sejam diferentes, mas aqueles que os executa sempre faz bem em seguir a instrução autorizada. (...) Srila Prabhupada ki jay!!

terça-feira, 10 de julho de 2007

O Coxo e o Cego


O Coxo e o Cego


Recentemente, uma professora de Filosofia em Portugal, chamou a atenção para o facto de que actualmente a Filosofia está restrita ao meio Acadêmico.

Numa de suas aulas SS Hrdayananda Das Goswami adverte que vivemos um período de grave crise no pensamento filosófico.

A História da Filosofia passou por diferentes fases. Até a queda do Comunismo, ainda havia uma certa participação geral.

Hoje em dia as pessoas só pensam em como manterem-se e em aumentar seus bens.

No entanto, sempre vão surgindo declarações interessantes, como por exemplo, a seguinte citação do editorial do repórter português Pedro Pinto:

"Uma sociedade sem qualquer interesse por filosofia, sociologia ou curso de letras em geral nunca será bem sucedida.

Incapaz de olhar para si mesma e reflectir sobre seu trajecto, será impotente para apreender as mudanças em curso e adivinhar tendências.

Mas uma sociedade sem matemática, sem pessoal qualificado na área das ciências, em computação, engenharia, análise numérica, economia, etc., também nunca será rica.
O desenvolvimento da tecnologia, a especialização internacional e a emergência da globalização tornaram imperativo ter pessoal qualificado nas vertentes mais abstractas da ciência."

Aqui o repórter Pedro Pinto não menciona o interesse pela vida espiritual como um ponto essencial para que uma sociedade seja bem sucedida.

Mas ao referir a filosofia, sociologia e outras já é um bom começo.

Esta citação também faz lembrar a analogia que Srila Prabhupada fazia do coxo e do cego:


"No momento atual, a Índia pode ser comparada ao coxo e os países ocidentais, ao cego. Nos últimos dois mil anos, a Índia foi subjugada por governos estrangeiros, e as pernas do progresso foram quebradas. Nos países ocidentais, os olhos da população tornaram se cegos, devido ao ofuscante fulgor da opulência material."
"O cego dos países ocidentais e o coxo da Índia devem unir-se neste movimento da consciência de Krsna. Então, o aleijado da Índia poderá caminhar com a ajuda do ocidental, e o ocidental cego poderá ver com a ajuda do aleijado.
Em suma, o avanço material dos países ocidentais e os bens espirituais da Índia devem combinar-se para a elevação de toda a sociedade humana." (Srimad Bhagavatam 4.25.13)

Vosso servo
Prahladesh Dasa

Sva Jati Asaya - Inclinação Similar

segunda-feira, 9 de julho de 2007


Jagad Guru Patita Pavana Srila A.C.Bhaktivedanta Swami Prabhupada Ki Jaya!!!

Braja Bihari Prabhu - responsável pelo Ministério de Mediação da ISKCON -adverte-nos acerca de um ponto muito importante: "Além disto se aceitarmos a estatística popular que 10% de toda comunicaçãose baseia no que falamos, 30% em como falamos, e que os 60% finais sãorevelados pela nossa linguagem corporal, então o e-mail claramente não é umaferramenta eficiente para debater tópicos que possuem componentes emocionais efilosóficos. O e-mail é muito útil para sabermos quando buscar alguém noaeroporto ou para outros afazeres inócuos, mas não é um meio adequado paralidar com desacordos de longa data." Ele dá o seguinte exemplo: "Recentemente o Comitê Executivo do Corpo Governamental da ISKCON (GBC) foiconvocado para dar seu juízo a respeito de uma polemica que envolvia a alegaçãode má conduta de um lider regional. Mais de 1000 e-mails foram trocados sobre oassunto com pouco progresso mas com muita comunicação malinterpretada e algunssentimentos de mágoa. Percebendo que o e-mail não estava trazendo o problema para mais próximo deuma solução, o Dirigente do Comitê Executivo convocou uma reunião dos gruposenvolvidos. Dentro de pouco tempo os problemas foram solucionados para asatisfação de todos. Enquanto que é verdade que a reunião foi muito mais custosa em termos detempo e despesas de viagem e que os e-mails em quase nada haviam onerado asociedade, ainda assim, a reunião face a face se mostrou muito mais eficientepara alcançar uma solução. Também parece claro no entanto que o e-mail vaicontinuar a alimentar os conflitos da ISKCON, apesar de seus efeitos geralmentenegativos." Levando em conta as afirmações de Braja Bihari Prabhu, um bom exercício aolermos uma mensagem, é considerar que estamos a ter uma conversa muitoagradável, educada e simpática com o outro devoto ou devota, apesar de estarmosa falar sobre temas controversos e polêmicos. Não só como exercício, esta atitude deve ser cultivada. Mesmo entre o relacionamento Vaisnava sempre vão existir diferentesinclinações e afinidades. Srila Prabhupada salienta: sva jati asaya snigdha sadhu sanga sato bare (Vaisnava Verse Book,BBT,1990,página 76) "A amizade deve ser alicerçada entre aqueles que compartilham entendimentos einteresses mútuos." A este respeito, Srila Prabhupada enfatizou a "unidade na diversidade".

Vosso servo Prahladesh Dasa


Simultaneidade de Lilas 2
Patita Pavana Srila Prabhupada Ki Jaya !!!


Logo ao nascer, Prahlada Maharaja disse Jaya Sri Hari !!!, Jaya Sri Hari !!!.




Isto deixou Narada Muni muito impressionado.Srila Prabhupada afirma muitas vezes que Prahlada Maharaja cantava Hare Krsna.Embora fosse um Visnu Bhakta, Prahlada Maharaja muitas vezes citou Krsna.(Srimad Bhagavatam 7.5.30)Obviamente Prahlada Maharaja não foi um Suddha Vrajavasi e sua Bhakti era Aisvarya Jnana Misra.No entanto, Prahlada Maharaja é um dos Mahajanas (Autoridades) no serviço devocional, sem necessariamente estar em Madhurya Rasa.Por exemplo, um outro Mahajana, Bhisma, via Krsna como Partha Sarathi (o quadrigário).O termo "Prema Bhakti" não se refere somente ao amor extático que sentem os devotos situados eternamente em Madhurya Rasa, mas também pelos devotos das outras quatro Rasas.Prema Bhakti geralmente refere-se ao amor perfeito à Deus tanto em Aisvarya (Amor reverencial) ou Madhurya (Amor íntimo).Este Prema Bhakti involve uma extrema intensificação de Bhava que resulta na suavização do coração e num apego muito grande à Deus.Prema que manifesta-se de Vaidhi Bhakti chama-se Vaidha Bhavottha Prema Bhakti e Prema que manifesta-se de Raganuga chama-se Raganugya Bhavottha Prema Bhakti.Obviamente, uma vez que um devoto alcance um Svarupa particular, este Svarupa nunca irá ser perdido, mas o relacionamento com o Senhor não está limitado por isto.Existem muitos exemplos de vários devotos que participam nos passatempos do Senhor em mais que uma Rasa ao mesmo tempo.Srila Kavi Karnapura explica:"Ninguém em Gaura Lila está preso pelo seu Svarupa.Dhananjaya Pandita, é o vaqueirinho Vasudhama de acordo com o Gaura Ganoddesa Dipika. No entanto pela graça de Mahaprabhu ele também está situado em Manjari Bhava.Srivasa Thakura é comumente conhecido como Narada Muni, mas também possui um Manjari Svarupa.Vrakesvara está identificado como Aniruddha no Catur Vyuha no Gaura Ganoddesa Dipika, mas também é conhecido como Tungavidya Sakhi.Quem pode perceber a multidimensão destas personalidades divinas?"Fica claro que ninguém está situado somente num Svarupa.Na verdade, a maioria dos Gaudiyas Vaisnavas têem dois Svarupas tanto no estágio inicial como no de perfeição - um para Gaura Lila e outro para Krsna Lila.Outro exemplo é do Senhor Siva,Ele foi proibido de entrar na dança da Rasa porque tinha um corpo masculino (embora espiritual) e mais tarde recebeu um corpo de Gopi como Gopiswara Mahadeva para poder presenciar a Rasa Lila.Também existe o caso de Narada Muni que executou Tapasya sob as ordens de Vrnda Devi e recebeu um Gopi Svarupa para que ele (ela) pudesse presenciar Radha Krsna Lila perto de Govardhana.No Sri Caitanya Candrodaya, Srila Kavi Karnapura explica como Sri Caitanya abençoou Sri Advaita Acarya:"Oh! Acarya, estou sempre absorto nos Meus passatempos, residindo em Vrndavana, e darei a vocês todos os corpos (espirituais) adequados para juntarem-se a Mim nos passatempos de Vrndavana."Sri Advaita Acarya respondeu:"Pelo Seu desejo nós poderemos alcançar o que quer que o Senhor deseje, numa outra morada ou outro corpo. Iremos sempre lembrar nossa origem nos Seus passatempos maravilhosos."Portanto, se o Senhor desejar, ou pela misericórdia dos Seus associados eternos, é possível obter simultaneamente outro Svarupa para servir os passatempos do Senhor.O exemplo de Shyamananda é muito famoso a este respeito.Existem também muitos exemplos de devotos que não tem suas identidades elaboradamente descritas no Caitanya Caritamrta e Caitanya Bhagavata, como Srila Haridas Thakur (Prahlada Maharaja e Brahma) e Sri Advaita Acarya (Sada Siva e Maha Visnu).Mas isto não quer dizer que não possuam suas identidades espirituais em Vraja.Ou seja, por exemplo, certamente Srila Haridas é Brahma em Brhamaloka e certamente Srila Haridas é Prahlada Maharaja em Rasatala.Estas actividades ocorrem simultaneamente.Também Srimati Radharani expande-se Ela mesma como as Vraja Gopis para acompanhar Krsna, expande-se como as rainhas de Dwarka para acompanhar Dwarkadish, como Laksmi com Narayana.Muitos outros associados eternos do Senhor possuem diversas identidades tanto em Vaikhunta como em Vraja bem como no Srishti Lila (passatempo da criação).Como no caso de Advaita Acarya, tanto Maha Visnu como Sada Siva não deixam de existir quando Advaita Acarya assume Sua Vraja Svarupa.caitanyavatare krsna-preme lubdha hanabrahma-siva-sanakadi prthivite janmiya"Durante a encarnação do Senhor Caitanya para inaugurar o movimento da consciência de Krsna, mesmo personalidades como o Senhor Brahma, o Senhor Siva e os quatro Kumaras aparecem neste planeta, ansiosos pelo amor extático ao Senhor Krsna."krsna-nama lana nace, prema-vanyaya bhasenarada-prahladadi ase manusya-prakaseTodos eles, incluindo o grande sábio Narada e devotos como Prahlada, aparecem como seres humanos, cantando os Santos Nomes de Krsna juntos, dançando e flutuando na inundação do amor à Deus."laksmi-adi kari krsna-preme lubdha hananama prema asvadila manusye janmiya"A deusa da fortuna e outros, ansiosos pelo amor à Krsna, também aparecem na forma humana e saboreiam amorosamente o Santo Nome do Senhor."Cc Antya 3.262-263-264Também as Asta Sakhis possuem diversas identidades em Gaura Lila.Por exemplo:Tungavidya aparece como Prabodhananda e Vakresvara.Lalita aparece como Svarupa Damodara , Dhruvananda Brahmacari e Gadadhara Pandit.Citra Sakhi como Vanamali e Govindanandana Thakur.Campakalata como Sivananda Sena e Raghava Pandita.Podemos afirmar que Krsna na forma de Narayana era o Istadeva de Prahlada maharaja que apareceu como Nrsimhadeva para protegê-lo.Além disto, assim como o Senhor Brahma, Prahlada Maharaja é uma posição ocupada por Jivas qualificadas.Desta forma, a grande alma Srila Haridas Thakur que havia aparecido simultaneamente como o Senhor Brahma e Prahlada Maharaja tornou-se pela misericórdia de Sri Caitanya Mahaprabhu o Acarya do Santo Nome.Existem pontos bastante esotéricos na Consciência de Krsna, o que a torna ainda mais bela.




Vosso servoPrahladesh Dasa

segunda-feira, 25 de junho de 2007

ISKCON e Varnasrama-Dharma: Uma Missão Incompleta


ISKCON e Varnasrama-Dharma: Uma Missão Incompleta
Artigo apresentado na “Conferência de 30 anos da ISKCON Alemanha”, em Köln, Alemanha, em 29 de janeiro 1999 por Ravindra Svarupa Dasa (ACBSP)
Impresso com a permissão do Jornal de Comunicação da ISKCON [disponível em http://www.mihet.org/node/4, tradução de Gitamrta Devi Dasi (HdG)


Ravindra Svarupa Dasa (Dr William H. Deadwyler, III), um dos primeiros discípulos de Srila Prabhupada, observa aqui uma das mais controversas instruções de Prabhupada; a necessidade de estabelecer varnasrama-dharma (a organização social de acordo com a qualidade e trabalho dos membros da sociedade). Ele observa a lógica interna do sistema varnasrama e, então, descreve algumas das compreensões desse sistema, as quais têm surgido na ISKCON. A questão de como estabelecer o varnasrama-dharma em um contexto moderno foi a fonte de um debate há muito tempo iniciado dentro da ISKCON, e este artigo de Ravindra Svarupa contribui com o debate por meio de sua análise da situação. Esta análise foca a necessidade de encorajar uma classe brahmínica (intelectual) dentro da sociedade – um cérebro para o corpo social.
No dia 11 de julho de 1966, em Nova York, Srila Prabhupada criou a Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna. Naquele momento, Prabhupada já havia descoberto uma audiência para sua exposição do Srimad Bhagavatam, uma exposição que ele caracterizava como “uma apresentação cultural para a re-espiritualização de toda a sociedade humana (Bhag. Canto 1, Prefácio). Em um passo a diante em direção à cultura de “re-espiritualização”, ele estabeleceu a ISKCON. A ISKCON deveria ser uma sociedade exemplar, dentro da qual a cultura do Srimad Bhagavatam seria realizada e pela qual ela seria espalhada por todo o mundo.
Enquanto esse tanto sempre foi uma verdade concreta para os membros da ISKCON, é um fato que durante os trinta e três anos da ISKCON, suas idéias sobre o que a ISKCON deveria ser, em termos de articulação interna, e sobre como ela deveria se relacionar com a sociedade ao seu redor têm sido muito fluida. As idéias de seus membros sofreram mudanças. Parece que mesmo as idéias de Prabhupada mudaram. A razão deste estado não estabelecido tem a ver com as adequações que a teoria deve tornar realidade.
Isso é reconhecido na própria tradição de Prabhupada pela máxima de que mesmo a Verdade Absoluta deve ser afinada com as relatividades de desa-kala-patra - ‘os ambientes circunstanciais de tempo, local e objeto’ (Bhag.1.6.26-30, significado). A freqüente experiência duramente adquirida por fazê-lo é o que se chama de “sabedoria” (em sânscrito, vijñana). Na aplicação do princípio para a prática nós geralmente devemos ter o recurso do método de “tentativa e erro”. “Você aprende com a experiência”, Prabhupada é freqüentemente citado dizendo isso. “E experiência significa que você comete erros”.
Eu espero familiarizar o leitor com parte da história de nossa experiência, de nossos erros. Eu espero que você também encontre exibidos aqui começos de um pouco de sabedoria duramente adquirida. Eu também espero que você obtenha uma boa idéia de algumas dificuldades que estamos enfrentando.
Para compreender estes assuntos, precisa-se se tornar familiarizado com dois ideais, ou modelos, sociais contrastantes transmitidos para nós por Srila Prabhupada. O primeiro é aquele de uma sociedade de vaishnavas, de devotos transcendentais, liberados, que espontaneamente se conduzem de acordo com princípios chamados sanatana-dharma. O segundo é aquele de uma sociedade de seres humanos materialmente condicionados que estritamente se conduzem em obediência às injunções védicas sob o sistema chamado varnasrama-dharma.
Para entender ambos os sistemas, nós precisamos estar esclarecidos quanto ao que significa dizer que alguém é enredado ou condicionado, por um lado, e liberado ou transcendental, pelo outro. Isso é apresentado claramente na Bhagavad-gita (todo o décimo quarto capítulo é dedicado a esta exposição). Ser uma alma enredada ou condicionada quer dizer estar enredado ou condicionado pelos três gunas, ou “modos” da natureza material; eles são chamados de sattva-guna, o modo da bondade, ou da pureza, rajo-guna, o modo da paixão, e tamo-guna, o modo da ignorância, ou da escuridão. Os três modos são mais prontamente reconhecidos no ciclo tripartido da natureza: nós vemos que as coisas vêm a ser, duram por algum tempo e, então, sofrem a aniquilação. Assim, os produtos da aniquilação fornecem a matéria prima para a nova fase da criação conforme o ciclo se inicia novamente. Na compreensão védica, essas três fases exemplificam as categorias fundamentais para entender o mundo material. Quando as coisas são criadas, a natureza é vista como agindo no modo da paixão, rajo-guna. Quando as coisas estão sendo mantidas, a natureza está agindo no modo da bondade, sattva-guna. E quando as coisas estão sofrendo a destruição, a natureza está agindo no modo da ignorância, tamo-guna.
De acordo com a Bhagavad-gita, esses mesmos modos também operam para determinar, ou condicionar, a personalidade humana. Portanto, nós temos uma tipologia psicológica de três categorias. O modo da bondade manifesta uma atitude que é desapegada, sem paixão e interessada no conhecimento por si mesmo. O modo da paixão é evidente relacionada com a falta de ou o desejo por algo que impele esforços desgastantes para obter os objetos dos desejos. O modo da ignorância é manifesto na apatia, indiferença, obviedade e confusão. Quando, por exemplo, a consciência é condicionada em sattva-guna, ela permanecerá alerta e atenta (em relação à quase todo assunto apresentado) e, ao mesmo tempo, desapegada e desinteressada. A consciência condicionada em rajo-guna é excitada e um pouco confusa acerca do objeto de desejo. A consciência condicionada por tamo-guna é ignorante, desatenta, facilmente distraída e predisposta à má percepção crônica.
Eu suspeito que a maioria de nós pode reconhecer esses três estados psicológicos por meio de nossa experiência. Provavelmente já passamos algum tempo em cada um desses modos. Todos os três estão presentes em uma pessoa e entre eles há sempre “uma competição por supremacia”, conforme a Bhagavad-gita (14.10) diz. Entretanto, há uma tendência por um modo particular ou uma combinação dos modos predominar em um dado indivíduo, o conduzindo de acordo com sua própria maneira pragmática para seu fim característico. Por isso, a Bhagavad-gita diz que o modo da bondade condiciona uma pessoa para a felicidade ou satisfação e resulta em conhecimento. O modo da paixão condiciona uma pessoa para a atividade egoisticamente motivada e resulta em miséria (porque desejos apaixonados nunca param de se multiplicar e de nos forçar a agir, nunca resultando em satisfação). O modo da ignorância nos prende à desilusão e resulta em desilusão sistemática ou loucura. Prabhupada caracterizou os três “tipos puros” dos modos da seguinte forma: “Uma pessoa está feliz, outra está muito ativa e outra miserável” (BG. 14.6, significado).
Nós todos já encontramos várias estruturas de pensamento organizadas – seja cultural, filosófica, religiosa, científica ou ideológica – as quais apresentam sistemas de categorias abstratas por meio dos quais podemos apreender e compreender o mundo. Quando nos educamos em tal sistema – freqüentemente tentando entrar nele por meio do método de projeção simpática ou Hineinfühlung – nós às vezes descobrimos que o sistema ilumina ou torna legível certas áreas da experiência que nós não havíamos percebido particularmente anteriormente ou considerado relevante. Se nós, então, aplicarmos esse sistema a nossos empreendimentos práticos e nos descobrimos novamente aptos a lidar com o mundo de uma maneira que parece consistentemente eficaz e produtiva nós premiamos o sistema com a mais alta honra: nós o consideramos como a verdade.
Foi assim par mim – e para muitos devotos – com a Bhagavad-gita, como Prabhupada a apresentou. Eu olhei para aquela sociedade – e para mim – através das lentes da Bhagavad-gita e imediatamente os gunas se destacaram; eu podia vê-los claramente. Enquanto essas categorias podem não ser eficazes para os empreendimentos de um cientista atômico ou um agrônomo, digamos, elas de fato eram imprescindíveis para o propósito da maioria de nós que éramos atraídos à ISKCON: nós estávamos em busca de liberação, de transcendência. E transcendência significava, concretamente, transcender os modos da natureza material. Isso era possível, Prabhupada dizia, para todos: “... se uma pessoa quer, ela desenvolve, pela prática, o modo da bondade e, assim, derrota os modos da ignorância e da paixão... . Apesar de existir os três modos da natureza material, se alguém for determinado ele pode ser abençoado com o modo da bondade e, por transcender o modo da bondade, ele pode se situar em bondade pura, a qual é chamada estado de vasudeva, um estado no qual se pode compreender a ciência de Deus (BG. 14.10, significado).
O resultado inicial do cultivo apropriado da consciência de Krishna deveria ser o desaparecimento dos sintomas dos modos da paixão e da ignorância no praticante. Luxúria, ganância, ira e algo semelhante deveriam desaparecer do coração. Desta fora, uma pessoa se torna estabelecida no modo da bondade. O modo da bondade é uma condição existencial necessária para que poder compreender e experimentar a realidade espiritual. Assim, o modo da bondade é uma plataforma material, um piso de lançamento, como se fosse, a partir do qual se pode fazer a viagem final rumo à transcendência, onde não há nem criação, nem dissolução, mas existência eterna, ou, em outras palavras, sattva pura, imaculada. Desta forma, a teoria dos modos oferece aos devotos um guia de ruas do mundo material, com a saída claramente demarcada.
A teoria dos modos também fornece a base para outro conjunto de categorias: a das quatro varnas. Assim como o corpo humano é equipado pela natureza com cabeça, braços, estômago e pernas, o corpo social é constituído de quatro grupos ocupacionais: os brahmanas, que incluem os pensadores e os professores (a cabeça); os ksatriyas – os governantes e protetores (os braços); os vaisyas – os produtores e comerciantes (o estômago); e os sudras – os trabalhadores e os assistentes em geral (as pernas). Toda sociedade exige uma contribuição desses especialistas no pensar, governar, produzir e trabalhar. Krishna afirma na Bhagavad-Gita (4.13) que esta organização é gerada por Deus, de tal maneira que cada pessoa é naturalmente disposta em direção a uma categoria particular em virtude do guna (os modos da natureza controladores) e do karma (atividade especializada e meios de sobrevivência).
O sistema no qual o guna e o karma assim determinam o varna é chamado daiva-varnasrama-dharma, o sistema divinamente estabelecido. Prabhupada explicitamente contrasta esse sistema divino com o sistema de casta hindu padrão, no qual o nascimento é o único determinante da condição de membro; Prabhupada o chama de asura-varnasrama-dharma, ou o sistema irreligiosamente criado (ver, por exemplo, o significado para CC. Madhya 3.6). Prabhupada e seus mestres predecessores condenaram esse sistema hereditário como um sistema autenticamente corrompido, vendo-o como a maior fonte de injustiça social e caos na Índia. Em várias aulas, Prabhupada inclusive delineia a causa da partição nacional da Índia a partir as injustiças instauradas pelo princípio degradado do “brahmanismo hereditário” (ver, por exemplo, aula sobre Bhag. 1.2.2: Roma, 26 de maio de 1974).
Um brahmana deve de fato estar no modo da bondade, pois a varna é determinada pelo guna. Uma boa maneira para pensar sobre o sistema é imaginar os gunas distribuídos em um contínuo, com a bondade em um final, a ignorância no outro e a paixão ao meio. Em uma linha um tanto arbitrária quando a bondade se torna suficientemente misturada com a paixão a demarcação entre brahmana e ksatriya ocorre. De forma semelhante, quando a paixão se torna suficientemente misturada à ignorância, há a demarcação entre ksatriya e vaisya. Quando a ignorância suficientemente predomina sobre a paixão, há a divisão entre vaisya e sudra. Os indivíduos situados nas regiões de fronteira poderiam, a princípio, ser ocupados em um lado ou do outro, de acordo com variáveis como a educação, treinamento ou aptidão.
As categorias dos gunas e dos varnas são importantes para a compreensão do que Prabhupada concebia como a principal missão social da ISKCON. Uma vez, no início dos anos 70, eu estava presente enquanto a imprensa entrevistava Prabhupada depois de sua chegada a um aeroporto em Nova York. Um repórter lhe perguntou: “Por que o senhor veio ao Oeste”. “Eu vim”, Prabhupada respondeu, “para dar a vocês um cérebro. Uma sociedade”, ele continuou, “está sem cabeça”. Usando a analogia do corpo humano, ele explicou a articulação da sociedade humana dentro dos quatro varnas. Ele, então, declarou que a sociedade ocidental moderna estava com má formação. “Há alguns vaisyas e todo mundo mais é sudra”. Em outras palavras, aqueles agora envolvidos em pesquisa e educação, no governo e na defesa estão, consciente ou inconscientemente, a serviço de um grupo de vaisyas. (A percepção de Prabhupada é talvez apoiada pelo relatado de que na América cinco por cento das famílias agora controlam noventa por cento da riqueza.) Não há brahmanas ou ksatriyas apropriados.A intenção de Prabhupada era re-criar uma classe de brahmanas genuínos. Isso ajudaria retificar as deformidades da sociedade moderna e minimizar os problemas espirituais, psicológicos, sociais, políticos e ecológicos instaurados pelo desenvolvimento econômico hipertrofiado e outros crescimentos exagerados devido ao rajo-guna. Prabhupada observa, “A civilização moderna é considerada avançada de acordo com o padrão do modo da paixão. Anteriormente, a condição avançada era considerada por estar no modo da bondade” (BG. 14.7, significado). Brahmanas genuínos, ele esperava, ajudariam restabelecer as prioridades da civilização avançada.