Dedicado a Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedenta Swami Prabhupada e Gurudeva Srila Dhanvantari Swami

Dedicado a Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedenta Swami Prabhupada e Gurudeva Srila Dhanvantari Swami
Jagad Guru Srila Prabhupada

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Srila Prabhupada como Acarya



http://www.romapadaswami.com/
INDAGAÇÕES ACERCA DO ABSOLUTO
Inquiries into the Absolute
Uma coleção de respostas intrigantes e motivadoras para o intelecto apresentadas por Sua Santidade Romapada Svami às questões levantadas por devotos acerca de variados tópicos espirituais.
7. Devotos do Senhor, Suas Qualidades e Atividades
7.5. Srila Prabhupada
7.5.1) Srila Prabhupada como Acarya
Por que Srila Prabhupada recebeu o título de Acarya? Um dos significados de Acarya não é aquele que iniciou algo novo? Nós chamamos Madhvacarya ou Shankaracarya de acarya, e não svami, porque eles começaram algo novo, não é assim? Mas Srila Prabhupada não começou algo novo, ele apenas trouxe esse algo para o mundo ocidental, então qual é a compreensão para ele ter recebido o título de Acarya? Ficaria realmente muito grato se o senhor me respondesse essa questão. (Digest 224.1)
“Acarya” significa literalmente “aquele que ensina pelo exemplo” (Acar = comportamento ou conduta pessoal). Aquele que estabelece o padrão mais elevado de comportamento para toda a humanidade través de seu exemplo pessoal é chamado de Acarya.
Assim, qualquer professor exemplar do conhecimento Védico poderia ser corretamente chamado de Acarya. Dronacarya, por exemplo, foi Acarya para o Dhanur-veda (a ciência militar Védica).



Mas o título “Acarya” é especialmente conferido aos grandes mestres espirituais santos que reviveram ou estabeleceram fortemente os princípios e ensinamentos de uma das sucessões discipulares autorizadas para o benefício espiritual do mundo para muita gerações vindouras.



Portanto, um Acarya não tem de ser alguém que começou algo novo. Muito pelo contrário, o indicativo de um Acarya ou mestre espiritual fidedigno é que ele não inventa algo novo ou independente dos ensinamentos Védicos – que são eternos – mas antes apenas reapresenta os ensinamentos eternos de Srila Vyasadeva e de acaryas predecessores no parampara de forma adequada a um tempo, lugar e circunstâncias particulares.



Afirma-se no Padma Purana que existem quatro paramparas (sucessões discipulares) fidedignos, todos começando com o próprio Senhor Krsna, a saber, Brahma, Sri, Rudra e Kumara sampradayas. Somente aqueles que fielmente representem um desses quatro paramparas podem ser aceitos como mestres espirituais ou acaryas.
Os grandes acaryas Vaisnavas, como Madhvacarya ou Ramanujacarya, não apresentaram algo novo, algo que não estivesse ali antes deles. Ramanujacarya pertencia a Sri Sampradaya, e Madhvacarya aceitou iniciação na Brahma-sampradaya dos mestres espirituais nessa linha antes dele. Mas, durante o tempo deles, por causa da disseminação do Budismo seguida da disseminação do impersonalismo-mayavada, a cultura Vaisnava não estava muito difundida. Ramanujacarya e Madhvacarya derrotaram firmemente as doutrinas mayavadas e sistematicamente apresentaram os ensinamentos de seus acaryas predecessores. Eles reviveram o Vaisnavismo por todo o subcontinente indiano e solidamente estabeleceram uma instituição de Vaisnavas que praticavam esses ensinamentos. Dessa maneira, eles são considerados os acaryas mais proeminentes de suas respectivas sampradayas, e toda a sampradaya leva o nome deles. Seus escritos e padrões por eles estabelecidos serão a luz que guiará todos os seguidores e mestres espirituais vindo na linha deles no futuro.



Similarmente, Srila Prabhupada apresentou de maneira sistemática os ensinamentos de Caitanya Mahaprabhu escrevendo muitos livros fidedignos e estabelecendo uma instituição mundial de Vaisnavas, derrotando muitas escolas opositoras ateístas e impersonalistas, as categorias de pensamento hoje prevalentes. Embora ele tenha apenas apresentado os ensinamentos dos acaryas anteriores, sua contribuição é ímpar ao tornar esses princípios e a prática deles ainda mais relevantes e aplicáveis, e ao abordar a mentalidade e as necessidades da sociedade atual. Porque seus ensinamentos e diretrizes guiarão todos os mestres espirituais futuros nesta linha discipular, ele é conhecido como o Fundador-Acarya da ISKCON.



Tradução por Bhagavan dasa (DvS)

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Desenvolvendo uma Relação Profunda com Um ou Dois Devotos

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INDAGAÇÕES ACERCA DO ABSOLUTO

Inquiries into the Absolute

Uma coleção de respostas intrigantes e motivadoras para o intelecto apresentadas por Sua Santidade Romapada Svami às questões levantadas por devotos acerca de variados tópicos espirituais.

6. Relações com Devotos e Não-Devotos

6.1. ‘Lidando com Devotos’ e ‘Associação Devocional’

6.1.2) Os Devotos Realmente Esperam que Eu Esteja Feliz, Mesmo Quando em uma Situação Miserável? & Desenvolvendo uma Relação Profunda com Um ou Dois Devotos

Eu estive (e continuo) sob um constante ataque de misérias muito intensas nos últimos seis anos. Considero que sou muito afortunado pela associação que tenho com os devotos há quatro anos, e sou muito grato por ela. Algumas vezes, entretanto, estou tão fatigado e exausto física e mentalmente que quero apenas ficar sozinho, recluso por alguns meses. Parte disse se dá porque sou forçado a agir como se eu estivesse feliz e empolgado (entre os devotos ou entre os não-devotos) mesmo quando imensas agonia, angústia e ansiedade estão constantemente bombardeando minha mente.

Só para exemplificar, se vou a um programa doméstico ou no templo, tenho de manter minha aparência externa pacífica e alegre, ou então posso observar que meu humor e falta de entusiasmo afetam outros.. Observo que é bastante natural para pessoas em vidas felizes e equilibradas serem joviais (dentro de sua zona de conforto), mas, por outro lado, tal aparência externa é de dolorosa adaptação para pessoas vivendo situações extremas. Também percebo que há uma expectativa de que as pessoas em situações extremas tornem-se indiferentes a suas misérias e tentem ser felizes, isto é, “você não é este corpo”, “Krsna é o controlador”, etc. Embora eu receba de bom grado essa expectativa, ela, contudo, não parece me ajudar muito, porque ainda não alcancei esse nível de estabilidade espiritual. Eu aprendo devagar.

Minha pergunta: Há alguma alternativa melhor para lidar com essa situação? Por favor, aconselhe-me. Sou muito grato a você por ter dedicado um pouco de seu tempo e atenção visitando minha esposa quando ela esteve hospitalizada há dois anos apesar de sua agenda imensa. Muito obrigado, Maharaja. (Digest 229.1)

Muito obrigado por abrir seu coração, bem como por sua perseverança e sua devoção em se refugiar em Krsna e na sanga de Seus devotos apesar de tantos reveses.

Posso provar grande empatia para com suas dificuldade, e admito que tudo isto não é fácil. Posso assegurá-lo, no entanto, que, em termos do processo da Consciência de Krsna, não há expectativa no sentido de que um devoto deva suprimir seus sentimentos ou induzir artificialmente uma aparência de paz ou tentar agir acima de seu nível de realização.. É bastante possível que alguns devotos iniciantes tenham essa concepção ou expectativa de vida espiritual, mas o que estamos de fato buscando é desenvolvimento genuíno em realização espiritual, no qual somos naturalmente imperturbáveis e felizes em todas as situações.

Krsna é uma pessoa muito amável, e o amigo mais querido. Agindo dentro de nossa relação com Ele, quer estejamos em meio a uma situação que talvez seja fonte de felicidade ou em meio a situações aflitivas, nós gradualmente obtemos profunda realização de Sua proteção sob todas as circunstâncias. Com essa base, a habilidade de um devoto em lidar com todos os tipos de situações deste mundo torna-se mais forte e madura – não por força bruta, mas antes por avanço espiritual natural.

Vida devocional não é em nada impessoal ou repreensiva, ao contrário, a vida devocional nos permite abrir completamente nosso coração e expressar nossos sentimentos mais íntimos dentro da estrutura de nosso relacionamento amoroso com Krsna e com Seus devotos. Nas primeiras páginas do Bhagavad-gita, vemos como Arjuna abre seu coração perante Krsna, expressando abertamente seu sofrimento e sua confusão intensos. O Senhor não manda que Arjuna reprima tais sentimentos por meio de algum ajuste mental artificial ou exercício intelectual, senão que Ele compartilha com Arjuna conhecimento transcendental para ajudá-lo a transcender verdadeiramente seus sentimentos negativos tornando-se estável em sua relação com o Senhor e executando seu serviço.

Há muitos de tais exemplos de como devotos superam ou até mesmo transcendem grandes dificuldades, perplexidades e sofrimentos por meio da abertura de seus corações e por conversarem confidencialmente com devotos qualificados – por exemplo, Maharaja Yudhisthira abrindo seu coração para Bhisma, e posteriormente para Narada, e sendo por eles tranqüilizado. (vide SB 1.8.46-52, 1.9.1-21 e 1.13.31-50).

Tais diálogos, como o diálogo entre Arjuna e Krsna, podem ser mais bem apreciados quando entendemos que não são apenas discursos filosóficos, mas se o compreendermos no contexto da relação entre os dialogadores; no caso de Arjuna e Krsna, a relação amorosa de intensa amizade entre eles, e Arjuna posteriormente aceitando Krsna como seu mestre espiritual e depositando toda sua confiança em Suas diretrizes. Por causa dessa forte estrutura do relacionamento amoroso entre os dois, as palavras de Krsna não são um mero filosofar seco, nem são dolorosas e impositivas – muito embora talvez soem repressoras ou severas em alguns momentos –, mas elas, de fato, capacitam o devoto a superar seus obstáculos e a alcançar o estágio transcendental.

Da mesma forma, o que pode lhe ajudar e lhe capacitar com grande força para superar tudo o que você está passando é buscar uma oportunidade para regularmente abrir seu coração em uma relação amorosa mais próxima. Você expressa grande apreciação e gratidão pela associação com os devotos; eu gostaria de lhe encorajar a se refugiar ainda mais nessa associação – pois a misericórdia de Krsna se manifesta na sanga de Seus devotos.

Quando digo associação, não me refiro apenas às reuniões gerais e maiores – que também são ótimas e têm seu papel –, mas lhe aconselho a buscar a possibilidade de uma relação pessoal um-a-um com um ou dois devotos com os quais você se afine e sinta que possam entender sua situação. Essa relação um-a-um permite uma relação mais profunda, e um intercâmbio coração-coração – isto se revelará muito mais vantajoso do que recorrer à solidão, que é destituída de qualquer fator verdadeiramente edificante.

Em uma relação íntima, você pode se sentir livre para se abrir e compartilhar seus sentimentos mais profundos sem se sentir constrangido por formalidades, e ainda se sentir compreendido, e não julgado. Em uma relação de amizade madura e equilibrada, você não iria apenas revelar suas dificuldades e dores e frustrações e buscar ajuda, mas também, a intervalos, compartilharia expressões confidenciais positivas, como apreciação e gratidão sinceras pelo apoio e consolo que você vem obtendo dos devotos, como o processo da Consciência de Krsna está lhe ajudando a lidar com suas dificuldades extremas, reconhecendo os recursos espirituais e boas-fortunas que foram concedidos a você mesmo em meio a suas dificuldades, algumas das realizações que você obteve por lidar com tais provações de uma perspectiva consciente de Deus e assim por diante. Tais abertura de coração e compartilhamento, embora pareçam pateticamente simples, podem se revelar uma fonte de força, entusiasmo, alívio, esperança e confiança.

Uma poderosa maneira de nutrir e facilitar essa relação na qual se dão tais trocas abertas é discutir tópicos escriturais relevantes – lendo juntos ou estudante e discutindo o Bhagavad-Gita, etc. –, sendo que tais discussões não precisam necessariamente se focar sempre em sua situação particular, mas, apenas algumas vezes, se relacionar com sua vida pessoal; assim você também pode ouvir sobre as realizações e experiências de outros. Ao mesmo tempo em que você abre seu coração para se expressar para os devotos, você encontrará forças para abri-lo e receber a motivação dos encorajamento, sugestões e conselhos que lhe serão dados.

Quando você sentir esse apoio, mesmo que em uma ou duas relações espiritualmente-centradas, e quando você realizar profundamente como Krsna está de fato lhe protegendo em meio a todas as calamidades, então você progressivamente achará mais fácil se associar com devotos em reuniões maiores, onde se sentirá confortável, em paz com sua situação e grato, ou pelo menos tolerante, mesmo que não esteja borbulhando de entusiasmo e júbilo.

No curso das interações com os devotos em geral, você deve tentar cultivar uma atitude de genuíno humor serviçal, tanto quanto você possa, sabendo bem que o serviço aos Vaisnavas é imensamente benéfico e prazeroso a Krsna. Havendo esse humor de serviço, você se sentirá motivado e qualificado a ir genuinamente além da interação pessoal imediata, não ficando na interação baseada apenas em obrigações sociais artificiais.

Você não precisa ser particularmente jovial, nem precisa revelar todos os seus problemas e sentimentos a todos, mas você pode manter uma agradável e genuína disposição de serviço para com todos e assim receber deles seus desejos de sucesso. Se algum devoto porventura indagá-lo sobre seu bem-estar e eventualmente lhe oferecer algum conselho filosófico, você poderia aceitar com gratidão tal conselho como um gesto de amor e seguir com seu cultivo devocional interior ao invés de se sentir pressionado por essas máximas. Colocar-se nessa disposição, mesmo em meio a adversidades, pode ser algo a se revelar como uma fonte de força e inspiração também para outros.

Resumindo, eu gostaria de encorajá-lo a buscar oportunidades para se relacionar amorosa e confidencialmente com alguns devotos qualificados e de confiança. Ao invés de recorrer à reclusão, através da relação regular de confiança com esses devotos, você encontrará a força devocional necessária para confrontar as situações adversas. Também em virtude do suporte que você encontrará assim, você se sentirá suficientemente edificado para interagir com a comunidade de devotos maior por meio do desenvolvimento do genuíno humor de serviço. Espero que estas sugestões sejam de valia para você.

Você tem meus melhores votos.

Hare Krsna!


Tradução por Bhagavan dasa (DvS)

terça-feira, 24 de junho de 2008

O Siva Purana e A Posição de Krsna






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Inquiries into the Absolute

Uma coleção de respostas intrigantes e motivadoras para o intelecto apresentadas por Sua Santidade Romapada Svami às questões levantadas por devotos acerca de variados tópicos espirituais.

4. Semideuses

4.4. O Senhor Krsna e os Semideuses

4.4.2) A Posição do Senhor Krsna e do Senhor Siva no Siva Purana

Pergunta: Que posição o Senhor Krsna tem de acordo com o Siva Purana? Que tipo de relação Krsna e Siva mantêm (de acordo com o Siva purana)? Deparei-me com essa questão enquanto pregava e, embora eu tenha podido dar referências de acordo com o Brahma Samhita, o Srimad-Bhagavatam, o Gita Mahatmya e também tenha explicado que os diferentes puranas se destinam a pessoas em diferentes modos, não fui capaz de dar uma resposta direta quanto à posição de Krsna no Siva Purana. Eu apreciaria muito se o senhor pudesse falar sobre isso. (Digest 89.2)

Resposta: Antes de responder diretamente sua questão, permita-me oferecer um prelúdio, um contexto para compreendermos como diferentes puranas se relacionam. Dado que diferentes puranas, como você apontou, endereçam as necessidades e temperamentos daqueles situados em diferentes modos da natureza, é natural que eles identifiquem diferentes personalidades como o maior objeto de adoração. Podemos mesmo esperar que cada texto escritural se foque em exaltar as glórias de seu assunto.

Todavia, mesmo enquanto glorificam exclusivamente uma Deidade em particular, descrita como “superior a todas as outras”, dentro dos próprios puranas encontram-se indicações apontando para um estágio superior de realização da Verdade Absoluta para aqueles que realmente buscam por ela. Às vezes os puranas nos encaminham para um outro purana como superlativo (a saber, o Bhagavata-Purana) e outras vezes o fazem de forma mais sutil, através do encaminhamento do leitor para a busca por uma alma auto-realizado que possa lhe ensinar a verdade.

Elaborando sobre essa questão escritural, nosso acaryas, particularmente Jiva Gosvami em seu Tattva Sandarbha, apresenta muitas evidências demonstrando como vários puranas distintamente apontam para o Srimad-Bhagavatam como sendo a autoridade mais importante e última dentre todos eles (os puranas), sendo o “purana imaculado” e o fruto maduro da árvore Védica. Assim, no caso de quaisquer aparentes contradições ou aparentes conclusões conflitantes entre os puranas (o que é inevitável em razão das diferenças entre seus tópicos e interlocutores), o veredicto do Bhagavatam é para ser tido como superior. Isto é indicado dentro do próprio Bhagavatam, mas também é corroborado por outros puranas.

Assim, serão encontradas no Siva Purana ou em outros Puranas narrações descrevendo o senhor Siva como o controlador supremo do universo material e assim por diante. Tais glórias são de fato verdadeiras, e não exageros, mas elas devem ser entendidas de forma contextualizada e sob a luz da conclusão do Srimad-Bhagavatam. O senhor Siva, portanto, executa o serviço de ser o Controlador Supremo do universo material a serviço de Krsna.

A posição do senhor Siva e sua relação com Krsna são particularmente únicas entre os outros devatas, sendo Siva, em certo sentido, não-diferente de Visnu. Dessa maneira, mesmo dentro da literatura Vaisnava, para não dizer no Siva-Purana, há narrações onde Visnu adora o Senhor Siva (o Senhor Rama, por exemplo), onde glorifica Siva como superior a Si mesmo (como no passatempo da batedura do oceano de leite) e obtém bênçãos dele (Krsna buscando por bênçãos para ter um bom filho, por exemplo). Para aqueles sem nenhuma compreensão da conclusão última das escrituras, isto pode ser confuso, mas esses exemplos ilustram o afeto especial e o relacionamento íntimo que Sri Krsna tem com o Senhor Siva, no qual Ele oferece a Seu mais querido devoto uma posição superior a Sua própria.

4.4.3) Por Que Se Mencionam Tantos Deuses nos Vedas e Por Que os Hindus Tendem a Aceitar o Senhor Krsna como o Supremo

Resposta: Porque há claramente muitos deuses Hindus especificados nos Vedas, eu gostaria de saber por que há tantos Hindus inclinados a aceitarem Sri Krsna como o Senhor Supremo. Por que há tantos pontos de vista em relação aos Vedas? (Digest 6.1)

Pergunta: Os Vedas são muito vastos; embora todas as escrituras Védicas unanimemente concordem em suas conclusões, elas também descrevem instruções pelas quais uma pessoa da mais baixa plataforma de consciência possa gradualmente se elevar ao estágio mais elevado. Sendo os Vedas muito vastos e variados, suas verdadeiras conclusões só podem ser compreendidas com sucessão discipular, com devotos puros. Brahmanas e filósofos (sábios) destinavam-se ao propósito de aprenderem essas conclusões e as disseminarem para as massas de acordo com o nível de avanço espiritual de cada um, guiando-os gradual e progressivamente por esses vários estágios.

Todavia, no curso do tempo, a corrente discipular se partiu, os brahmanas se tornaram desqualificados, e o conhecimento Védico tornou-se questão para especulação e interpretação. Assim, as múltiplas concepções acerca de qual é a conclusão Védica e o que é religião se fizeram presentes.

O Bhagavad-gita é praticamente universalmente aceito como uma fonte fidedigna da sabedoria Védica, e ele claramente estabelece que Krsna é o Senhor Supremo.


Tradução por Bhagavan dasa (DvS)

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Seguindo às instruções de Krishna



Seguindo às instruções de Krishna



Srila Prabhupada diz: "Às pessoas conscientes de Krsna nunca perderão nada por seguir as instruções de Krsna". Seguindo assim estas instruções, viverão confortavelmente, sem nenhuma necessidade material, e tyaktva deham punar janma naiti (Bhagavad-Gita 4.9): depois de abandonar este corpo, irão diretamente a Deus, Krsna. "Esta é nossa forma de vida".




Na Bhagavad-Gita, 3:21 Krsna diz:


Yad yad acarati shresthas Tat tad evetaro janah


Sa yat pramanam kurute Lokas tad anuvartate




"Os homens comuns seguem os passos de um grande homem, qualquer que seja a ação que este execute. E quaisquer que sejam as normas por ele estabelecidas por seus atos exemplares, são seguidas por todo o mundo". Srila Prabhupada nos informa no seu significado que: As pessoas em geral sempre requerem um líder que possa ensinar o público através do comportamento prático. E mais, o Senhor Caitanya disse que um mestre deve se comportar corretamente mesmo antes de começar a ensinar. O propósito da vida humana, conforme descrito nas escrituras, destina-se a compreender a causa última, ou seja, compreender Krsna. Srila Prabhupada complementa ainda dizendo que "os devotos aceitam que a causa última é realmente Krsna, porque esta conclusão é apoiada por toda a literatura védica e também pelo próprio Krsna, o qual afirma que aham sarvasya prabhavah: Eu sou a fonte de tudo".




Friedrich Nietzsche, no livro "Assim falou Zaratustra", afirma que Deus está morto. Ele nos diz: Deus morreu: agora nós queremos que viva o Super-homem. Porém, este homem superado ou homem superior de Nietzsche, com todas às qualidades que lhe foi dada, apenas será um homem superior ou aryan, se ele estiver conectado com Deus. Caso contrário será como Srila Prabhupada diz: São todos uns néscios e sem-vergonhas preguiçosos vestidos como cavalheiros. Srila Prabhupada vai mais longe dizendo, "Krsna está no coração de todos, e Ele nos dar ordens. Assim sendo, Krsna pode ordenar paz e harmonia aos animais, às serpentes e a todo mundo". Sem Deus, creio ser impossível qualquer elevação ou superioridade do homem. Este homem proposto por Nietzsche, não chegou a realizar-se, haja vista que por si só, o homem sem Sraddha (fé), auto-intitulado, está fadado ao fracasso. Srila Hridayananda Maharaja, nos diz que Sraddha significa literalmente pôr o coração. E pôr o coração, significa entregar-se com total confiança.




Mas, como compreender tudo isso? Como podemos nos tornar homens superiores? - Krsna Prema e Prema Bhakti, amor puro em serviço devocional, estes são o remédio. No significado do Srimad-Bhagavatam, 6º canto, cap. 04 verso 32, Prabhupada comenta que: "Alguns dizem que o Absoluto não tem forma (nirakara), e outros afirmam que o Absoluto tem forma (sakara). Portanto, a palavra forma é o fator comum, embora alguns aceitem-na (asti ou astika), ao passo que outros tentem negá-la (nasti ou nastika). Já que considera a palavra "forma" (akara) o fator comum, o devoto oferece suas respeitosas reverências à forma, embora outros possam continuar duvidando se o Absoluto tem uma forma ou não." Srila Prabhupada diz que é muito difícil que uma pessoa afetada materialmente compreenda a natureza pessoal da Suprema Verdade Absoluta. As pessoas que estão apegadas à concepção corpórea de vida estão, tão absortas no materialismo, que lhes é quase impossível compreender que existe um corpo transcendental o qual é imperecível.




O próprio Krsna diz que vartmanuvartante manushyah partha sarvashah, todos os homens seguem Meu caminho em todos os aspectos, ó filho de Prtha. Jamais poderemos ser homens superados sem a presença de Deus. Temos todos que nos refugiar em bhakti marga, o caminho da devoção. Srila Prabhupada afirma que assim tudo ficará claro. Srila Madhvacarya diz que "os não-devotos, que sãomenos inteligentes, pensam que sua conclusão é definitiva, mas porque são inteiramente eruditos, os devotos podem entender que a Suprema Personalidade de Deus é a meta última."




Seu servo,


Suvasa Dasa

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INDAGAÇÕES ACERCA DO ABSOLUTO


Inquiries into the Absolute


Uma coleção de respostas intrigantes e motivadoras para o intelecto apresentadas por Sua Santidade Romapada Svami às questões levantadas pordevotos acerca de variados tópicos espirituais.




3. Morte e Transmigração


3.2. Transmigração


3.2.4) O Propósito da Transmigração e da Forma de Vida Humana




Pergunta: As leis do karma são muito complexas, mas, pelo menos, graças aSrila Prabhupada, podemos entender um pouco: há 8.400.000 formas de vidaatravés das quais a alma pode transmigrar, e, dentre essas, 400.000 são humanas. Em qualquer uma dessas formas humanas (se não estou enganado), temos a oportunidade de restabelecer nossa relação dormente com Krsna. Mas qual é a natureza e o propósito da transmigração através das outras 8.000.000 de formas de vida, um processo, por assim dizer, no mínimo muitolongo. Essas espécies estão transmigrando devido a suas atividades passadas? E como elas se qualificam para aceitar a forma de vida humana novamente? (Digest181.1)




Resposta: A compreensão que você apresentou é bastante precisa. Sim, a almatransmigra devido a seus atividades e desejos passados. A grande variedade decorpos é criada pelo Senhor para facilitar os desejos independentes e variadosdas almas condicionadas de desfrutarem em separado de Krsna.




A forma de vida humana é a juntura mais crucial nesse longo círculo, a qualnos dá a oportunidade de ou conduzirmos nossa vida de tal forma que saiamosdefinitivamente desse círculo, ou de obtermos outro corpo material em qualqueruma das espécies superiores ou inferiores, isso com base na natureza dosdesejos que são cultivados na vida e nos pensamentos no instante da morte. Quanto mais profundamente envolvidas em paixão e ignorância estiverem asatividades e consciência do ser humano, mais inferior será a forma de vidaobtida na hierarquia de espécies. O ciclo de evolução gradual das espécies,neste ponto, recomeça. A natureza da transmigração nessas espécies, expressada de um modo bemsimples, é que elas evoluem através de formas progressivamente superiores aténovamente obterem a forma de vida humana.




Não há mais geração de karma nessas espécies inferiores; elas são conduzidassimplesmente pelos instintos de seus corpos particulares. O propósito desse longo processo, como mencionei anteriormente, é que cadauma das formas de vida facilita e simultaneamente eleva de maneira gradual aentidade vida em sua trajetória evolutiva dos variados desejos materiais.




3.2.5) Como o Karma Influencia a Transmigração da Alma?




Pergunta: Se a alma é continuamente Caitanya (consciente) e não influenciadapor karma, como, então, o karma influencia seu renascimento? (Digest 11.9)




Resposta: Se uma pessoa perde seu dinheiro arduamente conquistado, a pessoaem si não é ferida pelo incidente, mas, porque ela está apegada ao dinheiro e oidentifica como sua propriedade, ela tem de sofrer a conseqüência da perda.Similarmente, a alma equivocadamente se identifica com o corpo material, e,dessa maneira, torna-se apegada e “condicionada” pelo desejo de desfrutar dasfacilidades da existência material. Ela, então, é forçado a aceitar outro corpopara desfrutar ou sofrer as conseqüências dos atos passados. 3.2.6)




Reencarnação e Sexo




Pergunta: Quando você reencarna é sempre com o mesmo sexo? (Digest 4.9)




Resposta: Não necessariamente. De fato, é dito que se uma pessoa é muitoapegada ao sexo oposto, ela irá obter um corpo do sexo oposto em sua próximavida! 3.2.7)




A Lembrança de Vidas Passadas




Pergunta: Por que o Senhor Krsna não nos dá o poder de lembrarmos nossasvidas passadas? Se tivéssemos esse poder, a idéia de “uma segunda chance” teriamais sentido.


[Nota do Editor: A referência aqui é a uma publicação daBhaktivedanta Book Trust intitulada “Uma Segunda Chance”, que discute atransmigração da alma de um corpo a outro]. (Digest 6.12)




Resposta: Os arranjos do Senhor Supremo são perfeitos, pois eles são para onosso melhor interesse, mesmo que não sejamos capazes de compreender como. Atransmigração, a morte e o nascimento, por exemplo, são tão traumáticos edolorosos que, se a pessoa se lembrasse deles, ela poderia simplesmente nãotolerar tal lembrança e ter a mente desequilibrada. É, portanto, uma fortunaque o Senhor nos dê o esquecimento. Mas há alguns casos raros em que Ele dá simessa lembrança. 3.2.8)




O Destino do Matador da Alma




Pergunta: No Sri Isopanisad, Mantra 3, parágrafo 2 – Srila Prabhupada diz: “Omatador da alma está destinado a entrar na mais escura região da ignorânciapara sofrer perpetuamente”. “Perpetuamente” aqui significa para sempre,eternamente? Essas entidades vivas nunca mais têm a esperança de mudar deposição, mas estão condenadas a viverem eternamente na região dos planetasinferiores? (Digest 36.1)




Resposta: O Senhor Krsna também faz uma afirmação muito similar noBhagavad-gita (16.19, 20): “Eu arrojo tais pessoas no oceano da existência material, onde assumem várias espécies de vida demoníacas [...]. Elas gradualmente se afundam na mais abominável condição de existência”. Krsna étodo-misericordioso, e, como Srila Prabhupada explica em seus significados aosversos acima, isto é apenas outro aspecto da misericórdia do Senhor. Nessesversos, a palavra “perpetuamente” transmite a idéia de que tais almas deslizamcada vez mais para baixo, nascendo repetidamente em espécies demoníacas até quepor fim alcancem as espécies de vida animal, como a de gatos e cães. Emseguida, a alma passa por todo o ciclo de transmigração até alcançar outraforma de vida humana, a rara oportunidade de encerrar este ciclo. O desejo de Krsna é que TODAS as entidades vivas voltem para Ele, que voltempara o mundo espiritual. O principal propósito da criação material é facilitarque a entidade viva retifique sua mentalidade e volte ao Supremo. Portanto, NINGUÉM é eternamente condenado à existência material; a todos são dadasrepetidas e contínuas oportunidades para reviverem a consciência espiritual. Além disso, Krsna pessoalmente encarna, especialmente em Seu aspecto mais munificente como Caitanya Mahaprabhu, para beneficiar até mesmo as pessoas mais pecaminosas e demoníacas. E os devotos puros do Senhor, da mesma forma, também caminham misericordiosamente por sobre a Terra – simplesmente por entrarem emcontato com eles, mesmo os pássaros e bestas são espiritualmente elevados! Amisericórdia de Krsna é infindável, e pode-se tirar proveito dela em qualquerposição de vida.




Tradução por Bhagavan dasa (DvS) – Capítulos anteriores disponíveis emwww.devocionais.xpg.com.br

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Relatividade e o Caminho Para o Absoluto - Relativity and the Path to the Absolute

Originalmente publicado em Back to Godhead [Volta ao Supremo], revista fundada
por Sua Divina Graça Srila Prabhupada no ano de 1944

Artigo referente à edição do bimestre de maio/junho de 2008
Relatividade e o Caminho Para o Absoluto
Relativity and the Path to the Absolute
por Arcana Siddhi Devi Dasi

Porque muitos fatores influenciam a maneira com que vemos o mundo, muita fé
em nossa própria perspectiva pode ser algo material e espiritualmente perigoso.

Meu esposo e eu estávamos aconselhando um casal, e fazíamos algum progresso,
mas então chegamos a um impasse. O esposo insistia que suas percepções das
interações do casal eram a realidade e que qualquer coisa diferente daquelas
percepções era falsa ou ilusória. Em outras palavras, a visão de sua esposa era
errada se diferente da sua. Meu esposo e eu fizemos o melhor que podíamos para
ajudá-lo a expandir sua perspectiva. Nós esperávamos que ele poderia se
interessar pela possibilidade de ver as coisas de maneira diferente. Mas ele
não largaria seu posicionamento, e ele, por fim, encerrou o aconselhamento
matrimonial.

Depois deste incidente, refleti sobre um apaixonado debate que eu havia tido
com um amigo antes de me tornar devota. Ele insistia que não havia realidade
absoluta, mas apenas nossa realidade subjetiva individual, enquanto que minha
postura era que havia sim uma realidade absoluta – nós apenas não podíamos
percebê-la. Ele insistia que minha posição era apenas minha realidade
subjetiva. Nós dois voltamos para casa frustrados e irritados.

Posteriormente, depois de me tornar devota, descobri que, de acordo com os
ensinamentos Védicos, minhas assertivas estavam corretas. Mas agora eu podia
compreender algo sobre a natureza de tal realidade absoluta: ela é Krsna. Tudo
o que vemos neste mundo vem de uma das muitas energias de Krsna. Mas Sua
energia ilusória (maya) priva-nos de perceber as coisas apropriadamente. Da
mesma forma que um mágico pode fazer-nos pensar que estamos vendo algo que não
está ali, Krsna usa Sua energia ilusória para criar nossa suposta realidade.

Talvez uma pessoa se pergunte a razão para Deus querer privar-nos de ver a
verdade. Na realidade, esse não é o Seu desejo, antes Ele está apenas amparando
o nosso desejo de desfrutarmos separadamente dEle. Quando estamos completamente
desconectados de nosso Senhor, não podemos perceber a realidade. Ao invés
disso, acreditamos em uma “realidade” ilusória, como pessoas sob o feitiço de
um hipnotizador que pensam serem patos ou cachorros. Pela influência de maya, a
alma no mundo material realmente pensa ser um pato ou um cachorro ou um homem
ou uma mulher. Mas tal realidade relativa é temporária e irá desaparecer com a
morte. Apenas a alma eterna segue.

Dhruva Supera a Ilusão

Algumas vezes, mesmo grandes devotos são desnorteados pelas ilusões da
energia material. Dhruva Maharaja era um poderoso rei e devoto do Senhor. No
entanto, quando vingando a morte de seu irmão, Dhruva foi desnorteado pelas
proezas mágicas de seus oponentes, os Yaksas, que eram peritos na criação de
ilusões arrebatadoras. Dhruva acreditava estar no meio de uma grande
devastação. Ele via troncos de corpos humanos caindo do céu juntamente com
armas letais e grandes pedregulhos. Ele viu um tsunami e também um grande
número de animais selvagens vindo devorá-lo.

A energia divina protege os grandes devotos. Para Dhruva, essa energia divina
veio na forma de misericordiosos sábios que se aproximaram dele para ensiná-lo
como desfazer a ilusão. Seguindo suas instruções, Dhruva se lembrou de Krsna e
de Seus santos nomes e assim foi capaz de ver além das ilusões criadas pelos
Yaksas. Esse mesmo refúgio divino está disponível a todos nós. Quando cantamos
Hare Krsna, a ilusão do reino material começa se a dissipar. Krsna nos envia
ajuda na forma de guias espirituais que nos ensinam como desfazermos as ilusões
materiais e redespertarmos nosso adormecido amor a Deus. Então nos tornamos
perfeitamente situados na realidade absoluta.

Filtro Mental

O esposo que estávamos aconselhando estava certo da existência de uma
realidade absoluta, mas ele equivocadamente acreditava ser possível percebê-la
através de sentidos imperfeitos. A ciência nos diz que a todo instante somos
bombardeados por mais de seis milhões de bits de informação que correm para o
nosso interior através de nossos sentidos. Os cientistas postularam que o
sistema de ativação reticular, localizado na base do cérebro, age como um
porteiro, impedindo que sejamos subjugados pelo excesso de informações. Esse
sistema de filtragem permite que entrem em nossa percepção consciente
informações baseadas em nossas experiências e em nossas crenças sobre nós
mesmos.


No Bhagavad-gita, Krsna explica a Seu amigo e discípulo Arjuna que Ele é a
fonte de toda lembrança, de todo conhecimento e de todo esquecimento. Krsna,
como a Superalma dentro de nossos corações, sanciona quais informações vão até
nossa percepção consciente. De acordo com nossos desejos, Krsna fortalece nossa
fé em certas percepções ou idéias de forma a apoiar uma experiência em
particular dentro do reino material.


Embora a ciência moderna e a sabedoria antiga nem sempre estejam em harmonia,
explicações científicas podem, algumas vezes, serem úteis na apresentação de
pontos filosóficos. Podemos, por exemplo, dizer que nosso prarabdha karma
(karma manifesto) se manifesta por meio dos cromossomos ou do DNA.
Similarmente, a Superalma pode, por meio do sistema reticular, filtrar
informações contrárias a nossas crenças. Se algumas pessoas, por exemplo, dizem
que sou uma pessoa legal, eu talvez rejeite essas percepções e pense que elas
querem me vender algo ou me manipular de alguma maneira.


Além desse filtro de informações no cérebro, nossos sentidos também cometem
erros. Podemos ver uma corda e pensar que se trata de uma cobra. E, dependendo
do tamanho de nossa determinação em convencer outros sobre o que pensamos,
podemos apresentar informações enganadoras ou mentirosas. O desejo de um
experimentador por um resultado específico frequentemente contamina os
experimentos científicos.


Até que tenhamos purificado nossa consciência, nossa natureza condicionada
irá influenciar nossos pensamentos e nossa habilidade de compreender até mesmo
o conhecimento absoluto advindo de fontes puras. Se, por exemplo, em razão de
minha criação, eu acredito que Deus é vingativo e irado, eu irei filtrar as
informações que expõem como Ele é amável e misericordioso com Seus devotos.
Portanto, é prudente questionarmos nossas próprias percepções da realidade e
estarmos abertos as de outros, especialmente das pessoas espiritualmente
avançadas.


Estágios do Pensar


Outro aspecto de nossa constituição psicológica que afeta nossa habilidade em
perceber a realidade absoluta é nosso desenvolvimento cognitivo, ou a maneira
com que nosso processamento de pensamentos se desenvolve. William Perry, um
psicólogo desenvolvimentista, descreve estágios de desenvolvimento cognitivo
que acredito poderem ser úteis para os devotos distinguirem entre fanatismo e
iluminação. O primeiro estágio é o pensar preto e branco, no qual não podemos
tolerar pontos de vista diferentes dos nossos e no qual o nosso pensar é rígido
e dogmático. Alguns de nós não vão além desse estágio; o restante progride para
o pensar relativista e ouve e considera diferentes perspectivas e opiniões. O
pensar relativista ajuda as pessoas a iniciarem e manterem relacionamentos
íntimos. O estágio final, que Perry diz ser raramente alcançado, é o
comprometimento. A pessoa nesse estágio tem crenças fixas, mas tolera as
percepções de outros. De acordo com a pesquisa de Perry, as
pessoas de consciência espiritual altamente elevada que poderiam ser
classificadas dentro desse último estágio fazem parte de um grupo pequeno e
seleto.


À primeira vista, o pensador preto e branco e o comprometido talvez pareçam
iguais: ambos estão convencidos de suas crenças, diferentemente do pensador
relativista (estágio dois). Mas o pensador comprometido irá aceitar outros,
enquanto o pensador preto e branco é frequentemente fanático e irredutível.
Terroristas estão presos no estágio um e criam grande perturbação no mundo por
pensarem que sua realidade subjetiva é a única verdade. A missão deles é
converter outros à sua abominável maneira de pensar. Como a história moderna
mostra, esse tipo de pensamentos sectário com vestes de religião é extremamente
perigoso.


Perigos do Sectarismo


Srila Prabhupada, um Vaisnava superlativamente comprometido, enfatizou por
diversas vezes que sua sociedade, a Sociedade Internacional para a Consciência
de Krsna, era não-sectária. Ele não estava concentrando esforços para converter
pessoas de uma religião para outra; ele queria ajudar as pessoas a
desenvolverem amor por Deus. Bhaktivinoda Thakura, predecessor de Prabhupada,
listou o sectarismo como um dos principais obstáculos ao progresso espiritual
por ele dificultar o encontro de um guru e a associação com devotos sinceros
que possam não estar contidos no grupo rigorosamente definido da pessoa.


Juntamente com a aceitação da Verdade Absoluta, temos de lembrar que vivemos
em um mundo relativo e que nossas percepções e experiências são subjetivas. Se
eu sinto frio e outra pessoa sente calor, está calor ou está frio? Dizer “eu
estou com frio” expressa minha realidade subjetiva, mas dizer “está frio” é uma
imposição de minha realidade subjetiva sobre os outros. Prabhupada nos ensina a
não confiarmos em nossa realidade subjetiva para entendermos a verdade. Ele dá
o exemplo de um grupo de homens cegos tentando dizer a identidade de um
elefante tocando nele. Um dos homens, sentido sua tromba, declara que a
criatura é uma grande cobra. Outro, envolvendo uma das pernas do elefante com
seus braços, conjectura que o elefante é um grande pilar. A percepção limitada
e subjetiva de cada homem do grupo falha na identificação correta do objeto.
Para conhecerem a verdade, eles precisam da ajuda de uma pessoa com visão.


Relatividade é algo que irá nos influenciar até que nossa natureza
condicionada seja purificada. Prabhupada, portanto, ensina-nos a cultivarmos
uma atitude humilde e de serviço para com os outros, especialmente para com as
almas avançadas. Unicamente pela misericórdia delas podemos entender o reino do
Absoluto. Quando deixamos de defender nossas impressões e percepções como o
padrão absoluto e aceitamos as experiências de outros, tornamo-nos mais
amáveis.


Esse tipo de pensamento irá aprimorar nossa efetividade na difusão dos
ensinamentos do Vaisnavismo e também irá auxiliar na manutenção de nossos
relacionamentos com outros Vaisnavas, inclusive com nosso esposo ou esposa. O
pensamento preto e branco torna um casamento instável e com alta probabilidade
de divórcio. Se nos encontramos entrincheirados no desejo de estabelecermos
nossas perspectivas relativas como absolutas, devemos orar pelo progresso para
além desse estágio de pensamento.


Irmos para além do pensamento preto e branco irá nos ajudar a avançarmos
espiritualmente. Então, um dia, entraremos na realidade absoluta, onde nossas
percepções subjetivas são perfeitas. Nesse estágio, não mais contaminados pela
energia material, ficamos sob a influência da energia interna de Krsna e vemos
a realidade espiritual através de nossa relação particular com Krsna. Os
vaqueirinhos vêem Krsna como o seu melhor amigo, os vaqueiros e vaqueiras mais
velhos vêem-nO como seu filho, e as jovens vaqueirinhas vêem-nO como seu
amante. Todos eles acreditam que sua posição é a melhor, e todos eles estão
subjetivamente corretos.


Através de sinceridade, serviço e misericórdia, podemos transcender a
existência material e entrar em um mundo destituído de tensão entre as
realidades subjetivas e absolutas. No mundo material, o relativo e o absoluto
competem pela supremacia e podem destruir relacionamentos. No mundo espiritual,
o relativo e o absoluto trabalham juntos na intensificação dos relacionamentos
amorosos. Uma vez lá, nunca mais teremos de voltar para este mundo onde há
apenas duas possibilidades: “ou eu estou certo ou você está errado”.

Porque muitos fatores influenciam a maneira com que vemos o mundo, muita fé
em nossa própria perspectiva pode ser algo material e espiritualmente perigoso.
Meu esposo e eu estávamos aconselhando um casal, e fazíamos algum progresso,
mas então chegamos a um impasse. O esposo insistia que suas percepções das
interações do casal eram a realidade e que qualquer coisa diferente daquelas
percepções era falsa ou ilusória. Em outras palavras, a visão de sua esposa era
errada se diferente da sua. Meu esposo e eu fizemos o melhor que podíamos para
ajudá-lo a expandir sua perspectiva. Nós esperávamos que ele poderia se
interessar pela possibilidade de ver as coisas de maneira diferente. Mas ele
não largaria seu posicionamento, e ele, por fim, encerrou o aconselhamento
matrimonial.


Depois deste incidente, refleti sobre um apaixonado debate que eu havia tido
com um amigo antes de me tornar devota. Ele insistia que não havia realidade
absoluta, mas apenas nossa realidade subjetiva individual, enquanto que minha
postura era que havia sim uma realidade absoluta – nós apenas não podíamos
percebê-la. Ele insistia que minha posição era apenas minha realidade
subjetiva. Nós dois voltamos para casa frustrados e irritados.


Posteriormente, depois de me tornar devota, descobri que, de acordo com os
ensinamentos Védicos, minhas assertivas estavam corretas. Mas agora eu podia
compreender algo sobre a natureza de tal realidade absoluta: ela é Krsna. Tudo
o que vemos neste mundo vem de uma das muitas energias de Krsna. Mas Sua
energia ilusória (maya) priva-nos de perceber as coisas apropriadamente. Da
mesma forma que um mágico pode fazer-nos pensar que estamos vendo algo que não
está ali, Krsna usa Sua energia ilusória para criar nossa suposta realidade.


Talvez uma pessoa se pergunte a razão para Deus querer privar-nos de ver a
verdade. Na realidade, esse não é o Seu desejo, antes Ele está apenas amparando
o nosso desejo de desfrutarmos separadamente dEle. Quando estamos completamente
desconectados de nosso Senhor, não podemos perceber a realidade. Ao invés
disso, acreditamos em uma “realidade” ilusória, como pessoas sob o feitiço de
um hipnotizador que pensam serem patos ou cachorros. Pela influência de maya, a
alma no mundo material realmente pensa ser um pato ou um cachorro ou um homem
ou uma mulher. Mas tal realidade relativa é temporária e irá desaparecer com a
morte. Apenas a alma eterna segue.


Dhruva Supera a Ilusão


Algumas vezes, mesmo grandes devotos são desnorteados pelas ilusões da
energia material. Dhruva Maharaja era um poderoso rei e devoto do Senhor. No
entanto, quando vingando a morte de seu irmão, Dhruva foi desnorteado pelas
proezas mágicas de seus oponentes, os Yaksas, que eram peritos na criação de
ilusões arrebatadoras. Dhruva acreditava estar no meio de uma grande
devastação. Ele via troncos de corpos humanos caindo do céu juntamente com
armas letais e grandes pedregulhos. Ele viu um tsunami e também um grande
número de animais selvagens vindo devorá-lo.


A energia divina protege os grandes devotos. Para Dhruva, essa energia divina
veio na forma de misericordiosos sábios que se aproximaram dele para ensiná-lo
como desfazer a ilusão. Seguindo suas instruções, Dhruva se lembrou de Krsna e
de Seus santos nomes e assim foi capaz de ver além das ilusões criadas pelos
Yaksas. Esse mesmo refúgio divino está disponível a todos nós. Quando cantamos
Hare Krsna, a ilusão do reino material começa se a dissipar. Krsna nos envia
ajuda na forma de guias espirituais que nos ensinam como desfazermos as ilusões
materiais e redespertarmos nosso adormecido amor a Deus. Então nos tornamos
perfeitamente situados na realidade absoluta.


Filtro Mental


O esposo que estávamos aconselhando estava certo da existência de uma
realidade absoluta, mas ele equivocadamente acreditava ser possível percebê-la
através de sentidos imperfeitos. A ciência nos diz que a todo instante somos
bombardeados por mais de seis milhões de bits de informação que correm para o
nosso interior através de nossos sentidos. Os cientistas postularam que o
sistema de ativação reticular, localizado na base do cérebro, age como um
porteiro, impedindo que sejamos subjugados pelo excesso de informações. Esse
sistema de filtragem permite que entrem em nossa percepção consciente
informações baseadas em nossas experiências e em nossas crenças sobre nós
mesmos.


No Bhagavad-gita, Krsna explica a Seu amigo e discípulo Arjuna que Ele é a
fonte de toda lembrança, de todo conhecimento e de todo esquecimento. Krsna,
como a Superalma dentro de nossos corações, sanciona quais informações vão até
nossa percepção consciente. De acordo com nossos desejos, Krsna fortalece nossa
fé em certas percepções ou idéias de forma a apoiar uma experiência em
particular dentro do reino material.


Embora a ciência moderna e a sabedoria antiga nem sempre estejam em harmonia,
explicações científicas podem, algumas vezes, serem úteis na apresentação de
pontos filosóficos. Podemos, por exemplo, dizer que nosso prarabdha karma
(karma manifesto) se manifesta por meio dos cromossomos ou do DNA.
Similarmente, a Superalma pode, por meio do sistema reticular, filtrar
informações contrárias a nossas crenças. Se algumas pessoas, por exemplo, dizem
que sou uma pessoa legal, eu talvez rejeite essas percepções e pense que elas
querem me vender algo ou me manipular de alguma maneira.


Além desse filtro de informações no cérebro, nossos sentidos também cometem
erros. Podemos ver uma corda e pensar que se trata de uma cobra. E, dependendo
do tamanho de nossa determinação em convencer outros sobre o que pensamos,
podemos apresentar informações enganadoras ou mentirosas. O desejo de um
experimentador por um resultado específico frequentemente contamina os
experimentos científicos.


Até que tenhamos purificado nossa consciência, nossa natureza condicionada
irá influenciar nossos pensamentos e nossa habilidade de compreender até mesmo
o conhecimento absoluto advindo de fontes puras. Se, por exemplo, em razão de
minha criação, eu acredito que Deus é vingativo e irado, eu irei filtrar as
informações que expõem como Ele é amável e misericordioso com Seus devotos.
Portanto, é prudente questionarmos nossas próprias percepções da realidade e
estarmos abertos as de outros, especialmente das pessoas espiritualmente
avançadas.


Estágios do Pensar


Outro aspecto de nossa constituição psicológica que afeta nossa habilidade em
perceber a realidade absoluta é nosso desenvolvimento cognitivo, ou a maneira
com que nosso processamento de pensamentos se desenvolve. William Perry, um
psicólogo desenvolvimentista, descreve estágios de desenvolvimento cognitivo
que acredito poderem ser úteis para os devotos distinguirem entre fanatismo e
iluminação. O primeiro estágio é o pensar preto e branco, no qual não podemos
tolerar pontos de vista diferentes dos nossos e no qual o nosso pensar é rígido
e dogmático. Alguns de nós não vão além desse estágio; o restante progride para
o pensar relativista e ouve e considera diferentes perspectivas e opiniões. O
pensar relativista ajuda as pessoas a iniciarem e manterem relacionamentos
íntimos. O estágio final, que Perry diz ser raramente alcançado, é o
comprometimento. A pessoa nesse estágio tem crenças fixas, mas tolera as
percepções de outros. De acordo com a pesquisa de Perry, as
pessoas de consciência espiritual altamente elevada que poderiam ser
classificadas dentro desse último estágio fazem parte de um grupo pequeno e
seleto.


À primeira vista, o pensador preto e branco e o comprometido talvez pareçam
iguais: ambos estão convencidos de suas crenças, diferentemente do pensador
relativista (estágio dois). Mas o pensador comprometido irá aceitar outros,
enquanto o pensador preto e branco é frequentemente fanático e irredutível.
Terroristas estão presos no estágio um e criam grande perturbação no mundo por
pensarem que sua realidade subjetiva é a única verdade. A missão deles é
converter outros à sua abominável maneira de pensar. Como a história moderna
mostra, esse tipo de pensamentos sectário com vestes de religião é extremamente
perigoso.


Perigos do Sectarismo


Srila Prabhupada, um Vaisnava superlativamente comprometido, enfatizou por
diversas vezes que sua sociedade, a Sociedade Internacional para a Consciência
de Krsna, era não-sectária. Ele não estava concentrando esforços para converter
pessoas de uma religião para outra; ele queria ajudar as pessoas a
desenvolverem amor por Deus. Bhaktivinoda Thakura, predecessor de Prabhupada,
listou o sectarismo como um dos principais obstáculos ao progresso espiritual
por ele dificultar o encontro de um guru e a associação com devotos sinceros
que possam não estar contidos no grupo rigorosamente definido da pessoa.


Juntamente com a aceitação da Verdade Absoluta, temos de lembrar que vivemos
em um mundo relativo e que nossas percepções e experiências são subjetivas. Se
eu sinto frio e outra pessoa sente calor, está calor ou está frio? Dizer “eu
estou com frio” expressa minha realidade subjetiva, mas dizer “está frio” é uma
imposição de minha realidade subjetiva sobre os outros. Prabhupada nos ensina a
não confiarmos em nossa realidade subjetiva para entendermos a verdade. Ele dá
o exemplo de um grupo de homens cegos tentando dizer a identidade de um
elefante tocando nele. Um dos homens, sentido sua tromba, declara que a
criatura é uma grande cobra. Outro, envolvendo uma das pernas do elefante com
seus braços, conjectura que o elefante é um grande pilar. A percepção limitada
e subjetiva de cada homem do grupo falha na identificação correta do objeto.
Para conhecerem a verdade, eles precisam da ajuda de uma pessoa com visão.


Relatividade é algo que irá nos influenciar até que nossa natureza
condicionada seja purificada. Prabhupada, portanto, ensina-nos a cultivarmos
uma atitude humilde e de serviço para com os outros, especialmente para com as
almas avançadas. Unicamente pela misericórdia delas podemos entender o reino do
Absoluto. Quando deixamos de defender nossas impressões e percepções como o
padrão absoluto e aceitamos as experiências de outros, tornamo-nos mais
amáveis.


Esse tipo de pensamento irá aprimorar nossa efetividade na difusão dos
ensinamentos do Vaisnavismo e também irá auxiliar na manutenção de nossos
relacionamentos com outros Vaisnavas, inclusive com nosso esposo ou esposa. O
pensamento preto e branco torna um casamento instável e com alta probabilidade
de divórcio. Se nos encontramos entrincheirados no desejo de estabelecermos
nossas perspectivas relativas como absolutas, devemos orar pelo progresso para
além desse estágio de pensamento.


Irmos para além do pensamento preto e branco irá nos ajudar a avançarmos
espiritualmente. Então, um dia, entraremos na realidade absoluta, onde nossas
percepções subjetivas são perfeitas. Nesse estágio, não mais contaminados pela
energia material, ficamos sob a influência da energia interna de Krsna e vemos
a realidade espiritual através de nossa relação particular com Krsna. Os
vaqueirinhos vêem Krsna como o seu melhor amigo, os vaqueiros e vaqueiras mais
velhos vêem-nO como seu filho, e as jovens vaqueirinhas vêem-nO como seu
amante. Todos eles acreditam que sua posição é a melhor, e todos eles estão
subjetivamente corretos.


Através de sinceridade, serviço e misericórdia, podemos transcender a
existência material e entrar em um mundo destituído de tensão entre as
realidades subjetivas e absolutas. No mundo material, o relativo e o absoluto
competem pela supremacia e podem destruir relacionamentos. No mundo espiritual,
o relativo e o absoluto trabalham juntos na intensificação dos relacionamentos
amorosos. Uma vez lá, nunca mais teremos de voltar para este mundo onde há
apenas duas possibilidades: “ou eu estou certo ou você está errado”.




Tradução por Bhagavan dasa (DvS)por Arcana Siddhi Devi Dasi


Porque muitos fatores influenciam a maneira com que vemos o mundo, muita fé
em nossa própria perspectiva pode ser algo material e espiritualmente perigoso.

Meu esposo e eu estávamos aconselhando um casal, e fazíamos algum progresso,
mas então chegamos a um impasse. O esposo insistia que suas percepções das
interações do casal eram a realidade e que qualquer coisa diferente daquelas
percepções era falsa ou ilusória. Em outras palavras, a visão de sua esposa era
errada se diferente da sua. Meu esposo e eu fizemos o melhor que podíamos para
ajudá-lo a expandir sua perspectiva. Nós esperávamos que ele poderia se
interessar pela possibilidade de ver as coisas de maneira diferente. Mas ele
não largaria seu posicionamento, e ele, por fim, encerrou o aconselhamento
matrimonial.

Depois deste incidente, refleti sobre um apaixonado debate que eu havia tido
com um amigo antes de me tornar devota. Ele insistia que não havia realidade
absoluta, mas apenas nossa realidade subjetiva individual, enquanto que minha
postura era que havia sim uma realidade absoluta – nós apenas não podíamos
percebê-la. Ele insistia que minha posição era apenas minha realidade
subjetiva. Nós dois voltamos para casa frustrados e irritados.

Posteriormente, depois de me tornar devota, descobri que, de acordo com os
ensinamentos Védicos, minhas assertivas estavam corretas. Mas agora eu podia
compreender algo sobre a natureza de tal realidade absoluta: ela é Krsna. Tudo
o que vemos neste mundo vem de uma das muitas energias de Krsna. Mas Sua
energia ilusória (maya) priva-nos de perceber as coisas apropriadamente. Da
mesma forma que um mágico pode fazer-nos pensar que estamos vendo algo que não
está ali, Krsna usa Sua energia ilusória para criar nossa suposta realidade.


Talvez uma pessoa se pergunte a razão para Deus querer privar-nos de ver a
verdade. Na realidade, esse não é o Seu desejo, antes Ele está apenas amparando
o nosso desejo de desfrutarmos separadamente dEle. Quando estamos completamente
desconectados de nosso Senhor, não podemos perceber a realidade. Ao invés
disso, acreditamos em uma “realidade” ilusória, como pessoas sob o feitiço de
um hipnotizador que pensam serem patos ou cachorros. Pela influência de maya, a
alma no mundo material realmente pensa ser um pato ou um cachorro ou um homem
ou uma mulher. Mas tal realidade relativa é temporária e irá desaparecer com a
morte. Apenas a alma eterna segue.

Dhruva Supera a Ilusão


Algumas vezes, mesmo grandes devotos são desnorteados pelas ilusões da
energia material. Dhruva Maharaja era um poderoso rei e devoto do Senhor. No
entanto, quando vingando a morte de seu irmão, Dhruva foi desnorteado pelas
proezas mágicas de seus oponentes, os Yaksas, que eram peritos na criação de
ilusões arrebatadoras. Dhruva acreditava estar no meio de uma grande
devastação. Ele via troncos de corpos humanos caindo do céu juntamente com
armas letais e grandes pedregulhos. Ele viu um tsunami e também um grande
número de animais selvagens vindo devorá-lo.

A energia divina protege os grandes devotos. Para Dhruva, essa energia divina
veio na forma de misericordiosos sábios que se aproximaram dele para ensiná-lo
como desfazer a ilusão. Seguindo suas instruções, Dhruva se lembrou de Krsna e
de Seus santos nomes e assim foi capaz de ver além das ilusões criadas pelos
Yaksas. Esse mesmo refúgio divino está disponível a todos nós. Quando cantamos
Hare Krsna, a ilusão do reino material começa se a dissipar. Krsna nos envia
ajuda na forma de guias espirituais que nos ensinam como desfazermos as ilusões
materiais e redespertarmos nosso adormecido amor a Deus. Então nos tornamos
perfeitamente situados na realidade absoluta.






Filtro Mental

O esposo que estávamos aconselhando estava certo da existência de uma
realidade absoluta, mas ele equivocadamente acreditava ser possível percebê-la
através de sentidos imperfeitos. A ciência nos diz que a todo instante somos
bombardeados por mais de seis milhões de bits de informação que correm para o
nosso interior através de nossos sentidos. Os cientistas postularam que o
sistema de ativação reticular, localizado na base do cérebro, age como um
porteiro, impedindo que sejamos subjugados pelo excesso de informações. Esse
sistema de filtragem permite que entrem em nossa percepção consciente
informações baseadas em nossas experiências e em nossas crenças sobre nós
mesmos.

No Bhagavad-gita, Krsna explica a Seu amigo e discípulo Arjuna que Ele é a
fonte de toda lembrança, de todo conhecimento e de todo esquecimento. Krsna,
como a Superalma dentro de nossos corações, sanciona quais informações vão até
nossa percepção consciente. De acordo com nossos desejos, Krsna fortalece nossa
fé em certas percepções ou idéias de forma a apoiar uma experiência em
particular dentro do reino material.

Embora a ciência moderna e a sabedoria antiga nem sempre estejam em harmonia,
explicações científicas podem, algumas vezes, serem úteis na apresentação de
pontos filosóficos. Podemos, por exemplo, dizer que nosso prarabdha karma
(karma manifesto) se manifesta por meio dos cromossomos ou do DNA.
Similarmente, a Superalma pode, por meio do sistema reticular, filtrar
informações contrárias a nossas crenças. Se algumas pessoas, por exemplo, dizem
que sou uma pessoa legal, eu talvez rejeite essas percepções e pense que elas
querem me vender algo ou me manipular de alguma maneira.

Além desse filtro de informações no cérebro, nossos sentidos também cometem
erros. Podemos ver uma corda e pensar que se trata de uma cobra. E, dependendo
do tamanho de nossa determinação em convencer outros sobre o que pensamos,
podemos apresentar informações enganadoras ou mentirosas. O desejo de um
experimentador por um resultado específico frequentemente contamina os
experimentos científicos.

Até que tenhamos purificado nossa consciência, nossa natureza condicionada
irá influenciar nossos pensamentos e nossa habilidade de compreender até mesmo
o conhecimento absoluto advindo de fontes puras. Se, por exemplo, em razão de
minha criação, eu acredito que Deus é vingativo e irado, eu irei filtrar as
informações que expõem como Ele é amável e misericordioso com Seus devotos.
Portanto, é prudente questionarmos nossas próprias percepções da realidade e
estarmos abertos as de outros, especialmente das pessoas espiritualmente
avançadas.

Estágios do Pensar

Outro aspecto de nossa constituição psicológica que afeta nossa habilidade em
perceber a realidade absoluta é nosso desenvolvimento cognitivo, ou a maneira
com que nosso processamento de pensamentos se desenvolve. William Perry, um
psicólogo desenvolvimentista, descreve estágios de desenvolvimento cognitivo
que acredito poderem ser úteis para os devotos distinguirem entre fanatismo e
iluminação. O primeiro estágio é o pensar preto e branco, no qual não podemos
tolerar pontos de vista diferentes dos nossos e no qual o nosso pensar é rígido
e dogmático. Alguns de nós não vão além desse estágio; o restante progride para
o pensar relativista e ouve e considera diferentes perspectivas e opiniões. O
pensar relativista ajuda as pessoas a iniciarem e manterem relacionamentos
íntimos. O estágio final, que Perry diz ser raramente alcançado, é o
comprometimento. A pessoa nesse estágio tem crenças fixas, mas tolera as
percepções de outros. De acordo com a pesquisa de Perry, as
pessoas de consciência espiritual altamente elevada que poderiam ser
classificadas dentro desse último estágio fazem parte de um grupo pequeno e
seleto.

À primeira vista, o pensador preto e branco e o comprometido talvez pareçam
iguais: ambos estão convencidos de suas crenças, diferentemente do pensador
relativista (estágio dois). Mas o pensador comprometido irá aceitar outros,
enquanto o pensador preto e branco é frequentemente fanático e irredutível.
Terroristas estão presos no estágio um e criam grande perturbação no mundo por
pensarem que sua realidade subjetiva é a única verdade. A missão deles é
converter outros à sua abominável maneira de pensar. Como a história moderna
mostra, esse tipo de pensamentos sectário com vestes de religião é extremamente
perigoso.

Perigos do Sectarismo

Srila Prabhupada, um Vaisnava superlativamente comprometido, enfatizou por
diversas vezes que sua sociedade, a Sociedade Internacional para a Consciência
de Krsna, era não-sectária. Ele não estava concentrando esforços para converter
pessoas de uma religião para outra; ele queria ajudar as pessoas a
desenvolverem amor por Deus. Bhaktivinoda Thakura, predecessor de Prabhupada,
listou o sectarismo como um dos principais obstáculos ao progresso espiritual
por ele dificultar o encontro de um guru e a associação com devotos sinceros
que possam não estar contidos no grupo rigorosamente definido da pessoa.

Juntamente com a aceitação da Verdade Absoluta, temos de lembrar que vivemos
em um mundo relativo e que nossas percepções e experiências são subjetivas. Se
eu sinto frio e outra pessoa sente calor, está calor ou está frio? Dizer “eu
estou com frio” expressa minha realidade subjetiva, mas dizer “está frio” é uma
imposição de minha realidade subjetiva sobre os outros. Prabhupada nos ensina a
não confiarmos em nossa realidade subjetiva para entendermos a verdade. Ele dá
o exemplo de um grupo de homens cegos tentando dizer a identidade de um
elefante tocando nele. Um dos homens, sentido sua tromba, declara que a
criatura é uma grande cobra. Outro, envolvendo uma das pernas do elefante com
seus braços, conjectura que o elefante é um grande pilar. A percepção limitada
e subjetiva de cada homem do grupo falha na identificação correta do objeto.
Para conhecerem a verdade, eles precisam da ajuda de uma pessoa com visão.

Relatividade é algo que irá nos influenciar até que nossa natureza
condicionada seja purificada. Prabhupada, portanto, ensina-nos a cultivarmos
uma atitude humilde e de serviço para com os outros, especialmente para com as
almas avançadas. Unicamente pela misericórdia delas podemos entender o reino do
Absoluto. Quando deixamos de defender nossas impressões e percepções como o
padrão absoluto e aceitamos as experiências de outros, tornamo-nos mais
amáveis.

Esse tipo de pensamento irá aprimorar nossa efetividade na difusão dos
ensinamentos do Vaisnavismo e também irá auxiliar na manutenção de nossos
relacionamentos com outros Vaisnavas, inclusive com nosso esposo ou esposa. O
pensamento preto e branco torna um casamento instável e com alta probabilidade
de divórcio. Se nos encontramos entrincheirados no desejo de estabelecermos
nossas perspectivas relativas como absolutas, devemos orar pelo progresso para
além desse estágio de pensamento.

Irmos para além do pensamento preto e branco irá nos ajudar a avançarmos
espiritualmente. Então, um dia, entraremos na realidade absoluta, onde nossas
percepções subjetivas são perfeitas. Nesse estágio, não mais contaminados pela
energia material, ficamos sob a influência da energia interna de Krsna e vemos
a realidade espiritual através de nossa relação particular com Krsna. Os
vaqueirinhos vêem Krsna como o seu melhor amigo, os vaqueiros e vaqueiras mais
velhos vêem-nO como seu filho, e as jovens vaqueirinhas vêem-nO como seu
amante. Todos eles acreditam que sua posição é a melhor, e todos eles estão
subjetivamente corretos.

Através de sinceridade, serviço e misericórdia, podemos transcender a
existência material e entrar em um mundo destituído de tensão entre as
realidades subjetivas e absolutas. No mundo material, o relativo e o absoluto
competem pela supremacia e podem destruir relacionamentos. No mundo espiritual,
o relativo e o absoluto trabalham juntos na intensificação dos relacionamentos
amorosos. Uma vez lá, nunca mais teremos de voltar para este mundo onde há
apenas duas possibilidades: “ou eu estou certo ou você está errado”.

Tradução por Bhagavan dasa (DvS)

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Amanina manadena 2


Amanina manadena 2


A realidade filosófica da Consciência de Krsna demostra a disposição psicológica adequada."

A Suprema Personalidade de Deus disse: Destemor; purificação da própria existência; cultivo de conhecimento espiritual; caridade; autocontrole; execução de sacrifícios; estudo dos Vedas; austeridade; simplicidade; não-violência; veracidade; estar livre da ira; renúncia; tranquilidade; não gostar de achar defeitos; compaixão para com outras entidades vivas; estar livre da cobiça; gentileza; modéstia; firme determinação; vigor; clemência; fortaleza; limpeza; e estar livre da inveja e da paixão pela honra - estas qualidades transcendentais, ó filho de Bharata, existem nos homens piedosos dotados de natureza divina."(BG-16.1-3)


Neste caso, as realidades filosófica e psicológica estão em harmonia, ou seja, a realidade psicológica adequada faz parte da própria Filosofia da Consciência de Krsna. Desta forma, é possível praticar e transmitir a Filosofia da Consciência de Krsna.A realidade filosófica da Consciência de Krsna também demonstra a disposição psicológica inadequada."Orgulho,arrogância,presunção,ira,rispidez e ignorância - estas qualidades pertencem àqueles cuja natureza é demoníaca, ó filho de Prtha." BG-16.4)Neste caso,as realidades filosófica e psicológica estão em desarmonia.Porque a disposição psicológica é inadequada, não é possível praticar ou transmitir a Filosofia da Consciência de Krsna.


A realidade filosófica da Consciência de Krsna também demonstra a disposição psicológica inadequada.


"Orgulho,arrogância,presunção,ira,rispidez e ignorância - estas qualidades pertencem àqueles cuja natureza é demoníaca, ó filho de Prtha." BG-16.4) Neste caso,as realidades filosófica e psicológica estão em desarmonia.Porque a disposição psicológica é inadequada, não é possível praticar ou transmitir a Filosofia da Consciência de Krsna.