Dedicado a Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedenta Swami Prabhupada e Gurudeva Srila Dhanvantari Swami

Dedicado a Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedenta Swami Prabhupada e Gurudeva Srila Dhanvantari Swami
Jagad Guru Srila Prabhupada

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Sannyasa-yoga - Ocupando-nos em Satisfazer Única e Exclusivamente o Senhor Krishna



Sannyasa-yoga




Ocupando-nos em Satisfazer Única e Exclusivamente o Senhor Krishna




Por Bir Krishna Prabhu (DVS), Facilitador do Instituto Bhaktivedanta para Auto-Realização.


29/11/2007.




Ocorreu-me esses dias meditar sobre alguns princípios básicos da consciência de Krishna e encontrei no transcorrer do meu estudo diário do Bhagavad-gita, esta definição de Srila Prabhupada para sannyasa-yoga que, creio eu, resume um dos preceitos fundamentais do cultivo do amor à Pessoa Suprema, Sri Krishna. Assim, Srila Prabhupada explica que sannyasa-yoga significa que a pessoa deve procurar conhecer sua posição constitucional como entidade viva, e agir em conformidade. Vejamos o que quer dizer isso? Srila Prabhupada esclarece mais adiante a sua fala dizendo: “O ser vivo não tem identidade separada independente. Ele é uma energia do Supremo. Quando está acorrentado a energia material, é condicionado, e quando consciente de Krishna, ou está inteirado da energia espiritual, então, está em seu verdadeiro estado de vida”. E prosseguindo em sua definição de sannyasa-yoga, Srila Prabhupada pontua: “Portanto, quando alguém está em conhecimento completo, cessa todo o gozo dos sentidos materiais, ou renuncia a todas as espécies de atividades que produzem o gozo dos sentidos. Isto é praticado pelos yogis que eliminam dos sentidos o apego material. Mas quem é consciente de Krishna não deixa aparecer a oportunidade de ocupar seus sentidos em algo que não seja para o propósito de Krishna. De modo que pode se considerá-lo ao mesmo tempo como um sannyasi (renunciante) e um yogi”. Srila Prabhupada expõe tudo isso como uma preliminar a seu significado para o verso do Bhagavad-gita que se segue e elucida ainda mais o termo sannyasa-yoga: yam sannyasam iti prahur yogam tam viddhi pandaya na hy asannyasta-sankalpo yogi bhavati kascana (Bg. 6.2). “Fica sabendo que aquilo que se chama renuncia é o mesmo que yoga, ou união com o Supremo, ó filho de Pandu, pois só pode tornar-se um yogi quem renuncia ao desejo de gozo dos sentidos”. O conceito de sannyasa-yoga é bastante significativo para aquele que cultiva o amor a Deus, pois, no momento histórico que atravessamos, onde cada vez mais os ditames do consumo e da gratificação irrestrita dos sentidos se alastram por toda parte, fico aqui pensando o quanto é trabalhoso não se deixar arrastar por tal mentalidade avassaladora. Portanto, situarmo-nos em sannysasa-yoga, isto é, conhecer nossa posição constitucional como partes integrantes e servos eternos do Senhor e ocuparmo-nos em satisfazê-lO única e exclusivamente através de todas nossas atividades rotineiras, revela-se de fundamental importância para uma vida bem sucedida. A este respeito, Srila Prabhupada declara: “O verdadeiro objetivo da auto-realização é que a entidade viva abandone toda a satisfação egoísta e esteja preparada para satisfazer o Supremo. O devoto consciente de Krishna não deseja nenhuma espécie de gozo pessoal. Ele sempre se preocupa em dar prazer ao Supremo. Quem não tem nenhuma informação sobre o Supremo fatalmente ocupa-se em buscar sua satisfação, porque ninguém pode permanecer inativo. Todos os propósitos se cumprem perfeitamente através da prática da consciência de Krishna”. Portanto, sannyasa-yoga ou bhakti se cumpre quando ouvimos sobre Krishna em livros tais como o Bhagavad-gita e o Srimad-bhagavatam, cantamos os Seus santos nomes, nos associamos com os Seus devotos, comemos prasada (alimento oferecido ao Senhor), prestamos algum serviço na missão de Srila Prabhupda (como distribuir os seus livros), adoramos as deidades ou visitamos os lugares sagrados onde o Senhor desempenhou alguns de Seus passatempos eternos. Isso é facil, muito simples e agradável de ser praticado.




HARE KRISHNA

O Gita Condensado - The Gita Condensed



Artigo originalmente publicado em Back to Godhead [Volta ao Supremo] – Revista fundada por Sua Divina Graça Srila Prabhupada no ano de 1944




O Gita Condensado The Gita Condensed




por Kalakantha Dasa




Em 1968, Sua Divina Graça A. C. Bhaktivedanta Svami Prabhupada publicou o Bhagavad-gita Como Ele É, que desde então vendeu dezenas de milhões de cópias em várias línguas. Como um devoto de Krsna em tempo integral e sanscritólogo perito, Srila Prabhupada reportou com todas as letras a clara conclusão do Gita, que muitos comentadores obscurecem com suas traduções liberais, e por terem também outros importantes afazeres em suas agendas. Os significados de Srila Prabhupada iluminam para nós os versos falados por Krsna e Arjuna. A versão condensada desse diálogo histórico que será aqui apresentada combina pontos chaves de versos e significados na mesma seqüência em que aparecem no original. Os versos não são citações diretas, e por isso não substituem o Bhagavad-gita Como Ele É em sua versão original. Em vez disso, esta versão provém uma visão geral do tratado filosófico do Gita. Ela está em conformidade com a compreensão apresentada por Srila Prabhupada e pode ser usada com fim introdutório ou para revisão. Parte 1: Ação Arjuna: Krsna, por favor, conduza minha quadriga até o meio de ambos os exércitos. Deixe-me ver quais seguidores do infrator das leis, Duryodhana, vieram até aqui para lutar. Krsna (Guiando a bela quadriga dourada para o meio dos dois gigantescos exércitos que se contemplavam no campo de batalha): Apenas veja, meu primo, todos os grandes guerreiros aqui reunidos. Arjuna (horrorizado): Krsna, eu não posso lutar contra esses parentes queridos, professores e mais velhos. Toda a minha família seria destruída. Prefiro morrer, ou simplesmente viver como um mendigo. Krsna (sorrindo gentilmente): Você esqueceu-se que todos são almas eternas, e não corpos físicos. Você pode matar o corpo, mas não a alma. Arjuna: Krsna, como eu poderia matar esses homens dignos de adoração? Qualquer possível vitória seria maculada pelo derramamento do sangue deles. Eu não sei o que fazer. Por favor, instrua-me. Krsna: Meu amigo, você é um guerreiro. Lute, mas não para seu prazer pessoal. Lute para o prazer do Supremo. Então você estará agindo como a alma eterna que você de fato é. Lute contra todas as variedades de materialismos e seja um yogi. Arjuna: O que fazem os yogis? Como eles agem? Krsna: Os yogis executam seus deveres externos sem apego, porque eles se tornaram senhores de seus sentidos e mente. Eles desfrutam de uma felicidade interior, que está esquecida por muitos. Arjuna: Você está me dizendo para ser feliz interiormente e ao mesmo tempo pedindo que eu lute. Isso é contraditório. Krsna: Você não pode viver sem agir, Arjuna. Ao invés de agir para seu prazer pessoal, faça o que você faz como um sacrifício ao Supremo. Assim, você será feliz. Arjuna: O que é isso que me faz agir egoistamente? Krsna: Luxúria, Arjuna, nascida de desejos inesgotáveis. A luxúria destrói sua habilidade de pensar claramente. Por muitos anos Eu venho ensinando as pessoas a como usar a yoga para que se livrem da luxúria. Eu ensinei ao deus do sol, que ensinou ao seu filho, que começou uma longa corrente de professores. De alguma forma, todavia, o conhecimento original se perdeu, por isso, hoje, Meu caro amigo, Eu irei ensinar este conhecimento para você. Arjuna: Como Você pode ter ensinado algo ao deus do sol, que é muito mais velho do que Você? Krsna: Corpos comuns envelhecem e morrem, Arjuna, mas Meu corpo é espiritual e jamais se deteriora. De tempos em tempos, Eu apareço na sociedade para ajudar as pessoas boas e aniquilar as más. As pessoas boas tornam-se livres da luxúria e direcionam seu amor para Mim. Mas existem vários tipos de pessoas, e Eu reciproco a cada uma individualmente. Aja em harmonia com Meu plano, Arjuna. Quando assim o fizer, tudo o mais – seu trabalho, seu equipamento, seu conhecimento – se tornarão parte de uma bem-aventurada oferenda, um sacrifício para o Supremo. Há vários tipos de sacrifício, Arjuna, por isso você deve encontrar um guru verdadeiramente iluminado para que lhe ajude explicando cada sacrifício. Agir sem apego e agir para o Meu prazer são ambas formas de yoga. Todavia, agindo para Mim, você automaticamente age sem apego. Lembre-se que sou Seu amigo, o proprietário de tudo, que todas as ações se destinam a mim. Então você terá interminável paz interior. Você cumprirá seu dever em perfeita yoga, ou união coMigo. Para isso, você talvez ache útil executar as longas austeridades do processo místico da yoga e da meditação. Arjuna: Fazer a mente sentar-se quieta é como tentar controlar os ventos. A yoga mística parece muito difícil para mim. Krsna: Sim, ela é difícil, mas não impossível. Arjuna: E se eu começar a trilhar o caminho da yoga e falhar? Eu então serei um perdedor, tanto material quanto espiritualmente. Krsna: Como pode haver perda, quando se faz o que deve ser feito? No mínimo, sua próxima vida será melhor. Por outro lado, se você conseguir aprender a Me amar, na hora da morte virá a Mim e deixará para trás este mundo terrível. Parte 2: Devoção Krsna: Arjuna, escute o que tenho a lhe dizer. Você é uma das poucas almas que querem conhecer a verdade. Apenas tente entender estes pontos: Tudo emana de Mim, Arjuna, até mesmo os três tipos de materialismos, que afetam a todos, exceto a Mim, que os criei. Pessoas que sejam materialistas, arrogantes, pseudo-sábios ou tolos, ignoram-Me. As pessoas buscam por Mim quando estão curiosas, desesperadas, tristes ou quando são sábias. Pessoas que pensam que sou apenas uma manifestação do Brahman, o espírito sem forma, jamais Me conhecem pessoalmente. Mas os sábios que servem a Mim, vêm a Mim após a morte. Arjuna: Fale-me, por favor, sobre este espírito sem forma, bem como dos deuses, da alma, do karma, e de Sua presença em meu coração. E, por favor, diga-me como posso conhecê-lo na hora da morte. Krsna: O espírito sem forma, ou Brahman, é minha refulgência espiritual, e as almas espirituais - ou centelhas individuais – são da mesma natureza espiritual. Por natureza, as almas individuais são servos, mas, se elas decidem servir a este temporário mundo material, elas sofrem com a lei do karma. Quanto aos deuses, eu os criei para administrarem este mundo material. E, sim, Eu vivo em seu coração como a Superalma, Arjuna. Para lembrar-se de Mim à hora da morte, pratique lembrar-se de Mim enquanto luta. Em outros momentos, pense em mim como o mais velho e sempre jovem, grande e minúsculo, mas sempre como uma pessoa, radiante como o sol. Os yogis místicos se submetem a longos, profundos e mecânicos processos de meditação para deixarem seus corpos em um momento exato. Isso os ajuda a irem ao Meu encontro no mundo espiritual – o único mundo livre da miséria dos repetidos nascimentos e mortes. Mas lhe é possível chegar lá simplesmente por lembrar-se de Mim. De fato, por servir a Mim, você obtém tudo o que por ventura ganharia através do estudo, da austeridade, da caridade, renúncia ou de qualquer outra atividade religiosa. Diria mais. Essa instrução é o rei da educação, Arjuna. Porque você não Me inveja, você é qualificado para receber este conhecimento. Você deve apenas ouvir com fé. Eu crio o universo e tudo o mais dentro dele, mas Eu continuo um indivíduo, intocado por Minha criação. Tolos me vêm como um homem comum, mas as grandes almas se curvam perante Mim e Me servem com amor. Outros, ao contrário, oferecem grandes sacrifícios aos deuses, porque têm interesse nos prazeres materiais que os deuses podem lhes dar. Mas se alguém me oferece apenas um pouco de água ou uma flor ou algum alimento vegetariano, Eu aceito. Mesmo que você cometa erros, Eu lhe aceitarei; Sou equânime para com todos, mas parcial para com Meus devotos. Seja Meu devoto, e Eu lhe prometo que virá a Mim. Em resumo, apenas saiba que Eu crio tudo. Sempre Me sirva e fale sobre Mim, e você será feliz, pois Eu, situado dentro de seu coração, destruirei com a luz brilhante do conhecimento a escuridão nascida na ignorância. Arjuna: Eu sinto muito prazer em ouvi-lO, Krsna. Parece-me que apenas Você pode conhecer a Si mesmo. Como poderia eu conhecê-lO? Krsna: Quando você se deparar com o melhor de algum grupo – como o tubarão entre os peixes, ou o leão entre as feras, por exemplo – lembre-se de Mim. Lembre-se que qualquer beleza que você contemple neste mundo é apenas uma centelha de Meu verdadeiro esplendor. Arjuna: Krsna, Você gentilmente desfez minha ilusão. Embora eu possa vê-lO agora como Você é, se Você acha que sou capaz de contemplar essa forma, mostre-me Sua forma na qual Você é todo este universo e tudo o que há dentro dele. Krsna: Sim, Arjuna. Eu lhe darei agora olhos divinos para contemplar essa visão divina. Contemple-a! Arjuna (espantado): Krsna, eu vejo os grandes deuses com suas armas e jóias, vejo inumeráveis planetas, tudo é deslumbrante, com todas as cores imagináveis. A refulgente glória de tudo isto está me cegando. Mesmo os deuses se curvam com medo perante Você. Você é mesmo a origem de tudo, Krsna! Você testemunha a tudo com Seus olhos, que são o sol e a lua. (com medo) Agora posso vê-lO destruindo os corpos de todas as entidades vivas com Seus dentes afiados e assustadores. Meus parentes, meus amigos – todos estão indo em direção a seus dentes! Por que está fazendo isso? Krsna: Eu sou o tempo, a morte de tudo. Todos estes guerreiros já estão mortos por meu arranjo, Arjuna. Lute como Meu instrumento e tenha para si a fama eterna! Arjuna (tremendo): Grandioso Senhor, ofereço-Lhe minhas reverências de todas as formas! Toda entidade viva deveria glorificá-lO, mas eu tolamente Lhe tratei como um amigo. Por favor, perdoe-me, assim como um pai perdoa um filho ou uma esposa perdoa o marido. E, por favor, permita-me vê-lo novamente como Krsna. Krsna: Minha forma universal lhe assustou, Arjuna. Fique calmo. Contemple novamente a forma que lhe é querida. Arjuna, mesmo que uma pessoa execute todo tipo de atividade piedosa, ela não pode ver-Me assim, como Krsna. Apenas através do serviço devocional é possível conhecer-Me como sou. Arjuna: Meu Senhor, eu devo contemplá-lO como Krsna ou como o infinito, como o espírito sem forma? Krsna: Alguns meditam em Mim como o espírito sem limites. Este tipo de meditação é problemática, mas eles acabam Me alcançando. Mas se você pensar diretamente em Mim, Eu prontamente lhe resgatarei do oceano de nascimentos e mortes. Se você não é capaz de pensar sempre em Mim, então escute e cante minhas glórias através da prática de bhakti, ou serviço devocional. Se você não pode fazer isso, então trabalhe para Mim, ou ao menos trabalhe em caridade, porque desapego da mentalidade egoísta traz paz – mais do que traz o mero conhecimento. Pessoas que pensam em Mim com devoção desenvolvem grandes qualidades, como gentileza, tolerância, estabilidade emocional e determinação. Elas amam a Mim, e Eu as amo. Parte 3: O Conhecimento Espiritual Arjuna: Krsna, qual a relação do corpo e da alma? Krsna: A alma é como um campo de atividades para a alma. Uma alma comum se interage com o corpo usando os sentidos para experimentar diferentes emoções, como a luxúria e o ódio. Todavia, com a ajuda de um mestre espiritual [guru], uma alma sábia se torna desapegada do corpo material. Tal pessoa é humilde, equilibrada e verdadeiramente livre. Como a Superalma, Eu ofereço instrução para todas as almas, sejam elas sábias ou não. Toda alma pode escolher entre Mim e o materialismo. Aqueles que escolhem o materialismo sofrem repetidos nascimentos e mortes em diferentes espécies de vida. Aqueles que escolhem a Mim, passam a conhecer todas as coisas: espirituais e materiais. Deixe-Me falar-lhe mais sobre a energia material. Ela se manifesta em três variedades, ou modos: bondades, paixão e ignorância. Como o Pai que dá a semente, Eu animo a matéria inerte dando a ela as almas espirituais. Então os modos controlam o resto. O modo da bondade condiciona a alma à felicidade temporária, o da paixão à ambição, e o da ignorância à ilusão. Os três modos da natureza competem entre si pela supremacia, levando você, a alma eterna, de uma condição material para outra. Apenas quando estiver livre do controle desses modos, você poderá provar o sabor da felicidade verdadeira. Arjuna: Como alguém se situa acima dos três modos? E tendo conquistado os três modos, como a pessoa se comporta? Krsna: Para conquistar os modos e ficar livre tanto do bom karma quanto do mau karma, simplesmente ame e sirva a Mim em todas as circunstâncias. Assim, quando os oscilantes modos irem e virem, você apenas os observará, sem apego ou aversão. Nesse estado, você será inabalavelmente calmo e tratará a todos com equanimidade. Arjuna, imagine este mundo como uma grande e ancestral figueira de bengala, cujos galhos crescem para baixo e se transformam em raízes. É impossível dizer onde esta árvore começa ou termina. Se você quiser escapar do enredamento desses galhos, você deve cortar esta árvore. Então, você poderá entrar em Minha morada auto-refulgente, na qual não há necessidade de luz solar ou eletricidade. Quando você chegar à Minha morada, você não terá saudades dessa árvore mortal. Eu quero que todos venham à Minha morada, por isso Eu sento-Me no coração de todos como a Superalma, e ofereço instrução espiritual. Eu também escrevo a literatura Védica para que as pessoas possam conhecer a Mim. Eu sou superior tanto aos materialistas quanto às almas iluminadas. Se você conhecer a Mim, você se tornará sábio, e tudo o que fizer redundará em perfeição. Eu acabei de lhe dizer algo sobre as almas iluminadas: elas são honestas, puras, auto-controladas e desapegadas. Você está entre essas pessoas, Arjuna, mas deixe-Me falar-lhe um pouco sobre os materialistas, os desvirtuados ateístas. Pessoa não-divinas não sabem o que deve ser feito ou o que não deve ser feito. Elas são sujas, desonestas e exageradamente interessadas em sexo. Pensando que Minha criação na verdade pertence a eles, eles constroem armas destrutivas e se sentem poderosos e orgulhosos. Suas ocasionais manifestações de religiosidade e caridade são destituídas de significado, pois são escravos da luxúria. Presos no materialismo pela avareza e irá, eles caem em formas inferior de vida nascimento após nascimento. As escrituras sagradas, que podem salvá-los desse fado, não lhes interessam. Arjuna: O que acontece com aqueles que não se baseiam nas escrituras sagradas [Vedas], mas criam seus próprios processos de adoração? Krsna: Uma religião imaginada é produto dos três modos. No modo da bondade a pessoa adora os deuses; no modo da paixão, políticos e homens poderosos; e na ignorância, fantasmas que podem lhe fazer favores. Os três modos afetam a tudo, mesmo sua comida. Sucos, gordura natural e alimentos integrais são do modo da bondade; alimentos amargos, salgados, ácidos e picantes são do modo da paixão; e alimentos putrefatos, frios ou velhos são da ignorância. Os modos também influenciam o tipo de caridade que você dá e qual tipo de disciplina você estabelece para si mesmo. Mesmo assim, você não deve abandonar os atos de caridade e penitência. Arjuna: O que significa, portanto, ser renunciado? Krsna: Renúncia significa desapego aos frutos do trabalho. Uma pessoa no modo da bondade trabalha por uma questão de dever, renunciando aos resultados. Outra, no modo da paixão, renuncia o trabalho quando ele apresenta algum obstáculo. Outra ainda, no modo da ignorância, trabalha com preguiça e de forma confusa. Vendo outros como almas espirituais e agindo com esse conhecimento, você se situará no modo da bondade. Isso requer um esforço da mente, mas a dificuldade inicial logo é retribuída com a chegada da felicidade verdadeira. Felicidade no modo da paixão parece esplendida no começo, mas termina sendo dolorosa. Felicidade no modo da ignorância, como o uso de drogas, é amarga do começo ao fim. Aqueles que agem no modo da bondade, ou brahmanas, normalmente são juízes, professores ou sacerdotes. Ksatriyas, aqueles que trabalham no modo da paixão, normalmente são administradores, policiais ou soldados. Paixão e ignorância se combinam para produzir os vaisyas, comerciantes e agricultores. Aqueles com predominância do modo da ignorância são chamados sudras, e trabalham como artesãos, operários ou subordinados. Independente do melhor tipo de trabalho que se adéqüe a você, trabalhando para o Supremo, seu trabalho é yoga, e portanto é divino. Assim, é melhor cumprir seu dever, mesmo que imperfeitamente, do que cumprir o dever de outrem com perfeição. Meu querido Arjuna, apresentarei agora um resumo de tudo o que ensinei até então. Servindo a Mim, você aprenderá a agir e a viver com conhecimento e de forma simples, controlando sua mente e seus sentidos e renunciando os frutos de seu trabalho. Muito em breve você desfrutará de paz e obterá internamente uma felicidade sem precedentes, e apreciará todas as entidades vidas. Em tal estado de consciência, você alcançará Minha morada. Pense sempre em Mim e mantenha-se devotado a Mim; Eu livrarei seu caminho de qualquer obstáculo. Se você tornar-se egoísta e pensar que pode trilhar esse caminho sozinho, você se perderá. Você é um guerreiro, Arjuna; devido a sua natureza você terá invariavelmente que lutar por algo. Lute para Mim e você retornará para Minha morada. Acabei de lhe dizer os segredos da perfeição. Pense em tudo o que lhe falei, e faça aquilo que for de seu desejo. Como você é muito, muito querido a Mim, eu concluo aqui: Pense sempre em Mim. Torne-se Meu devoto. Adore-Me e ofereça-Me suas homenagens, e você retornará a Mim. Abandone todas as suas outras ocupações, Arjuna, e se submeta a Mim. Não tema: Eu lhe livrarei dos resultados de qualquer erro do passado. Por favor, repita essas Minhas palavras, mas apenas para pessoas piedosas. Isso garantirá plenamente que você voltará a Mim, pois ninguém pode ser-Me mais querido do que aquele que distribui esta mensagem. E todo aquele que ouve está mensagem com fé, sem nenhum sentimento de inveja, alcança o mundo dos piedosos. Arjuna, você entendeu o que Eu lhe disse? Arjuna (confiante): Infalível Krsna, você destruiu minhas ilusões e dúvidas. Por Sua misericórdia, eu pude lembrar-me quem eu sou. Agora, seguindo suas instruções, estou pronto para lutar.




Tradução por Bhagavan dasa (DVS)

Acordando do Sonho


Originalmente publicado em Back to Godhead [Volta ao Supremo], revista fundadapor Sua Divina Graça Srila Prabhupada no ano de 1944Acordando do SonhoWaking from the Dream


por Jahundvipa Dasa


Nós, almas que habitamos o mundo material, estamos sob a influência da potênciailusória de Krsna, Maya Devi. Assim como uma pessoa esquece sua vida enquantosonha a noite, nós que vivemos no mundo material vivemos em ignorância de nossaidentidade verdadeira, e por isso se diz que estamos dormindo. A "realidade" aqual estamos tão acostumados é apenas um sonho. Nossa existência espiritual,aquela da qual nos esquecemos - nossa existência eterna no reino espiritual - éa realidade.Como podemos distinguir entre realidade e ilusão? Em um sonho, tudo parece maisou menos real. Nós experimentamos os mesmos registros de emoções e impressõesde quando estamos acordados. Sonhos parecem bastante reais. O que, então, fazdo sonho irreal? No Bhagavad-gita, o Senhor Krsna responde dizendo querealidade é aquilo que existe sem cessação, que existe de forma contínua eeterna. Um sonho, portanto, uma vez que tem começo e fim, não pode ser real. Aexistência real é contínua."Aqueles que são videntes da verdade concluíram que não há continuidade para oinexistente [o corpo material] e que não há interrupção para o existente [aalma]. Eles concluíram isto estudando a natureza de ambos". (Bhagavad-gita2.16)Quando o Senhor Krsna se refere ao corpo material como "inexistente", Ele estádizendo que ele é temporário; sua existência não é um fato permanente."Inexistente" não quer dizer que o corpo e o mundo material simplesmente nãoestejam aqui, ou que são "falsos", como afirmam alguns impersonalistas.Em contraste com a existência eterna, nossa atual existência é efêmera einsubstancial - apenas um breve momento, como um sonho. Por mais longa que sejaa vida dentro deste sonho, ela encontrará fim, e, no reino da eternidade, nossaduração de vida de sessenta ou oitenta anos não é mais que um piscar de olhosna vastidão da eternidade, que sequer registra esse tempo. Essa verdade seaplica também ao computador que estou usando agora para escrever. Mesmo que eufosse embora e deixasse o computador aqui sozinho, sem nunca mais tocar nele, otempo iria destruí-lo, e sua identidade, ou forma, deixaria de existir.Para nós, mil ou um milhão de anos pode parecer uma quantia de tempoconsiderável, mas, do ponto de vista, digamos, do Senhor Brahma, o primeiro servivo criado no universo (que vive inimagináveis 311.040 trilhões de anos),certamente o meu computador, a mesa que sustenta meu computador, bem como acasa que abriga a mesa, não podem ser tidas como existentes. Antes que o SenhorBrahma tenha terminado sua higiene matinal, nós teremos nascido e morridomilhares de vezes.A vida do Senhor Brahma dura tanto quanto o universo no qual estamos vivendo.Ou seja, ele vive enquanto o universo existe. Então, em relação à percepção detempo do Senhor Brahma, nossas vidas são tão curtas e insignificantes que, paratodos os fins, elas praticamente não existem. De forma similar, no tempo eternodo reino espiritual, o Senhor Brahma e o universo no qual vivemos são tãoinsignificantes e inexistentes quanto nós somos em relação ao universo. Krsnaexplica isso no Bhagavad-gita (8.17-20):"Pelo cálculo humano, quando se soma um total de mil eras, obtém-se a duraçãode um dia de Brahma. E esta é também a duração de sua noite"."No início do dia de Brahma, todos os seres vivos se manifestam a partir doestado imanifesto, e depois, quando cai a noite, voltam a fundir-se noimanifesto"."Repetidas vezes, quando chega o dia de Brahma, todos os seres vivos passam aexistir, e, com a chegada da noite, são desamparadamente aniquilados"."Entretanto, há uma outra natureza imanifesta, que é eterna e transcendental aesta matéria manifesta e imanifesta. Ela é suprema e jamais é aniquilada.Quando todo este mundo é aniquilado, aquela região permanece inalterada". Outro PlanoKrsna diz existir um reino eterno, transcendental a este mundo temporário emanifesto. Aqui neste plano todas as nossas experiências e atividades sãosimilares as de um sonho porque, com o tempo, são reduzidas a uma lembrançavaga, e, então, perdem-se completamente como se nunca tivessem existido. E, porfim, dormimos na morte. Mas, nos plano espiritual, desfrutamos de umaexperiência contínua de eternidade - tendo acordado para nossa vida real.Por isso nossa presente existência em um corpo que muda da infância para ajuventude e em seguida para a velhice é irreal e semelhante a um sonho. Nossavida neste determinado corpo tem começo e fim, e por isso se trata de um sonho.Nossa vida não é irreal no sentido de que não tenha seu papel e posição. Éclaro que tem. Se eu bater minha cabeça contra a parede, ela vai doer, e essador é bastante real. Portanto, o fator de irrealidade do corpo é que ele acabae que ele nunca poderá cumprir sua promessa de nos dar a felicidade que tantoansiamos.Essa é a verdadeira ilusão do mundo material. Uma pessoa talvez considere odesfrute no mundo material como algo substancial. O que há de errada em sedesfrutar? O que há de errado em se buscar felicidade? A resposta é que oprazer da vida sempre acaba. É isso que há de errado. Tal prazer jamais poderásatisfaze o eu, porque o eu é eterno e, portanto, anseia por prazer eterno."Uma pessoa inteligente não se envolve com as fontes de miséria, que se devemao contato com os sentidos materiais. Ó filho de Kunti, tais prazeres têmcomeço e fim, e, por tanto, o sábio não busca prazer neles". (Bhagavad-gita5.22)Como podemos ver pelas palavras de Krsna acima, não só não podemos encontrarsatisfação nos prazeres temporários, mas os mesmos objetos de prazer nos trazemsofrimento. A miséria sempre acompanha a felicidade material. Sendo a almaeterna por constituição, não podemos encontrar satisfação no temporário. A vidano mundo material nunca irá nos satisfazer, não importa o quanto degratificação sensorial consigamos. É exatamente como um sonho. Podemosexperimentar alguma felicidade sensorial enquanto nos envolvemos com atividadesprazerosas, mas sempre temos que acordar para a realidade cheia de miséria elamentação. De um sonho, acordamos para a nossa vida diária; e de nossa vida,acordamos para doenças, velhice, morte e outras calamidades. Lembranças que se Apagam Na vida, as atividades a que nos dedicamos se tornam memórias, e essas memóriasse tornam sonhos. Todas as experiências que tivemos, boas e ruins, são apenasmemórias agora - fracas e sem substância - como um sonho que tivemos. Nós asesquecemos como se, de fato, nunca tivessem existido. Em essência, não hádiferença entre um sonho que tivemos e as experiências que de fato aconteceramconosco. Quando um homem velho senta-se na praça e fica contemplando as jovensque passam apressadas, não lhe é muito agradável lembrar de todo o prazer quesentiu quando tinha a companhia de mulheres. Algumas pessoas, às vezes, dizem que viveram plenamente, que têm boaslembranças para se apoiarem. Mas, de fato, as memórias do passado não sãosuficientes para nos satisfazer. As lembranças de momentos de desfrute quetivemos no passado ou a esperança de tê-los no futuro não podem satisfazer aprofunda carência que existe em nossos corações. Nossos sentidos e nossa mentepodem encontrar algum alívio em relacionamentos, ou mesmo em posses, mas porpouco tempo. Mesmo que amemos fielmente a mesma pessoa por toda a nossa vida eaquela pessoa reciproque nosso amor, a felicidade não será eterna -obrigatoriamente haverá separação, e a miséria tomara espaço novamente. Não hámaneira de evitar isto: a vida material é um poço de lamentações.Krsna diz: "Partindo do planeta mais elevando do mundo material e descendo aomais baixo, todos são lugares de miséria, onde ocorrem repetidos nascimentos emortes. Mas quem alcança a Minha morada, ó filho de Kunti, jamais volta anascer". (Bhagavad-gita 8.16)Agora, se não houvesse alternativa para a vida material, a existência seriaalgo realmente sombrio. Muitas pessoas que não têm conhecimento da alternativapositiva da consciência de Krsna acham a verdade acerca do mundo material algomuito deprimente. Mas, da mesma forma que um sonho denota algo real, nossa vidamaterial temporária é nada um reflexo distorcido de nossa vida real e eterna.O véu de nossa percepção material cobre, atualmente, nossa consciência e nossamentalidade. É isso que faz com que acreditemos ser possível encontrarfelicidade no mundo material através do corpo temporário. A alma deixa seu meiooriginal e eterno e entra no mundo temporário da matéria. Srila Prabhupadacompara tal posição como a de um peixe fora d'água. Fora de seu meio natural, opeixe não pode desfrutar, e logo morre. Não importa quanto prazer sejaoferecido ao peixe: ele não poderá desfrutar estando fora de seu meio natural.De forma similar, temos que morrer repetidas vezes, debatendo-nos por poucosmomentos inconseqüentes na praia do tempo. Esse ciclo só encontra fim quandoacordamos para nossa existência real.Nós viemos ao mundo material porque desejamos imitar a posição de Krsna como osupremo desfrutador e controlador. Como jamais poderemos usurpar a posição deKrsna, Ele bondosamente nos coloca para dormir na vida material para quepossamos sonhar que somos os desfrutadores e controladores.O processo espiritual genuíno da consciência de Krsna ajuda a alma que dorme nocolo de Maya a acordar para a realidade - a realidade da vida espiritual. Emrealidade, somos eternamente plenos de conhecimento e bem-aventurança. Mas,dormindo, não podemos realizar isso, senão que tentamos encontrar felicidade emnossos sonhos - sejam eles a busca pelo amor, a família, o sucesso, a riquezaou qualquer outra solução dentre diversas soluções temporárias. Procuramos afelicidade fora de nós, sendo que ela está o tempo todo dentro de nós. Somocomo um cervo que ignora o riacho próximo e corre para o deserto em busca deágua.Os sábios nos informam que a solução para essa lastimável condição, a maneirade se livrar dessa ignorância existencial, é o cantar do mantra Hare Krsna. Porisso, os membros do movimento Hare Krsna anseiam em ver todos cantando HareKrsna, Hare Krsna, Krsna Krsna, Hare Hare / Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama,Hare Hare. O Kali-santarana Upanisad diz sobre o cantar do maha-mantra: "Essa éa única maneira de se combater os males de Kali-yuga. Mesmo que se busque portodos os Vedas, não se encontrará uma forma de religião mais sublime".


Tradução por Bhagavan dasa (DvS)

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

A ciência do Ayurveda


A ciência do Ayurveda

Krishna Kishora Dasa(*)




A ciência do Ayurveda, a medicina védica milenar, é o mais antigo sistema de medicina codificada que a humanidade conhece. Há e houve inúmeros intentos para estabelecer uma data de origem deste conhecimento, assim como esforços para encontrar um precursor.

Como toda ciência védica, a sua origem se perde no tempo em que a história se confunde com o mito. Na verdade, a necessidade de estabelecer um marco histórico, cronológico, é só uma necessidade acadêmica, pois para os estudiosos praticantes, essa referência é irrelevante e inexata.

O Ayurveda é aceito como uma medicina espiritual, um caminho iniciático, uma parte de acesso a alma, através da compreensão das bioenergias do corpo, e, como tal, uma revelação divina. Revelação não tem data, só descobre um véu ilusório para mostrar o que sempre existiu.

O Ayurveda vê o corpo, assim como todo o Universo, como uma interação de três bioenergias. A que gera o movimento e faz que tudo funcione, se transporte, se una, se separe. A que transforma, que metaboliza, digere, destrói e mantém a temperatura. E a que armazena o metabolizado e digerido, para formar massa, estrutura. A primeira dessas bioenergias é chamada vata; a segunda, pitta; e a terceira, kapha.

No ser humano, encontramos a primeira no oxigênio que circula através do corpo, nos impulsos nervosos, nos neurotransmissores que levam informação sensação e consciência. A segunda, no processo digestivo encabeçado pela bile e as poderosas enzimas, suco pancreático e sistema endócrino, e também no processo racional de formação de idéias. A terceira, na ação anabólica da formação de tecidos e líquidos do corpo, encarregada da solidificação das estruturas, das formas, das paredes dos órgãos e das coberturas do corpo.

Estas bioenergias interagem constantemente possibilitando a ação de cada uma. Quando esta interação se realiza harmoniosamente, isto é chamado de equilíbrio, requisito fundamental para a saúde. Já que é ação energética, devemos observar que o movimento se efetua no plano físico e psíquico também. A informação logo é processada, digerida e forma estrutura de pensamento, opiniões e memória.

O conceito de saúde no Ayurveda se poderia resumir assim: boa digestão; boas eliminações; sentidos aguçados; mente pacífica, feliz e satisfeita. A boa digestão é ponto de partida para a saúde. Sem ela, não só não há possibilidade de um bom aproveitamento do que se come, como também não há uma boa discriminação – separação do que deve ficar no corpo por ser útil e o que deve ser expulso por ser nocivo.

A digestão se realiza primeiramente no estômago, duodeno e intestino delgado, porém, depois, ela se realiza no organismo inteiro. Tal qual a luta do bem contra o mal, o fogo sagrado da digestão, agni, combate o mal, as toxinas. Dependendo da eficiência da digestão, o sagrado ar vital ou prana, através de seus diferentes movimentos de ar, vata, se encarrega de expulsar o indesejado, na forma de excreções – fezes, urina, suor, menstruação. Um corpo sadio elimina fácil e diariamente ou regularmente. No caso da menstruação, de forma indolor e sem alterar o ânimo.

Quando a atividade física se realiza perfeitamente, a mente também fica aliviada. Pois, um corpo, com boa digestão, também terá uma boa digestão mental. Ou seja, saberá separar o que serve, o que ensina, o que acrescenta, o que dá felicidade, o que nos confunde, nos degrada e nos aflige.

Boa digestão mental também significa eliminar mágoas, rancores, traumas, apegos. Estando assim a mente limpa, ela também fica ágil, dinâmica, e os sentidos ficam claros, agudos, atuantes, ágeis. A mente é o espaço final a ser atingido. Mais do que isto, ela é o objetivo principal, pois, sem que ela esteja em paz, não há possibilidade alguma de felicidade e bem-estar.

As doenças em grande parte se originam nas emoções, por isso são chamadas dehomanasa (deho = corpo; manasa = mente), que é o mesmo que psicossomáticas (psiquis = mente ou alma: soma = corpo). A mente é tão enigmática e enganosa como um labirinto e nos faz pensar que está tudo sobre controle. Poderíamos classificar as doenças em três categorias: adiatmikas – originadas pelo corpo e pela mente; adibhauticas – originadas por outras entidades; adidaiviksa – originadas pela ação dos deuses.

Doenças adiatmikas podem se considerar as próprias e as herdadas. As herdadas são aquelas que chegam pela história genética, doenças familiares quase que já instaladas nos genes da família. Em linhas gerais, os homens herdam da família da mãe, e as mulheres, da família do pai. Porém, há exceções, tais como a depressão, que vem em linha reta: mãe depressiva, filha depressiva; e o mesmo no caso de pai e filho. Também são hereditárias as adquiridas da mãe durante a gravidez. O tipo de alimentação, ou de circunstâncias especiais, durante esse período, são fatores que resultam na constituição do filho e sua conseqüente saúde e fortaleza.

As próprias podem ser de duas naturezas – as que se adquirem por maus hábitos alimentares ou vícios e as que se provocam por desequilíbrios emocionais. Estas últimas são as mais freqüentes e são difíceis de tratar só com remédios. Os remédios aliviam, mas, como há uma questão de fundo, se não se praticam terapias desintoxicantes e rejuvenescedora, somadas a mudanças de dieta e hábitos, além de práticas espirituais, dificilmente se obterá um resultado completo.

Doenças adibhaitikas são as que se adquirem por influência de outras entidades, como, por exemplo, contágios com vírus, bactérias, picadas, mordidas, agressões físicas e coisas similares, e as provocadas por entidades em corpo sutil – fantasmas. Estes últimos se hospedam como parasitas espirituais e causam doenças em órgãos determinados, ou causam dores, ou afetam o sistema nervoso, já que eles se alojam no ar vital, e este é o alimento dos nervos.

Quaisquer que sejam as manifestações da doença, elas são reconhecidas como influências de obsessores quando são difíceis de diagnosticar. Não se detectam nos exames técnicos, nem de análises. Nesses casos, não se obtêm resultados satisfatórios usando medicina química, o tratamento tem que ser natural. O uso de mantras e talismãs protetores ajudam.

As doenças adidaivikas são causadas pelos controladores celestiais – os devas. Elas ocorrem, por um lado, sob influência do clima, da temperatura ambiente, das bruscas mudanças destes, das catástrofes naturais etc. e, por outro, mais profundo e misterioso, em decorrência do karma – a lei de causa e efeito, que move o Universo. É muito complexo explicar como funciona o karma, mas podemos entender que, quando cometemos alguma falta que afete a alguém, o nível de sofrimento que causamos é proporcional ao que recebemos. A doença é uma ansiedade e um sofrimento, por isso é que a padecemos.

Quando nascemos, já se mostram em nosso corpo saúde e fraqueza em certos órgãos, identificadas pelo biótipo físico ao qual a pessoa pertence e que lhe foi designado. Também podemos identificá-las astrologicamente. No horóscopo de uma pessoa, aparecem os planetas que têm muita ou boa força e aqueles que estão debilitados. Estes últimos são os que indicam onde está a fraqueza orgânica e que tecidos não são fortes e bem formados.

Cada uma das doze casas zodiacais, que formam o horóscopo, correspondem a alguma região do corpo. Então, se alguma delas esta afetada pela presença de algum planeta maléfico, ou, se o planeta regente dessa casa se encontra desfavorável, isto indica a possibilidade de doença e de que tipo. As doenças deste tipo se apresentam geralmente devido aos trânsitos planetários, quando algum planeta se manifesta proeminente perante os outros.

A abordagem que a medicina Ayurveda faz é holística, utilizando todos os métodos e recursos que a natureza oferece. Dieta é fundamental para começar o processo. Há uma máxima Ayurveda que diz: “sem uma boa alimentação, a medicina não funciona, e, com uma boa alimentação, a medicina não faz falta”.

E uma boa alimentação significa uma dieta apropriada ao biótipo da pessoa. Porque saudável não é só o alimento que é natural, e sim o alimento que é apropriado para a pessoa em questão. Pois o que é comida para um pode ser veneno para outro.

Além da correta dieta, uma pessoa deve observar bons hábitos, em todo sentido – bons hábitos de higiene, boa conduta social e principalmente hábitos espirituais, meditação, oração, Yoga e atividades devocionais para incrementar a fé. Charaka, o pai do Ayurveda moderno, sentenciou no seu famoso tratado, o Charaka Samhita, que “o princípio da doença é falta de fé em Deus”.

(*) Krishna Kishora Dasa é terapeuta de Ayurveda, pesquisador da cultura védica, e discípulo de A. C. Bhaktiedanta Swami

Apreço pelos Escritos Sagrados


Apreço pelos Escritos Sagrados



É moda na sociedade secular moderna tratar a literatura sagrada como o entretenimento mitológico de pessoas menos desenvolvidas intelectualmente. As escolas ensinam que com nossos atuais avanços, como a física, a medicina, a psicologia, a democracia e assim por diante, as escrituras religiosas têm pouca utilidade fora do campo artístico-literário. Aqueles que aceitam as escrituras de forma literal são tachados com termos pejorativos, como “fundamentalistas”, por exemplo. Talvez seja chique roubar algumas idéias das escrituras Védicas, como yoga, meditação e cantar de mantras, mas viver de acordo com as leis escriturais é visto como algo simplista e fora de moda.Para se conseguir benefícios espirituais do processo do cantar dos nomes de Krsna, todavia, é preciso ter reverência por Krsna em todas as Suas formas, incluindo Sua forma como as escrituras. Krsna apareceu na Terra, em Sua forma original, há cerca de cinco mil anos. Após retornar à Sua morada eterna, Sua “encarnação literária”, Vyasadeva, compilou o néctar das escrituras Védicas na forma do Srimad-Bhagavatam. Srila Prabhupada escreveu que ler essa escritura é como ver Krsna pessoalmente, sem nenhuma diferença. Porque as palavras do Bhagavatam descrevem Krsna, elas são espiritualmente idênticas a Ele. Se blasfemamos o Bhagavatam, outros livros Védicos, ou alguma literatura de acordo com a versão Védica, ofendemos o santo nome, o que dificulta em muito o nosso processo do cantar.A que se refere “literatura Védica”? Diferente dos acadêmicos modernos, Srila Prabhupada não usava o termo Védico para denotar apenas um período particular da história da Índia. Tendo como referência os mestres espirituais anteriores de sua linha e lançando mão de sua razão, ele usou o termo para se referir a todos os tradicionais livros sagrados da Índia. E “literatura de acordo com a versão Védica” se refere a qualquer livro que, como fazem os Vedas, direcionem-nos para nossa relação com Deus.Evitamos essa ofensa contra o santo nome de Krsna se aceitamos o conceito de escritura revelada de maneira geral, reverenciamos as escrituras autênticas de outras tradições diferentes da nossa, respeitamos mas evitamos escrituras que ensinem práticas religiosas válidas todavia inferiores, e se rejeitamos pseudo-escrituras que se opõem ao amor por Deus como meta última.Também evitamos essa ofensa ao adorarmos Krsna com nossa inteligência através de cuidadoso estudo e aplicação da literatura sagrada. Tal estudo nos dota tanto com o entusiasmo por servir Krsna quanto com as direções para tal. Encontramos a verdadeira felicidade ao explorarmos cada detalhe que lemos das escrituras Védicas. E com o uso de nossa razão, aceitamos a consistência, veracidade e aplicabilidade dos escritos por eles mesmos e também pelo exemplo de almas liberadas.Uma Cultura para a IluminaçãoUma razão para as pessoas rejeitarem o conceito de escritos sagrados é porque a palavra escritura lhes evoca sociedades que proibiam o riso durante o sabá ou que declaravam que o processo para a perfeição era um sistema de procedimentos ritualísticos intrincados que poucos poderiam fazer parte e ainda menos poderiam entender. As escrituras também trazem histórias fantásticas de milagres e acontecimentos sobrenaturais que a ciência moderna afirma há muito tê-los desmentido. E, além do mais, não são as escrituras produto de pessoas imperfeitas?A verdade é que, quando corretamente entendidas e aplicadas, as escrituras genuínas agem como um guia e manual de instruções para a vida humana e o cosmo. Elas são o manual de fábrica da máquina da criação material. Das escrituras, casadas com a tradição oral, aprendemos sobre métodos de elevação espiritual, como o cantar do santo nome. Das escrituras aprendemos sobre a vida de santos e sábios do passado e sobre as encarnações de Krsna. De fato, as histórias das escrituras, sejam transmitidas pela escrita ou pela tradição oral, são a base para a transmissão e estabelecimento de uma cultura que tenha por fim a iluminação.Entendendo o FantásticoCertamente, diversas histórias dos escritos sagrados parecem fantásticas para nosso mundo científico. Mas muitas das maravilhas tecnológicas atuais também pareceriam fantásticas e ficcionais há algumas décadas. Não é, portanto, implausível que sociedades antigas tenham tido habilidades e perícias técnicas que não são disponíveis hoje. É virtualmente impossível, por exemplo, recriar a arquitetura milenar do Peru usando qualquer recurso moderno de que dispomos. A idéia de que a tecnologia sempre progrediu, e que não possa jamais ter existido uma superior à atual, talvez seja incorreta. Mesmo os estudos recentes de história indicam que muito do conhecimento que existia na Grécia se perdeu na Europa da Idade Média e foi gradualmente restabelecido. É lógico e racional, então, assumir que aquilo que é comum hoje, como televisão e internet, talvez se perca e seja esquecido no futuro, para ser restabelecido apenas mais tarde.Vale adicionar que, mesmo hoje, há muitas fortes evidências empíricas para a existência do sobrenatural. Mas porque a atual ciência não pode explicar as evidências, elas são omitidas.Os Vedas – com suas informações acerca do espírito e da matéria sutil – provêem uma visão de mundo que faz o aparentemente-impossível ser facilmente aceito como verdade. Uma vez que você entenda que o espírito, ou a vida, por exemplo, é independente da matéria, é muito fácil acreditar que entidades vivas possam viver em qualquer lugar do universo e fazer todo o tipo de coisas incríveis.Níveis de InstruçãoUma queixa válida acerca das escrituras por parte de pessoas espiritualmente inclinadas é que elas se focam muito em rituais e ganhos materiais. Krsna valida esse sentimento quando Ele diz a Seu amigo Arjuna que aqueles que praticaram yoga em vidas passadas estão acima da maior parte dos ritos escriturais. A dura verdade, todavia, é que poucas pessoas estão interessadas em genuína realização espiritual. Portanto, Krsna e Seus grandes devotos dão instruções e exemplos nas escrituras para todo o tipo de pessoas. Há diferentes escrituras para várias classes de pessoas com diversas inclinações e desejos. Daí ter vários níveis e tipos de instrução no mesmo cânone escritural.O Senhor, ou Seu representando ou filho, talvez ensine verdades eternas em nível mais baixo ou de alguma maneira enevoada a depender do tempo, local ou circunstância. Escrituras nascidas de tais ensinamentos talvez ensinem menos do que o puro e desmotivado amor devocional pelo Senhor, mas elas têm sua função de gradualmente conduzir as pessoas ao pináculo da realização espiritual. Sabendo que a perfeição é, de forma geral, obtida após muitas vidas, uma pessoa absorta no cantar do mantra da verdade absoluta ajuda e encoraja cada pessoa em diferentes níveis.Escrituras autorizadas vêm, por excelência, diretamente de Deus ou de almas livres das imperfeições e egoísmos das pessoas comuns. A verdade inadulterada pode fluir através de uma pessoa conectada com Deus e livre dos desejos egoístas da mesma forma que se pode ver o céu azul lá fora através de uma janela limpa.Nosso Dever de DiscriminarAinda, não se deve simplesmente aceitar qualquer escrito como sagrado simplesmente porque ele o diz ser. Parte da ofensa de blasfemar as escrituras é aceitar uma filosofia contrária ao serviço devocional à forma pessoal do Senhor. Também, se um sistema “religioso” afirma que outros livros e métodos genuínos são pecaminosos, esse deve ser evitado por sua mentalidade simplória e sectarista. Devemos rejeitar também qualquer sistema ou filosofia que negue a alma, a Personalidade de Deus, ou a meta da vida como o sucesso no processo de obtenção do amor puro por Ele. Portanto, cantar Hare Krsna enquanto se mantém uma postura monista – pensando que a verdade última é apenas energia e luz – é parte dessa ofensa ao santo nome.Um devoto de Krsna deve depender unicamente das tradições que estudam e promovem bhakti – devoção amorosa à personalidade de Krsna. Oferecendo respeitos à distância, deve-se evitar escrituras que promovam poderes místicos, trabalhos caridosos com recompensas celestiais, ou salvação fora de bhakti, para não dizer de formas inferiores de adoração que visam poderes obtidos através da negociação com seres demoníacos e fantasmagóricos.O Harinama Cintamani de Srila Bhaktivinoda Thakura enumera nove princípios essenciais de krsna-bhakti. Podemos identificar as escrituras de bhakti como aquelas que promovem estes nove princípios:(1) Há um único Senhor Supremo, Krsna. (2) Ele é aquele que possui todas as energias. (3) Krsna é a fonte dos relacionamentos transcendentais e está situado em Sua morada espiritual, onde Ele compraz todas as entidades vivas. (4) As entidades vivas são partículas do Senhor, ilimitadas em número, infinitesimais em tamanho, e conscientes. (5) Algumas entidades vivas estão condicionadas a universos materiais desde tempos imemoriais, tendo sido atraídas por prazeres ilusórios. (6) Algumas entidades vivas são eternamente liberadas e se ocupam em adorar Krsna; elas residem com Ele como Seus associados no mundo espiritual e se relacionam amorosamente com Ele. (7) Krsna existe com Suas energias – material, espiritual, e as entidades vivas – em um estado de igualdade e diferença simultâneas, permeando tudo e, ao mesmo tempo, existindo à parte. (8) Há nove processos que caracterizam o processo pelo qual a entidade viva realiza Krsna: ouvir sobre Krsna, cantar, lembrar, servir, adorar, orar, agir como um servo, ser amigo do Senhor, e se render completamente. (9) A meta última de uma entidade via é bhakti – amor desmotivado por Krsna, que Krsna desperta em uma alma devido a Sua misericórdia.Se uma pessoa aceita a mais pura das escrituras, rejeita as várias tradições mundanas que se vendem sagradas, e respeita as escrituras genuínas que estão em um nível inferior; ainda assim, é preciso estudar com muito cuidado essa escritura. Mesmo uma tradição eterna de escritos imaculados, ou de revelação oral de mesma natureza, pode ser distorcida através de interpretações inventadas e más aplicações. Para mostrarmos respeito para com as escrituras, devemos entendê-las através do significado mais claro e direto possível, estudando a vida dos devotos anteriores que seguiram a cabo suas instruções como verdadeiros devotos puros de Krsna. Devemos, também, abordar as escrituras através da direção de um guru, que nos dará instruções específicas quanto ao que há de mais relevante para a nossa atual condição. Interpretações ou aplicações equivocadas podem ser mais perigosas do que a negação completa das escrituras. Um lobo em pele de cordeiro é muito mais perigoso do que um lobo aparente.Nós Precisamos das EscriturasCom tantas considerações e complicações em relação às escrituras, não seria melhor simplesmente cantar Hare Krsna, Hare Krsna, Krsna Krsna, Hare Hare / Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare, e esquecer de vez as escrituras? É verdade que simplesmente por se cantar pode-se alcançar a perfeição; mas para tanto, é precisa que o cantar seja sem ofensas, o que exige uma atitude reverencial perante as escrituras sagradas genuínas.E quanto prazer e consolo podemos obter das escrituras! Podemos nos tornar muito felizes e confiantes lendo o Bhagavad-gita, as palavras diretas de Krsna. E também podemos encontrar semelhantes benefícios em trabalhos de escritores contemporâneos – devotos que tomam os princípios trazidos por Krsna e os colocam dentro da vida familiar moderna, por exemplo.Claro que consolo e deleite não são os únicos motivos para lermos os escritos sagrados. Nós precisamos das escrituras. Na busca pela verdade sem as escrituras, não temos outra escolha senão nos basearmos em nossas próprias faculdades sensoriais e mental e na de outros com as mesma limitações que nós. Isso pode nos dar apenas conhecimento parcial e relativo. Nossos sentidos são imperfeitos, mesmo com o suporte de sofisticados instrumento. Cometemos erros devido a maus hábitos, falta de atenção ou por preconceitos inconscientes. Temos a tendência a enganar os outros e a nós mesmos. E quando identificamos o corpo como o eu, vivemos uma grande ilusão. Portanto, as verdades axiomáticas – o ponto de partida para conclusões lógico-sensoriais – devem partir de uma fonte livre de defeitos se quisermos basear nossas ações em um conhecimento infalível.Quando nossa base de conhecimento vem da verdade absoluta, o cantar do santo nome de Krsna rapidamente nos conduz a Ele. Ouvir das escrituras sobre a beleza, a forma e as incríveis atividades de Krsna no mundo espiritual irá nos inspirar a cantar com o intenso desejo de obter Seu serviço amoroso. Satisfeito com nosso desejo, Krsna irá nos purificar com Sua misericórdia resplandecente como sol, e nosso progresso se fará nítido.


por Urmila Devi Dasi

Tradução por Bhagavan dasa (DvS)

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

“Certamente Você Virá a Mim” “Surely You Will Come to Me”: The Divine, Eternal Promises of the Lord




Artigo originalmente publicado na revista Volta ao Supremo [Back to Godhead] – Fundada por Srila Prabhupada no ano de 1944



“Certamente Você Virá a Mim”
As Promessas Divinas e Eternas do Senhor



“Surely You Will Come to Me”: The Divine, Eternal Promises of the Lord



por Bhranti Devi Dasi
No verão do ano 2000, aconteceu algo que iria mudar drasticamente minha vida e a de minha família. Também testaria nossa fé em Krsna e nos faria ver a vida considerando com mais seriedade um certo fator - o fator morte.
Nós estávamos viajando pela América quando, numa estrada de terra sem nenhum movimento, o pneu traseiro de nossa minivan se rasgou em uma pedra afiada. O carro ficou totalmente desgovernado e capotamos várias vezes até que a van parou de cabeça para baixo.
Um de meus filhos, Keshava Kumara, sofreu um ferimento na cabeça que tiraria sua vida no dia seguinte. Ele tinha apenas doze anos. Fizemos tudo o que pudemos para que sua saída do corpo fosse a mais auspiciosa possível. Ele deixou esse mundo com as marcas de tilaka, água do Yamuna e poeira de Vrndavana sobre seu corpo, e com suas mãos sobre os livros de Srila Prabhupada.
O tempo parecia não fazer sentido: estávamos um dia de férias com a família, no outro dia no hospital, e no seguinte no crematório. Quando o médico nos informou que ele não sobreviveria ao ferimento, meu primeiro pensamento foi: “Esta vida está acabada para mim”. A bolha de sabão da vida feliz neste mundo estourara diante dos meus olhos. Eu nunca havia me sentido tão perdida. Como aquilo era possível? Sete meses atrás, nós tínhamos visitado Vrndavana-dhama e tínhamos planos para retornar ao dhama sagrado após o verão. Aquilo parecia ser um pesadelo que simplesmente não podia ser real.
Ao lado da cama de Keshava, nós desesperadamente tentávamos buscar abrigo nos versos do Segundo Capítulo do Bhagavad-gita, que descrevem a imortalidade da alma. Acredito que a dor da perda repentina de uma pessoa amada é a pior e mais desorientadora de todas. Eu precisei de meses para começar a acreditar no que havia acontecido. O sofrimento muito intenso faz você querer ficar sozinho, pois é raro encontrar alguém que possa entender quão tamanha é sua dor.
Posteriormente, relendo o Gita e orando para que Srila Prabhupada me ajudasse a superar tudo aquilo, eu percebi que muitos dos versos falados pelo Senhor estavam em forma de promessas, divinas e eternas. Krsna declara que somos eternamente ligados a Ele. Ele traz palavras de amor e confiança, que brilham como um archote na escuridão. Dicionários definem uma promesa como “um compromisso verbal”, “um pacto”, “fundamento para esperanças e expectativas”. Toda promessa é preciosa, mas ela é ainda mais preciosa quando vem diretamente do coração de Deus e é eterna. Sendo Ele onipotente, não há nenhuma possibilidade de que Ele não possa cumprir Suas promessas, enquanto que talvez um ser humano comum, por mais sincero que seja, não consiga fazer valer sua palavra. Eu entendi que uma promessa é um presente – um presente falado. Eu me dei a essas promessas do Senhor de todo o coração, e recebi grande consolo e conforto. Eu pensei, “Se eu sou eternamente ligada ao Senhor Supremo, igualmente é meu filho – e todos são ligados a Ele”.
Toda e cada entidade vida tem uma relação intrínseca e eterna com Krsna. No Bhagavad-gita, o Senhor fala para Arjuna o conhecimento atemporal, e esse se aplica a todas as entidades vivas em qualquer tempo e lugar. Eu gostaria de compartilhar com vocês leitores algumas das promessas de Krsna; seis para ser exata. Eu espero que encontrem grande encorajamento nessas eternas juras de amor, faladas pessoalmente pelo Senhor Supremo a todas as almas.
Seis Promessas do Senhor Krsna
Sri Krsna promete: “Portanto, Arjuna, você deve sempre pensar em Mim na forma de Krsna e ao mesmo tempo cumprir com seu dever prescrito de lutar. Com suas atividades dedicadas a Mim e sua mente e inteligência fixas em Mim, não há dúvida de que você Me alcançará”. (8.7)
Esse verso não se trata de uma promessa vaga, mas de uma declaração concreta e clara. O Primeiro Canto do Srimad-Bhagavatam apresenta uma afirmação similar, também muito clara, acerca do resultado de se ouvir as glórias do Senhor: “O serviço amoroso à Personalidade de Deus é obtido como um fato irrevogável”. Irrevogável: permanente, que não pode ser anulado. Qualquer serviço que façamos para Krsna nesta vida é permanente, e seu resultado permanecerá conosco mesmo após abandonarmos este corpo e esta vida temporária.
Sri Krsna promete: “Ocupe sua mente a pensar sempre em Mim, torne-se Meu devoto, ofereça-Me reverências e Me adore. Estando absorto por completo em Mim, certamente você virá a Mim”. (9.34)
Essa promessa é belíssima. Srila Prabhupada afirma em seu significado a esse verso que nós devemos pensar em Krsna de forma amorosa e continuamente cultivar conhecimento acerca dEle. Essa é nossa parte nesse relacionamento recíproco tão real com a pessoa suprema.
Escrevendo sobre a relação recíproca entre o Senhor e o devoto, Srila Prabhupada invoca uma imagem mental muito bonita em seu significado ao verso 9.29: “O Senhor e a entidade viva brilham eternamente, e ao inclinar-se para o serviço ao Senhor Supremo, a entidade viva parece ouro. O Senhor é um diamante, e essa combinação é muito bonita”.
Sri Krsna promete: “Para aqueles que estão constantemente devotados a Me servir com amor, Eu dou a compreensão pela qual eles podem vir a Mim”. (10.10)
As palavras usadas aqui são “constantemente devotadas”, que indicam uma devoção sem cessação ou pausa, mas contínua. Muitas pessoas adoram Deus a fim de conseguirem benefícios materiais, e isso é piedoso, uma vez que se submetem a Ele através de orações. Mas, neste verso, Krsna está falando sobre as pessoas que não desejam nada além dEle.
Nós não somos capazes de ir até Krsna através de nossos próprios esforços. Se Ele está satisfeito conosco, Ele nos permite ir até Ele. Desde o começo da criação, os Vedas estão disponíveis como um guia, e, ao longo das eras, o Senhor envia regularmente encarnações e pessoas santas trazendo conhecimento transcendental para as almas jivas.
Tomar refúgio em um mestre espiritual autêntico, completamente devotado ao Senhor, é um ponto muito importante, e não deve ser subestimado. O momento em que Arjuna aceita Krsna como seu mestre é um divisor de águas dentro do Bhagavad-gita. Após exibir aparentes aflição, lamentação e confusão, Arjuna diz: “Sou uma alma rendida a Você. Por favor, instrua-me”. (2.7) Nossa sociedade moderna dá grande ênfase para as credenciais e diplomas dos profissionais em geral, mas as pessoas tendem a aceitar orientação sobre assuntos espirituais de qualquer um que escreva um livro interessante sobre o tema. A vida é temporária, e nossa conexão com Deus é a área mais importante de estudo. Nós temos que selecionar um professor com muito cuidado, assim como somos muito cautelosos escolhendo um médico. Nós não confiaríamos nossa cirurgia a um médico que não tivesse nenhuma outra qualificação senão ser um bom contador de histórias.
Sri Krsna promete: “Meu querido Arjuna, aquele que se ocupa em Meu serviço devocional puro, livre das contaminações das atividades fruitivas e da especulação mental, que trabalha para Mim e faz de Mim a meta suprema de sua vida, sendo amigo de todos os seres vivos – com certeza virá a Mim”. (11.55)
Srila Prabhupada diz em seu significado a este verso que todo aquele que deseja estar intimamente conectado com Krsna deve acatar a formula apresentada por Krsna ali. Ele ainda afirma que tal verso é a essência do Bhagavad-gita. O Senhor Krsna descreve o devoto aqui como alguém que é amigo de todas as entidades vivas. Em uma canção em glorificação aos seis Gosvamis de Vrndavana, Srinivasa Acarya diz que eles são “populares tanto entre os cavalheiros quanto entre os grosseiros, pois eles não invejavam ninguém”.
Como podemos demonstrar verdadeira preocupação e amizade pelos outros? Pregando essa fórmula apresentada por Krsna, assim as pessoas não perderão a valiosíssima oportunidade da forma de vida humana, senão que poderão livrar-se de todas as misérias deste mundo. Podemos até mesmo beneficiar as almas que não estão atualmente em corpos humanos, cantando alto o santo nome ou dando para elas prasadam, alimento oferecido ao Senhor Supremo.
Sri Krsna promete: “Fixe sua mente em Mim, a Suprema Personalidade de Deus, e ocupe toda a sua inteligência em Mim. Assim, não há dúvida alguma de que você viverá sempre em Mim”. (12.8)
Como no verso 8.7, o Senhor novamente enfatiza sua promessa com “não há dúvida”. Em seu significado, Srila Prabhupada afirma: “Alguém que está ocupado no serviço devocional ao Senhor Krsna se relaciona diretamente com o Senhor Supremo, então, não há dúvida de que sua posição é transcendental desde o início. O devoto não vive no plano material – ele vive em Krsna”.
Sri Krsna promete: “Pense sempre em Mim e torne-se Meu devoto. Adore-Me e ofereça-Me homenagens. Agindo assim, você virá a Mim impreterivelmente. Eu lhe prometo isso porque você é Meu amigo muito querido”. (18.65)
Eu escolhi esse verso para uma placa que seria colocada na última escola que Keshava estudou – em Alachua, Flórida - como forma de homenageá-lo. Eu achei essa promessa do Senhor Supremo muito confortante e pessoal – Ele realmente conhece cada um de nós, e Ele realmente quer que voltemos para Ele.
No significado, Srila Prabhupada se refere a essa mensagem de Krsna em particular como uma promessa. É uma promessa trazida com muita intimidade: “Porque você é meu amigo muito querido – porque você está conectado a Mim em uma relação devocional – Eu estou lhe revelando esses segredos”.
O conhecimento mais confidencial é o de como restabelecermos nossa relação original com Deus. Esse é o mais secreto de todos os segredos. Em sua obra Vrndavana Mahimamrta, Srila Prabodhananda Sarasvati escreve: “Eu anseio pelo humor mais elevado [o de amor por Deus], que é um segredo até para os Vedas”.
Srila Prabhupada também diz em seu significado que devemos concentrar nossa mente na forma de Krsna tal qual é descrita no Brahma-samhita: um garoto de dois braços e de tez enegrecida com um belo rosto semelhante ao lótus, uma pena de pavão em Sua coroa e uma flauta em Sua cintura. Essa é a forma de Syamasundara, uma forma tão atrativa que atrai a mente e o coração de todos.
A dor resultante de se perder um filho coloca sua sanidade em teste. Arjuna experimentou essa dor simplesmente por imaginar a perda de seus membros familiares, e realizou tal dor ao perder um de seus filhos no campo de batalha. A perda de meu filho fez meu mundo ficar de cabeça para baixo. Mas as promessas de Krsna são-me palavras rejuvenescedoras, nas quais acredito. Elas me protegeram diversas vezes contra o desespero. Eu oro diariamente porque quero ser qualificada o suficiente para fazer minha parte nessa divina reciprocidade com o Senhor, e para que eu tenha fé inabalável que Suas eternas promessas serão certamente cumpridas, com toda a glória que lhes cabe.
“Você virá a Mim impreterivelmente. Eu lhe prometo isso porque você é Meu amigo muito querido”. (18.65)
Tradução por Bhagavan dasa (DvS) “Surely You Will Come to Me”: The Divine, Eternal Promises of the Lord
por Bhranti Devi Dasi
No verão do ano 2000, aconteceu algo que iria mudar drasticamente minha vida e a de minha família. Também testaria nossa fé em Krsna e nos faria ver a vida considerando com mais seriedade um certo fator - o fator morte.
Nós estávamos viajando pela América quando, numa estrada de terra sem nenhum movimento, o pneu traseiro de nossa minivan se rasgou em uma pedra afiada. O carro ficou totalmente desgovernado e capotamos várias vezes até que a van parou de cabeça para baixo.
Um de meus filhos, Keshava Kumara, sofreu um ferimento na cabeça que tiraria sua vida no dia seguinte. Ele tinha apenas doze anos. Fizemos tudo o que pudemos para que sua saída do corpo fosse a mais auspiciosa possível. Ele deixou esse mundo com as marcas de tilaka, água do Yamuna e poeira de Vrndavana sobre seu corpo, e com suas mãos sobre os livros de Srila Prabhupada.
O tempo parecia não fazer sentido: estávamos um dia de férias com a família, no outro dia no hospital, e no seguinte no crematório. Quando o médico nos informou que ele não sobreviveria ao ferimento, meu primeiro pensamento foi: “Esta vida está acabada para mim”. A bolha de sabão da vida feliz neste mundo estourara diante dos meus olhos. Eu nunca havia me sentido tão perdida. Como aquilo era possível? Sete meses atrás, nós tínhamos visitado Vrndavana-dhama e tínhamos planos para retornar ao dhama sagrado após o verão. Aquilo parecia ser um pesadelo que simplesmente não podia ser real.
Ao lado da cama de Keshava, nós desesperadamente tentávamos buscar abrigo nos versos do Segundo Capítulo do Bhagavad-gita, que descrevem a imortalidade da alma. Acredito que a dor da perda repentina de uma pessoa amada é a pior e mais desorientadora de todas. Eu precisei de meses para começar a acreditar no que havia acontecido. O sofrimento muito intenso faz você querer ficar sozinho, pois é raro encontrar alguém que possa entender quão tamanha é sua dor.
Posteriormente, relendo o Gita e orando para que Srila Prabhupada me ajudasse a superar tudo aquilo, eu percebi que muitos dos versos falados pelo Senhor estavam em forma de promessas, divinas e eternas. Krsna declara que somos eternamente ligados a Ele. Ele traz palavras de amor e confiança, que brilham como um archote na escuridão. Dicionários definem uma promesa como “um compromisso verbal”, “um pacto”, “fundamento para esperanças e expectativas”. Toda promessa é preciosa, mas ela é ainda mais preciosa quando vem diretamente do coração de Deus e é eterna. Sendo Ele onipotente, não há nenhuma possibilidade de que Ele não possa cumprir Suas promessas, enquanto que talvez um ser humano comum, por mais sincero que seja, não consiga fazer valer sua palavra. Eu entendi que uma promessa é um presente – um presente falado. Eu me dei a essas promessas do Senhor de todo o coração, e recebi grande consolo e conforto. Eu pensei, “Se eu sou eternamente ligada ao Senhor Supremo, igualmente é meu filho – e todos são ligados a Ele”.
Toda e cada entidade vida tem uma relação intrínseca e eterna com Krsna. No Bhagavad-gita, o Senhor fala para Arjuna o conhecimento atemporal, e esse se aplica a todas as entidades vivas em qualquer tempo e lugar. Eu gostaria de compartilhar com vocês leitores algumas das promessas de Krsna; seis para ser exata. Eu espero que encontrem grande encorajamento nessas eternas juras de amor, faladas pessoalmente pelo Senhor Supremo a todas as almas.
Seis Promessas do Senhor Krsna
Sri Krsna promete: “Portanto, Arjuna, você deve sempre pensar em Mim na forma de Krsna e ao mesmo tempo cumprir com seu dever prescrito de lutar. Com suas atividades dedicadas a Mim e sua mente e inteligência fixas em Mim, não há dúvida de que você Me alcançará”. (8.7)
Esse verso não se trata de uma promessa vaga, mas de uma declaração concreta e clara. O Primeiro Canto do Srimad-Bhagavatam apresenta uma afirmação similar, também muito clara, acerca do resultado de se ouvir as glórias do Senhor: “O serviço amoroso à Personalidade de Deus é obtido como um fato irrevogável”. Irrevogável: permanente, que não pode ser anulado. Qualquer serviço que façamos para Krsna nesta vida é permanente, e seu resultado permanecerá conosco mesmo após abandonarmos este corpo e esta vida temporária.
Sri Krsna promete: “Ocupe sua mente a pensar sempre em Mim, torne-se Meu devoto, ofereça-Me reverências e Me adore. Estando absorto por completo em Mim, certamente você virá a Mim”. (9.34)
Essa promessa é belíssima. Srila Prabhupada afirma em seu significado a esse verso que nós devemos pensar em Krsna de forma amorosa e continuamente cultivar conhecimento acerca dEle. Essa é nossa parte nesse relacionamento recíproco tão real com a pessoa suprema.
Escrevendo sobre a relação recíproca entre o Senhor e o devoto, Srila Prabhupada invoca uma imagem mental muito bonita em seu significado ao verso 9.29: “O Senhor e a entidade viva brilham eternamente, e ao inclinar-se para o serviço ao Senhor Supremo, a entidade viva parece ouro. O Senhor é um diamante, e essa combinação é muito bonita”.
Sri Krsna promete: “Para aqueles que estão constantemente devotados a Me servir com amor, Eu dou a compreensão pela qual eles podem vir a Mim”. (10.10)
As palavras usadas aqui são “constantemente devotadas”, que indicam uma devoção sem cessação ou pausa, mas contínua. Muitas pessoas adoram Deus a fim de conseguirem benefícios materiais, e isso é piedoso, uma vez que se submetem a Ele através de orações. Mas, neste verso, Krsna está falando sobre as pessoas que não desejam nada além dEle.
Nós não somos capazes de ir até Krsna através de nossos próprios esforços. Se Ele está satisfeito conosco, Ele nos permite ir até Ele. Desde o começo da criação, os Vedas estão disponíveis como um guia, e, ao longo das eras, o Senhor envia regularmente encarnações e pessoas santas trazendo conhecimento transcendental para as almas jivas.
Tomar refúgio em um mestre espiritual autêntico, completamente devotado ao Senhor, é um ponto muito importante, e não deve ser subestimado. O momento em que Arjuna aceita Krsna como seu mestre é um divisor de águas dentro do Bhagavad-gita. Após exibir aparentes aflição, lamentação e confusão, Arjuna diz: “Sou uma alma rendida a Você. Por favor, instrua-me”. (2.7) Nossa sociedade moderna dá grande ênfase para as credenciais e diplomas dos profissionais em geral, mas as pessoas tendem a aceitar orientação sobre assuntos espirituais de qualquer um que escreva um livro interessante sobre o tema. A vida é temporária, e nossa conexão com Deus é a área mais importante de estudo. Nós temos que selecionar um professor com muito cuidado, assim como somos muito cautelosos escolhendo um médico. Nós não confiaríamos nossa cirurgia a um médico que não tivesse nenhuma outra qualificação senão ser um bom contador de histórias.
Sri Krsna promete: “Meu querido Arjuna, aquele que se ocupa em Meu serviço devocional puro, livre das contaminações das atividades fruitivas e da especulação mental, que trabalha para Mim e faz de Mim a meta suprema de sua vida, sendo amigo de todos os seres vivos – com certeza virá a Mim”. (11.55)
Srila Prabhupada diz em seu significado a este verso que todo aquele que deseja estar intimamente conectado com Krsna deve acatar a formula apresentada por Krsna ali. Ele ainda afirma que tal verso é a essência do Bhagavad-gita. O Senhor Krsna descreve o devoto aqui como alguém que é amigo de todas as entidades vivas. Em uma canção em glorificação aos seis Gosvamis de Vrndavana, Srinivasa Acarya diz que eles são “populares tanto entre os cavalheiros quanto entre os grosseiros, pois eles não invejavam ninguém”.
Como podemos demonstrar verdadeira preocupação e amizade pelos outros? Pregando essa fórmula apresentada por Krsna, assim as pessoas não perderão a valiosíssima oportunidade da forma de vida humana, senão que poderão livrar-se de todas as misérias deste mundo. Podemos até mesmo beneficiar as almas que não estão atualmente em corpos humanos, cantando alto o santo nome ou dando para elas prasadam, alimento oferecido ao Senhor Supremo.
Sri Krsna promete: “Fixe sua mente em Mim, a Suprema Personalidade de Deus, e ocupe toda a sua inteligência em Mim. Assim, não há dúvida alguma de que você viverá sempre em Mim”. (12.8)
Como no verso 8.7, o Senhor novamente enfatiza sua promessa com “não há dúvida”. Em seu significado, Srila Prabhupada afirma: “Alguém que está ocupado no serviço devocional ao Senhor Krsna se relaciona diretamente com o Senhor Supremo, então, não há dúvida de que sua posição é transcendental desde o início. O devoto não vive no plano material – ele vive em Krsna”.
Sri Krsna promete: “Pense sempre em Mim e torne-se Meu devoto. Adore-Me e ofereça-Me homenagens. Agindo assim, você virá a Mim impreterivelmente. Eu lhe prometo isso porque você é Meu amigo muito querido”. (18.65)
Eu escolhi esse verso para uma placa que seria colocada na última escola que Keshava estudou – em Alachua, Flórida - como forma de homenageá-lo. Eu achei essa promessa do Senhor Supremo muito confortante e pessoal – Ele realmente conhece cada um de nós, e Ele realmente quer que voltemos para Ele.
No significado, Srila Prabhupada se refere a essa mensagem de Krsna em particular como uma promessa. É uma promessa trazida com muita intimidade: “Porque você é meu amigo muito querido – porque você está conectado a Mim em uma relação devocional – Eu estou lhe revelando esses segredos”.
O conhecimento mais confidencial é o de como restabelecermos nossa relação original com Deus. Esse é o mais secreto de todos os segredos. Em sua obra Vrndavana Mahimamrta, Srila Prabodhananda Sarasvati escreve: “Eu anseio pelo humor mais elevado [o de amor por Deus], que é um segredo até para os Vedas”.
Srila Prabhupada também diz em seu significado que devemos concentrar nossa mente na forma de Krsna tal qual é descrita no Brahma-samhita: um garoto de dois braços e de tez enegrecida com um belo rosto semelhante ao lótus, uma pena de pavão em Sua coroa e uma flauta em Sua cintura. Essa é a forma de Syamasundara, uma forma tão atrativa que atrai a mente e o coração de todos.
A dor resultante de se perder um filho coloca sua sanidade em teste. Arjuna experimentou essa dor simplesmente por imaginar a perda de seus membros familiares, e realizou tal dor ao perder um de seus filhos no campo de batalha. A perda de meu filho fez meu mundo ficar de cabeça para baixo. Mas as promessas de Krsna são-me palavras rejuvenescedoras, nas quais acredito. Elas me protegeram diversas vezes contra o desespero. Eu oro diariamente porque quero ser qualificada o suficiente para fazer minha parte nessa divina reciprocidade com o Senhor, e para que eu tenha fé inabalável que Suas eternas promessas serão certamente cumpridas, com toda a glória que lhes cabe.
“Você virá a Mim impreterivelmente. Eu lhe prometo isso porque você é Meu amigo muito querido”. (18.65)
Tradução por Bhagavan dasa (DvS)
“Surely You Will Come to Me”: The Divine, Eternal Promises of the Lord



por Bhranti Devi Dasi



No verão do ano 2000, aconteceu algo que iria mudar drasticamente minha vida e a de minha família. Também testaria nossa fé em Krsna e nos faria ver a vida considerando com mais seriedade um certo fator - o fator morte.
Nós estávamos viajando pela América quando, numa estrada de terra sem nenhum movimento, o pneu traseiro de nossa minivan se rasgou em uma pedra afiada. O carro ficou totalmente desgovernado e capotamos várias vezes até que a van parou de cabeça para baixo.
Um de meus filhos, Keshava Kumara, sofreu um ferimento na cabeça que tiraria sua vida no dia seguinte. Ele tinha apenas doze anos. Fizemos tudo o que pudemos para que sua saída do corpo fosse a mais auspiciosa possível. Ele deixou esse mundo com as marcas de tilaka, água do Yamuna e poeira de Vrndavana sobre seu corpo, e com suas mãos sobre os livros de Srila Prabhupada.
O tempo parecia não fazer sentido: estávamos um dia de férias com a família, no outro dia no hospital, e no seguinte no crematório. Quando o médico nos informou que ele não sobreviveria ao ferimento, meu primeiro pensamento foi: “Esta vida está acabada para mim”. A bolha de sabão da vida feliz neste mundo estourara diante dos meus olhos. Eu nunca havia me sentido tão perdida. Como aquilo era possível? Sete meses atrás, nós tínhamos visitado Vrndavana-dhama e tínhamos planos para retornar ao dhama sagrado após o verão. Aquilo parecia ser um pesadelo que simplesmente não podia ser real.
Ao lado da cama de Keshava, nós desesperadamente tentávamos buscar abrigo nos versos do Segundo Capítulo do Bhagavad-gita, que descrevem a imortalidade da alma. Acredito que a dor da perda repentina de uma pessoa amada é a pior e mais desorientadora de todas. Eu precisei de meses para começar a acreditar no que havia acontecido. O sofrimento muito intenso faz você querer ficar sozinho, pois é raro encontrar alguém que possa entender quão tamanha é sua dor.
Posteriormente, relendo o Gita e orando para que Srila Prabhupada me ajudasse a superar tudo aquilo, eu percebi que muitos dos versos falados pelo Senhor estavam em forma de promessas, divinas e eternas. Krsna declara que somos eternamente ligados a Ele. Ele traz palavras de amor e confiança, que brilham como um archote na escuridão. Dicionários definem uma promesa como “um compromisso verbal”, “um pacto”, “fundamento para esperanças e expectativas”. Toda promessa é preciosa, mas ela é ainda mais preciosa quando vem diretamente do coração de Deus e é eterna. Sendo Ele onipotente, não há nenhuma possibilidade de que Ele não possa cumprir Suas promessas, enquanto que talvez um ser humano comum, por mais sincero que seja, não consiga fazer valer sua palavra. Eu entendi que uma promessa é um presente – um presente falado. Eu me dei a essas promessas do Senhor de todo o coração, e recebi grande consolo e conforto. Eu pensei, “Se eu sou eternamente ligada ao Senhor Supremo, igualmente é meu filho – e todos são ligados a Ele”.
Toda e cada entidade vida tem uma relação intrínseca e eterna com Krsna. No Bhagavad-gita, o Senhor fala para Arjuna o conhecimento atemporal, e esse se aplica a todas as entidades vivas em qualquer tempo e lugar. Eu gostaria de compartilhar com vocês leitores algumas das promessas de Krsna; seis para ser exata. Eu espero que encontrem grande encorajamento nessas eternas juras de amor, faladas pessoalmente pelo Senhor Supremo a todas as almas.
Seis Promessas do Senhor Krsna
Sri Krsna promete: “Portanto, Arjuna, você deve sempre pensar em Mim na forma de Krsna e ao mesmo tempo cumprir com seu dever prescrito de lutar. Com suas atividades dedicadas a Mim e sua mente e inteligência fixas em Mim, não há dúvida de que você Me alcançará”. (8.7)
Esse verso não se trata de uma promessa vaga, mas de uma declaração concreta e clara. O Primeiro Canto do Srimad-Bhagavatam apresenta uma afirmação similar, também muito clara, acerca do resultado de se ouvir as glórias do Senhor: “O serviço amoroso à Personalidade de Deus é obtido como um fato irrevogável”. Irrevogável: permanente, que não pode ser anulado. Qualquer serviço que façamos para Krsna nesta vida é permanente, e seu resultado permanecerá conosco mesmo após abandonarmos este corpo e esta vida temporária.
Sri Krsna promete: “Ocupe sua mente a pensar sempre em Mim, torne-se Meu devoto, ofereça-Me reverências e Me adore. Estando absorto por completo em Mim, certamente você virá a Mim”. (9.34)
Essa promessa é belíssima. Srila Prabhupada afirma em seu significado a esse verso que nós devemos pensar em Krsna de forma amorosa e continuamente cultivar conhecimento acerca dEle. Essa é nossa parte nesse relacionamento recíproco tão real com a pessoa suprema.
Escrevendo sobre a relação recíproca entre o Senhor e o devoto, Srila Prabhupada invoca uma imagem mental muito bonita em seu significado ao verso 9.29: “O Senhor e a entidade viva brilham eternamente, e ao inclinar-se para o serviço ao Senhor Supremo, a entidade viva parece ouro. O Senhor é um diamante, e essa combinação é muito bonita”.
Sri Krsna promete: “Para aqueles que estão constantemente devotados a Me servir com amor, Eu dou a compreensão pela qual eles podem vir a Mim”. (10.10)
As palavras usadas aqui são “constantemente devotadas”, que indicam uma devoção sem cessação ou pausa, mas contínua. Muitas pessoas adoram Deus a fim de conseguirem benefícios materiais, e isso é piedoso, uma vez que se submetem a Ele através de orações. Mas, neste verso, Krsna está falando sobre as pessoas que não desejam nada além dEle.
Nós não somos capazes de ir até Krsna através de nossos próprios esforços. Se Ele está satisfeito conosco, Ele nos permite ir até Ele. Desde o começo da criação, os Vedas estão disponíveis como um guia, e, ao longo das eras, o Senhor envia regularmente encarnações e pessoas santas trazendo conhecimento transcendental para as almas jivas.
Tomar refúgio em um mestre espiritual autêntico, completamente devotado ao Senhor, é um ponto muito importante, e não deve ser subestimado. O momento em que Arjuna aceita Krsna como seu mestre é um divisor de águas dentro do Bhagavad-gita. Após exibir aparentes aflição, lamentação e confusão, Arjuna diz: “Sou uma alma rendida a Você. Por favor, instrua-me”. (2.7) Nossa sociedade moderna dá grande ênfase para as credenciais e diplomas dos profissionais em geral, mas as pessoas tendem a aceitar orientação sobre assuntos espirituais de qualquer um que escreva um livro interessante sobre o tema. A vida é temporária, e nossa conexão com Deus é a área mais importante de estudo. Nós temos que selecionar um professor com muito cuidado, assim como somos muito cautelosos escolhendo um médico. Nós não confiaríamos nossa cirurgia a um médico que não tivesse nenhuma outra qualificação senão ser um bom contador de histórias.
Sri Krsna promete: “Meu querido Arjuna, aquele que se ocupa em Meu serviço devocional puro, livre das contaminações das atividades fruitivas e da especulação mental, que trabalha para Mim e faz de Mim a meta suprema de sua vida, sendo amigo de todos os seres vivos – com certeza virá a Mim”. (11.55)
Srila Prabhupada diz em seu significado a este verso que todo aquele que deseja estar intimamente conectado com Krsna deve acatar a formula apresentada por Krsna ali. Ele ainda afirma que tal verso é a essência do Bhagavad-gita. O Senhor Krsna descreve o devoto aqui como alguém que é amigo de todas as entidades vivas. Em uma canção em glorificação aos seis Gosvamis de Vrndavana, Srinivasa Acarya diz que eles são “populares tanto entre os cavalheiros quanto entre os grosseiros, pois eles não invejavam ninguém”.
Como podemos demonstrar verdadeira preocupação e amizade pelos outros? Pregando essa fórmula apresentada por Krsna, assim as pessoas não perderão a valiosíssima oportunidade da forma de vida humana, senão que poderão livrar-se de todas as misérias deste mundo. Podemos até mesmo beneficiar as almas que não estão atualmente em corpos humanos, cantando alto o santo nome ou dando para elas prasadam, alimento oferecido ao Senhor Supremo.
Sri Krsna promete: “Fixe sua mente em Mim, a Suprema Personalidade de Deus, e ocupe toda a sua inteligência em Mim. Assim, não há dúvida alguma de que você viverá sempre em Mim”. (12.8)
Como no verso 8.7, o Senhor novamente enfatiza sua promessa com “não há dúvida”. Em seu significado, Srila Prabhupada afirma: “Alguém que está ocupado no serviço devocional ao Senhor Krsna se relaciona diretamente com o Senhor Supremo, então, não há dúvida de que sua posição é transcendental desde o início. O devoto não vive no plano material – ele vive em Krsna”.
Sri Krsna promete: “Pense sempre em Mim e torne-se Meu devoto. Adore-Me e ofereça-Me homenagens. Agindo assim, você virá a Mim impreterivelmente. Eu lhe prometo isso porque você é Meu amigo muito querido”. (18.65)
Eu escolhi esse verso para uma placa que seria colocada na última escola que Keshava estudou – em Alachua, Flórida - como forma de homenageá-lo. Eu achei essa promessa do Senhor Supremo muito confortante e pessoal – Ele realmente conhece cada um de nós, e Ele realmente quer que voltemos para Ele.
No significado, Srila Prabhupada se refere a essa mensagem de Krsna em particular como uma promessa. É uma promessa trazida com muita intimidade: “Porque você é meu amigo muito querido – porque você está conectado a Mim em uma relação devocional – Eu estou lhe revelando esses segredos”.
O conhecimento mais confidencial é o de como restabelecermos nossa relação original com Deus. Esse é o mais secreto de todos os segredos. Em sua obra Vrndavana Mahimamrta, Srila Prabodhananda Sarasvati escreve: “Eu anseio pelo humor mais elevado [o de amor por Deus], que é um segredo até para os Vedas”.
Srila Prabhupada também diz em seu significado que devemos concentrar nossa mente na forma de Krsna tal qual é descrita no Brahma-samhita: um garoto de dois braços e de tez enegrecida com um belo rosto semelhante ao lótus, uma pena de pavão em Sua coroa e uma flauta em Sua cintura. Essa é a forma de Syamasundara, uma forma tão atrativa que atrai a mente e o coração de todos.
A dor resultante de se perder um filho coloca sua sanidade em teste. Arjuna experimentou essa dor simplesmente por imaginar a perda de seus membros familiares, e realizou tal dor ao perder um de seus filhos no campo de batalha. A perda de meu filho fez meu mundo ficar de cabeça para baixo. Mas as promessas de Krsna são-me palavras rejuvenescedoras, nas quais acredito. Elas me protegeram diversas vezes contra o desespero. Eu oro diariamente porque quero ser qualificada o suficiente para fazer minha parte nessa divina reciprocidade com o Senhor, e para que eu tenha fé inabalável que Suas eternas promessas serão certamente cumpridas, com toda a glória que lhes cabe.
“Você virá a Mim impreterivelmente. Eu lhe prometo isso porque você é Meu amigo muito querido”. (18.65)



Tradução por Bhagavan dasa (DvS)

terça-feira, 20 de novembro de 2007

O Relacionamento Entre Os Devotos do Senhor Krishna


O Relacionamento Entre Os Devotos do Senhor Krishna


Por Bir Krishna Prabhu (DVS), Facilitador do Instituto Bhaktivedanta para Auto-Realização. 17/11/2007.

Esta semana, uma notícia em particular sobre o mundo hare (a Sociedade Internacional para Consciência de Krishna – ISKCON) me inspirou a escrever sobre este tema tão precioso à disciplina de bhakti-yoga. De fato, é com grande satisfação que recebi as fotos enviadas por meu irmão espiritual Dhavali Das à comunidade de devotos no Brasil, mostrando o piquenique organizado para comemorar o Vyasa-puja (dia do aniversario do mestre espiritual) de Srila Acharyadeva (Hridayananda Das Goswami) em Los Angeles, num belíssimo parque em Beverly Hills. Expressando em uma mensagem pela NET toda a sua satisfação pelo carinho que discípulos e amigos tiveram com ele neste dia festivo, Srila Acharyadeva definia o relacionamento entre os devotos como de estímulo e inspiração recíproco, citando o nono verso do capítulo dez do Bhagavad-gita que trata da opulência do Senhor Krishna, para contextualizar a sua fala. Neste verso, a Pessoa Suprema, Sri Krishna diz:
mac-citta mad-gata-prana
bodhayantah parasparam
kathayanthas ca mam nityam
tusyanti ca ramanti ca
(Bg. 10.9).

“Os pensamentos de Meus devotos puros residem em Mim, suas vidas são plenamente devotadas a Mim, e eles obtém grande satisfação e bem-aventurança sempre se iluminando uns aos outros e conversando sobre Mim”. O dia do vyasa-puja é uma data muito significativa na tradição vaishnava (o culto de adoração à Sri Vishnu ou Krishna). Pois, nesta ocasião o mestre espiritual é glorificado ou reverenciado (puja) como um representante genuíno e fidedigno de Vyasadeva, uma encarnação do Senhor responsável pela composição dos Vedas (livros de conhecimento da ciência sagrada) - daí o termo vyasa-puja.

Neste dia, discípulos, amigos e simpatizantes mandam oferendas (pequenas mensagens escritas) manifestando sua gratidão ao mestre espiritual por mantê-los constantemente entusiasmados e determinados no transcendental serviço amoroso ao Senhor Krishna. De modo que ao citar o verso acima, Srila Acharyadeva expressava o quanto estas oferendas o estimulavam e inspiravam no serviço à Pessoa Suprema e ao mesmo tempo incentivava a todos a cultivar no cotidiano este tipo de relacionamento. O Senhor Krishna é o foco para o qual convergem todas as trocas afetivas e amorosas compartilhadas entre os devotos.

Por ser glorificado como Prabhupada, isto é, aquele que ocupa a posição (pada) do Senhor (prabhu), o mestre espiritual é no dia do vyasa-puja, o centro de atenção especial para discípulos, amigos e simpatizantes. Os pensamentos destes últimos ficam totalmente voltados para aquele que consideram como o seu maior benquerente. Assim, eles se juntam para relembrar os feitos do mestre espiritual na propagação das glorias do Senhor Krishna. E isso, é neste dia, uma fonte de grande satisfação e bem-aventurança para discípulos, amigos e simpatizantes. De modo que além daqueles que puderam desfrutar da associação direta de Srila Acharyadeva em Los Angeles, no aconchego do belíssimo parque de Beverly Hills, em todas as cidades do mundo festejou-se também o vyasa-puja deste discípulo e servo íntimo de Sua Divina Graça Srila Bhaktivedanta Swami Prabhupada, fundador-acharya da Sociedade Internacional para Consciência de Krishna – ISKCON. Srila Acharyadeva ki jaya!

HARE KRISHNA