Dedicado a Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedenta Swami Prabhupada e Gurudeva Srila Dhanvantari Swami

Dedicado a Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedenta Swami Prabhupada e Gurudeva Srila Dhanvantari Swami
Jagad Guru Srila Prabhupada

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Diário de um Pregador Itinerante - Diary of a Traveling Preacher




http://www.traveling-preacher.com/

Diário de um Pregador Itinerante

Diary of a Traveling Preacher

Acompanhe S. S. Indradyumna Svami em suas centenas de aventuras ao redor do mundo. “Pregue destemidamente e tenha fé nos santos nomes” foi a instrução pessoal recebida por Indradyumna de seu mestre espiritual, Sua Divina Graça A. C. Bhaktivedanta Svami Prabhupada, em 1972; instrução esta que carrega no íntimo de seu coração e se esforça por cumprir. Nesta obra, Indradyumna Svami compartilha suas experiências e realizações enquanto segue com a missão de propagar o Movimento de Sankirtana do Senhor Caitanya, dando-nos a oportunidade de deslumbrarmos o êxtase da pregação destemida.

Volume Oito - Capítulo Dez

Oferenda de Vyasa-puja

5 de setembro de 2007

Meu queridíssimo Srila Prabhupada,

Por favor, aceite minhas mais humildes reverências à poeira de seus pés de lótus. Todas as glórias ao senhor.

Hoje, sento-me para compor minha oferenda de Vyasa-puja para o senhor, a poucos minutos de ser chamado para palestrar. É comum que um discípulo escreve sua oferenda dias, semanas ou mesmo meses antes do dia do aparecimento do mestre espiritual, mas, este ano, o serviço a seus pés de lótus foi incessante, dia após dia e noite após noite. É sua misericórdia que me mantém tão prestativo. Por favor, aceite tal serviço prestado vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana e nos doze meses do ano como minha verdadeira oferenda ao senhor.

Tenho muito a compartilhar com o senhor desde a última vez que me dirigi ao senhor em seu Vyasa-puja.

O que está mais proeminente em minha mente agora é o desfile de Ratha-yatra que organizamos ontem em Belfast. Naquele lugar desafortunado, onde impera a violência sectária, eu entendi suas palavras no Srimad-Bhagavatam de que, neste planeta, pode-se ver tanto o céu quanto o inferno bem diante dos próprios olhos.

Ontem, vi uma cidade inteira coberta com a mentalidade infernal de ódio e vingança, pessoas com o desejo de matar. Embora um processo político esteja em andamento há anos e um frágil acordo tenha sido estabelecido recentemente, a atmosfera ainda é densa, repleta de medos e incertezas – tudo devido a um conceito de vida corpórea. O senhor escreveu um verso sobre esse fenômeno em uma oferenda de Vyasa-puja ao seu mestre espiritual alguns anos atrás:

“Lutando pela existência, a raça humana; Sua Divina Graça, a única esperança”.

Quão verdadeiras também são estas palavras em relação ao senhor, meu glorioso mestre! Assim como seu próprio Guru-maharaja, o senhor tem o elixir para todos os problemas do mundo. Enquanto as pessoas se debatem na escuridão da ignorância em lugares como Belfast, o senhor traz a luz do conhecimento transcendental, liberando-os da identificação corpórea. E, mais ainda, revela-lhes a herança que carregam como bem-aventurados servos do Senhor Supremo.

Por sua graça, as pessoas de Belfast puderam contemplar a verdadeira felicidade quando o carro do Senhor Jagannatha desfilou pelas ruas daquela cidade sem cores. Eu pude ver isso em algumas de suas faces. Essa é a glória do Senhor Supremo, Srila Prabhupada, e também a sua, porque o senhor é Seu representante e instrumento em Sua missão neste mundo material. Mesmo os prazeres celestiais aos quais o senhor se referiu são infernais sem o néctar do serviço devocional, que tão bondosamente nos deu.

Cada movimento que o senhor conduz nesta missão do Senhor Caitanya, meu querido mestre, são grandes momentos históricos. São, em essência, os passatempos modernos de Mahaprabhu. Quão afortunado me sinto em poder servi-lo de alguma forma. Quem sou eu para fazer parte de tão sagrado movimento, repleto de santos e sábios vivendo vidas puras e proclamando as mais elevadas verdades? Há não muito tempo, eu também estava pelas ruas, repleto de tristeza e desespero, sofrendo os resultados de meus erros que, de tão numerosos, não me havia esperança de libertação por milhares de nascimentos.

Então, de repente, sem avisar, o senhor entrou em minha vida. Eu não sabia que o senhor estava vindo. Eu não sabia quem o senhor era – mas, com o tempo, pude entender sua exaltadíssima posição como um devoto puro do Senhor, um servo íntimo de Radha e Krsna. Por inconcebível misericórdia, sou um de seus servos. Se alguém estivesse para perguntar quem eu sou, “Com licença, por favor, diga-me quem é você”, eu diria com grande orgulho: “Eu sou o humilde servo de Sua Divina Graça Srila A. C. Bhaktivedanta Svami Prabhupada”.

É claro que sei que não se pode ter o título de “seu servo” sem agir e se comportar apropriadamente. Mantendo meus sagrados votos de cantar dezesseis voltas diárias e seguindo os princípios reguladores, espero poder demonstrar sempre meu respeito e amor por tudo o que o senhor me deu.

Srila Prabhupada, por favor, permita-me servir o senhor da mesma forma que o senhor serve seu Guru-maharaja – pregando as glórias dos santos nomes em todas as direções, por todo o mundo e por todo o universo. Embora seja freqüentemente um serviço árduo – pregar em locais afastados, muitas vezes sem as condições apropriadas, muitas vezes com oposições deliberadas –, tal serviço é minha vida e alma. Através desse serviço, eu posso demonstrar meu amor pelo senhor. Oro para que depois de uma vida de tal serviço, eu volte para o senhor e o senhor diga: “Muito bem, meu filho!”. Só então considerarei minha vida perfeita.

Ó Srila Prabhupada, são dias felizes estes que uso minha energia e força em seu serviço. No começo, dei-lhe minha juventude. Na meia-idade, trabalhei duramente para seu prazer. Agora, nos poucos anos que me restam de vida, dedicarei tudo o que me resta ao senhor. Eu faria tudo de novo e de novo, nascimento após nascimento; tal é o prazer e satisfação de que um discípulo desfruta por se render à missão do mestre espiritual.

Mas tenho de admitir, Srila Prabhupada, eu temo a velhice que esta lentamente tomando meu corpo – não pelo fato dele se tornar inútil e feio, mas porque isso significa que logo me tornarei inativo, estacionário, apenas ficarei esperando a morte. Talvez eu seja afortunado o suficiente para sair deste mundo antes desse momento, plenamente ocupado em seu serviço no campo de batalha da pregação, como se diz. Eu consideraria esse um final apropriado para uma vida de serviço ativo. O senhor estabeleceu tal glorioso exemplo, e é meu dever seguir eternamente seus passos.

Seu servo,
Indradyumna Svami


Tradução de Bhagavan dasa (DvS) e revisão de Bhaktin Flávia Reis (DvS) – disponível, em breve, em http://www.devocionais..xpg.com.br/

domingo, 28 de setembro de 2008

Kali Yuga - Um Oceano de Controvérsias



Kali Yuga - Um Oceano de Controvérsias
Caros Vaisnavas e Vaisnavis, por favor aceitem minhas reverências.
Srila Prabhupada Ki Jaya!!!

Antes de mais, gostaria de agradecer o depoimento de todos os devotos.
O grupo Krishna Katha está a cumprir muito bem a sua função, que é discutir profundamente os tópicos da Filosofia da Consciência de Krsna.
Parabéns a todos.

Numa carta a Sumati Morarji em 7 de Agosto de 1976, Srila Prabhupada da algumas diretrizes:

"Os devotos sempre oferecem respeito a todos, mas quando existe a discussão de um ponto do Sastra, eles não observam a etiqueta usual, satyam bruyat priyam bruyat. Eles falam somente Satyam, embora possa não ser necessariamente priyam (agradável)."

1) Elogiar e glorificar os devotos é um aspecto importantíssimo do Serviço Devocional. O próprio Senhor Caitanya mostrou-nos isto.
"A medida que descrevia os atributos transcendentais de Haridasa Thakur, Sri Caitanya parecia ter cinco bocas (panca mukha). Quanto mais Ele descrevia, mais Sua felicidade aumentava." Antya 11.51

No Padma Purana, o Senhor Siva diz a Parvati:
"De todos os tipos de adoração, a adoração ao Senhor Visnu é a melhor, e melhor do que adorar o Senhor Visnu é adorar o Seu devoto, o Vaisnava."

2) Srila Gaurakisora Das Babaji diz:
"Se você realmente deseja prestar serviço devocional apropriadamente, então você deve aceitar as palavras ásperas de um sadhu como o remédio que pode afastar maya."

Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakur diz:
"Se o Sadhu começa a me adular e não me recrimina, ele se torna meu inimigo.Se ele nos adula, então seremos conduzidos pela estrada que leva ao desfrute, mas não ao verdadeiro bem-estar."

No Gaudiya Vedanta esta descrito:
"Pralambasura representa o desejo por Puja, Labha e Pratistha.
Mesmo devotos avançados são atacados por desejos subtis de adoração, ganho e posição, os quais envolvem-os.
Publicado por Prahladesh Das Adhikari em
bhakti-tattva.blogspot.com/2007/02/kali-yuga-um-oceano-de-controvrsias.html - 33k -

terça-feira, 23 de setembro de 2008

A História da Música Govindam


A História da Música Govindam

por Harivilasa Dasa
enviado por Lilananda Dasa


Harivilasa Dasa compartilha suas lembranças da gravação das preces Govinda, que posteriormente se tornou a música que tocamos para receber as Deidades.

Foi em 1969. Eu era um devoto novo, tinha chegado recentemente em Londres, vindo de Paris. Este foi praticamente meu primeiro contato com a consciência de Krsna. Eu havia encontrado os devotos em Paris, mas Londres foi o primeiro templo que eu visitei. Srila Prabhupada havia instalado Sri-Sri Radha-London-Isvara recentemente e depois partiu. Eu fui ao templo e Yamuna devi foi a primeira devota que eu encontrei. A atmosfera do templo estava saturada com a presença de Srila Prabhupada. Durante o meu primeiro e segundo dia eu fui privilegiado com o serviço de limpar a sua Vyasasana. O meu corpo inteiro estava vibrando com o sentimento da presença de Srila Prabhupada e eu também podia ver isto nos devotos, os quais estavam realmente elevados e inspirados. Eu podia ver a presença do devoto puro nas palavras, ações e dedicação daqueles devotos. Eu era um músico e tocava o lute Árabe [um tipo de violão] e tinha o instrumento comigo. Os devotos estavam dizendo que iriam gravar um disco com George Harrison. Eles já haviam gravado um disco nos Estados Unidos e agora iriam gravar outro.

Um dia George Harrison apareceu no templo para o almoço e os devotos me convidaram a participar. Depois de um ou dois dias que eu estava no templo eu encontro com George Harrison dos Beatles, que na época era uma pessoa famosa com uma carreira musical. Na verdade, meu primeiro encontro com os devotos em Paris foi de alguma forma relacionado com George Harrison. Eu era o gerente de um pequeno espaço microbiótico no Centro Americano de Paris. Um dia eu recebi um pequeno bilhete e a capa do primeiro disco Hare Krsna. Na capa havia uma explicação de Srila Prabhupada sobre a natureza transcendental do maha-mantra, que basicamente ele tirou, quasi que palavra por palavra, de seu mestre espiritual, Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakura. Então, alguém me deu esta capa e disse, "Esse pessoal quer alugar o seu espaço para um programa nos domingos de noite." Eu li o bilhete e me explodiu a cabeça completamente. Eu disse, "Oh meu Deus, o que é que os Beatles estão fazendo?" Eu pensei que George Harrison tinha escrito aquilo. Eu não sabia nada de Prabhupada.

Eu pensei que os Beatles haviam escrito esta explicação, e eu não pudia acreditar. Eu pensei que isto era a coisa mais esotérica que eu tinha lido em minha vida. Eles estavam falando sobre algum mantra transcendental, etc. Eu pensei que eles tinham tomado um LSD imensamente potente e agora estavam nos liderando nesta viagem. Mais tarde eu descobri que Srila Prabhupada foi quem escreveu o texto e que havia um movimento chamado Hare Krsna e que George Harrison estava ligado a ele. Então encontrei George Harrison.

Para mim este era um sinal de Deus que eu estava no caminho certo. Como podia ser que eu, uma pessoa realmente insignificante, encontrasse George Harrison, uma estrela internacional? Na minha mente as coisas ainda não estavam claras. Eu tinha alguma idéia que talvez ele fosse o guru de toda esta organização.

Então George veio para o templo em Bury Place e ele trouxe consigo sua guitarra. Yamuna devi, Mukunda, Gurudasa, Syamasundara, Malati e eu, estávamos todos sentados numa pequena sala com um arranjo humilde. Nós estávamos tomando prasadam e conversando. Eu estava realmente fascinado, "Isto é inacreditável!"

De repente, George terminou de comer, pegou sua guitarra, sentou do lado de Yamuna devi e começou a tocar uma combinação de acordes musicais. Ele disse, "Eu estava pensando sobre a sua música Govinda." E enquanto tocava uma combinação de acordes musicais, perguntou, "O que você acha disto?" Os devotos deram suas opiniões. Foi assim que ele começou a compor a música Govinda, o primeiro passo na criação da apresentação comercial desta música transcendental.

No dia seguinte um grupo de dez ou onze devotos foram para os Estúdios da Apple. Ali estavam Yogesvara Prabhu, eu, Mukunda, Yamuna, e vários outros devotos.
Nós passamos o dia inteiro no estúdio. Foi ali que realmente vimos o gênio de George Harrison da maneira pela qual ele trabalhava num estúdio de gravação. Ele estava construindo uma música pedaço a pedaço. Ele pedia para Yamuna cantar novamente e novamente e ele continuava gravando."Govindam adi purusam" e no coro estavam Yogesvara, eu e Jayahari.



Também haviam outros cantando, mas eu não me lembro de todos os nomes, não me lembro de todo mundo. Se não me falha a memória, haviam seis pessoas de pé cantando.
[Nota de Lilananda dasa: Segundo Yogesvara Prabhu, Tamal Krishna Goswami também estava presente. Anexo segue uma foto deles nos Estúdios da Apple. Tamal Krishna esta atrás de Malati e Yogesvara atrás de Syamasundar que está detrás de George Harisson]

George Harrison trouxe uma orquestra de seis ou oito pessoas para tocar instrumentos de cordas e ele tocou a guitarra. Ele estava fazendo a mixagem e o balanço e tinha trinta e três pistas para mixar. Foi muito, muito excitante. Nós vimos que ele era um homem criativo, um artista. O seu pincel de pintor era a sua mente criativa e a tela eram as suas trinta e três pistas e a própria mixagem. Eu me lembro que ele tinha contratado músicos. Num certo momento ele olhou para mim e disse, "Vem aqui, traga seu instrumento, traga seu instrumento." Nós sentamos um do lado do outro. Ele pegou a minha lute Árabe [um tipo de violão], olhou para ele um pouco e me devolveu. Então ele pegou a sua guitarra e começou a tocar algo. Então ele perguntou:

"Você pode tocar isto?" E eu toquei. Ele tocou outro arranjo e perguntou, "Você pode tocar isto?" Funcionou muito bem porque meu instrumento era feito para tocar estes tipos de som. Ele notou que estes sons eram perfeitos para este instrumento. Então ele decidiu me gravar tocando. Antes ele havia gravado Syamasundara tocando o esraj, o violino Indiano. E então ele me fez tocar o lute. Eu toquei duas ou três vezes.

Eu estava fascinado pela coisa toda, George Harrison sentado comigo me pedindo para tocar algo! O que realmente me impressionou é que ele era realmente um cavalheiro, muito polido da maneira que ele falava com as pessoas. Ele não tinha que extrair coisas das pessoas ou fazê-las sentir-se impostas de alguma maneira. Num certo momento todos sentamos para comer sanduíches vegetarianos. Neste momento sua esposa chegou. Foi realmente um dia agradável. No dia seguinte nós voltamos para ouvir o que ele tinha feito. Nós ficamos muito impressionados com o seu trabalho. Depois ele refinou a música mais e mais antes de lança-la.

A gravação das preces Govinda foi um esforço sincero dos devotos para glorificar Krsna e Prabhupada. Foi uma experiência muito transcendental. Este evento me convenceu que a consciência de Krsna estava realmente conquistando o mundo. George Harrison teve um tremendo impacto na juventude do mundo, pelo menos nos jovens que eu conhecia.

Pouco tempo depois, em Los Angeles, Srila Prabhupada ouviu a gravação pela primeira vez. Os devotos disseram que ele chorou e disse: "Toque esta música todas as vezes que recebemos as Deidades."

Veja aqui um video da música: http://www.youtube.com/watch?v=5GIQTuUJwwA&feature=related.

Compre aqui o CD Goddess of Fortune com a música.

Dispostos para a Paz - Prontos para a Guerra






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Diário de um Pregador Itinerante

Diary of a Traveling Preacher

Acompanhe S. S. Indradyumna Svami em suas centenas de aventuras ao redor do mundo. “Pregue destemidamente e tenha fé nos santos nomes” foi a instrução pessoal recebida por Indradyumna de seu mestre espiritual, Sua Divina Graça A. C. Bhaktivedanta Svami Prabhupada, em 1972; instrução esta que carrega no íntimo de seu coração e se esforça por cumprir. Nesta obra, Indradyumna Svami compartilha suas experiências e realizações enquanto segue com a missão de propagar o Movimento de Sankirtana do Senhor Caitanya, dando-nos a oportunidade de deslumbrarmos o êxtase da pregação destemida.

Volume Oito - Capítulo Nove

Dispostos para a Paz – Prontos para a Guerra

De 21 de agosto de 2007 a 7 de setembro de 2007

Após uma série de programas na República da Irlanda, dirigi para o norte com alguns outros devotos para Belfast. No caminho, parabenizei Praghosa das, o representante local do GBC, pelo Ratha-yatra que realizamos no dia anterior em Dublin.

“Eu fiquei impressionado em como a multidão se alinhava na rua para ver o carro passar”, eu disse. “E muitas pessoas foram ao festival realizado na praça em seguida”.

“Os Irlandeses são piedosos”, Praghosa respondeu, “e tivemos sorte de não ter chovido. Encontramos Dublin nas melhores condições. Há um ditado aqui”:

Leprechauns, castles, good luck and laughter,Lullabies, dreams and love ever after,Poems and songs with pipes and drums.A thousand welcomes in Ireland.

“Leprechaus, castelos, boa sorte e risos,
Canções de ninar, sonhos e amor eterno,
Poemas e canções com cachimbos e tambores
Mil boas-vindas na Irlanda”

“Mas nós veremos o oposto no nordeste irlandês”, ele prosseguiu. “São apenas duas horas de carro, mas a diferença entre o norte e o sul é como o dia e a noite”.

“Eu ouvi falar um pouco sobre isso”, eu disse, “mas sou ignorante na maior parte”.

“É um problema político-social complexo”, ele disse. “Ele remonta há mais de 700 anos, quando os ingleses invadiram a Irlanda pela primeira vez. Eles tiveram o controle por anos, mas, em 1921, eles concederam soberania a 26 condados ao sul da ilha enquanto mantiveram para si 16 condados ao norte”.

“Oficialmente, a Irlanda do Norte é parte do Reino Unido, mas, embora os ingleses governem ali há centenas de anos, os irlandeses continuam considerando propriedade irlandesa”.

“A diferença é ainda mais agravada pelo fato dos ingleses serem basicamente Protestantes e os irlandeses, Católicos. Uma disputa amarga se perdura por séculos. Desde o começo dos anos 70, milhares de vidas foram perdidas”.

“Todavia, seis meses atrás, Sinn Fein, a ala política do Exército Republicano Irlandês, e o Partido Unionista Democrático, o principal grupo Protestante, fizeram um acordo estabelecendo a divisão do poder administrativo”.

“O mais incrível é que, ao longo dos últimos 25 anos, mantemos um templo em Belfast, e a pregação é muito boa, porque todos são afetados pelo conflito”.

“Como as pessoas nos vêem?”, eu perguntei.

“Nós não tomamos partido, por isso eles são basicamente neutros em relação a nós”, Praghosa respondeu. “Em uma ocasião, quando eu estava saindo do nosso restaurante Govinda, eu fui confrontado por um grupo de homens. Quando eles perguntaram sobre minha afiliação religiosa, eu expliquei que eu era um monge Hare Krsna. Eles ficaram confusos. Eles ficaram se entreolhando até que um dos homens perguntou: ‘Você é um Hare Krsna Protestante ou um Hare Krsna Católico?’.”

“A resposta errada poderia resultar em uma surra, então eu pensei cuidadosamente até que respondi que eu era um Hare Krsna Hare Krsna. Eles apenas estalaram seus pescoços e foram embora”.


“Mas nem sempre é fácil assim. Nos templos, os devotos são avisados a não ficar nas janelas, porque elas são freqüentemente quebradas por pessoas atirando pedras e gritando bordões políticos. Uma vez, alguém atirou uma flecha pela janela que fincou contra a parede. Naquela época, um dos nossos devotos tinha conexão com o IRA e se reuniu com os líderes locais. Por algum tempo a violência parou, mas depois começou de novo”.

“O IRA?”, eu perguntei. “O que você quer dizer por ‘conexão com o IRA’?”.

“Ele fazia parte do grupo antes de se juntar a nós”, Praghosa explicou. “Ele foi preso uma vez pelo exército inglês e passou dois anos na prisão”.

Enquanto conversávamos, chegamos a Belfast. A primeira coisa que roubou minha atenção foram as diversas pinturas nos muros. Passando perto, eu li um que dizia: “Cuidado ingleses. Zona de perigo. Matadores da RUC [Royal Ulster Constabulary, Polícia Real da Ulster] a solta”.

“Esta é claramente uma área Católica”, Praghosa disse. “Você pode ver a bandeira da Irlanda dançando por toda a parte”.

Ao que continuamos dirigindo, eu vi um imenso muro que começava de uma área pobre e se estendia por uma longa distância. Praghosa explicou que muitas dessas estruturas, conhecida como Peace Lines, que podem se estender por um quilômetro e têm cerca de seis metros de altura, foram erigidas durante os últimos trinta anos para manter separadas as facções em guerrilha.

“Os Protestantes ficam de um lado e os Católicos do outro”, ele disse. “Sem os muros separando os dois, eles matariam uns aos outros. A trégua não diminuiu o ódio de longa data”.

Quando viramos em uma esquina, um novo muro pichado apareceu: “Nossa vingança será a risada de nossos filhos”, e outro trazia: “Dispostos para a Paz – Prontos para a Guerra”.

“É incrível que os devotos consigam pregar a tanto tempo neste ambiente”, eu disse.

“Eles se adéquam”, disse Praghosa. “Eles adotam o sotaque do local onde estão distribuindo livros: sotaque britânico nas áreas Protestantes, sotaque irlandês nas áreas Católicas. E eles são protegidos pelo Senhor. Janananda das chegou aqui em 1975 com um pequeno grupo de devotos. Eles armaram uma mesa de livros em uma praça e se sentaram para fazer um kirtana. Dez minutos depois, uma multidão se formou e começou a atirar pedras neles. Eles se levantaram e saíram correndo, deixando tudo para trás”.

“Quando Janananda voltou a Belfast no ano seguinte, eles fizeram um kirtana em frente a uma Woolworth’s [empresa de supermercados com produtos a preço popular]. Porque muitas pessoas pararam para ouvir, eles decidiram que voltariam ali no dia seguinte. Mas, quando chegaram, a Woolworth’s não estava mais lá. Ela havia sido destruída por uma bomba durante a noite, um acontecimento quase diário naquela época”.

Enquanto dirigíamos para dentro da cidade, mais muros com mensagens apareciam.

“Estamos entrando em uma área Protestante agora”, Praghosa disse.

À frente, eu vi vários homens caídos perto de um muro, obviamente mortos em confronto. “Para que não sejamos esquecidos”, trazia o muro.

Cerca de 20 metros à frente, outro muro trazia: “Comando Vermelho. Não é por glória ou riqueza que lutamos, mas por nossa gente”.

Quando paramos em um sinal vermelho, um enorme mural trazia os dizeres: “Bem vindo à central da RUC. Nada nos deterá”.

“O que realmente determina os devotos a pregarem em Belfast é que eles sentem terem a solução para os problemas”, Praghosa disse..

“E qual é a solução?”, perguntei.

“Que somos todos, essencialmente, partes de uma família espiritual, a família de Deus”, ele respondeu. “O conceito de amigo e inimigo é uma ilusão. A violência sectária é devido ao conceito corpóreo de vida: eu posso ser irlandês ou inglês, mas nós não somos estes corpos temporários, nem nenhuma designação que talvez tenhamos dado a eles”.

“Para que a paz venha para esta terra, as pessoas têm de parar de ver diferenças e entender o que têm em comum. No mundo espiritual, não há Católicos, Protestantes, Hindus, Muçulmanos ou Judeus. Todos apenas se identificam como devotos do Senhor”.

Nós viramos uma esquina e paramos em frente a uma velha construção. Eu notei a inscrição no prédio ao lado: Orange Hall – 1690.

“O Orange Hall é onde os Protestantes se encontram há séculos”, Praghosa disse. “Alguns anos atrás, nós não poderíamos dirigir sequer próximos a este lugar. Este era o campo mortal de Belfast. Muito sangue foi derramado nesta rua. Mas, recentemente, a comunidade indiana comprou este prédio ao lado do Orange Hall”.

“Os indianos?”, eu perguntei. “Eles se mudaram para cá?”.

“Nos últimos anos”, disse Praghosh, “muitos estrangeiros chegaram à Grã-bretanha. Ironicamente, isso ajudou muito a situação aqui”.

“Como?”, eu perguntei.

“Muitos dos estrangeiros acham que as diferenças que separam as duas comunidades não são problemas de vida ou morte”, ele disse. “Essa mentalidade está contagiando um pouco a população local. Por muitos anos, eles foram completamente isolados. Então, como os tempos estão mudando, os devotos estão aproveitando para pregarem a mensagem do Senhor Caitanya com ainda mais entusiasmo do que antes. Nosso carro de Ratha-yatra será puxado pelas ruas hoje e, em seguida, teremos um grande festival em frente ao Orange Hall”.

Dez minutos depois, chegamos ao ponto de partida da parada. Eu fiquei surpreso ao ver apenas 10 ou 15 devotos presentes fazendo os últimos preparativos.

“Tem apenas uma dúzia de devotos aqui”, eu disse a Praghosa.

“Apesar da relativa receptividade das pessoas”, ele disse, “não são muitos os devotos que querem viver em um local que parece uma zona de guerra”.

Mais dez devotos chegaram em seguida e logo começamos a descer a rua puxando o carro; chegando à rua principal, começou a chover. Eu fiquei chocado ao ver apenas poucas pessoas na rua.

“Onde estão todos?”, eu perguntei a Praghosa.

“Hoje é domingo”, ele disse, “o único dia que a prefeitura iria nos dar. E está chovendo. Mas haverá lojas que abrem aos domingos quando chegarmos ao centro da cidade”.

400 metros à frente, vinte minutos depois, chegamos a uma rua com um pouco mais de pessoas.

“Aqui é o centro”, disse Praghosa.

Eu fiquei surpreso. Parecia mais uma cidadezinha, e parecia ambientada nos anos 60 ou 70. Eu percebi várias placas de “vende-se” em lojas, escritórios e apartamentos.

“Por causa da História, a cidade não se desenvolveu como as outras cidades européias”, disse Praghosa, “mas isso pode mudar se a partilha administrativa continuar”.

Mas não eram apenas as construções que pareciam estranhas, as pessoas também. Diferente de Dublin, onde multidões se juntavam nos passeios para sorrirem e acenarem enquanto passávamos, as pessoas eram quase que indiferentes a nossa presença. Alguns apareceriam prudentes e desconfiados. Alguns nos olhavam sem nenhuma emoção no rosto.

Praghosa se virou para mim. “Eles passaram por muita coisa”, ele disse.

Eu voltei minha atenção para o canto e a dança, esperando, como todos os devotos presentes, que o desfile de Ratha-yatra roubasse a atenção do coração de alguém.

Enquanto nossa colorida procissão desfilava pela deprimente atmosfera, algumas poucas pessoas começaram a responder. Alguns paravam para conversar com os devotos que estavam distribuindo convites para o programa no Orange Hall.

Em dado momento, eu saí do centro do desfile e caminhei pelo passeio distribuindo convites pessoalmente. Depois de cinco minutos, um jovem de vinte e poucos anos se aproximou de mim.

“O que significa isso?”, ele perguntou curioso.

“Este é um dos mais antigos festivais espirituais do mundo”, eu respondi.

“A maior parte das guerras deste mundo foram por causa de religião”, ele disse. “Um bom exemplo é a própria cidade de Belfast”.

“Isso é verdade”, eu respondi. “Mas o mau uso de algo não quer dizer que tal coisa seja originalmente errada. A religião fala, na verdade, sobre Deus, não em política e violência sectarista”.

Ele pensou por um momento e, então, concordou com a cabeça. “Há alguma verdade nisso”, ele disse.

“Venha para o nosso programa no final do desfile”, eu disse. “Será perto do Orange Hall na...”.

“Todos em Belfast sabem onde fica o Orange Hall”, ele disse me interrompendo.

“Começa às 5 da tarde”, eu adicionei enquanto ele ia embora.

Eu não pensei que veria aquele jovem novamente, mas, à tarde, enquanto eu me acomodava no assento do palestrante, eu me surpreendi ao vê-lo entrando na sala e se sentando. Ele era literalmente o único convidado, pois todos os demais na audiência eram ou devotos ou membros da congregação.

Quando comecei a palestrar, foquei minha atenção em nosso convidado. É uma técnica que às vezes uso em palestras públicas. Como a audiência costuma ser diversificada com aqueles que têm pouco interesse, aqueles que são meramente curiosos, e genuínos buscadores da verdade, eu tendo a direcionar a palestra para um único buscador.

“É apenas uma pessoa”, eu pensei, “mas talvez eu possa plantar em seu coração a semente da Consciência de Krsna que mais tarde crescerá como devoção pura”.

Enquanto eu apresentava o conhecimento que eu havia repetido em inúmeros programas ao longo dos anos, eu pude notar que o jovem estava interessado. Ele se sentava com o tronco voltado para frente, lembrando como eu fiquei a primeira vez que ouvi a filosofia da Consciência de Krsna. Eu continuei com a palestra básica. Eu percebi que alguns devotos e membros da congregação ficaram agitados pela simplicidade da palestra. Assim como eu havia falado aquilo mil vezes, eles estavam ouvindo aquilo pela milésima vez, mas, naquela ocasião, eu senti que a pessoa mais importante de todas era o nosso convidado.

Eu apresentei todos os princípios básicos da filosofia e falei alguma coisa sobre o Senhor Jagannatha e sobre a adoração à Deidade, tudo observando com grande cuidado suas reações. Após uma hora, quando comecei a concluir os pontos que apresentei na palestra, pude vê-lo concordando com a cabeça com meus pontos finais.

Quando terminei, levantei enquanto a platéia aplaudia. O jovem também aplaudiu por alguns instantes e, então, olhando para o seu relógio, começou a passar pelos devotos em direção à saída. Eu queria falar com ele, mas ele estava visivelmente com pressa.

Mas, quando ele chegou à porta de saída, ele se virou, sorriu e fez positivo para mim, erguendo seu polegar. Não foi grande coisa – um simples sorriso e um gesto – mas foi o suficiente para me fazer acreditar que, se a nova administração for bem sucedida e os devotos continuarem determinados a compartilhar a mensagem da Consciência de Krsna com o povo de Belfast, nós podemos ajudar a trazer paz e felicidade para a Irlanda do Norte.

svasty astu visvasya khalah prasidatamdhyayantu bhutani sivam mitho dhiyamanas ca bhadram bhajatad adhoksajeavesyatam no matir apy ahaituki

“Que haja boa fortuna em todo o universo, e que todas as pessoas invejosas se tornem pacíficas. Que todas as entidades vivas se tranqüilizem pela prática de bhakti-yoga. Por aceitarem o serviço devocional, elas irão pensar no bem estar umas das outras. Que todos nós, portanto, ocupemo-nos no serviço à transcendência suprema, o Senhor Sri Krsna, e fiquemos eternamente absortos em pensar unicamente nEle”. - Srimad Bhagavatam 5.18.9

Tradução de Bhagavan dasa (DvS) e revisão de Bhaktin Flávia Reis (DvS) – disponível, em breve, em http://www.devocionais.xpg.com.br/

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Srila Prabhupada como Acarya



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INDAGAÇÕES ACERCA DO ABSOLUTO
Inquiries into the Absolute
Uma coleção de respostas intrigantes e motivadoras para o intelecto apresentadas por Sua Santidade Romapada Svami às questões levantadas por devotos acerca de variados tópicos espirituais.
7. Devotos do Senhor, Suas Qualidades e Atividades
7.5. Srila Prabhupada
7.5.1) Srila Prabhupada como Acarya
Por que Srila Prabhupada recebeu o título de Acarya? Um dos significados de Acarya não é aquele que iniciou algo novo? Nós chamamos Madhvacarya ou Shankaracarya de acarya, e não svami, porque eles começaram algo novo, não é assim? Mas Srila Prabhupada não começou algo novo, ele apenas trouxe esse algo para o mundo ocidental, então qual é a compreensão para ele ter recebido o título de Acarya? Ficaria realmente muito grato se o senhor me respondesse essa questão. (Digest 224.1)
“Acarya” significa literalmente “aquele que ensina pelo exemplo” (Acar = comportamento ou conduta pessoal). Aquele que estabelece o padrão mais elevado de comportamento para toda a humanidade través de seu exemplo pessoal é chamado de Acarya.
Assim, qualquer professor exemplar do conhecimento Védico poderia ser corretamente chamado de Acarya. Dronacarya, por exemplo, foi Acarya para o Dhanur-veda (a ciência militar Védica).



Mas o título “Acarya” é especialmente conferido aos grandes mestres espirituais santos que reviveram ou estabeleceram fortemente os princípios e ensinamentos de uma das sucessões discipulares autorizadas para o benefício espiritual do mundo para muita gerações vindouras.



Portanto, um Acarya não tem de ser alguém que começou algo novo. Muito pelo contrário, o indicativo de um Acarya ou mestre espiritual fidedigno é que ele não inventa algo novo ou independente dos ensinamentos Védicos – que são eternos – mas antes apenas reapresenta os ensinamentos eternos de Srila Vyasadeva e de acaryas predecessores no parampara de forma adequada a um tempo, lugar e circunstâncias particulares.



Afirma-se no Padma Purana que existem quatro paramparas (sucessões discipulares) fidedignos, todos começando com o próprio Senhor Krsna, a saber, Brahma, Sri, Rudra e Kumara sampradayas. Somente aqueles que fielmente representem um desses quatro paramparas podem ser aceitos como mestres espirituais ou acaryas.
Os grandes acaryas Vaisnavas, como Madhvacarya ou Ramanujacarya, não apresentaram algo novo, algo que não estivesse ali antes deles. Ramanujacarya pertencia a Sri Sampradaya, e Madhvacarya aceitou iniciação na Brahma-sampradaya dos mestres espirituais nessa linha antes dele. Mas, durante o tempo deles, por causa da disseminação do Budismo seguida da disseminação do impersonalismo-mayavada, a cultura Vaisnava não estava muito difundida. Ramanujacarya e Madhvacarya derrotaram firmemente as doutrinas mayavadas e sistematicamente apresentaram os ensinamentos de seus acaryas predecessores. Eles reviveram o Vaisnavismo por todo o subcontinente indiano e solidamente estabeleceram uma instituição de Vaisnavas que praticavam esses ensinamentos. Dessa maneira, eles são considerados os acaryas mais proeminentes de suas respectivas sampradayas, e toda a sampradaya leva o nome deles. Seus escritos e padrões por eles estabelecidos serão a luz que guiará todos os seguidores e mestres espirituais vindo na linha deles no futuro.



Similarmente, Srila Prabhupada apresentou de maneira sistemática os ensinamentos de Caitanya Mahaprabhu escrevendo muitos livros fidedignos e estabelecendo uma instituição mundial de Vaisnavas, derrotando muitas escolas opositoras ateístas e impersonalistas, as categorias de pensamento hoje prevalentes. Embora ele tenha apenas apresentado os ensinamentos dos acaryas anteriores, sua contribuição é ímpar ao tornar esses princípios e a prática deles ainda mais relevantes e aplicáveis, e ao abordar a mentalidade e as necessidades da sociedade atual. Porque seus ensinamentos e diretrizes guiarão todos os mestres espirituais futuros nesta linha discipular, ele é conhecido como o Fundador-Acarya da ISKCON.



Tradução por Bhagavan dasa (DvS)

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Desenvolvendo uma Relação Profunda com Um ou Dois Devotos

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INDAGAÇÕES ACERCA DO ABSOLUTO

Inquiries into the Absolute

Uma coleção de respostas intrigantes e motivadoras para o intelecto apresentadas por Sua Santidade Romapada Svami às questões levantadas por devotos acerca de variados tópicos espirituais.

6. Relações com Devotos e Não-Devotos

6.1. ‘Lidando com Devotos’ e ‘Associação Devocional’

6.1.2) Os Devotos Realmente Esperam que Eu Esteja Feliz, Mesmo Quando em uma Situação Miserável? & Desenvolvendo uma Relação Profunda com Um ou Dois Devotos

Eu estive (e continuo) sob um constante ataque de misérias muito intensas nos últimos seis anos. Considero que sou muito afortunado pela associação que tenho com os devotos há quatro anos, e sou muito grato por ela. Algumas vezes, entretanto, estou tão fatigado e exausto física e mentalmente que quero apenas ficar sozinho, recluso por alguns meses. Parte disse se dá porque sou forçado a agir como se eu estivesse feliz e empolgado (entre os devotos ou entre os não-devotos) mesmo quando imensas agonia, angústia e ansiedade estão constantemente bombardeando minha mente.

Só para exemplificar, se vou a um programa doméstico ou no templo, tenho de manter minha aparência externa pacífica e alegre, ou então posso observar que meu humor e falta de entusiasmo afetam outros.. Observo que é bastante natural para pessoas em vidas felizes e equilibradas serem joviais (dentro de sua zona de conforto), mas, por outro lado, tal aparência externa é de dolorosa adaptação para pessoas vivendo situações extremas. Também percebo que há uma expectativa de que as pessoas em situações extremas tornem-se indiferentes a suas misérias e tentem ser felizes, isto é, “você não é este corpo”, “Krsna é o controlador”, etc. Embora eu receba de bom grado essa expectativa, ela, contudo, não parece me ajudar muito, porque ainda não alcancei esse nível de estabilidade espiritual. Eu aprendo devagar.

Minha pergunta: Há alguma alternativa melhor para lidar com essa situação? Por favor, aconselhe-me. Sou muito grato a você por ter dedicado um pouco de seu tempo e atenção visitando minha esposa quando ela esteve hospitalizada há dois anos apesar de sua agenda imensa. Muito obrigado, Maharaja. (Digest 229.1)

Muito obrigado por abrir seu coração, bem como por sua perseverança e sua devoção em se refugiar em Krsna e na sanga de Seus devotos apesar de tantos reveses.

Posso provar grande empatia para com suas dificuldade, e admito que tudo isto não é fácil. Posso assegurá-lo, no entanto, que, em termos do processo da Consciência de Krsna, não há expectativa no sentido de que um devoto deva suprimir seus sentimentos ou induzir artificialmente uma aparência de paz ou tentar agir acima de seu nível de realização.. É bastante possível que alguns devotos iniciantes tenham essa concepção ou expectativa de vida espiritual, mas o que estamos de fato buscando é desenvolvimento genuíno em realização espiritual, no qual somos naturalmente imperturbáveis e felizes em todas as situações.

Krsna é uma pessoa muito amável, e o amigo mais querido. Agindo dentro de nossa relação com Ele, quer estejamos em meio a uma situação que talvez seja fonte de felicidade ou em meio a situações aflitivas, nós gradualmente obtemos profunda realização de Sua proteção sob todas as circunstâncias. Com essa base, a habilidade de um devoto em lidar com todos os tipos de situações deste mundo torna-se mais forte e madura – não por força bruta, mas antes por avanço espiritual natural.

Vida devocional não é em nada impessoal ou repreensiva, ao contrário, a vida devocional nos permite abrir completamente nosso coração e expressar nossos sentimentos mais íntimos dentro da estrutura de nosso relacionamento amoroso com Krsna e com Seus devotos. Nas primeiras páginas do Bhagavad-gita, vemos como Arjuna abre seu coração perante Krsna, expressando abertamente seu sofrimento e sua confusão intensos. O Senhor não manda que Arjuna reprima tais sentimentos por meio de algum ajuste mental artificial ou exercício intelectual, senão que Ele compartilha com Arjuna conhecimento transcendental para ajudá-lo a transcender verdadeiramente seus sentimentos negativos tornando-se estável em sua relação com o Senhor e executando seu serviço.

Há muitos de tais exemplos de como devotos superam ou até mesmo transcendem grandes dificuldades, perplexidades e sofrimentos por meio da abertura de seus corações e por conversarem confidencialmente com devotos qualificados – por exemplo, Maharaja Yudhisthira abrindo seu coração para Bhisma, e posteriormente para Narada, e sendo por eles tranqüilizado. (vide SB 1.8.46-52, 1.9.1-21 e 1.13.31-50).

Tais diálogos, como o diálogo entre Arjuna e Krsna, podem ser mais bem apreciados quando entendemos que não são apenas discursos filosóficos, mas se o compreendermos no contexto da relação entre os dialogadores; no caso de Arjuna e Krsna, a relação amorosa de intensa amizade entre eles, e Arjuna posteriormente aceitando Krsna como seu mestre espiritual e depositando toda sua confiança em Suas diretrizes. Por causa dessa forte estrutura do relacionamento amoroso entre os dois, as palavras de Krsna não são um mero filosofar seco, nem são dolorosas e impositivas – muito embora talvez soem repressoras ou severas em alguns momentos –, mas elas, de fato, capacitam o devoto a superar seus obstáculos e a alcançar o estágio transcendental.

Da mesma forma, o que pode lhe ajudar e lhe capacitar com grande força para superar tudo o que você está passando é buscar uma oportunidade para regularmente abrir seu coração em uma relação amorosa mais próxima. Você expressa grande apreciação e gratidão pela associação com os devotos; eu gostaria de lhe encorajar a se refugiar ainda mais nessa associação – pois a misericórdia de Krsna se manifesta na sanga de Seus devotos.

Quando digo associação, não me refiro apenas às reuniões gerais e maiores – que também são ótimas e têm seu papel –, mas lhe aconselho a buscar a possibilidade de uma relação pessoal um-a-um com um ou dois devotos com os quais você se afine e sinta que possam entender sua situação. Essa relação um-a-um permite uma relação mais profunda, e um intercâmbio coração-coração – isto se revelará muito mais vantajoso do que recorrer à solidão, que é destituída de qualquer fator verdadeiramente edificante.

Em uma relação íntima, você pode se sentir livre para se abrir e compartilhar seus sentimentos mais profundos sem se sentir constrangido por formalidades, e ainda se sentir compreendido, e não julgado. Em uma relação de amizade madura e equilibrada, você não iria apenas revelar suas dificuldades e dores e frustrações e buscar ajuda, mas também, a intervalos, compartilharia expressões confidenciais positivas, como apreciação e gratidão sinceras pelo apoio e consolo que você vem obtendo dos devotos, como o processo da Consciência de Krsna está lhe ajudando a lidar com suas dificuldades extremas, reconhecendo os recursos espirituais e boas-fortunas que foram concedidos a você mesmo em meio a suas dificuldades, algumas das realizações que você obteve por lidar com tais provações de uma perspectiva consciente de Deus e assim por diante. Tais abertura de coração e compartilhamento, embora pareçam pateticamente simples, podem se revelar uma fonte de força, entusiasmo, alívio, esperança e confiança.

Uma poderosa maneira de nutrir e facilitar essa relação na qual se dão tais trocas abertas é discutir tópicos escriturais relevantes – lendo juntos ou estudante e discutindo o Bhagavad-Gita, etc. –, sendo que tais discussões não precisam necessariamente se focar sempre em sua situação particular, mas, apenas algumas vezes, se relacionar com sua vida pessoal; assim você também pode ouvir sobre as realizações e experiências de outros. Ao mesmo tempo em que você abre seu coração para se expressar para os devotos, você encontrará forças para abri-lo e receber a motivação dos encorajamento, sugestões e conselhos que lhe serão dados.

Quando você sentir esse apoio, mesmo que em uma ou duas relações espiritualmente-centradas, e quando você realizar profundamente como Krsna está de fato lhe protegendo em meio a todas as calamidades, então você progressivamente achará mais fácil se associar com devotos em reuniões maiores, onde se sentirá confortável, em paz com sua situação e grato, ou pelo menos tolerante, mesmo que não esteja borbulhando de entusiasmo e júbilo.

No curso das interações com os devotos em geral, você deve tentar cultivar uma atitude de genuíno humor serviçal, tanto quanto você possa, sabendo bem que o serviço aos Vaisnavas é imensamente benéfico e prazeroso a Krsna. Havendo esse humor de serviço, você se sentirá motivado e qualificado a ir genuinamente além da interação pessoal imediata, não ficando na interação baseada apenas em obrigações sociais artificiais.

Você não precisa ser particularmente jovial, nem precisa revelar todos os seus problemas e sentimentos a todos, mas você pode manter uma agradável e genuína disposição de serviço para com todos e assim receber deles seus desejos de sucesso. Se algum devoto porventura indagá-lo sobre seu bem-estar e eventualmente lhe oferecer algum conselho filosófico, você poderia aceitar com gratidão tal conselho como um gesto de amor e seguir com seu cultivo devocional interior ao invés de se sentir pressionado por essas máximas. Colocar-se nessa disposição, mesmo em meio a adversidades, pode ser algo a se revelar como uma fonte de força e inspiração também para outros.

Resumindo, eu gostaria de encorajá-lo a buscar oportunidades para se relacionar amorosa e confidencialmente com alguns devotos qualificados e de confiança. Ao invés de recorrer à reclusão, através da relação regular de confiança com esses devotos, você encontrará a força devocional necessária para confrontar as situações adversas. Também em virtude do suporte que você encontrará assim, você se sentirá suficientemente edificado para interagir com a comunidade de devotos maior por meio do desenvolvimento do genuíno humor de serviço. Espero que estas sugestões sejam de valia para você.

Você tem meus melhores votos.

Hare Krsna!


Tradução por Bhagavan dasa (DvS)

terça-feira, 24 de junho de 2008

O Siva Purana e A Posição de Krsna






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Uma coleção de respostas intrigantes e motivadoras para o intelecto apresentadas por Sua Santidade Romapada Svami às questões levantadas por devotos acerca de variados tópicos espirituais.

4. Semideuses

4.4. O Senhor Krsna e os Semideuses

4.4.2) A Posição do Senhor Krsna e do Senhor Siva no Siva Purana

Pergunta: Que posição o Senhor Krsna tem de acordo com o Siva Purana? Que tipo de relação Krsna e Siva mantêm (de acordo com o Siva purana)? Deparei-me com essa questão enquanto pregava e, embora eu tenha podido dar referências de acordo com o Brahma Samhita, o Srimad-Bhagavatam, o Gita Mahatmya e também tenha explicado que os diferentes puranas se destinam a pessoas em diferentes modos, não fui capaz de dar uma resposta direta quanto à posição de Krsna no Siva Purana. Eu apreciaria muito se o senhor pudesse falar sobre isso. (Digest 89.2)

Resposta: Antes de responder diretamente sua questão, permita-me oferecer um prelúdio, um contexto para compreendermos como diferentes puranas se relacionam. Dado que diferentes puranas, como você apontou, endereçam as necessidades e temperamentos daqueles situados em diferentes modos da natureza, é natural que eles identifiquem diferentes personalidades como o maior objeto de adoração. Podemos mesmo esperar que cada texto escritural se foque em exaltar as glórias de seu assunto.

Todavia, mesmo enquanto glorificam exclusivamente uma Deidade em particular, descrita como “superior a todas as outras”, dentro dos próprios puranas encontram-se indicações apontando para um estágio superior de realização da Verdade Absoluta para aqueles que realmente buscam por ela. Às vezes os puranas nos encaminham para um outro purana como superlativo (a saber, o Bhagavata-Purana) e outras vezes o fazem de forma mais sutil, através do encaminhamento do leitor para a busca por uma alma auto-realizado que possa lhe ensinar a verdade.

Elaborando sobre essa questão escritural, nosso acaryas, particularmente Jiva Gosvami em seu Tattva Sandarbha, apresenta muitas evidências demonstrando como vários puranas distintamente apontam para o Srimad-Bhagavatam como sendo a autoridade mais importante e última dentre todos eles (os puranas), sendo o “purana imaculado” e o fruto maduro da árvore Védica. Assim, no caso de quaisquer aparentes contradições ou aparentes conclusões conflitantes entre os puranas (o que é inevitável em razão das diferenças entre seus tópicos e interlocutores), o veredicto do Bhagavatam é para ser tido como superior. Isto é indicado dentro do próprio Bhagavatam, mas também é corroborado por outros puranas.

Assim, serão encontradas no Siva Purana ou em outros Puranas narrações descrevendo o senhor Siva como o controlador supremo do universo material e assim por diante. Tais glórias são de fato verdadeiras, e não exageros, mas elas devem ser entendidas de forma contextualizada e sob a luz da conclusão do Srimad-Bhagavatam. O senhor Siva, portanto, executa o serviço de ser o Controlador Supremo do universo material a serviço de Krsna.

A posição do senhor Siva e sua relação com Krsna são particularmente únicas entre os outros devatas, sendo Siva, em certo sentido, não-diferente de Visnu. Dessa maneira, mesmo dentro da literatura Vaisnava, para não dizer no Siva-Purana, há narrações onde Visnu adora o Senhor Siva (o Senhor Rama, por exemplo), onde glorifica Siva como superior a Si mesmo (como no passatempo da batedura do oceano de leite) e obtém bênçãos dele (Krsna buscando por bênçãos para ter um bom filho, por exemplo). Para aqueles sem nenhuma compreensão da conclusão última das escrituras, isto pode ser confuso, mas esses exemplos ilustram o afeto especial e o relacionamento íntimo que Sri Krsna tem com o Senhor Siva, no qual Ele oferece a Seu mais querido devoto uma posição superior a Sua própria.

4.4.3) Por Que Se Mencionam Tantos Deuses nos Vedas e Por Que os Hindus Tendem a Aceitar o Senhor Krsna como o Supremo

Resposta: Porque há claramente muitos deuses Hindus especificados nos Vedas, eu gostaria de saber por que há tantos Hindus inclinados a aceitarem Sri Krsna como o Senhor Supremo. Por que há tantos pontos de vista em relação aos Vedas? (Digest 6.1)

Pergunta: Os Vedas são muito vastos; embora todas as escrituras Védicas unanimemente concordem em suas conclusões, elas também descrevem instruções pelas quais uma pessoa da mais baixa plataforma de consciência possa gradualmente se elevar ao estágio mais elevado. Sendo os Vedas muito vastos e variados, suas verdadeiras conclusões só podem ser compreendidas com sucessão discipular, com devotos puros. Brahmanas e filósofos (sábios) destinavam-se ao propósito de aprenderem essas conclusões e as disseminarem para as massas de acordo com o nível de avanço espiritual de cada um, guiando-os gradual e progressivamente por esses vários estágios.

Todavia, no curso do tempo, a corrente discipular se partiu, os brahmanas se tornaram desqualificados, e o conhecimento Védico tornou-se questão para especulação e interpretação. Assim, as múltiplas concepções acerca de qual é a conclusão Védica e o que é religião se fizeram presentes.

O Bhagavad-gita é praticamente universalmente aceito como uma fonte fidedigna da sabedoria Védica, e ele claramente estabelece que Krsna é o Senhor Supremo.


Tradução por Bhagavan dasa (DvS)