Dedicado a Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedenta Swami Prabhupada e Gurudeva Srila Dhanvantari Swami

Dedicado a Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedenta Swami Prabhupada e Gurudeva Srila Dhanvantari Swami
Jagad Guru Srila Prabhupada

sábado, 11 de outubro de 2008

Tilaka - Ornamento do espírito


Tilaka - Ornamento do espírito



A Tilaka é também chamada de ornamenação do espírito. Quando o devoto marca sua testa, ele está indicando a intenção de se transformar em um servo de Krishna; as linhas ascendentes de tilaka representam a pegada do Senhor, e a do nariz representa Tulasi, a folha sagrada que sempre aparece nos pés do Senhor nos templos. A decoração feita aplicando uma mistura molhada de argila e juntamente às outras marcas ao redor do corpo, o transformam em um templo de Vishnu, o Deus Supremo.O devoto vaishnava marca seu corpo em diferentes doze lugares, afim de obter purificação e proteção, e aquele que a estiver usando é identificado como um devoto do Senhor.
Como aquele que pode compreender a força de um governo atrás do uniforme de uma polícia, este mesmo pode compreender a força de Deus que está por tás do devoto sinalizado com a tilaka. No Padma Purana, o Senhor Shiva diz para Parvati que no centro da tilaka há um espaço , dentro daquele espaço em que reside Laskshimi e Narayana. Desta forma, o corpo que estiver sinalizado com uma tilaka será considerado como sendo um templo do Senhor Vishnu.

Quando estiver preparando a tilaka o mantra abaixo, da seção Uttara Khanda do Padma Purana deverá ser recitado:lalate kesavam dhyayennarayanam athodarevaksah-sthale madhavam tugovindam kantha-kupakevisnum ca daksine kuksaubahau ca madhusudanamtrivikramam kandhare tuvamanam vama-parsvakestridharam vama-bahau tuhrsikesam ca kandhareprsthe tu padma-nabham cakatyam damodaram nyasettat praksalana-toyam tuvasudeveti mrdhani

De acordo com o mantra acima mencionado, deve-se aplicar a tilaka com a esfera da ponta do dedo, para fazer as marcas de tilaka nas doze partes do corpo. Quando a tilaka for aplicada os seguintes mantras devem ser recitados: * Na testa: om kesavaya namah * No ventre: om narayanaya namah * No peito: om madhavaya namah * Na garganta: om govindaya namah * No lado direito do ventre: om visnave namah * No braço direito: om madhusudanaya namah * No ombro direito: om trivikramaya namah * No lado esquerdo do ventre: om vamanaya namah * No braço esquerdo: om sridharaya namah * No ombro esquerdo: om hrsikesaya namah * Na parte superior das costas: om padmanabhaya namah * Na parte inferior das costas: om damodaraya namah Por fim, após lavar às mãos, a água restante deve ser espalhada no topo da cabeça enquanto se recita o seguinte mantra: om vasudevaya namah


p/ Avyakta Rupa das
at 20:13 0 comments


"Possam as vacas estar a minha frente, possam as vacas estar atrás de mim, possam as vacas estar em todos os meus lados. Que eu possa residir sempre entre as vacas."


(Sri Hari Bhakti Vilasa 16.52)

Entrevista concedida por Raghunatha Das (Rogério Duarte






Entrevista concedida por Raghunatha Das (Rogério Duarte) ao Jornal A Tarde (Salvador/Ba), no dia 21/09/08


ATarde O senhor é considerado um excelente designer, mas não tem formação nessa área. Como foi sua educação formal?

Rogério Duarte Meu estudo formal foi informal (risos). E eu sou atípico, como meus estudos. Eu tive a formação chamada formal aqui na Bahia. Fiz o primário no Colégio Dona Afrísia, depois fui expulso do Antonio Vieira, aí fui para o Severino Vieira e depois para o Colégio Central, onde minha vida mudou completamente. Foi lá que conheci todo mundo: Glauber, Calasans Neto, a turma de Fernando da Rocha Peres. Aí, virei artista intelectual. Mas eu era um aluno meio relapso, repeti três vezes a segunda série ginasial porque preferia jogar futebol e ler meus livros. E, por conta dessas crises, não sei como, aos 20 anos, consegui uma bolsa de estudos do Ministério da Educação para ir para o Rio de Janeiro. Lá, fui fazer arte e educação.

AT E como o senhor começou no design?

RD Não havia formação de design. No Rio, fiz um teste vocacional e dava que eu era bom para design. Fui estagiar com Aloísio Magalhães [designer pernambucano]. Ele estava nos Estados Unidos, voltando para o Brasil, e ia montar um escritório. Do estágio, me tornei membro da equipe e muitos cursos pioneiros de design surgiam nessa época. Um desses cursos que fiz foi o do Museu de Arte Moderna, onde fui aluno de Alexandre Wollner. Misteriosamente, acabei sucedendo Alexandre Wollner como professor do Museu. Nessa época, eu era professor, mas já era dissidente, devido à minha visão tropicalista. Isso era mais ou menos 1964, quando eu era militante da UNE. Aí, surgem os baianos no Rio de Janeiro, os tropicalistas, então eu já encaro a revolução tropicalista como designer, mas eu era um adversário da universidade, era crítico. Eu brincava, chamava universitário de universotários. Mas minha vida profissional foi seguindo. Fui editor da
Editora Vozes, da esquerda católica, o que foi motivo de perseguição.

AT Como foi a vida do senhor durante a ditadura militar?

RDUm dos textos mais importantes de meu livro é A grande porta do medo, que trata sobretudo deste assunto. Eu procuro narrar tudo isso. É um fato notório, tanto que hoje eu sou anistiado político por causa disso e eu perdi tudo, meu emprego, minha vida, passei anos internado em hospício, fui jurado de morte pelos militares... Fui preso na passeata manifestando contra a morte de um estudante, em abril de 68, quando eu tinha 29 anos. Aí, foi um baque total no tropicalismo. As torturas eram terríveis. Eu namorava uma mulher belíssima , extraordinária, chamada Ruth Casoy. Mas, no meio de uma dessas sessões de tortura, eu quase entrego ela aos militares. Eu gritava ´Foi Ruth, foi Ruth´. Aí, eles paravam de me torturar e eu desistia de delatar.

AT Quanto tempo o senhor passou na prisão?

RDEsta primeira foram dez dias, em vários lugares. Nós nunca ficávamos no mesmo lugar. Ficávamos o tempo inteiro de olhos tampados. Eu esqueci como era meu rosto e em todo o tempo não permanecia no mesmo lugar. Viajava horas de carro sem saber sequer se estava no Brasil. Não via nada, nada, nada. Às vezes, eu ficava sozinho numa sala, tirava rapidamente o tampão. Meu irmão, que é engenheiro, conseguiu fazer o mapa do quartel. Eu fiz um retrato de um dos torturadores. Foi isso que resultou na descoberta de quem era o torturador. Esse foi, inclusive, um dos mais belos trabalhos jornalísticos brasileiros contra a ditadura.

AT Qual foi o comportamento da imprensa em relação a sua prisão?

RDA grita da imprensa foi muito grande, houve manifestos de intelectuais, virei primeira página de todos jornais porque a gente [Rogério foi preso junto com o irmão, Ronaldo] era muito conhecido no meio artístico. Então, o meio artístico saiu em defesa. Tom Jobim, Chico Buarque, Baden Powell, todo mundo assinava "libertem os irmãos Duarte". A prisão foi como um seqüestro. Nós já fomos dados como mortos. Durante a prisão, não tínhamos contato com ninguém, a ponto de eu chamar esse período de "desprogramação".

AT O senhor achou que ia morrer?

RDAchei, claro. Inclusive, os militares disseram que iam fuzilar a gente. E a gente ia morrer mesmo se não fosse a grita geral. Não estou exagerando não, mas a gente foi preso para ser morto mesmo. Era para ser um exemplo, era coisa para assustar a classe média. Mas a grita da imprensa foi muito, muito, muito, muito [fala com ênfase] forte mesmo. E a gente tinha relações importantes, como Josaphat Marinho, que era senador na época. Muita gente importante dizia: "Se vocês matarem esses caras, a barra vai pesar". Foi averiguado que os militares tinham planos de nos matar e jogar nossos corpos no Rio Guandu, no Rio de Janeiro.

AT Esse plano era mesmo concreto?

RDO plano era de exterminar a gente, não há a menor dúvida. Isso é historicamente comprovado. Mas numa conversa dos militares sobre a navegabilidade dos corpos, sobre se os corpos iam boiar logo ou tal, eles desistiram. Eu fiz aniversário na prisão. Nesse dia, eles destamparam meu olho e me deixaram comemorar de forma muito gentil. Fizeram bolo, ofereceram refrigerante e disseram: "É muito bom tomar uma Pepsi antes de morrer". Eu disse: "Tudo bem, você está certo, eu vou morrer de qualquer jeito". Um oficial que usava o nome de guerra Artigas, com quem fiz amizade, disse: "Vocês são muito legais, mas aqui seguimos uma rígida disciplina e se tivermos a decisão de matá-los terá que ser feita". Aí, eu pensei: "Cada macaco no seu galho, né?". Lembro de uma viagem de carro em que disseram: "Vocês não vão morrer. vou dar instrução de sobrevivência".

AT O senhor foi preso sozinho ou junto com amigos?

RDOlha, eu antes era mais modesto, mas agora eu digo, e não é para me gabar não: todo mundo voltou quando a barra pesou cercada pelo exército. O pessoal levava rolha para derrubar cavalo e colírio para enfrentar gás lacrimogêneo. Só quando eu fui cercado pela cavalaria, com muita bomba e tudo, é que tentei fugir. Mas aí fizeram uma armadilha e, quando eu estava chegando em meu carro, um cidadão me aponta um revólver e diz, baixinho: "Me siga sem falar ou então vai morrer agora". Quando chegamos a um lugar, acho que era uma delegacia, dispensaram nossas namoradas, Ruth e Silvia Escorel, que namorava meu irmão. Aí, o cara disse : "Vocês vão ficar".

AT O senhor passou também um tempo em hospícios?

RD Depois da prisão, resolvi fazer a parte mais radical do tropicalismo, a base do movimento, que chamei de marginália e que rendeu um poema: "No mapa da Guanabara é que leio a nossa sorte / azul a zona sul / morte na zona norte. Esse poema é um épico sobre o Rio de Janeiro. No Rio, viramos barra pesada. As portas foram sendo fechadas para a gente numa espécie de cerco. Acho que na casa do Oiticica um cara que eu não lembro bem quem era me disse: "Você só tem duas opções: ou polícia militar ou o Pinel (hospício do Rio)". Eu havia tido uma experiência louca num filme que fiz com Luiz Gonzaga, em Exu, e durante a viagem houve um acidente terrível, o carro virou, as latas abriram, então, na volta da viagem eu já estava desgovernado. Eu não tinha alternativa, então fui para o hospício. Foram três internações: Pinel, Engenho de Dentro (com cabeça raspada)... tudo isso está no livro. Entre 68 e 70 foi esse período. O último hospício
já foi uma coisa mais legal, no Hospital das Clínicas de São Paulo, recebi alta coincidindo com a volta de Caetano de Londres. Ele disse que queria me ver e tal...

AT Foi durante a prisão que o senhor se aproximou da religião?

RDNa prisão, eu tive meu primeiro contato com o lado místico. Enquanto meu irmão lia livros de engenharia, eu lia a Bíblia. Aí, tive umas visões. Quando eu estava louco, fiz um Cristo de braços abertos com as mãos cortadas. Em vez do 'INRI' do crucifixo, no meu desenho estava inscrito 'INRIO', como se eu fosse o Jesus dessa época. Esse foi meu primeiro surto religioso. Foi aí que notei que a razão não me dava resistência para enfrentar aquele sofrimento. Porque quando você se vê numa situação dessas, você tem que compreender sua verdade suprema. Quando saí da prisão, me considerava bem místico.

AT Antes de ser preso, o senhor era ateu?

RDNão. Eu era anticlerical. Mas não tenho uma religião, eu me defini como alguém que acredita em Deus, estou numa fase crítica, porque fui diagnosticado com neoplasia maligna, metástase, e tive que mudar todos os valores que eu tinha. Um certo ateísmo voltou muito forte, uma idéia de que as religiões às vezes são muito impuras.

AT Quando o senhor soube que estava doente?

RDNeste ano, que me revoltei contra a medicina. Mas eu descobri que o ateísmo que apareceu em mim é uma espécie de religião muito forte. Se a morte tiver que vir, que venha, mas eu vou lutar pela vida muito fortemente. Então, mudei tudo: faço ginástica todo dia de manhã, de tarde, de noite, uso uma alimentação especial e nada da medicina tradicional. Nada, nada, nada. Descobri que a doença é fruto de más ações: você maltratou seu corpo e ficou doente. Maltratou o corpo usando drogas, comendo carne, uma série de coisas que faz mal, uma alimentação doentia, muito tóxica, que cria problemas no intestino e aparece como o que eles chamam de câncer.

AT O senhor se arrepende de ter lutado contra a ditadura?

RD Como eu vou me arrepender se já passou? Não é mais hora de arrependimento. Eu não sei se me arrependo, mas essa idéia de se arrepender é estranha. Ninguém se arrepende por algo que nós acreditamos ter sido digno. A gente se arrepende de algo indigno. Foi um ato temerário, mas não indigno. Me arrependo de maldades, mas disso não.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Diário de um Pregador Itinerante - Diary of a Traveling Preacher




http://www.traveling-preacher.com/

Diário de um Pregador Itinerante

Diary of a Traveling Preacher

Acompanhe S. S. Indradyumna Svami em suas centenas de aventuras ao redor do mundo. “Pregue destemidamente e tenha fé nos santos nomes” foi a instrução pessoal recebida por Indradyumna de seu mestre espiritual, Sua Divina Graça A. C. Bhaktivedanta Svami Prabhupada, em 1972; instrução esta que carrega no íntimo de seu coração e se esforça por cumprir. Nesta obra, Indradyumna Svami compartilha suas experiências e realizações enquanto segue com a missão de propagar o Movimento de Sankirtana do Senhor Caitanya, dando-nos a oportunidade de deslumbrarmos o êxtase da pregação destemida.

Volume Oito - Capítulo Dez

Oferenda de Vyasa-puja

5 de setembro de 2007

Meu queridíssimo Srila Prabhupada,

Por favor, aceite minhas mais humildes reverências à poeira de seus pés de lótus. Todas as glórias ao senhor.

Hoje, sento-me para compor minha oferenda de Vyasa-puja para o senhor, a poucos minutos de ser chamado para palestrar. É comum que um discípulo escreve sua oferenda dias, semanas ou mesmo meses antes do dia do aparecimento do mestre espiritual, mas, este ano, o serviço a seus pés de lótus foi incessante, dia após dia e noite após noite. É sua misericórdia que me mantém tão prestativo. Por favor, aceite tal serviço prestado vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana e nos doze meses do ano como minha verdadeira oferenda ao senhor.

Tenho muito a compartilhar com o senhor desde a última vez que me dirigi ao senhor em seu Vyasa-puja.

O que está mais proeminente em minha mente agora é o desfile de Ratha-yatra que organizamos ontem em Belfast. Naquele lugar desafortunado, onde impera a violência sectária, eu entendi suas palavras no Srimad-Bhagavatam de que, neste planeta, pode-se ver tanto o céu quanto o inferno bem diante dos próprios olhos.

Ontem, vi uma cidade inteira coberta com a mentalidade infernal de ódio e vingança, pessoas com o desejo de matar. Embora um processo político esteja em andamento há anos e um frágil acordo tenha sido estabelecido recentemente, a atmosfera ainda é densa, repleta de medos e incertezas – tudo devido a um conceito de vida corpórea. O senhor escreveu um verso sobre esse fenômeno em uma oferenda de Vyasa-puja ao seu mestre espiritual alguns anos atrás:

“Lutando pela existência, a raça humana; Sua Divina Graça, a única esperança”.

Quão verdadeiras também são estas palavras em relação ao senhor, meu glorioso mestre! Assim como seu próprio Guru-maharaja, o senhor tem o elixir para todos os problemas do mundo. Enquanto as pessoas se debatem na escuridão da ignorância em lugares como Belfast, o senhor traz a luz do conhecimento transcendental, liberando-os da identificação corpórea. E, mais ainda, revela-lhes a herança que carregam como bem-aventurados servos do Senhor Supremo.

Por sua graça, as pessoas de Belfast puderam contemplar a verdadeira felicidade quando o carro do Senhor Jagannatha desfilou pelas ruas daquela cidade sem cores. Eu pude ver isso em algumas de suas faces. Essa é a glória do Senhor Supremo, Srila Prabhupada, e também a sua, porque o senhor é Seu representante e instrumento em Sua missão neste mundo material. Mesmo os prazeres celestiais aos quais o senhor se referiu são infernais sem o néctar do serviço devocional, que tão bondosamente nos deu.

Cada movimento que o senhor conduz nesta missão do Senhor Caitanya, meu querido mestre, são grandes momentos históricos. São, em essência, os passatempos modernos de Mahaprabhu. Quão afortunado me sinto em poder servi-lo de alguma forma. Quem sou eu para fazer parte de tão sagrado movimento, repleto de santos e sábios vivendo vidas puras e proclamando as mais elevadas verdades? Há não muito tempo, eu também estava pelas ruas, repleto de tristeza e desespero, sofrendo os resultados de meus erros que, de tão numerosos, não me havia esperança de libertação por milhares de nascimentos.

Então, de repente, sem avisar, o senhor entrou em minha vida. Eu não sabia que o senhor estava vindo. Eu não sabia quem o senhor era – mas, com o tempo, pude entender sua exaltadíssima posição como um devoto puro do Senhor, um servo íntimo de Radha e Krsna. Por inconcebível misericórdia, sou um de seus servos. Se alguém estivesse para perguntar quem eu sou, “Com licença, por favor, diga-me quem é você”, eu diria com grande orgulho: “Eu sou o humilde servo de Sua Divina Graça Srila A. C. Bhaktivedanta Svami Prabhupada”.

É claro que sei que não se pode ter o título de “seu servo” sem agir e se comportar apropriadamente. Mantendo meus sagrados votos de cantar dezesseis voltas diárias e seguindo os princípios reguladores, espero poder demonstrar sempre meu respeito e amor por tudo o que o senhor me deu.

Srila Prabhupada, por favor, permita-me servir o senhor da mesma forma que o senhor serve seu Guru-maharaja – pregando as glórias dos santos nomes em todas as direções, por todo o mundo e por todo o universo. Embora seja freqüentemente um serviço árduo – pregar em locais afastados, muitas vezes sem as condições apropriadas, muitas vezes com oposições deliberadas –, tal serviço é minha vida e alma. Através desse serviço, eu posso demonstrar meu amor pelo senhor. Oro para que depois de uma vida de tal serviço, eu volte para o senhor e o senhor diga: “Muito bem, meu filho!”. Só então considerarei minha vida perfeita.

Ó Srila Prabhupada, são dias felizes estes que uso minha energia e força em seu serviço. No começo, dei-lhe minha juventude. Na meia-idade, trabalhei duramente para seu prazer. Agora, nos poucos anos que me restam de vida, dedicarei tudo o que me resta ao senhor. Eu faria tudo de novo e de novo, nascimento após nascimento; tal é o prazer e satisfação de que um discípulo desfruta por se render à missão do mestre espiritual.

Mas tenho de admitir, Srila Prabhupada, eu temo a velhice que esta lentamente tomando meu corpo – não pelo fato dele se tornar inútil e feio, mas porque isso significa que logo me tornarei inativo, estacionário, apenas ficarei esperando a morte. Talvez eu seja afortunado o suficiente para sair deste mundo antes desse momento, plenamente ocupado em seu serviço no campo de batalha da pregação, como se diz. Eu consideraria esse um final apropriado para uma vida de serviço ativo. O senhor estabeleceu tal glorioso exemplo, e é meu dever seguir eternamente seus passos.

Seu servo,
Indradyumna Svami


Tradução de Bhagavan dasa (DvS) e revisão de Bhaktin Flávia Reis (DvS) – disponível, em breve, em http://www.devocionais..xpg.com.br/

domingo, 28 de setembro de 2008

Kali Yuga - Um Oceano de Controvérsias



Kali Yuga - Um Oceano de Controvérsias
Caros Vaisnavas e Vaisnavis, por favor aceitem minhas reverências.
Srila Prabhupada Ki Jaya!!!

Antes de mais, gostaria de agradecer o depoimento de todos os devotos.
O grupo Krishna Katha está a cumprir muito bem a sua função, que é discutir profundamente os tópicos da Filosofia da Consciência de Krsna.
Parabéns a todos.

Numa carta a Sumati Morarji em 7 de Agosto de 1976, Srila Prabhupada da algumas diretrizes:

"Os devotos sempre oferecem respeito a todos, mas quando existe a discussão de um ponto do Sastra, eles não observam a etiqueta usual, satyam bruyat priyam bruyat. Eles falam somente Satyam, embora possa não ser necessariamente priyam (agradável)."

1) Elogiar e glorificar os devotos é um aspecto importantíssimo do Serviço Devocional. O próprio Senhor Caitanya mostrou-nos isto.
"A medida que descrevia os atributos transcendentais de Haridasa Thakur, Sri Caitanya parecia ter cinco bocas (panca mukha). Quanto mais Ele descrevia, mais Sua felicidade aumentava." Antya 11.51

No Padma Purana, o Senhor Siva diz a Parvati:
"De todos os tipos de adoração, a adoração ao Senhor Visnu é a melhor, e melhor do que adorar o Senhor Visnu é adorar o Seu devoto, o Vaisnava."

2) Srila Gaurakisora Das Babaji diz:
"Se você realmente deseja prestar serviço devocional apropriadamente, então você deve aceitar as palavras ásperas de um sadhu como o remédio que pode afastar maya."

Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakur diz:
"Se o Sadhu começa a me adular e não me recrimina, ele se torna meu inimigo.Se ele nos adula, então seremos conduzidos pela estrada que leva ao desfrute, mas não ao verdadeiro bem-estar."

No Gaudiya Vedanta esta descrito:
"Pralambasura representa o desejo por Puja, Labha e Pratistha.
Mesmo devotos avançados são atacados por desejos subtis de adoração, ganho e posição, os quais envolvem-os.
Publicado por Prahladesh Das Adhikari em
bhakti-tattva.blogspot.com/2007/02/kali-yuga-um-oceano-de-controvrsias.html - 33k -

terça-feira, 23 de setembro de 2008

A História da Música Govindam


A História da Música Govindam

por Harivilasa Dasa
enviado por Lilananda Dasa


Harivilasa Dasa compartilha suas lembranças da gravação das preces Govinda, que posteriormente se tornou a música que tocamos para receber as Deidades.

Foi em 1969. Eu era um devoto novo, tinha chegado recentemente em Londres, vindo de Paris. Este foi praticamente meu primeiro contato com a consciência de Krsna. Eu havia encontrado os devotos em Paris, mas Londres foi o primeiro templo que eu visitei. Srila Prabhupada havia instalado Sri-Sri Radha-London-Isvara recentemente e depois partiu. Eu fui ao templo e Yamuna devi foi a primeira devota que eu encontrei. A atmosfera do templo estava saturada com a presença de Srila Prabhupada. Durante o meu primeiro e segundo dia eu fui privilegiado com o serviço de limpar a sua Vyasasana. O meu corpo inteiro estava vibrando com o sentimento da presença de Srila Prabhupada e eu também podia ver isto nos devotos, os quais estavam realmente elevados e inspirados. Eu podia ver a presença do devoto puro nas palavras, ações e dedicação daqueles devotos. Eu era um músico e tocava o lute Árabe [um tipo de violão] e tinha o instrumento comigo. Os devotos estavam dizendo que iriam gravar um disco com George Harrison. Eles já haviam gravado um disco nos Estados Unidos e agora iriam gravar outro.

Um dia George Harrison apareceu no templo para o almoço e os devotos me convidaram a participar. Depois de um ou dois dias que eu estava no templo eu encontro com George Harrison dos Beatles, que na época era uma pessoa famosa com uma carreira musical. Na verdade, meu primeiro encontro com os devotos em Paris foi de alguma forma relacionado com George Harrison. Eu era o gerente de um pequeno espaço microbiótico no Centro Americano de Paris. Um dia eu recebi um pequeno bilhete e a capa do primeiro disco Hare Krsna. Na capa havia uma explicação de Srila Prabhupada sobre a natureza transcendental do maha-mantra, que basicamente ele tirou, quasi que palavra por palavra, de seu mestre espiritual, Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakura. Então, alguém me deu esta capa e disse, "Esse pessoal quer alugar o seu espaço para um programa nos domingos de noite." Eu li o bilhete e me explodiu a cabeça completamente. Eu disse, "Oh meu Deus, o que é que os Beatles estão fazendo?" Eu pensei que George Harrison tinha escrito aquilo. Eu não sabia nada de Prabhupada.

Eu pensei que os Beatles haviam escrito esta explicação, e eu não pudia acreditar. Eu pensei que isto era a coisa mais esotérica que eu tinha lido em minha vida. Eles estavam falando sobre algum mantra transcendental, etc. Eu pensei que eles tinham tomado um LSD imensamente potente e agora estavam nos liderando nesta viagem. Mais tarde eu descobri que Srila Prabhupada foi quem escreveu o texto e que havia um movimento chamado Hare Krsna e que George Harrison estava ligado a ele. Então encontrei George Harrison.

Para mim este era um sinal de Deus que eu estava no caminho certo. Como podia ser que eu, uma pessoa realmente insignificante, encontrasse George Harrison, uma estrela internacional? Na minha mente as coisas ainda não estavam claras. Eu tinha alguma idéia que talvez ele fosse o guru de toda esta organização.

Então George veio para o templo em Bury Place e ele trouxe consigo sua guitarra. Yamuna devi, Mukunda, Gurudasa, Syamasundara, Malati e eu, estávamos todos sentados numa pequena sala com um arranjo humilde. Nós estávamos tomando prasadam e conversando. Eu estava realmente fascinado, "Isto é inacreditável!"

De repente, George terminou de comer, pegou sua guitarra, sentou do lado de Yamuna devi e começou a tocar uma combinação de acordes musicais. Ele disse, "Eu estava pensando sobre a sua música Govinda." E enquanto tocava uma combinação de acordes musicais, perguntou, "O que você acha disto?" Os devotos deram suas opiniões. Foi assim que ele começou a compor a música Govinda, o primeiro passo na criação da apresentação comercial desta música transcendental.

No dia seguinte um grupo de dez ou onze devotos foram para os Estúdios da Apple. Ali estavam Yogesvara Prabhu, eu, Mukunda, Yamuna, e vários outros devotos.
Nós passamos o dia inteiro no estúdio. Foi ali que realmente vimos o gênio de George Harrison da maneira pela qual ele trabalhava num estúdio de gravação. Ele estava construindo uma música pedaço a pedaço. Ele pedia para Yamuna cantar novamente e novamente e ele continuava gravando."Govindam adi purusam" e no coro estavam Yogesvara, eu e Jayahari.



Também haviam outros cantando, mas eu não me lembro de todos os nomes, não me lembro de todo mundo. Se não me falha a memória, haviam seis pessoas de pé cantando.
[Nota de Lilananda dasa: Segundo Yogesvara Prabhu, Tamal Krishna Goswami também estava presente. Anexo segue uma foto deles nos Estúdios da Apple. Tamal Krishna esta atrás de Malati e Yogesvara atrás de Syamasundar que está detrás de George Harisson]

George Harrison trouxe uma orquestra de seis ou oito pessoas para tocar instrumentos de cordas e ele tocou a guitarra. Ele estava fazendo a mixagem e o balanço e tinha trinta e três pistas para mixar. Foi muito, muito excitante. Nós vimos que ele era um homem criativo, um artista. O seu pincel de pintor era a sua mente criativa e a tela eram as suas trinta e três pistas e a própria mixagem. Eu me lembro que ele tinha contratado músicos. Num certo momento ele olhou para mim e disse, "Vem aqui, traga seu instrumento, traga seu instrumento." Nós sentamos um do lado do outro. Ele pegou a minha lute Árabe [um tipo de violão], olhou para ele um pouco e me devolveu. Então ele pegou a sua guitarra e começou a tocar algo. Então ele perguntou:

"Você pode tocar isto?" E eu toquei. Ele tocou outro arranjo e perguntou, "Você pode tocar isto?" Funcionou muito bem porque meu instrumento era feito para tocar estes tipos de som. Ele notou que estes sons eram perfeitos para este instrumento. Então ele decidiu me gravar tocando. Antes ele havia gravado Syamasundara tocando o esraj, o violino Indiano. E então ele me fez tocar o lute. Eu toquei duas ou três vezes.

Eu estava fascinado pela coisa toda, George Harrison sentado comigo me pedindo para tocar algo! O que realmente me impressionou é que ele era realmente um cavalheiro, muito polido da maneira que ele falava com as pessoas. Ele não tinha que extrair coisas das pessoas ou fazê-las sentir-se impostas de alguma maneira. Num certo momento todos sentamos para comer sanduíches vegetarianos. Neste momento sua esposa chegou. Foi realmente um dia agradável. No dia seguinte nós voltamos para ouvir o que ele tinha feito. Nós ficamos muito impressionados com o seu trabalho. Depois ele refinou a música mais e mais antes de lança-la.

A gravação das preces Govinda foi um esforço sincero dos devotos para glorificar Krsna e Prabhupada. Foi uma experiência muito transcendental. Este evento me convenceu que a consciência de Krsna estava realmente conquistando o mundo. George Harrison teve um tremendo impacto na juventude do mundo, pelo menos nos jovens que eu conhecia.

Pouco tempo depois, em Los Angeles, Srila Prabhupada ouviu a gravação pela primeira vez. Os devotos disseram que ele chorou e disse: "Toque esta música todas as vezes que recebemos as Deidades."

Veja aqui um video da música: http://www.youtube.com/watch?v=5GIQTuUJwwA&feature=related.

Compre aqui o CD Goddess of Fortune com a música.

Dispostos para a Paz - Prontos para a Guerra






www.traveling-preacher.com

Diário de um Pregador Itinerante

Diary of a Traveling Preacher

Acompanhe S. S. Indradyumna Svami em suas centenas de aventuras ao redor do mundo. “Pregue destemidamente e tenha fé nos santos nomes” foi a instrução pessoal recebida por Indradyumna de seu mestre espiritual, Sua Divina Graça A. C. Bhaktivedanta Svami Prabhupada, em 1972; instrução esta que carrega no íntimo de seu coração e se esforça por cumprir. Nesta obra, Indradyumna Svami compartilha suas experiências e realizações enquanto segue com a missão de propagar o Movimento de Sankirtana do Senhor Caitanya, dando-nos a oportunidade de deslumbrarmos o êxtase da pregação destemida.

Volume Oito - Capítulo Nove

Dispostos para a Paz – Prontos para a Guerra

De 21 de agosto de 2007 a 7 de setembro de 2007

Após uma série de programas na República da Irlanda, dirigi para o norte com alguns outros devotos para Belfast. No caminho, parabenizei Praghosa das, o representante local do GBC, pelo Ratha-yatra que realizamos no dia anterior em Dublin.

“Eu fiquei impressionado em como a multidão se alinhava na rua para ver o carro passar”, eu disse. “E muitas pessoas foram ao festival realizado na praça em seguida”.

“Os Irlandeses são piedosos”, Praghosa respondeu, “e tivemos sorte de não ter chovido. Encontramos Dublin nas melhores condições. Há um ditado aqui”:

Leprechauns, castles, good luck and laughter,Lullabies, dreams and love ever after,Poems and songs with pipes and drums.A thousand welcomes in Ireland.

“Leprechaus, castelos, boa sorte e risos,
Canções de ninar, sonhos e amor eterno,
Poemas e canções com cachimbos e tambores
Mil boas-vindas na Irlanda”

“Mas nós veremos o oposto no nordeste irlandês”, ele prosseguiu. “São apenas duas horas de carro, mas a diferença entre o norte e o sul é como o dia e a noite”.

“Eu ouvi falar um pouco sobre isso”, eu disse, “mas sou ignorante na maior parte”.

“É um problema político-social complexo”, ele disse. “Ele remonta há mais de 700 anos, quando os ingleses invadiram a Irlanda pela primeira vez. Eles tiveram o controle por anos, mas, em 1921, eles concederam soberania a 26 condados ao sul da ilha enquanto mantiveram para si 16 condados ao norte”.

“Oficialmente, a Irlanda do Norte é parte do Reino Unido, mas, embora os ingleses governem ali há centenas de anos, os irlandeses continuam considerando propriedade irlandesa”.

“A diferença é ainda mais agravada pelo fato dos ingleses serem basicamente Protestantes e os irlandeses, Católicos. Uma disputa amarga se perdura por séculos. Desde o começo dos anos 70, milhares de vidas foram perdidas”.

“Todavia, seis meses atrás, Sinn Fein, a ala política do Exército Republicano Irlandês, e o Partido Unionista Democrático, o principal grupo Protestante, fizeram um acordo estabelecendo a divisão do poder administrativo”.

“O mais incrível é que, ao longo dos últimos 25 anos, mantemos um templo em Belfast, e a pregação é muito boa, porque todos são afetados pelo conflito”.

“Como as pessoas nos vêem?”, eu perguntei.

“Nós não tomamos partido, por isso eles são basicamente neutros em relação a nós”, Praghosa respondeu. “Em uma ocasião, quando eu estava saindo do nosso restaurante Govinda, eu fui confrontado por um grupo de homens. Quando eles perguntaram sobre minha afiliação religiosa, eu expliquei que eu era um monge Hare Krsna. Eles ficaram confusos. Eles ficaram se entreolhando até que um dos homens perguntou: ‘Você é um Hare Krsna Protestante ou um Hare Krsna Católico?’.”

“A resposta errada poderia resultar em uma surra, então eu pensei cuidadosamente até que respondi que eu era um Hare Krsna Hare Krsna. Eles apenas estalaram seus pescoços e foram embora”.


“Mas nem sempre é fácil assim. Nos templos, os devotos são avisados a não ficar nas janelas, porque elas são freqüentemente quebradas por pessoas atirando pedras e gritando bordões políticos. Uma vez, alguém atirou uma flecha pela janela que fincou contra a parede. Naquela época, um dos nossos devotos tinha conexão com o IRA e se reuniu com os líderes locais. Por algum tempo a violência parou, mas depois começou de novo”.

“O IRA?”, eu perguntei. “O que você quer dizer por ‘conexão com o IRA’?”.

“Ele fazia parte do grupo antes de se juntar a nós”, Praghosa explicou. “Ele foi preso uma vez pelo exército inglês e passou dois anos na prisão”.

Enquanto conversávamos, chegamos a Belfast. A primeira coisa que roubou minha atenção foram as diversas pinturas nos muros. Passando perto, eu li um que dizia: “Cuidado ingleses. Zona de perigo. Matadores da RUC [Royal Ulster Constabulary, Polícia Real da Ulster] a solta”.

“Esta é claramente uma área Católica”, Praghosa disse. “Você pode ver a bandeira da Irlanda dançando por toda a parte”.

Ao que continuamos dirigindo, eu vi um imenso muro que começava de uma área pobre e se estendia por uma longa distância. Praghosa explicou que muitas dessas estruturas, conhecida como Peace Lines, que podem se estender por um quilômetro e têm cerca de seis metros de altura, foram erigidas durante os últimos trinta anos para manter separadas as facções em guerrilha.

“Os Protestantes ficam de um lado e os Católicos do outro”, ele disse. “Sem os muros separando os dois, eles matariam uns aos outros. A trégua não diminuiu o ódio de longa data”.

Quando viramos em uma esquina, um novo muro pichado apareceu: “Nossa vingança será a risada de nossos filhos”, e outro trazia: “Dispostos para a Paz – Prontos para a Guerra”.

“É incrível que os devotos consigam pregar a tanto tempo neste ambiente”, eu disse.

“Eles se adéquam”, disse Praghosa. “Eles adotam o sotaque do local onde estão distribuindo livros: sotaque britânico nas áreas Protestantes, sotaque irlandês nas áreas Católicas. E eles são protegidos pelo Senhor. Janananda das chegou aqui em 1975 com um pequeno grupo de devotos. Eles armaram uma mesa de livros em uma praça e se sentaram para fazer um kirtana. Dez minutos depois, uma multidão se formou e começou a atirar pedras neles. Eles se levantaram e saíram correndo, deixando tudo para trás”.

“Quando Janananda voltou a Belfast no ano seguinte, eles fizeram um kirtana em frente a uma Woolworth’s [empresa de supermercados com produtos a preço popular]. Porque muitas pessoas pararam para ouvir, eles decidiram que voltariam ali no dia seguinte. Mas, quando chegaram, a Woolworth’s não estava mais lá. Ela havia sido destruída por uma bomba durante a noite, um acontecimento quase diário naquela época”.

Enquanto dirigíamos para dentro da cidade, mais muros com mensagens apareciam.

“Estamos entrando em uma área Protestante agora”, Praghosa disse.

À frente, eu vi vários homens caídos perto de um muro, obviamente mortos em confronto. “Para que não sejamos esquecidos”, trazia o muro.

Cerca de 20 metros à frente, outro muro trazia: “Comando Vermelho. Não é por glória ou riqueza que lutamos, mas por nossa gente”.

Quando paramos em um sinal vermelho, um enorme mural trazia os dizeres: “Bem vindo à central da RUC. Nada nos deterá”.

“O que realmente determina os devotos a pregarem em Belfast é que eles sentem terem a solução para os problemas”, Praghosa disse..

“E qual é a solução?”, perguntei.

“Que somos todos, essencialmente, partes de uma família espiritual, a família de Deus”, ele respondeu. “O conceito de amigo e inimigo é uma ilusão. A violência sectária é devido ao conceito corpóreo de vida: eu posso ser irlandês ou inglês, mas nós não somos estes corpos temporários, nem nenhuma designação que talvez tenhamos dado a eles”.

“Para que a paz venha para esta terra, as pessoas têm de parar de ver diferenças e entender o que têm em comum. No mundo espiritual, não há Católicos, Protestantes, Hindus, Muçulmanos ou Judeus. Todos apenas se identificam como devotos do Senhor”.

Nós viramos uma esquina e paramos em frente a uma velha construção. Eu notei a inscrição no prédio ao lado: Orange Hall – 1690.

“O Orange Hall é onde os Protestantes se encontram há séculos”, Praghosa disse. “Alguns anos atrás, nós não poderíamos dirigir sequer próximos a este lugar. Este era o campo mortal de Belfast. Muito sangue foi derramado nesta rua. Mas, recentemente, a comunidade indiana comprou este prédio ao lado do Orange Hall”.

“Os indianos?”, eu perguntei. “Eles se mudaram para cá?”.

“Nos últimos anos”, disse Praghosh, “muitos estrangeiros chegaram à Grã-bretanha. Ironicamente, isso ajudou muito a situação aqui”.

“Como?”, eu perguntei.

“Muitos dos estrangeiros acham que as diferenças que separam as duas comunidades não são problemas de vida ou morte”, ele disse. “Essa mentalidade está contagiando um pouco a população local. Por muitos anos, eles foram completamente isolados. Então, como os tempos estão mudando, os devotos estão aproveitando para pregarem a mensagem do Senhor Caitanya com ainda mais entusiasmo do que antes. Nosso carro de Ratha-yatra será puxado pelas ruas hoje e, em seguida, teremos um grande festival em frente ao Orange Hall”.

Dez minutos depois, chegamos ao ponto de partida da parada. Eu fiquei surpreso ao ver apenas 10 ou 15 devotos presentes fazendo os últimos preparativos.

“Tem apenas uma dúzia de devotos aqui”, eu disse a Praghosa.

“Apesar da relativa receptividade das pessoas”, ele disse, “não são muitos os devotos que querem viver em um local que parece uma zona de guerra”.

Mais dez devotos chegaram em seguida e logo começamos a descer a rua puxando o carro; chegando à rua principal, começou a chover. Eu fiquei chocado ao ver apenas poucas pessoas na rua.

“Onde estão todos?”, eu perguntei a Praghosa.

“Hoje é domingo”, ele disse, “o único dia que a prefeitura iria nos dar. E está chovendo. Mas haverá lojas que abrem aos domingos quando chegarmos ao centro da cidade”.

400 metros à frente, vinte minutos depois, chegamos a uma rua com um pouco mais de pessoas.

“Aqui é o centro”, disse Praghosa.

Eu fiquei surpreso. Parecia mais uma cidadezinha, e parecia ambientada nos anos 60 ou 70. Eu percebi várias placas de “vende-se” em lojas, escritórios e apartamentos.

“Por causa da História, a cidade não se desenvolveu como as outras cidades européias”, disse Praghosa, “mas isso pode mudar se a partilha administrativa continuar”.

Mas não eram apenas as construções que pareciam estranhas, as pessoas também. Diferente de Dublin, onde multidões se juntavam nos passeios para sorrirem e acenarem enquanto passávamos, as pessoas eram quase que indiferentes a nossa presença. Alguns apareceriam prudentes e desconfiados. Alguns nos olhavam sem nenhuma emoção no rosto.

Praghosa se virou para mim. “Eles passaram por muita coisa”, ele disse.

Eu voltei minha atenção para o canto e a dança, esperando, como todos os devotos presentes, que o desfile de Ratha-yatra roubasse a atenção do coração de alguém.

Enquanto nossa colorida procissão desfilava pela deprimente atmosfera, algumas poucas pessoas começaram a responder. Alguns paravam para conversar com os devotos que estavam distribuindo convites para o programa no Orange Hall.

Em dado momento, eu saí do centro do desfile e caminhei pelo passeio distribuindo convites pessoalmente. Depois de cinco minutos, um jovem de vinte e poucos anos se aproximou de mim.

“O que significa isso?”, ele perguntou curioso.

“Este é um dos mais antigos festivais espirituais do mundo”, eu respondi.

“A maior parte das guerras deste mundo foram por causa de religião”, ele disse. “Um bom exemplo é a própria cidade de Belfast”.

“Isso é verdade”, eu respondi. “Mas o mau uso de algo não quer dizer que tal coisa seja originalmente errada. A religião fala, na verdade, sobre Deus, não em política e violência sectarista”.

Ele pensou por um momento e, então, concordou com a cabeça. “Há alguma verdade nisso”, ele disse.

“Venha para o nosso programa no final do desfile”, eu disse. “Será perto do Orange Hall na...”.

“Todos em Belfast sabem onde fica o Orange Hall”, ele disse me interrompendo.

“Começa às 5 da tarde”, eu adicionei enquanto ele ia embora.

Eu não pensei que veria aquele jovem novamente, mas, à tarde, enquanto eu me acomodava no assento do palestrante, eu me surpreendi ao vê-lo entrando na sala e se sentando. Ele era literalmente o único convidado, pois todos os demais na audiência eram ou devotos ou membros da congregação.

Quando comecei a palestrar, foquei minha atenção em nosso convidado. É uma técnica que às vezes uso em palestras públicas. Como a audiência costuma ser diversificada com aqueles que têm pouco interesse, aqueles que são meramente curiosos, e genuínos buscadores da verdade, eu tendo a direcionar a palestra para um único buscador.

“É apenas uma pessoa”, eu pensei, “mas talvez eu possa plantar em seu coração a semente da Consciência de Krsna que mais tarde crescerá como devoção pura”.

Enquanto eu apresentava o conhecimento que eu havia repetido em inúmeros programas ao longo dos anos, eu pude notar que o jovem estava interessado. Ele se sentava com o tronco voltado para frente, lembrando como eu fiquei a primeira vez que ouvi a filosofia da Consciência de Krsna. Eu continuei com a palestra básica. Eu percebi que alguns devotos e membros da congregação ficaram agitados pela simplicidade da palestra. Assim como eu havia falado aquilo mil vezes, eles estavam ouvindo aquilo pela milésima vez, mas, naquela ocasião, eu senti que a pessoa mais importante de todas era o nosso convidado.

Eu apresentei todos os princípios básicos da filosofia e falei alguma coisa sobre o Senhor Jagannatha e sobre a adoração à Deidade, tudo observando com grande cuidado suas reações. Após uma hora, quando comecei a concluir os pontos que apresentei na palestra, pude vê-lo concordando com a cabeça com meus pontos finais.

Quando terminei, levantei enquanto a platéia aplaudia. O jovem também aplaudiu por alguns instantes e, então, olhando para o seu relógio, começou a passar pelos devotos em direção à saída. Eu queria falar com ele, mas ele estava visivelmente com pressa.

Mas, quando ele chegou à porta de saída, ele se virou, sorriu e fez positivo para mim, erguendo seu polegar. Não foi grande coisa – um simples sorriso e um gesto – mas foi o suficiente para me fazer acreditar que, se a nova administração for bem sucedida e os devotos continuarem determinados a compartilhar a mensagem da Consciência de Krsna com o povo de Belfast, nós podemos ajudar a trazer paz e felicidade para a Irlanda do Norte.

svasty astu visvasya khalah prasidatamdhyayantu bhutani sivam mitho dhiyamanas ca bhadram bhajatad adhoksajeavesyatam no matir apy ahaituki

“Que haja boa fortuna em todo o universo, e que todas as pessoas invejosas se tornem pacíficas. Que todas as entidades vivas se tranqüilizem pela prática de bhakti-yoga. Por aceitarem o serviço devocional, elas irão pensar no bem estar umas das outras. Que todos nós, portanto, ocupemo-nos no serviço à transcendência suprema, o Senhor Sri Krsna, e fiquemos eternamente absortos em pensar unicamente nEle”. - Srimad Bhagavatam 5.18.9

Tradução de Bhagavan dasa (DvS) e revisão de Bhaktin Flávia Reis (DvS) – disponível, em breve, em http://www.devocionais.xpg.com.br/

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Srila Prabhupada como Acarya



http://www.romapadaswami.com/
INDAGAÇÕES ACERCA DO ABSOLUTO
Inquiries into the Absolute
Uma coleção de respostas intrigantes e motivadoras para o intelecto apresentadas por Sua Santidade Romapada Svami às questões levantadas por devotos acerca de variados tópicos espirituais.
7. Devotos do Senhor, Suas Qualidades e Atividades
7.5. Srila Prabhupada
7.5.1) Srila Prabhupada como Acarya
Por que Srila Prabhupada recebeu o título de Acarya? Um dos significados de Acarya não é aquele que iniciou algo novo? Nós chamamos Madhvacarya ou Shankaracarya de acarya, e não svami, porque eles começaram algo novo, não é assim? Mas Srila Prabhupada não começou algo novo, ele apenas trouxe esse algo para o mundo ocidental, então qual é a compreensão para ele ter recebido o título de Acarya? Ficaria realmente muito grato se o senhor me respondesse essa questão. (Digest 224.1)
“Acarya” significa literalmente “aquele que ensina pelo exemplo” (Acar = comportamento ou conduta pessoal). Aquele que estabelece o padrão mais elevado de comportamento para toda a humanidade través de seu exemplo pessoal é chamado de Acarya.
Assim, qualquer professor exemplar do conhecimento Védico poderia ser corretamente chamado de Acarya. Dronacarya, por exemplo, foi Acarya para o Dhanur-veda (a ciência militar Védica).



Mas o título “Acarya” é especialmente conferido aos grandes mestres espirituais santos que reviveram ou estabeleceram fortemente os princípios e ensinamentos de uma das sucessões discipulares autorizadas para o benefício espiritual do mundo para muita gerações vindouras.



Portanto, um Acarya não tem de ser alguém que começou algo novo. Muito pelo contrário, o indicativo de um Acarya ou mestre espiritual fidedigno é que ele não inventa algo novo ou independente dos ensinamentos Védicos – que são eternos – mas antes apenas reapresenta os ensinamentos eternos de Srila Vyasadeva e de acaryas predecessores no parampara de forma adequada a um tempo, lugar e circunstâncias particulares.



Afirma-se no Padma Purana que existem quatro paramparas (sucessões discipulares) fidedignos, todos começando com o próprio Senhor Krsna, a saber, Brahma, Sri, Rudra e Kumara sampradayas. Somente aqueles que fielmente representem um desses quatro paramparas podem ser aceitos como mestres espirituais ou acaryas.
Os grandes acaryas Vaisnavas, como Madhvacarya ou Ramanujacarya, não apresentaram algo novo, algo que não estivesse ali antes deles. Ramanujacarya pertencia a Sri Sampradaya, e Madhvacarya aceitou iniciação na Brahma-sampradaya dos mestres espirituais nessa linha antes dele. Mas, durante o tempo deles, por causa da disseminação do Budismo seguida da disseminação do impersonalismo-mayavada, a cultura Vaisnava não estava muito difundida. Ramanujacarya e Madhvacarya derrotaram firmemente as doutrinas mayavadas e sistematicamente apresentaram os ensinamentos de seus acaryas predecessores. Eles reviveram o Vaisnavismo por todo o subcontinente indiano e solidamente estabeleceram uma instituição de Vaisnavas que praticavam esses ensinamentos. Dessa maneira, eles são considerados os acaryas mais proeminentes de suas respectivas sampradayas, e toda a sampradaya leva o nome deles. Seus escritos e padrões por eles estabelecidos serão a luz que guiará todos os seguidores e mestres espirituais vindo na linha deles no futuro.



Similarmente, Srila Prabhupada apresentou de maneira sistemática os ensinamentos de Caitanya Mahaprabhu escrevendo muitos livros fidedignos e estabelecendo uma instituição mundial de Vaisnavas, derrotando muitas escolas opositoras ateístas e impersonalistas, as categorias de pensamento hoje prevalentes. Embora ele tenha apenas apresentado os ensinamentos dos acaryas anteriores, sua contribuição é ímpar ao tornar esses princípios e a prática deles ainda mais relevantes e aplicáveis, e ao abordar a mentalidade e as necessidades da sociedade atual. Porque seus ensinamentos e diretrizes guiarão todos os mestres espirituais futuros nesta linha discipular, ele é conhecido como o Fundador-Acarya da ISKCON.



Tradução por Bhagavan dasa (DvS)