Dedicado a Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedenta Swami Prabhupada e Gurudeva Srila Dhanvantari Swami

Dedicado a Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedenta Swami Prabhupada e Gurudeva Srila Dhanvantari Swami
Jagad Guru Srila Prabhupada

sábado, 19 de janeiro de 2008

A GRANDE FUGA DE SANATANA



A GRANDE FUGA DE SANATANA




Sanatana Gosvami afastou-se de seu posto de ministro no governo Muçulmano na Bengala do século XVI, tendo decidido dedicar sua vida à missão de Sri Caitanya Mahaprabhu. O Nawab, ou governador, aprisionou Sanatana, irado com sua resignação. Ouvimos, agora, como Sanatana conheceu o Senhor Caitanya em Varanasi (Uttar Pradesh) e contou sua fuga da prisão e sua jornada pela Bengala.Sanatana Gosvami entrou na cidade de Varanasi no princípio da primavera de 1514. Tendo viajado por trilhas na floresta e estradas abandonadas pela Bengala e por Bihar, ele vestia roupas velhas e rasgadas. Seu longo cabelo, barba e bigode estavam bagunçados e empoeirados, e ele carregava uma cuia de esmolas em sua mão.
Feliz ao ouvir que o Senhor Caitanya Mahaprabhu havia chegado de barco em Allahabad, Sanatana foi até a casa de Candrashekhara, onde o Senhor estava hospedado, e sentou-se junto à porta de entrada.Sri Caitanya Mahaprabhu pôde entender que Sanatana estava do lado de fora.“Candrashekhara” , Ele disse, “há um Vaisnava, um devoto Hare Krsna, à sua porta. Por favor, vá e convide-o a entrar”.Candrashekhara foi lá fora para ver e, não vendo nenhum Vaisnava, voltou.“Mas há alguma pessoa lá fora?”, o Senhor perguntou.“Só um mendicante muçulmano”, Candrashekhara respondeu.“Por favor, traga-o aqui”.Voltando imediatamente à porta, Candrashekhara falou a Sanatana.“Caro mendicante muçulmano”, ele disse, “tenha a bondade de entrar. O Senhor está lhe chamando”.Satisfeito com esse convite, Sanatana entrou na casa, onde o Senhor Caitanya levantou-se prontamente para abraçá-lo, dar-lhe as boas-vindas e oferecer um acento ao Seu lado.
O Senhor Caitanya é a Suprema Personalidade de Deus fazendo o papel de Seu próprio devoto. Em ambas as posições, como Senhor e como devoto, Ele estava ávido por dar as boas-vindas a Seu visitante Vaisnava. Apesar dos protestos de Sanatana, Ele glorificou a influência santa de Sanatana como superior até mesmo a lugares sagrados como Varanasi. O Senhor citou um verso do Srimad-Bhagavatam (1.13.10): “Santos como você são em si mesmos lugares de peregrinação. Por causa de sua pureza, eles são companhias constantes do Senhor, e, portanto, podem purificar até mesmo os locais de peregrinação”.Poucas semanas atrás, Sri Caitanya Mahaprabhu havia se encontrado com o irmão de Sanatana, Rupa Gosvami, em Allahabad.
O Senhor havia instruído Rupa acerca da evolução da alma, primeiramente através de espécies materiais de vida neste universo e, então, sua evolução depois de estar de volta ao céu espiritual. Pelos próximos dois meses em Varanasi, o Senhor Caitanya iria desenvolver esses e outros temas em Seus ensinamentos a Sanatana Gosvami. Ele descreveria como o Senhor Supremo Se expande para presidir individualmente todos os inumeráveis planetas espirituais e para criar e governar os universos materiais. Ele informaria Sanatana sobre a localização e dimensão dos planetas espirituais e sobre as atividades e identidade de seus habitantes com a mesma precisão que se pode descrever os continentes e nações desta terra. E Ele delinearia a rota direta do cosmos material temporário e escuro até aqueles destinos espirituais auto-refulgentes e livres de nascimentos e mortes com a mesma clareza e detalhes dos mais modernos mapas de estradas e guias de viagem atuais.Apesar da exaltada e revolucionária natureza desses tópicos transcendentais, todavia, o Senhor Sri Caitanya Mahaprabhu estava curioso por ouvir sobre as recentes viagens e aventuras de Sanatana.“Como você escapou da prisão?”, o Senhor ansiosamente perguntou, e Sanatana, com muita satisfação, contou sua história do começo ao fim.Afortunado CarcereiroSanatana contou como, amarrado com correntes de ferro na prisão de Chika Mosjud, próxima a Ramakeli, Bengala, ele recebera uma bilhete de Rupa, seu irmão mais novo.“Meu querido Sanatana”, Rupa Gosvami escrevera, “deixei uma quantia de dez mil moedas de ouro com um mercador local. Use aquele dinheiro para sair da prisão e venha encontrar o Senhor Sri Caitanya Mahaprabhu em Mathura e em Vrndavana”.Para encorajar Sanatana ainda mais, Rupa incluiu em seu bilhete um belo e misterioso verso em sânscrito:yadu-pateh kva gata mathura-puriraghu-pateh kva gatottara- koshalaiti vicintya kurusva manah sthiramna sad idam jagad ity avadharaya
“Para onde foi a cidade de Mathura conhecida como Yadupati? Para onde foi a província da Koshala do norte, Raghupati? Refletindo, a mente se torna estável, pensando: ‘Este universo não é eterno’.”Yadupati é um nome do Senhor Krsna, e Raghupati é um nome do Senhor Ramacandra. Muito tempo atrás, Eles apareceram nesta terra e atuaram como seres humanos, exibindo Seus eternos passatempos na cidade de Mathura e na província de Koshala respectivamente. Agora, Eles haviam aparecido novamente como o Senhor Caitanya Mahaprabhu para libertarem os prisioneiros desta vida material neste universo temporário; e o Senhor Caitanya já estava em Seu caminho para Mathura, acompanhado por Rupa Gosvami.
Extasiado com o bilhete, Sanatana se dirigiu ao carcereiro muçulmano, um conhecido seu do tempo do governo, um homem simples com pouca educação ou instrução espiritual. Invocando as habilidades diplomáticas desenvolvidas durantes seus anos como primeiro ministro do Nawab, Sanatana começou a satisfazer o humilde guarda com bendizeres.“Caro senhor”, Sanatana começou, “você é uma pessoa muito afortunada, um santo em vida, e um erudito versado no conhecimento do Corão e livros similares. Então, você deve saber que se você libera um prisioneiro, de acordo com os princípios de sua religião, você é abençoado pelo Senhor Supremo”.Tocado pelas palavras agradáveis de seu colega de governo, o carcereiro não pôde negar que ele era, de fato, um erudito e santo. Ele ouvia com grande atenção enquanto Sanatana continuava, frisando a longa amizade entre eles, e pedindo que ele o libertasse como um favor pessoal.“Anteriormente, eu fiz muito por você”, Sanatana disse. “Agora eu estou em dificuldade. Por favor, libertando-me, devolva a felicidade de minha vida”.
Sanatana adoçou a amizade entre eles com uma oferta de cinco mil moedas de ouro. Aceitando o ouro e liberando um prisioneiro inocente, Sanatana explicou a seu amigo carcereiro que ele acumularia tanto atividades piedosas quanto riquezas materiais. Ele teria o melhor dos dois mundos.“Por favor, escute-me caro senhor”, o carcereiro disse ansioso. “Eu quero muito deixá-lo ir, porque você fez muito por mim quando trabalhávamos juntos para o governo. Mas eu temo o que Nawab fará quando souber que você está livre. Eu terei de explicar. O que eu direi?”.Sanatana tinha uma história.“Não há perigo”, ele assegurou a seu amigo. “O Nawab partiu para o sul para conquistar Orissa. Se ele voltar, diga a ele que Sanatana foi fazer suas necessidades próximo da margem do rio Ganges e, que quando ele viu o Ganges, pulou imediatamente dentro dele. Diga a ele: ‘Eu procurei por um longo tempo, mas não pude encontrar nenhum sinal dele. Ele pulou com suas algemas e afogou-se, levado pela correnteza’.”“E não se preocupe”, Sanatana adicionou. “Ninguém irá me encontrar. Eu me tornarei um mendicante e irei para a cidade sagrada de Mecca”.
Assim, o carcereiro tinha uma desculpa para o Nawab, uma desculpa religiosa para sua própria consciência, e uma promessa de cinco mil moedas de ouro. Ele ainda estava ansioso e indeciso, quando Sanatana subiu sua oferta para sete mil moedas de ouro e lentamente as derramou do saco perante o guarda. Vendo a pilha de ouro reluzente crescer diante de seus olhos, o carcereiro finalmente aceitou. Naquela noite, ele quebrou as correntes que prendiam Sanatana e o deixou escapar pelo Ganges.Jornada PerigosaEmbora ele tivesse ficado ainda com três mil moedas de ouro, e tivesse centenas de quilômetros para viajar da Bengala em direção a Mathura e Vrndavana, Sanatana deixou para trás todo o ouro e partiu a pé, observando o papel de um pedinte. O dinheiro comprara sua liberdade para servir o Senhor Caitanya, mas ele não tinha nenhum interesse em gastar o dinheiro para comprar uma viagem confortável ou algo do tipo. Como um prisioneiro fugitivo, bem como um homem famoso, Sanatana tinha de evitar ser notado.
Usando estradas abandonadas e trilhas, ele se manteve afastado da rodovia oficial conhecida como “o caminho das muralhas” [way of the ramparts], que o Nawab havia fortificado contra invasões.Um servo chamado Ishana acompanhou Sanantana, e, apesar das evidentes precauções de seu mestre, Ishana secretamente carregava oito moedas de ouro. Cruzando o que é hoje conhecido como a província de Bihar, Sanatana e Ishana chegaram a uma área montanhosa conhecida como Patada e pararam em um pequeno hotel, onde o ouro demonstrou-se quase fatal. O dono do hotel ficou sabendo das oito moedas através de um vidente perito e planejou roubar e matar seus dois hóspedes. Ele, então, demonstrou aparente respeito e preocupações com suas necessidades, fornecendo comida para que eles cozinhassem e prometendo guiá-los pelas montanhas.
Sanatana foi até o rio para se banhar e, uma vez que ele não se alimentava há dois dias, ele cozinhou e comeu sua refeição. Mas ele estava desconfiado. Como ministro de Nawab, ele conhecera muitos diplomatas e manipuladores. Ali estava um dono de hotel, um completo estranho, dando a ele tratamento real, embora ele e Ishana parecessem indigentes.“Ishana”, Sanatana perguntou, “eu acho que você deve ter alguma coisa valiosa consigo”.“Sim, eu tenho sete moedas de ouro”, Ishana admitiu, mostrando parcialmente sua riqueza.Sanatana ficou irritado e começou a censurar seu servo.“Por que você carrega esses comensais da morte?”Pegando as sete moedas, Sanatana foi até o dono do hotel com as moedas na mão.“Por favor, fique com essas sete moedas”, Sanatana pediu, “e nos ajude a cruzar as montanhas. Eu sou um preso político em fuga e não posso viajar pelo caminho das muralhas. Seria muito piedoso da sua parte aceitar esse dinheiro e me conduzir por entre as montanhas”.A combinação de ouro e sentimentos religiosos mais uma vez relevou-se efetiva.
O hoteleiro confessou saber que Ishana tinha oito moedas em seu bolso e que planejara matar a ambos.Agora, recusando-se a aceitar as moedas por vergonha e embaraço, como pedido de desculpe, ele ofereceu conduzir Sanatana pelas montanhas gratuitamente.“Não”, Sanatana respondeu. “Se você não aceitar essas moedas, outra pessoa me matará por elas. É melhor você me salvar desse perigo”.O acordo tendo sido firmado, o hoteleiro contratou quatro seguranças, que escoltaram por toda a noite Sanatana e Ishana pelas montanhas através de uma trilha na floresta. Sanatana então mandou Ishana voltar para casa com a moeda de ouro que Ishana tentara esconder, e viajou sozinho, vestindo roubas maltrapilhas, carregando uma cuia de esmolas e deixando para trás as preocupações que lhe acompanhavam a cada passo.
O Encontro com SrikantaApós muito caminhar, Sanatana chegou uma noite a uma pequena cidade chamada Hajipura e sentou-se em uma praça florida. Por coincidência, um cavalheiro chamado Srikanta, o esposo da irmã de Sanatana, estava em Hajipura a serviço do governo. O Nawab havia dado a Srikanta 300.000 moedas de ouro para comprar cavalos. Sentado em um assento elevado, fazendo seus negócios, Srikanta viu de relance Sanatana e, mais tarde, naquela noite, foi vê-lo. Os dois velhos amigos conversaram ao longo da noite, e Srikanta ouviu tudo sobre a prisão e fuga de Sanatana. Vendo Sanatana, o antigo primeiro ministro, naquela situação de pobreza, Srikanta ficou aflito e pegou-se pensando em como ajudá-lo.
Dono de uma grande fortuna em ouro, certamente ele poderia ajudar o irmão de sua esposa a começar uma nova vida.“Por que não fica aqui comigo por alguns dias”, Srikanta incitou Sanatana. “Você pode se livrar dessas roupas sujas e se vestir como um cavalheiro novamente”.Em sua viagem para se encontrar com o Senhor Caitanya, Sanatana já havia superado um ambicioso carcerário e um hoteleiro assassino, além de evitar, a todo tempo, os soldados e agentes do Nawab. Agora, ali, um obstáculo ainda mais formidável se apresentava: um amigo querido e parente próximo oferecendo dinheiro. Sanatana agradeceu a Srikanta, mas recusou sua oferta.“Eu não posso continuar mais aqui”, Sanatana disse. “Por favor, ajude-me a cruzar o Ganges para que eu possa partir daqui”.Insistindo que Sanatana levasse ao menos um valioso cobertor de lã, Srikanta o ajudou a atravessar o Ganges e, com afeição sincera, contemplou-o indo embora.Limpo como um VaisnavaSanatana deixara Srikanta em Hajipura poucos dias atrás. Agora, sentado ao lado do Senhor Sri Caitanya Mahaprabhu na casa de Candrashekhara, em Varanasi, ele sentia felicidade ilimitada. Após ouvir sobre as aventuras de Sanatana, o Senhor Caitanya, por sua vez, narrou Seu recente encontro com o irmão de Sanatana em Allahabad. Então, Ele pediu a Sanatana para se banhar e fazer a barba antes de tomarem prasadam, e pediu a Candrashekhara para providenciar roupas novas a Sanatana.
A aparência desmazelada de Sanatana era compreensível considerando as circunstâncias de sua viagem, mas o Senhor Caitanya queria que Seus seguidores se vestissem como cavalheiros. Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Svami Prabhupada, escrevendo no começo dos anos 70, explica: “Por causa de seu cabelo longo, bigode e barba, Sanatana Gosvami parecia um hippie. Como Sri Caitanya Mahaprabhu não gostou das características hippies que Sanatana Gosvami trazia, Ele pediu a Candrashekhara para barbeá-lo e deixá-lo com boa aparência. Se qualquer pessoa com cabelo grande e barba quiser entrar para o movimento da consciência de Krsna e viver conosco, ele deve se limpar de forma similar”.Embora Candrashekhara tenha lhe oferecido trajes novos, Sanatana pediu um dhoti usado no lugar, então rasgou o dhoti ao meio para fazer dois dothis a partir daquele.
Um brahmana maharastriyan, que mais tarde organizaria o encontro do Senhor Caitanya com os sannyasis de Varanasi, convidou Sanatana a fazer todas as suas refeições com ele. Novamente, Sanatana recusou educadamente, preferindo evitar refeições completas, e humildemente mendigar um pouco de comida de porta em porta. A renúncia de Sanatana foi algo extraordinário e não pode ser imitada como uma regra. Ele estava determinado a abandonar toda opulência material. Mesmo o novíssimo cobertor de lã de Srikanta tinha que ir embora. Sanatana foi até a beira do Ganges e persuadiu um surpreso mendigo Bengali a ficar com o cobertor de lã em troca de sua remendada colcha de mendigo.
Observando todas essas mudanças, e vendo, por fim, que até mesmo o valioso cobertor havia sido rejeitado, o Senhor Caitanya tornou-se ilimitadamente feliz e disse a Sanatana Gosvami: “O Senhor Krsna mui misericordiosamente anulou todo o seu apego a coisas materiais. Por que, então, Ele permitiria que você mantivesse consigo aquele valioso cobertor, seu último fragmento de apego material? Após eliminar uma doença, o bom médico não deixa nenhuma remanente dela”.Nos dias que se seguiram, o Senhor Sri Caitanya Mahaprabhu, satisfeito com Sanatana Gosvami, começou a falar com ele sobre a verdadeira identidade, qualidades transcendentais e atividades eternas do Senhor Sri Krsna. Sanatana, livre de seu último vestígio de apego material, estava plenamente preparado a ouvir.

por Mathuresha Dasa


Postado por Rasananda Dasa Swami

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Divorciando-nos da Filha do Tempo - Divorcing the Daughter of Time




Do site Krsna.com

Divorciando-nos da Filha do Tempo - Divorcing the Daughter of Time

por Ananta-Shakti Dasa


A busca do homem pelo elixir da imortalidade continua, e a velhice continua atacando suas esperanças.

Espelho, espelho meu, existe alguém mais bonito do que eu?

"Certamente existem muitas pessoas mais bonitas do que eu", penso quando vejo um rosto feio e carrancudo refletido no espelho de meu banheiro. Ao que os anos vão passando, papadas vão crescendo ao redor dos olhos, varizes descolorem a pele que antes era lisa e bela, e os dentes são uma preocupação constante. Nas prateleiras das farmácias, há tonificantes para pessoas acima dos quarenta, e tônicos para a cura da queda de cabelo - apenas poucos exemplos de tudo o que querem vender.

A velhice, a "filha do tempo", ataca-nos a todos, quer gostemos quer não. Essa senhorita, não muito benquista, é assistida por muitas criadas, como a surdez, a artrite e a senilidade. Seu primeiro olhar sobre nós altera nosso caminhar e afrouxa a nossa pele. Esforçamo-nos em vão tentando impedir seus avanços com cirurgias estéticas e transplantes de órgãos. Senhoras com implante capilar vermelho e máscaras de pó de arroz escondem peritamente os odores do corpo com pesadas essências, e vestem luvas e jóias brilhantes para conduzirem nossos olhos para longe de sua pele seca.

Ah... Tudo isso é vaidade, uma triste máscara para a velhice. Ela é incansável
e nos coagi a nos rendermos a suas sempre-crescentes demandas, até que, como
vítimas desamparadas, somos facilmente entregues nas mãos da morte.

Não há nada mais efetivo do que a velhice para desfazer o mito da juventude
eterna neste mundo. Mesmo o yogi, que graças ao controle respiratório vive por
centenas de anos - ele, também, terá eventualmente que abandonar sua roupagem
mortal.

Ainda assim, apenar dos fatos serem como são, a aspiração pela juventude eterna é intrínseca a todos nós, assim como a doçura está presente em cada grão de açúcar.

A juventude eterna, então, seria um sonho impossível, algo idealizado por desespero? A resposta perfeita é dada pela pessoa perfeita - o Senhor Krsna, Deus em pessoa. No Bhagavad-gita (2.20), o Senhor Krsna se dirige a Arjuna, Seu querido amigo e devoto:

na jayate mriyate va kadacin
nayam bhutva bhavita va na bhuyah
ajo nityah shashvato 'yam purano
na hanyate hanyamane sharire

"Para a alma, não há, em tempo algum, nascimento ou morte. Ela não passou a existir, não passa a existir, nem passará a existir. Ela é não-nascida, eterna, sempre-existente e primordial. Ela não morre quando o corpo morre".

Os termos jovem e velho se referem unicamente ao corpo temporário, e não à alma. Aquele que se livra da consciência corpórea pode conhecer a natureza sempre-jovem da alma.


A chave para se obter tal desejado estado de consciência é entender que, como almas espirituais, somos eternas partes fragmentárias da alma espiritual suprema, o Senhor Krsna, e que nossa relação natural com Ele é de serviço devocional. Quando agimos com essa consciência, podemos desfrutar de felicidade ilimitada em relação com o Senhor Supremo.

O Senhor Krsna, embora a pessoa mais velha, é celebrado como nava-yauvana, eternamente jovem. Ele é Govinda, aquele que dá prazer aos sentidos, e Ele é Adi-purusha, o desfrutador original. Assim, Krsna é a fonte da juventude que ansiamos beber. Se fazemos parte de Seu serviço amoroso, especialmente através do cantar de Seus nomes, ganhamos Sua associação e nos tornamos plenamente
rejuvenescidos.

Tradução por Bhagavan dasa (DvS)

TODAS AS GLÓRIAS AOS DEVOTOS REUNIDOS



Queridos(as) devotos(as).Por favor, aceitem minhas reverênciasHá alguns anos, quando eu trabalhava na BBT (por alguns tempos servi aoprograma Amigos de Krishna – hoje completamente descaracterizado das funçõespara as quais foi criado pela saudosa Adi-Lila) tive o prazer de conhecer oPrabhu Vaikuntha Murti, com quem trabalhei. Ele era pouco mais que ummenino, sempre de bom humor e muito tolerante e amoroso com os devotos. Etodos adoravam rir de suas trapalhadas que, na verdade faziam dele umapessoa adorável e especial. Entretanto, não imaginávamos que se tornaria umincansável homem de Srila Prabhupada, fortemente inspirado pelo oceano deamor por Deus derramado pelo Senhor Chaitanya Mahaprabhu.




Não se pode deixar de elogiar um fenômeno como o Festival da Índia, méritodo nosso querido Vaikhunta Murti, um filho que adotei. Quero registrar aquique, por causa de devotos como Vaikhunta Murti, sinto orgulho de ser HareKrishna. Sinto orgulho de ver crescer um programa como o Festival da Índia.Sinto orgulho de ver os devotos reunidos sedentos de distribuir amor porDeus.




E sinto orgulho de saber que, embora chamados de imorais, ainda há muitos,mas muitos mesmo, devotos que não deixaram o sankirtana morrer. É isso, aí.O sankirtana não morreu, vide o Festival da Índia, vide os sankirtaneirosque, rompendo as limitações atuais da BBT, distribuem *Valores da Liberdade*.Eles merecem todo nosso apreço porque são corajosos e destemidos. E é porcausa dos sankirtaneiros dos *Valores da Liberdade *e de todos os outrosdevotos produtores de literatura védica, que eu acredito que esta fasetriste da BBT vai passar. O coração de Srila Prabhupada vai voltar a pulsar!




Como não sou muito criativa, faço minhas as palavras do compositorGonzaguinha, "Eu acredito é na rapazeada, que segue em frente e segura orojão...". Essa rapazeada é a do Vaikhunta Murti e os sankirtaneirosdestemidos. Por isso, não me canso de repetir: Todas as glórias aos devotosreunidos! Todas as glórias ao Festival da Índia! Todas as glórias aossankirtaneiros dos *Valores da Liberdade*! Todas as glórias ao Movimento deSankirtana do Senhor Chaitanya Mahaprabhu, que faz pulsar o coração de SrilaPrabhupada!Haribol!




Desta serva inútil




Vanavihari dd

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Sannyasa-yoga - Ocupando-nos em Satisfazer Única e Exclusivamente o Senhor Krishna



Sannyasa-yoga




Ocupando-nos em Satisfazer Única e Exclusivamente o Senhor Krishna




Por Bir Krishna Prabhu (DVS), Facilitador do Instituto Bhaktivedanta para Auto-Realização.


29/11/2007.




Ocorreu-me esses dias meditar sobre alguns princípios básicos da consciência de Krishna e encontrei no transcorrer do meu estudo diário do Bhagavad-gita, esta definição de Srila Prabhupada para sannyasa-yoga que, creio eu, resume um dos preceitos fundamentais do cultivo do amor à Pessoa Suprema, Sri Krishna. Assim, Srila Prabhupada explica que sannyasa-yoga significa que a pessoa deve procurar conhecer sua posição constitucional como entidade viva, e agir em conformidade. Vejamos o que quer dizer isso? Srila Prabhupada esclarece mais adiante a sua fala dizendo: “O ser vivo não tem identidade separada independente. Ele é uma energia do Supremo. Quando está acorrentado a energia material, é condicionado, e quando consciente de Krishna, ou está inteirado da energia espiritual, então, está em seu verdadeiro estado de vida”. E prosseguindo em sua definição de sannyasa-yoga, Srila Prabhupada pontua: “Portanto, quando alguém está em conhecimento completo, cessa todo o gozo dos sentidos materiais, ou renuncia a todas as espécies de atividades que produzem o gozo dos sentidos. Isto é praticado pelos yogis que eliminam dos sentidos o apego material. Mas quem é consciente de Krishna não deixa aparecer a oportunidade de ocupar seus sentidos em algo que não seja para o propósito de Krishna. De modo que pode se considerá-lo ao mesmo tempo como um sannyasi (renunciante) e um yogi”. Srila Prabhupada expõe tudo isso como uma preliminar a seu significado para o verso do Bhagavad-gita que se segue e elucida ainda mais o termo sannyasa-yoga: yam sannyasam iti prahur yogam tam viddhi pandaya na hy asannyasta-sankalpo yogi bhavati kascana (Bg. 6.2). “Fica sabendo que aquilo que se chama renuncia é o mesmo que yoga, ou união com o Supremo, ó filho de Pandu, pois só pode tornar-se um yogi quem renuncia ao desejo de gozo dos sentidos”. O conceito de sannyasa-yoga é bastante significativo para aquele que cultiva o amor a Deus, pois, no momento histórico que atravessamos, onde cada vez mais os ditames do consumo e da gratificação irrestrita dos sentidos se alastram por toda parte, fico aqui pensando o quanto é trabalhoso não se deixar arrastar por tal mentalidade avassaladora. Portanto, situarmo-nos em sannysasa-yoga, isto é, conhecer nossa posição constitucional como partes integrantes e servos eternos do Senhor e ocuparmo-nos em satisfazê-lO única e exclusivamente através de todas nossas atividades rotineiras, revela-se de fundamental importância para uma vida bem sucedida. A este respeito, Srila Prabhupada declara: “O verdadeiro objetivo da auto-realização é que a entidade viva abandone toda a satisfação egoísta e esteja preparada para satisfazer o Supremo. O devoto consciente de Krishna não deseja nenhuma espécie de gozo pessoal. Ele sempre se preocupa em dar prazer ao Supremo. Quem não tem nenhuma informação sobre o Supremo fatalmente ocupa-se em buscar sua satisfação, porque ninguém pode permanecer inativo. Todos os propósitos se cumprem perfeitamente através da prática da consciência de Krishna”. Portanto, sannyasa-yoga ou bhakti se cumpre quando ouvimos sobre Krishna em livros tais como o Bhagavad-gita e o Srimad-bhagavatam, cantamos os Seus santos nomes, nos associamos com os Seus devotos, comemos prasada (alimento oferecido ao Senhor), prestamos algum serviço na missão de Srila Prabhupda (como distribuir os seus livros), adoramos as deidades ou visitamos os lugares sagrados onde o Senhor desempenhou alguns de Seus passatempos eternos. Isso é facil, muito simples e agradável de ser praticado.




HARE KRISHNA

O Gita Condensado - The Gita Condensed



Artigo originalmente publicado em Back to Godhead [Volta ao Supremo] – Revista fundada por Sua Divina Graça Srila Prabhupada no ano de 1944




O Gita Condensado The Gita Condensed




por Kalakantha Dasa




Em 1968, Sua Divina Graça A. C. Bhaktivedanta Svami Prabhupada publicou o Bhagavad-gita Como Ele É, que desde então vendeu dezenas de milhões de cópias em várias línguas. Como um devoto de Krsna em tempo integral e sanscritólogo perito, Srila Prabhupada reportou com todas as letras a clara conclusão do Gita, que muitos comentadores obscurecem com suas traduções liberais, e por terem também outros importantes afazeres em suas agendas. Os significados de Srila Prabhupada iluminam para nós os versos falados por Krsna e Arjuna. A versão condensada desse diálogo histórico que será aqui apresentada combina pontos chaves de versos e significados na mesma seqüência em que aparecem no original. Os versos não são citações diretas, e por isso não substituem o Bhagavad-gita Como Ele É em sua versão original. Em vez disso, esta versão provém uma visão geral do tratado filosófico do Gita. Ela está em conformidade com a compreensão apresentada por Srila Prabhupada e pode ser usada com fim introdutório ou para revisão. Parte 1: Ação Arjuna: Krsna, por favor, conduza minha quadriga até o meio de ambos os exércitos. Deixe-me ver quais seguidores do infrator das leis, Duryodhana, vieram até aqui para lutar. Krsna (Guiando a bela quadriga dourada para o meio dos dois gigantescos exércitos que se contemplavam no campo de batalha): Apenas veja, meu primo, todos os grandes guerreiros aqui reunidos. Arjuna (horrorizado): Krsna, eu não posso lutar contra esses parentes queridos, professores e mais velhos. Toda a minha família seria destruída. Prefiro morrer, ou simplesmente viver como um mendigo. Krsna (sorrindo gentilmente): Você esqueceu-se que todos são almas eternas, e não corpos físicos. Você pode matar o corpo, mas não a alma. Arjuna: Krsna, como eu poderia matar esses homens dignos de adoração? Qualquer possível vitória seria maculada pelo derramamento do sangue deles. Eu não sei o que fazer. Por favor, instrua-me. Krsna: Meu amigo, você é um guerreiro. Lute, mas não para seu prazer pessoal. Lute para o prazer do Supremo. Então você estará agindo como a alma eterna que você de fato é. Lute contra todas as variedades de materialismos e seja um yogi. Arjuna: O que fazem os yogis? Como eles agem? Krsna: Os yogis executam seus deveres externos sem apego, porque eles se tornaram senhores de seus sentidos e mente. Eles desfrutam de uma felicidade interior, que está esquecida por muitos. Arjuna: Você está me dizendo para ser feliz interiormente e ao mesmo tempo pedindo que eu lute. Isso é contraditório. Krsna: Você não pode viver sem agir, Arjuna. Ao invés de agir para seu prazer pessoal, faça o que você faz como um sacrifício ao Supremo. Assim, você será feliz. Arjuna: O que é isso que me faz agir egoistamente? Krsna: Luxúria, Arjuna, nascida de desejos inesgotáveis. A luxúria destrói sua habilidade de pensar claramente. Por muitos anos Eu venho ensinando as pessoas a como usar a yoga para que se livrem da luxúria. Eu ensinei ao deus do sol, que ensinou ao seu filho, que começou uma longa corrente de professores. De alguma forma, todavia, o conhecimento original se perdeu, por isso, hoje, Meu caro amigo, Eu irei ensinar este conhecimento para você. Arjuna: Como Você pode ter ensinado algo ao deus do sol, que é muito mais velho do que Você? Krsna: Corpos comuns envelhecem e morrem, Arjuna, mas Meu corpo é espiritual e jamais se deteriora. De tempos em tempos, Eu apareço na sociedade para ajudar as pessoas boas e aniquilar as más. As pessoas boas tornam-se livres da luxúria e direcionam seu amor para Mim. Mas existem vários tipos de pessoas, e Eu reciproco a cada uma individualmente. Aja em harmonia com Meu plano, Arjuna. Quando assim o fizer, tudo o mais – seu trabalho, seu equipamento, seu conhecimento – se tornarão parte de uma bem-aventurada oferenda, um sacrifício para o Supremo. Há vários tipos de sacrifício, Arjuna, por isso você deve encontrar um guru verdadeiramente iluminado para que lhe ajude explicando cada sacrifício. Agir sem apego e agir para o Meu prazer são ambas formas de yoga. Todavia, agindo para Mim, você automaticamente age sem apego. Lembre-se que sou Seu amigo, o proprietário de tudo, que todas as ações se destinam a mim. Então você terá interminável paz interior. Você cumprirá seu dever em perfeita yoga, ou união coMigo. Para isso, você talvez ache útil executar as longas austeridades do processo místico da yoga e da meditação. Arjuna: Fazer a mente sentar-se quieta é como tentar controlar os ventos. A yoga mística parece muito difícil para mim. Krsna: Sim, ela é difícil, mas não impossível. Arjuna: E se eu começar a trilhar o caminho da yoga e falhar? Eu então serei um perdedor, tanto material quanto espiritualmente. Krsna: Como pode haver perda, quando se faz o que deve ser feito? No mínimo, sua próxima vida será melhor. Por outro lado, se você conseguir aprender a Me amar, na hora da morte virá a Mim e deixará para trás este mundo terrível. Parte 2: Devoção Krsna: Arjuna, escute o que tenho a lhe dizer. Você é uma das poucas almas que querem conhecer a verdade. Apenas tente entender estes pontos: Tudo emana de Mim, Arjuna, até mesmo os três tipos de materialismos, que afetam a todos, exceto a Mim, que os criei. Pessoas que sejam materialistas, arrogantes, pseudo-sábios ou tolos, ignoram-Me. As pessoas buscam por Mim quando estão curiosas, desesperadas, tristes ou quando são sábias. Pessoas que pensam que sou apenas uma manifestação do Brahman, o espírito sem forma, jamais Me conhecem pessoalmente. Mas os sábios que servem a Mim, vêm a Mim após a morte. Arjuna: Fale-me, por favor, sobre este espírito sem forma, bem como dos deuses, da alma, do karma, e de Sua presença em meu coração. E, por favor, diga-me como posso conhecê-lo na hora da morte. Krsna: O espírito sem forma, ou Brahman, é minha refulgência espiritual, e as almas espirituais - ou centelhas individuais – são da mesma natureza espiritual. Por natureza, as almas individuais são servos, mas, se elas decidem servir a este temporário mundo material, elas sofrem com a lei do karma. Quanto aos deuses, eu os criei para administrarem este mundo material. E, sim, Eu vivo em seu coração como a Superalma, Arjuna. Para lembrar-se de Mim à hora da morte, pratique lembrar-se de Mim enquanto luta. Em outros momentos, pense em mim como o mais velho e sempre jovem, grande e minúsculo, mas sempre como uma pessoa, radiante como o sol. Os yogis místicos se submetem a longos, profundos e mecânicos processos de meditação para deixarem seus corpos em um momento exato. Isso os ajuda a irem ao Meu encontro no mundo espiritual – o único mundo livre da miséria dos repetidos nascimentos e mortes. Mas lhe é possível chegar lá simplesmente por lembrar-se de Mim. De fato, por servir a Mim, você obtém tudo o que por ventura ganharia através do estudo, da austeridade, da caridade, renúncia ou de qualquer outra atividade religiosa. Diria mais. Essa instrução é o rei da educação, Arjuna. Porque você não Me inveja, você é qualificado para receber este conhecimento. Você deve apenas ouvir com fé. Eu crio o universo e tudo o mais dentro dele, mas Eu continuo um indivíduo, intocado por Minha criação. Tolos me vêm como um homem comum, mas as grandes almas se curvam perante Mim e Me servem com amor. Outros, ao contrário, oferecem grandes sacrifícios aos deuses, porque têm interesse nos prazeres materiais que os deuses podem lhes dar. Mas se alguém me oferece apenas um pouco de água ou uma flor ou algum alimento vegetariano, Eu aceito. Mesmo que você cometa erros, Eu lhe aceitarei; Sou equânime para com todos, mas parcial para com Meus devotos. Seja Meu devoto, e Eu lhe prometo que virá a Mim. Em resumo, apenas saiba que Eu crio tudo. Sempre Me sirva e fale sobre Mim, e você será feliz, pois Eu, situado dentro de seu coração, destruirei com a luz brilhante do conhecimento a escuridão nascida na ignorância. Arjuna: Eu sinto muito prazer em ouvi-lO, Krsna. Parece-me que apenas Você pode conhecer a Si mesmo. Como poderia eu conhecê-lO? Krsna: Quando você se deparar com o melhor de algum grupo – como o tubarão entre os peixes, ou o leão entre as feras, por exemplo – lembre-se de Mim. Lembre-se que qualquer beleza que você contemple neste mundo é apenas uma centelha de Meu verdadeiro esplendor. Arjuna: Krsna, Você gentilmente desfez minha ilusão. Embora eu possa vê-lO agora como Você é, se Você acha que sou capaz de contemplar essa forma, mostre-me Sua forma na qual Você é todo este universo e tudo o que há dentro dele. Krsna: Sim, Arjuna. Eu lhe darei agora olhos divinos para contemplar essa visão divina. Contemple-a! Arjuna (espantado): Krsna, eu vejo os grandes deuses com suas armas e jóias, vejo inumeráveis planetas, tudo é deslumbrante, com todas as cores imagináveis. A refulgente glória de tudo isto está me cegando. Mesmo os deuses se curvam com medo perante Você. Você é mesmo a origem de tudo, Krsna! Você testemunha a tudo com Seus olhos, que são o sol e a lua. (com medo) Agora posso vê-lO destruindo os corpos de todas as entidades vivas com Seus dentes afiados e assustadores. Meus parentes, meus amigos – todos estão indo em direção a seus dentes! Por que está fazendo isso? Krsna: Eu sou o tempo, a morte de tudo. Todos estes guerreiros já estão mortos por meu arranjo, Arjuna. Lute como Meu instrumento e tenha para si a fama eterna! Arjuna (tremendo): Grandioso Senhor, ofereço-Lhe minhas reverências de todas as formas! Toda entidade viva deveria glorificá-lO, mas eu tolamente Lhe tratei como um amigo. Por favor, perdoe-me, assim como um pai perdoa um filho ou uma esposa perdoa o marido. E, por favor, permita-me vê-lo novamente como Krsna. Krsna: Minha forma universal lhe assustou, Arjuna. Fique calmo. Contemple novamente a forma que lhe é querida. Arjuna, mesmo que uma pessoa execute todo tipo de atividade piedosa, ela não pode ver-Me assim, como Krsna. Apenas através do serviço devocional é possível conhecer-Me como sou. Arjuna: Meu Senhor, eu devo contemplá-lO como Krsna ou como o infinito, como o espírito sem forma? Krsna: Alguns meditam em Mim como o espírito sem limites. Este tipo de meditação é problemática, mas eles acabam Me alcançando. Mas se você pensar diretamente em Mim, Eu prontamente lhe resgatarei do oceano de nascimentos e mortes. Se você não é capaz de pensar sempre em Mim, então escute e cante minhas glórias através da prática de bhakti, ou serviço devocional. Se você não pode fazer isso, então trabalhe para Mim, ou ao menos trabalhe em caridade, porque desapego da mentalidade egoísta traz paz – mais do que traz o mero conhecimento. Pessoas que pensam em Mim com devoção desenvolvem grandes qualidades, como gentileza, tolerância, estabilidade emocional e determinação. Elas amam a Mim, e Eu as amo. Parte 3: O Conhecimento Espiritual Arjuna: Krsna, qual a relação do corpo e da alma? Krsna: A alma é como um campo de atividades para a alma. Uma alma comum se interage com o corpo usando os sentidos para experimentar diferentes emoções, como a luxúria e o ódio. Todavia, com a ajuda de um mestre espiritual [guru], uma alma sábia se torna desapegada do corpo material. Tal pessoa é humilde, equilibrada e verdadeiramente livre. Como a Superalma, Eu ofereço instrução para todas as almas, sejam elas sábias ou não. Toda alma pode escolher entre Mim e o materialismo. Aqueles que escolhem o materialismo sofrem repetidos nascimentos e mortes em diferentes espécies de vida. Aqueles que escolhem a Mim, passam a conhecer todas as coisas: espirituais e materiais. Deixe-Me falar-lhe mais sobre a energia material. Ela se manifesta em três variedades, ou modos: bondades, paixão e ignorância. Como o Pai que dá a semente, Eu animo a matéria inerte dando a ela as almas espirituais. Então os modos controlam o resto. O modo da bondade condiciona a alma à felicidade temporária, o da paixão à ambição, e o da ignorância à ilusão. Os três modos da natureza competem entre si pela supremacia, levando você, a alma eterna, de uma condição material para outra. Apenas quando estiver livre do controle desses modos, você poderá provar o sabor da felicidade verdadeira. Arjuna: Como alguém se situa acima dos três modos? E tendo conquistado os três modos, como a pessoa se comporta? Krsna: Para conquistar os modos e ficar livre tanto do bom karma quanto do mau karma, simplesmente ame e sirva a Mim em todas as circunstâncias. Assim, quando os oscilantes modos irem e virem, você apenas os observará, sem apego ou aversão. Nesse estado, você será inabalavelmente calmo e tratará a todos com equanimidade. Arjuna, imagine este mundo como uma grande e ancestral figueira de bengala, cujos galhos crescem para baixo e se transformam em raízes. É impossível dizer onde esta árvore começa ou termina. Se você quiser escapar do enredamento desses galhos, você deve cortar esta árvore. Então, você poderá entrar em Minha morada auto-refulgente, na qual não há necessidade de luz solar ou eletricidade. Quando você chegar à Minha morada, você não terá saudades dessa árvore mortal. Eu quero que todos venham à Minha morada, por isso Eu sento-Me no coração de todos como a Superalma, e ofereço instrução espiritual. Eu também escrevo a literatura Védica para que as pessoas possam conhecer a Mim. Eu sou superior tanto aos materialistas quanto às almas iluminadas. Se você conhecer a Mim, você se tornará sábio, e tudo o que fizer redundará em perfeição. Eu acabei de lhe dizer algo sobre as almas iluminadas: elas são honestas, puras, auto-controladas e desapegadas. Você está entre essas pessoas, Arjuna, mas deixe-Me falar-lhe um pouco sobre os materialistas, os desvirtuados ateístas. Pessoa não-divinas não sabem o que deve ser feito ou o que não deve ser feito. Elas são sujas, desonestas e exageradamente interessadas em sexo. Pensando que Minha criação na verdade pertence a eles, eles constroem armas destrutivas e se sentem poderosos e orgulhosos. Suas ocasionais manifestações de religiosidade e caridade são destituídas de significado, pois são escravos da luxúria. Presos no materialismo pela avareza e irá, eles caem em formas inferior de vida nascimento após nascimento. As escrituras sagradas, que podem salvá-los desse fado, não lhes interessam. Arjuna: O que acontece com aqueles que não se baseiam nas escrituras sagradas [Vedas], mas criam seus próprios processos de adoração? Krsna: Uma religião imaginada é produto dos três modos. No modo da bondade a pessoa adora os deuses; no modo da paixão, políticos e homens poderosos; e na ignorância, fantasmas que podem lhe fazer favores. Os três modos afetam a tudo, mesmo sua comida. Sucos, gordura natural e alimentos integrais são do modo da bondade; alimentos amargos, salgados, ácidos e picantes são do modo da paixão; e alimentos putrefatos, frios ou velhos são da ignorância. Os modos também influenciam o tipo de caridade que você dá e qual tipo de disciplina você estabelece para si mesmo. Mesmo assim, você não deve abandonar os atos de caridade e penitência. Arjuna: O que significa, portanto, ser renunciado? Krsna: Renúncia significa desapego aos frutos do trabalho. Uma pessoa no modo da bondade trabalha por uma questão de dever, renunciando aos resultados. Outra, no modo da paixão, renuncia o trabalho quando ele apresenta algum obstáculo. Outra ainda, no modo da ignorância, trabalha com preguiça e de forma confusa. Vendo outros como almas espirituais e agindo com esse conhecimento, você se situará no modo da bondade. Isso requer um esforço da mente, mas a dificuldade inicial logo é retribuída com a chegada da felicidade verdadeira. Felicidade no modo da paixão parece esplendida no começo, mas termina sendo dolorosa. Felicidade no modo da ignorância, como o uso de drogas, é amarga do começo ao fim. Aqueles que agem no modo da bondade, ou brahmanas, normalmente são juízes, professores ou sacerdotes. Ksatriyas, aqueles que trabalham no modo da paixão, normalmente são administradores, policiais ou soldados. Paixão e ignorância se combinam para produzir os vaisyas, comerciantes e agricultores. Aqueles com predominância do modo da ignorância são chamados sudras, e trabalham como artesãos, operários ou subordinados. Independente do melhor tipo de trabalho que se adéqüe a você, trabalhando para o Supremo, seu trabalho é yoga, e portanto é divino. Assim, é melhor cumprir seu dever, mesmo que imperfeitamente, do que cumprir o dever de outrem com perfeição. Meu querido Arjuna, apresentarei agora um resumo de tudo o que ensinei até então. Servindo a Mim, você aprenderá a agir e a viver com conhecimento e de forma simples, controlando sua mente e seus sentidos e renunciando os frutos de seu trabalho. Muito em breve você desfrutará de paz e obterá internamente uma felicidade sem precedentes, e apreciará todas as entidades vidas. Em tal estado de consciência, você alcançará Minha morada. Pense sempre em Mim e mantenha-se devotado a Mim; Eu livrarei seu caminho de qualquer obstáculo. Se você tornar-se egoísta e pensar que pode trilhar esse caminho sozinho, você se perderá. Você é um guerreiro, Arjuna; devido a sua natureza você terá invariavelmente que lutar por algo. Lute para Mim e você retornará para Minha morada. Acabei de lhe dizer os segredos da perfeição. Pense em tudo o que lhe falei, e faça aquilo que for de seu desejo. Como você é muito, muito querido a Mim, eu concluo aqui: Pense sempre em Mim. Torne-se Meu devoto. Adore-Me e ofereça-Me suas homenagens, e você retornará a Mim. Abandone todas as suas outras ocupações, Arjuna, e se submeta a Mim. Não tema: Eu lhe livrarei dos resultados de qualquer erro do passado. Por favor, repita essas Minhas palavras, mas apenas para pessoas piedosas. Isso garantirá plenamente que você voltará a Mim, pois ninguém pode ser-Me mais querido do que aquele que distribui esta mensagem. E todo aquele que ouve está mensagem com fé, sem nenhum sentimento de inveja, alcança o mundo dos piedosos. Arjuna, você entendeu o que Eu lhe disse? Arjuna (confiante): Infalível Krsna, você destruiu minhas ilusões e dúvidas. Por Sua misericórdia, eu pude lembrar-me quem eu sou. Agora, seguindo suas instruções, estou pronto para lutar.




Tradução por Bhagavan dasa (DVS)

Acordando do Sonho


Originalmente publicado em Back to Godhead [Volta ao Supremo], revista fundadapor Sua Divina Graça Srila Prabhupada no ano de 1944Acordando do SonhoWaking from the Dream


por Jahundvipa Dasa


Nós, almas que habitamos o mundo material, estamos sob a influência da potênciailusória de Krsna, Maya Devi. Assim como uma pessoa esquece sua vida enquantosonha a noite, nós que vivemos no mundo material vivemos em ignorância de nossaidentidade verdadeira, e por isso se diz que estamos dormindo. A "realidade" aqual estamos tão acostumados é apenas um sonho. Nossa existência espiritual,aquela da qual nos esquecemos - nossa existência eterna no reino espiritual - éa realidade.Como podemos distinguir entre realidade e ilusão? Em um sonho, tudo parece maisou menos real. Nós experimentamos os mesmos registros de emoções e impressõesde quando estamos acordados. Sonhos parecem bastante reais. O que, então, fazdo sonho irreal? No Bhagavad-gita, o Senhor Krsna responde dizendo querealidade é aquilo que existe sem cessação, que existe de forma contínua eeterna. Um sonho, portanto, uma vez que tem começo e fim, não pode ser real. Aexistência real é contínua."Aqueles que são videntes da verdade concluíram que não há continuidade para oinexistente [o corpo material] e que não há interrupção para o existente [aalma]. Eles concluíram isto estudando a natureza de ambos". (Bhagavad-gita2.16)Quando o Senhor Krsna se refere ao corpo material como "inexistente", Ele estádizendo que ele é temporário; sua existência não é um fato permanente."Inexistente" não quer dizer que o corpo e o mundo material simplesmente nãoestejam aqui, ou que são "falsos", como afirmam alguns impersonalistas.Em contraste com a existência eterna, nossa atual existência é efêmera einsubstancial - apenas um breve momento, como um sonho. Por mais longa que sejaa vida dentro deste sonho, ela encontrará fim, e, no reino da eternidade, nossaduração de vida de sessenta ou oitenta anos não é mais que um piscar de olhosna vastidão da eternidade, que sequer registra esse tempo. Essa verdade seaplica também ao computador que estou usando agora para escrever. Mesmo que eufosse embora e deixasse o computador aqui sozinho, sem nunca mais tocar nele, otempo iria destruí-lo, e sua identidade, ou forma, deixaria de existir.Para nós, mil ou um milhão de anos pode parecer uma quantia de tempoconsiderável, mas, do ponto de vista, digamos, do Senhor Brahma, o primeiro servivo criado no universo (que vive inimagináveis 311.040 trilhões de anos),certamente o meu computador, a mesa que sustenta meu computador, bem como acasa que abriga a mesa, não podem ser tidas como existentes. Antes que o SenhorBrahma tenha terminado sua higiene matinal, nós teremos nascido e morridomilhares de vezes.A vida do Senhor Brahma dura tanto quanto o universo no qual estamos vivendo.Ou seja, ele vive enquanto o universo existe. Então, em relação à percepção detempo do Senhor Brahma, nossas vidas são tão curtas e insignificantes que, paratodos os fins, elas praticamente não existem. De forma similar, no tempo eternodo reino espiritual, o Senhor Brahma e o universo no qual vivemos são tãoinsignificantes e inexistentes quanto nós somos em relação ao universo. Krsnaexplica isso no Bhagavad-gita (8.17-20):"Pelo cálculo humano, quando se soma um total de mil eras, obtém-se a duraçãode um dia de Brahma. E esta é também a duração de sua noite"."No início do dia de Brahma, todos os seres vivos se manifestam a partir doestado imanifesto, e depois, quando cai a noite, voltam a fundir-se noimanifesto"."Repetidas vezes, quando chega o dia de Brahma, todos os seres vivos passam aexistir, e, com a chegada da noite, são desamparadamente aniquilados"."Entretanto, há uma outra natureza imanifesta, que é eterna e transcendental aesta matéria manifesta e imanifesta. Ela é suprema e jamais é aniquilada.Quando todo este mundo é aniquilado, aquela região permanece inalterada". Outro PlanoKrsna diz existir um reino eterno, transcendental a este mundo temporário emanifesto. Aqui neste plano todas as nossas experiências e atividades sãosimilares as de um sonho porque, com o tempo, são reduzidas a uma lembrançavaga, e, então, perdem-se completamente como se nunca tivessem existido. E, porfim, dormimos na morte. Mas, nos plano espiritual, desfrutamos de umaexperiência contínua de eternidade - tendo acordado para nossa vida real.Por isso nossa presente existência em um corpo que muda da infância para ajuventude e em seguida para a velhice é irreal e semelhante a um sonho. Nossavida neste determinado corpo tem começo e fim, e por isso se trata de um sonho.Nossa vida não é irreal no sentido de que não tenha seu papel e posição. Éclaro que tem. Se eu bater minha cabeça contra a parede, ela vai doer, e essador é bastante real. Portanto, o fator de irrealidade do corpo é que ele acabae que ele nunca poderá cumprir sua promessa de nos dar a felicidade que tantoansiamos.Essa é a verdadeira ilusão do mundo material. Uma pessoa talvez considere odesfrute no mundo material como algo substancial. O que há de errada em sedesfrutar? O que há de errado em se buscar felicidade? A resposta é que oprazer da vida sempre acaba. É isso que há de errado. Tal prazer jamais poderásatisfaze o eu, porque o eu é eterno e, portanto, anseia por prazer eterno."Uma pessoa inteligente não se envolve com as fontes de miséria, que se devemao contato com os sentidos materiais. Ó filho de Kunti, tais prazeres têmcomeço e fim, e, por tanto, o sábio não busca prazer neles". (Bhagavad-gita5.22)Como podemos ver pelas palavras de Krsna acima, não só não podemos encontrarsatisfação nos prazeres temporários, mas os mesmos objetos de prazer nos trazemsofrimento. A miséria sempre acompanha a felicidade material. Sendo a almaeterna por constituição, não podemos encontrar satisfação no temporário. A vidano mundo material nunca irá nos satisfazer, não importa o quanto degratificação sensorial consigamos. É exatamente como um sonho. Podemosexperimentar alguma felicidade sensorial enquanto nos envolvemos com atividadesprazerosas, mas sempre temos que acordar para a realidade cheia de miséria elamentação. De um sonho, acordamos para a nossa vida diária; e de nossa vida,acordamos para doenças, velhice, morte e outras calamidades. Lembranças que se Apagam Na vida, as atividades a que nos dedicamos se tornam memórias, e essas memóriasse tornam sonhos. Todas as experiências que tivemos, boas e ruins, são apenasmemórias agora - fracas e sem substância - como um sonho que tivemos. Nós asesquecemos como se, de fato, nunca tivessem existido. Em essência, não hádiferença entre um sonho que tivemos e as experiências que de fato aconteceramconosco. Quando um homem velho senta-se na praça e fica contemplando as jovensque passam apressadas, não lhe é muito agradável lembrar de todo o prazer quesentiu quando tinha a companhia de mulheres. Algumas pessoas, às vezes, dizem que viveram plenamente, que têm boaslembranças para se apoiarem. Mas, de fato, as memórias do passado não sãosuficientes para nos satisfazer. As lembranças de momentos de desfrute quetivemos no passado ou a esperança de tê-los no futuro não podem satisfazer aprofunda carência que existe em nossos corações. Nossos sentidos e nossa mentepodem encontrar algum alívio em relacionamentos, ou mesmo em posses, mas porpouco tempo. Mesmo que amemos fielmente a mesma pessoa por toda a nossa vida eaquela pessoa reciproque nosso amor, a felicidade não será eterna -obrigatoriamente haverá separação, e a miséria tomara espaço novamente. Não hámaneira de evitar isto: a vida material é um poço de lamentações.Krsna diz: "Partindo do planeta mais elevando do mundo material e descendo aomais baixo, todos são lugares de miséria, onde ocorrem repetidos nascimentos emortes. Mas quem alcança a Minha morada, ó filho de Kunti, jamais volta anascer". (Bhagavad-gita 8.16)Agora, se não houvesse alternativa para a vida material, a existência seriaalgo realmente sombrio. Muitas pessoas que não têm conhecimento da alternativapositiva da consciência de Krsna acham a verdade acerca do mundo material algomuito deprimente. Mas, da mesma forma que um sonho denota algo real, nossa vidamaterial temporária é nada um reflexo distorcido de nossa vida real e eterna.O véu de nossa percepção material cobre, atualmente, nossa consciência e nossamentalidade. É isso que faz com que acreditemos ser possível encontrarfelicidade no mundo material através do corpo temporário. A alma deixa seu meiooriginal e eterno e entra no mundo temporário da matéria. Srila Prabhupadacompara tal posição como a de um peixe fora d'água. Fora de seu meio natural, opeixe não pode desfrutar, e logo morre. Não importa quanto prazer sejaoferecido ao peixe: ele não poderá desfrutar estando fora de seu meio natural.De forma similar, temos que morrer repetidas vezes, debatendo-nos por poucosmomentos inconseqüentes na praia do tempo. Esse ciclo só encontra fim quandoacordamos para nossa existência real.Nós viemos ao mundo material porque desejamos imitar a posição de Krsna como osupremo desfrutador e controlador. Como jamais poderemos usurpar a posição deKrsna, Ele bondosamente nos coloca para dormir na vida material para quepossamos sonhar que somos os desfrutadores e controladores.O processo espiritual genuíno da consciência de Krsna ajuda a alma que dorme nocolo de Maya a acordar para a realidade - a realidade da vida espiritual. Emrealidade, somos eternamente plenos de conhecimento e bem-aventurança. Mas,dormindo, não podemos realizar isso, senão que tentamos encontrar felicidade emnossos sonhos - sejam eles a busca pelo amor, a família, o sucesso, a riquezaou qualquer outra solução dentre diversas soluções temporárias. Procuramos afelicidade fora de nós, sendo que ela está o tempo todo dentro de nós. Somocomo um cervo que ignora o riacho próximo e corre para o deserto em busca deágua.Os sábios nos informam que a solução para essa lastimável condição, a maneirade se livrar dessa ignorância existencial, é o cantar do mantra Hare Krsna. Porisso, os membros do movimento Hare Krsna anseiam em ver todos cantando HareKrsna, Hare Krsna, Krsna Krsna, Hare Hare / Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama,Hare Hare. O Kali-santarana Upanisad diz sobre o cantar do maha-mantra: "Essa éa única maneira de se combater os males de Kali-yuga. Mesmo que se busque portodos os Vedas, não se encontrará uma forma de religião mais sublime".


Tradução por Bhagavan dasa (DvS)

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

A ciência do Ayurveda


A ciência do Ayurveda

Krishna Kishora Dasa(*)




A ciência do Ayurveda, a medicina védica milenar, é o mais antigo sistema de medicina codificada que a humanidade conhece. Há e houve inúmeros intentos para estabelecer uma data de origem deste conhecimento, assim como esforços para encontrar um precursor.

Como toda ciência védica, a sua origem se perde no tempo em que a história se confunde com o mito. Na verdade, a necessidade de estabelecer um marco histórico, cronológico, é só uma necessidade acadêmica, pois para os estudiosos praticantes, essa referência é irrelevante e inexata.

O Ayurveda é aceito como uma medicina espiritual, um caminho iniciático, uma parte de acesso a alma, através da compreensão das bioenergias do corpo, e, como tal, uma revelação divina. Revelação não tem data, só descobre um véu ilusório para mostrar o que sempre existiu.

O Ayurveda vê o corpo, assim como todo o Universo, como uma interação de três bioenergias. A que gera o movimento e faz que tudo funcione, se transporte, se una, se separe. A que transforma, que metaboliza, digere, destrói e mantém a temperatura. E a que armazena o metabolizado e digerido, para formar massa, estrutura. A primeira dessas bioenergias é chamada vata; a segunda, pitta; e a terceira, kapha.

No ser humano, encontramos a primeira no oxigênio que circula através do corpo, nos impulsos nervosos, nos neurotransmissores que levam informação sensação e consciência. A segunda, no processo digestivo encabeçado pela bile e as poderosas enzimas, suco pancreático e sistema endócrino, e também no processo racional de formação de idéias. A terceira, na ação anabólica da formação de tecidos e líquidos do corpo, encarregada da solidificação das estruturas, das formas, das paredes dos órgãos e das coberturas do corpo.

Estas bioenergias interagem constantemente possibilitando a ação de cada uma. Quando esta interação se realiza harmoniosamente, isto é chamado de equilíbrio, requisito fundamental para a saúde. Já que é ação energética, devemos observar que o movimento se efetua no plano físico e psíquico também. A informação logo é processada, digerida e forma estrutura de pensamento, opiniões e memória.

O conceito de saúde no Ayurveda se poderia resumir assim: boa digestão; boas eliminações; sentidos aguçados; mente pacífica, feliz e satisfeita. A boa digestão é ponto de partida para a saúde. Sem ela, não só não há possibilidade de um bom aproveitamento do que se come, como também não há uma boa discriminação – separação do que deve ficar no corpo por ser útil e o que deve ser expulso por ser nocivo.

A digestão se realiza primeiramente no estômago, duodeno e intestino delgado, porém, depois, ela se realiza no organismo inteiro. Tal qual a luta do bem contra o mal, o fogo sagrado da digestão, agni, combate o mal, as toxinas. Dependendo da eficiência da digestão, o sagrado ar vital ou prana, através de seus diferentes movimentos de ar, vata, se encarrega de expulsar o indesejado, na forma de excreções – fezes, urina, suor, menstruação. Um corpo sadio elimina fácil e diariamente ou regularmente. No caso da menstruação, de forma indolor e sem alterar o ânimo.

Quando a atividade física se realiza perfeitamente, a mente também fica aliviada. Pois, um corpo, com boa digestão, também terá uma boa digestão mental. Ou seja, saberá separar o que serve, o que ensina, o que acrescenta, o que dá felicidade, o que nos confunde, nos degrada e nos aflige.

Boa digestão mental também significa eliminar mágoas, rancores, traumas, apegos. Estando assim a mente limpa, ela também fica ágil, dinâmica, e os sentidos ficam claros, agudos, atuantes, ágeis. A mente é o espaço final a ser atingido. Mais do que isto, ela é o objetivo principal, pois, sem que ela esteja em paz, não há possibilidade alguma de felicidade e bem-estar.

As doenças em grande parte se originam nas emoções, por isso são chamadas dehomanasa (deho = corpo; manasa = mente), que é o mesmo que psicossomáticas (psiquis = mente ou alma: soma = corpo). A mente é tão enigmática e enganosa como um labirinto e nos faz pensar que está tudo sobre controle. Poderíamos classificar as doenças em três categorias: adiatmikas – originadas pelo corpo e pela mente; adibhauticas – originadas por outras entidades; adidaiviksa – originadas pela ação dos deuses.

Doenças adiatmikas podem se considerar as próprias e as herdadas. As herdadas são aquelas que chegam pela história genética, doenças familiares quase que já instaladas nos genes da família. Em linhas gerais, os homens herdam da família da mãe, e as mulheres, da família do pai. Porém, há exceções, tais como a depressão, que vem em linha reta: mãe depressiva, filha depressiva; e o mesmo no caso de pai e filho. Também são hereditárias as adquiridas da mãe durante a gravidez. O tipo de alimentação, ou de circunstâncias especiais, durante esse período, são fatores que resultam na constituição do filho e sua conseqüente saúde e fortaleza.

As próprias podem ser de duas naturezas – as que se adquirem por maus hábitos alimentares ou vícios e as que se provocam por desequilíbrios emocionais. Estas últimas são as mais freqüentes e são difíceis de tratar só com remédios. Os remédios aliviam, mas, como há uma questão de fundo, se não se praticam terapias desintoxicantes e rejuvenescedora, somadas a mudanças de dieta e hábitos, além de práticas espirituais, dificilmente se obterá um resultado completo.

Doenças adibhaitikas são as que se adquirem por influência de outras entidades, como, por exemplo, contágios com vírus, bactérias, picadas, mordidas, agressões físicas e coisas similares, e as provocadas por entidades em corpo sutil – fantasmas. Estes últimos se hospedam como parasitas espirituais e causam doenças em órgãos determinados, ou causam dores, ou afetam o sistema nervoso, já que eles se alojam no ar vital, e este é o alimento dos nervos.

Quaisquer que sejam as manifestações da doença, elas são reconhecidas como influências de obsessores quando são difíceis de diagnosticar. Não se detectam nos exames técnicos, nem de análises. Nesses casos, não se obtêm resultados satisfatórios usando medicina química, o tratamento tem que ser natural. O uso de mantras e talismãs protetores ajudam.

As doenças adidaivikas são causadas pelos controladores celestiais – os devas. Elas ocorrem, por um lado, sob influência do clima, da temperatura ambiente, das bruscas mudanças destes, das catástrofes naturais etc. e, por outro, mais profundo e misterioso, em decorrência do karma – a lei de causa e efeito, que move o Universo. É muito complexo explicar como funciona o karma, mas podemos entender que, quando cometemos alguma falta que afete a alguém, o nível de sofrimento que causamos é proporcional ao que recebemos. A doença é uma ansiedade e um sofrimento, por isso é que a padecemos.

Quando nascemos, já se mostram em nosso corpo saúde e fraqueza em certos órgãos, identificadas pelo biótipo físico ao qual a pessoa pertence e que lhe foi designado. Também podemos identificá-las astrologicamente. No horóscopo de uma pessoa, aparecem os planetas que têm muita ou boa força e aqueles que estão debilitados. Estes últimos são os que indicam onde está a fraqueza orgânica e que tecidos não são fortes e bem formados.

Cada uma das doze casas zodiacais, que formam o horóscopo, correspondem a alguma região do corpo. Então, se alguma delas esta afetada pela presença de algum planeta maléfico, ou, se o planeta regente dessa casa se encontra desfavorável, isto indica a possibilidade de doença e de que tipo. As doenças deste tipo se apresentam geralmente devido aos trânsitos planetários, quando algum planeta se manifesta proeminente perante os outros.

A abordagem que a medicina Ayurveda faz é holística, utilizando todos os métodos e recursos que a natureza oferece. Dieta é fundamental para começar o processo. Há uma máxima Ayurveda que diz: “sem uma boa alimentação, a medicina não funciona, e, com uma boa alimentação, a medicina não faz falta”.

E uma boa alimentação significa uma dieta apropriada ao biótipo da pessoa. Porque saudável não é só o alimento que é natural, e sim o alimento que é apropriado para a pessoa em questão. Pois o que é comida para um pode ser veneno para outro.

Além da correta dieta, uma pessoa deve observar bons hábitos, em todo sentido – bons hábitos de higiene, boa conduta social e principalmente hábitos espirituais, meditação, oração, Yoga e atividades devocionais para incrementar a fé. Charaka, o pai do Ayurveda moderno, sentenciou no seu famoso tratado, o Charaka Samhita, que “o princípio da doença é falta de fé em Deus”.

(*) Krishna Kishora Dasa é terapeuta de Ayurveda, pesquisador da cultura védica, e discípulo de A. C. Bhaktiedanta Swami