Dedicado a Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedenta Swami Prabhupada e Gurudeva Srila Dhanvantari Swami

Dedicado a Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedenta Swami Prabhupada e Gurudeva Srila Dhanvantari Swami
Jagad Guru Srila Prabhupada

segunda-feira, 14 de março de 2011

O Bhagavad-Gita. Como Ele Nunca Foi

Tradução dedicada aos sankirtaneiros Nityananda, Abhirama, Raja-Rama e Diego.

O Bhagavad-Gita
Como Ele Nunca Foi

Praghosa dasa

Tradução livre

Capítulo 1:

Observando os Karmis

Vendo que a avenida estava completamente congestionada de carros e ônibus, Arjuna das, acomodado em uma grande van de sankirtan, pediu ao seu líder de sankirtan, Krsna das, para soar a buzina da van, após o que o motorista à frente soou a sua buzina e os motoristas à sua frente também soaram suas respectivas buzinas e logo toda a rua estava buzinando, e o som arrancado dessas diferentes buzinas tornou-se estrondoso. Vibrando ao longo do congestionamento, o buzinaço abalou os corações dos guardas de trânsito.

Naquele momento, Arjuna disse as seguintes palavras:

“Ó infalível líder de sankirtan Krsna, por favor, estaciona a minha van de sankirtan de modo que eu possa ver e decidir onde é melhor distribuir livros. Deixa-me ver as pessoas que saíram hoje para fazer compras”.

Quando Arjuna viu as faces estressadas dos consumidores, ele falou as seguintes palavras:

“Meu querido líder de sankirtan, quando vejo todos esses tolos, patifes e velhacos comprando em tal espírito belicoso, sinto os membros de meu corpo tremer e minha boca secar. Todo o meu corpo está tremendo, meus pêlos estão arrepiados, meus livros estão escorregando de minha mão, e já não sou capaz de continuar aqui. Por favor, encontra para mim uma Lan House ou mesmo um banheiro! Estou esquecendo-me de mim mesmo e minha mente está girando. Parece que tudo traz infortúnio, ó condutor de minha van de sankirtan. Não consigo ver qual o bem que decorreria de parar esses capitalistas, nem posso eu desejar uma boa pontuação”.

“Ó Krsna, embora esses homens, com seus corações dominados pela cobiça, estejam comprando coisas inúteis, por que deveríamos nós, que sabemos que estão completamente fora de si, destruir seu espírito de desfrute?”.

“Que prazer obteremos em fazer farol ou arrastão nesta rua o dia todo? A artrite nos dominará se tentarmos salvar esses consumidores. E que reconhecimento ganharíamos mesmo se o nosso resultado fosse lido em frente aos devotos reunidos em Nova Gokula ou publicado na carta mensal de sankirtana no fórum do prabhu Avyakta? Além disso, todos esses compradores não sabem que é proibido vender livros no estacionamento do supermercado; por que deveríamos nós, que entendemos ser crime semelhante venda, tentar pará-los por 5 reais, ou arriscar queimá-los pedindo que levem pelo menos pelas moedinhas no bolso da camisa?”.

“Por que estamos tentando com estes livros destruir a tradição eterna da família levando seus jovens a trancarem a faculdade e passarem um ano no Seminário de Campina Grande? Quando esses rapazes cortarem o cabelo para morar em Vraja ou Goura, suas mães se poluirão ficando viciadas no pecado de jogar Bingo”.

Arjuna, tendo falado essas palavras próximo ao Shopping, na rua entre o calçadão e a pracinha, pôs de lado sua bolsa de sankirtan e sentou-se em sua van na maior mental.

Capítulo 2:

Resumo do Conteúdo da Mente

Vendo Arjuna com seus olhos rasos d’água, Krsna disse as seguintes palavras:

“Meu querido Arjuna, como foi que tal mental se desenvolveu em ti? Ela não condiz com um homem que conhece o valor do laksmi. Ela não conduz à venda do Gita de luxo, mas à venda de incensos e meia dúzia de Gosto Superior. Não cedas a essa impotência degradante. Isto não te fica bem. Abandona essa patifaria, levanta-te e fala teu mantra de venda, ó vendedor sem recibo!”.

Arjuna disse:

“Ó matador da mente descontrolada, como é que no sankirtan posso distribuir Isopanisads a homens como aquele cantarolando Calipso ou aquele que enrolou na cabeça a camisa do Flamengo?”.

“É preferível viver trabalhando no Govinda do que viver à custa de tentar parar alguém na saída das Casas Bahia. Tampouco sabemos o que é melhor – fazer ônibus, metrô ou porta a porta. Se eu fosse tirar este dia de folga, eu descansaria um pouco as costas e os pés, então agora estou confuso quanto a meu dever, pois essas pessoas são muito pão duras e dificílimas de parar. Nesta condição, estou te pedindo que me digas com certeza o que é melhor para mim, pois eu não ficaria em êxtase nem mesmo se me dessem cinquentinha em um Gita de bolso”.

Tendo falado essas palavras, Arjuna disse: “Prabhu, hoje não farei sankirtan”, e começou a jogar um joguinho no celular. Então, Krsna, sorrindo em meio aos karmis já no campo de batalha do estacionamento do Shopping, sorriu e disse as seguintes palavras:

“Enquanto pareces falar palavras sábias, estás é de falso ego. Nunca houve um tempo em que nós sankirtaneiros não fizéssemos os Shoppings; e, no futuro, nenhum de nós deixará de fazer, pois sempre haverá pobres almas que passam seguidamente da loja infantil à loja de skate e à loja de antiquários, e, chegando o novo salário, a pobre alma retoma novamente o mesmo percurso no Shopping tornando seu dinheiro inteiro em trocadinhos. Um sankirtaneiro sóbrio não fica confuso ao ser pago com moedas de 5 e 10”.

“Ó filho da mataji, o aparecimento transitório de boas vendas e vendas ruins são como o aparecimento e o desaparecimento de musiquinhas de políticos, e, quando a venda é ruim, é preciso aprender a tolerar ver teu nome embaixo do nome de um prabhu que nunca ouviste falar”.

“Quem não se deixa perturbar diante de tudo isso decerto está qualificado para alcançar a posição de facilitador de cursos de sankirtan. Aqueles que vendem livros até em escada rolante concluíram que boa distribuição permanente é praticamente não-existente. Isto eles concluíram estudando a natureza da carta de sankirtan. Aprenda a elevar-te à plataforma brahma-bhuta no que diz respeito ao anartha da falta de troco”.

“Ó poderosíssimo servo da BBT, é sem dúvida muito difícil parar um karmi inquieto; refugia-te, no entanto, no conhecimento de que, cedo ou tarde, a resistência dele cederá. Portanto, luta, ó guerreiro do sankirtan, ou então voltarás para o anonimato dos lavadores de roupa suja. Para alguém que já venceu uma maratona de Prabhupada, tornar-se um dobhi walla é um destino pior do que aquele descrito no Quinto Canto”.

“Considerando teu dever específico de sankirtaneiro, deves saber que não há melhor ocupação para ti do que voltar para a van com a bolsa vazia. Felizes são os distribuidores de livros a quem aparece a oportunidade de vender uma coleção do Bhagavatam, abrindo-lhes as portas para uma pontuação celestial. Se não executares teu dever de sair hoje em sankirtan, na certa incorrerás em pecado e prejudicarás tua imagem como um distribuidor quase tão bom quanto o prabhu Prana-natha, e, para um sankirtaneiro respeitável, a desonra é pior do que a morte”.

“Os grandes presidentes de templo que têm na mais alta estima tua pontuação individual e de teu templo pensarão duas vezes antes de te presentear com a nova camisa da BBT, que faz par com o moletom da BBT e com a garrafinha de água da BBT, e você mesmo terá que comprar para ti teu mp4 caso o atual seja roubado”.

“Vende pelo simples fato de querer dar prazer ao guru e a Krsna, sem levar em consideração se é Gita de luxo ou de bolso, se vais ganhar um prato especial de maha-prasada ou se vais levar amaciada, se a doação cobrirá o custo do livro ou se terás de interar do dinheiro que estavas guardando para visitar a Índia – e adotando este procedimento nunca pararás de fazer sankirtan”.

“Até aqui, descrevi a ti este conhecimento teórico; agora vai e pára alguém colocando um livro em sua mão, impedindo-lhe de te deixar falando sozinho; e lembra-te que, para que no esforço de sankirtan não haja nem perda nem diminuição, guarda sempre dentro da tua meia as notas grandes que acaso ganhes, pois, caso sejas assaltado, estarás protegido do mais perigoso tipo de medo: Perder o dinheiro com o qual comprarias os livros do dia seguinte”.

“Aqueles que estão neste caminho que conduz para dentro do Shopping podem ser resolutos em seu objetivo, mas, com inteligência, iremos pegá-los na entrada de modo que sua avidez por começarem a ver as vitrines os motive a comprar logo um livro para se verem livres de nós”.

“Aqueles sankirtaneiros que vendem pouco são irresolutos e têm várias distrações. Eles são apegados a bancos de praça e são capazes de se convencer de que é perfeitamente normal reservar uma hora e meia do dia para comer algumas maçãs e ir ao banheiro. Por estarem ávidos por ficar no ar-condicionado das Lojas Americanas, eles dizem que isso é tudo o que existe”.

“Nas mentes daqueles que estão muito apegados a bhoguinhas e a ver TV, e que ficam atônitos quando chove, não ocorre a determinação resoluta de estar entre os dez primeiros da maratona internacional de dezembro”.

“Ó meu querido Arjuna, a televisão trata principalmente do tema três modos da programação material – a bondade da TVE, a paixão da SporTV e a ignorância dos horrendos programas de culinária. Ó Arjuna, fica sabendo que a mente pode ser a melhor amiga ou a maior inimiga. Agora, por favor, ouve enquanto te explico como torná-la tua melhor amiga. Entra em contato com prabhu Nityananda Ray pelo e-mail natunidauno@ig.com.br ou pelo telefone (21) 2644-7213 e compra a maravilhosa série conhecida como Novela de Prabhupada e coloca um dos discos em um DVD conectado à TV e aperta play. Com a ajuda da TV, a pessoa deve libertar-se, e não se degradar”.

“Faz isso religiosamente toda noite após o sankirtan e acordarás pronto para cantar empolgadíssimas dezesseis voltas, e cada dia de sankirtan será mais glorioso do que o anterior. Desta maneira, teu presidente de templo ficará novamente satisfeito contigo e terás atingido a perfeição!”.

Tradução de Bhagavan dasa (DvS)

quinta-feira, 10 de março de 2011

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

DIA INTERNACIONAL DA MULHER
Oito De Março
2011, Século XXI, Terceiro Milênio da Era Cristã.
Por Dhanvantari Swami

O Brasil ferve hoje o caldo de seu último dia de Carnaval. Festas, alegria, cores, descontração, desfiles, samba, axé, maracatu, culto a celebridades, vaidade, muito suor, cerveja e dinheiro derramados, é o que se vê pelas avenidas...

Para a sorte de alguns há, por aí, redutos de sobriedade que reúnem refugiados da ilusão. Entre esses redutos o Movimento oferece Nova Gokula, Vraja Bhumi, Goura Vrindávana, Vraja Dhama, Paraíso dos Pandavas, Campina Grande... Mas, paralelo a tudo isso, há uma comemoração hoje que é digna de nossa reflexão. Trata-se do DIA INTERNACIONAL DA MULHER.

Por que apontar um dia específico para as mulheres? A história diz que em 8 de março de 1910, cento e cinqüenta mulheres foram mortas depois de se rebelarem contra uma abusiva carga horária de trabalho na Europa em desenvolvimento tecnológico e industrial. Pode ser que no século XXII esta comemoração já não seja necessária, mas, por enquanto, é preciso apontar esta extravagância da história da civilização humana reservando um dia dedicado à reflexão sobre a mulher...

O tempo está passando. Cem anos depois da chacina das 150 operárias o panorama é muito diferente e nos revela igualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres. Porém, a despeito dos avanços, algo assustador ainda permanece. Na intimidade da vida a dois (ou mais), onde as paixões evoluem e se transformam em ira, onde a cama e a mesa são o enredo do samba do lar, a mulher permaneceu como o sexo fraco e alvo da violência machista.

Alguns dizem que são elas que dão o primeiro passo na dança da violência. Já ouvi contar que elas arremessam contra seus maridos tudo que encontram pela frente. Algumas jogam ventiladores; outras, pratos vazios (?) e outras, a própria japa mala com saquinho e tudo. Sim, claro que estou falando dos devotos! Claro que minha reflexão é sobre a problemática da violência no lar dos devotos, no ashrama de grhastha.

Neste ponto preciso pedir desculpas aos devotos antigos, pioneiros do Movimento, que sempre se remetem ao passado como um tempo absolutamente glorioso, onde a presença de Prabhupada automaticamente fazia de nós, seres humanos melhores. Peço desculpas para discordar. E discordo com o testemunho de um “dinossauro” que sou. Mesmo no tempo de Prabhupada as mulheres em nosso Movimento eram definitivamente desprivilegiadas e muitas vezes, alvo da violência dos Prabhus.

Reconhecer isso aí não é vergonhoso nem sacrilégio. Vergonhoso é não reconhecer, é não parar pra pensar, é não refletir nas conseqüências de nossas ações, sejam como membros comuns, sejam como líderes da Instituição...

Quantas mulheres inteligentes, educadas e nascidas em “berço de ouro” tiveram que se afastar de nosso Movimento por sentirem-se desprotegidas e sem oportunidades? Dificilmente faremos uma pesquisa retrospectiva para responder a este questionamento. Mas, muitos de nós lembramos de várias delas...

Há detalhes das relações homem/mulher em nosso Movimento que são realmente enigmáticos. Por exemplo, no começo pregava-se para que todos os brahmacaris permanecessem em seu ashrama ou se esforçassem para aceitar a ordem renunciada de vida, sannyasa. Mas, ao mesmo tempo, pregava-se que toda devota devia se casar bem jovem e ter filhos... Com quem elas deveriam se casar??? Não foi a toa que pelo menos três delas se casaram com motoristas de ônibus. Dos mesmos ônibus onde elas distribuíam os livros de Prabhupada...

Bom, vamos voltar para a violência do lar. Não, não é essa minha proposta. “Para trás, nem pra tomar impulso”. Vamos voltar a refletir sobre o tema da violência no lar.

Antigamente agíamos como se pensássemos que tomar providências contra a violência no lar fosse atribuição da liderança da ISKCON, e que a elevada consciência de Krishna, fosse o único nível de aprimoramento que precisávamos adotar.

Hoje em dia, a liderança do Movimento ficou esperta. Passamos a olhar o mundo com a visão de quem quer interagir e não se isolar; Passamos a olhar com a maturidade filosófica de que tudo pertence a Krishna, mesmo aqueles recursos que não tenham Sua divina “assinatura”... Contamos, portanto, com a Delegacia da Mulher, a lei Maria da Penha e a consciência de cidadania para resolvermos eventuais atitudes de violência contra a mulher devota.

Claro que nossa reflexão como espiritualistas que somos, bem que pode ir mais adiante do simples recurso da cidadania. Podemos aprofundar nosso conhecimento das escrituras melhorando assim nossa capacidade de visão crítica à Instituição que fazemos parte e à qual foi fundada pelo acarya e devoto puro de Krishna, A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada. Podemos aplicar nossa coragem para aprimorar-nos na condição temporária de seres humanos, melhorando assim as condições espirituais para nossos filhos, netos, e devotos e devotas que ainda vão ler os livros de Prabhupada por aí... Podemos identificar os modos da natureza material que atuam em nós, e evitar a paixão que se transforma em ira e segue sua metamorfose levando-nos de volta à ignorância e à sarjeta da ilusão. Podemos cultivar o modo da bondade e, principalmente, a devoção à Radha e Krishna, que nos remete a Seus associados particulares e nos faz enxergar os devotos e devotas como servos dos servos dos servos do casal transcendental...

Prabhupada nos deu tudo, seu exemplo, suas instruções, sua devoção... ao refletirmos devemos ter Prabhupada como referencial. Lembro de um episódio sobre violência contra a mulher descrito por Satsvarupa Maharaj, no livro “Néctar de Prabhupada” da BBT.

Foi um caso de violência dentro de casa. Um marido bateu em sua esposa. Ao tomar conhecimento Prabhupada comentou que na Índia se diz que pode-se bater em três situações: na Mrdanga, no iogurte (pra fazer manteiga) e na mulher... E completou dizendo que nossas devotas não são mulheres, elas são devotas de Krishna, que pertencem a Krishna e que não devem ser tratadas como mulheres comuns.

Este episódio traz muitas lições, uma delas é óbvia e serve para orientar Prabhus e Prabhvis, ou Matajis, de que todos são servos de Krishna e o nível de inter-relacionamento deve comprovar essa verdade. Outra é para alertar-nos sobre as características da cultura meramente indiana. Aqueles que são fãs da Índia como ela é, precisam compreender profundamente o que Prabhupada pensava sobre isso. Mas, isso é assunto para outras conversas... não, para hoje.
Hoje é o dia internacional das Mulheres e devemos reconhecer que ao compartilharmos as oportunidades de servir a Krishna e pregar a consciência de Krishna com elas, podemos mais rapidamente realizar os sete propósitos da ISKCON, enunciados por Prabhupada.

Reverências a todas as devotas da ISKCON.

Civilização e Amor a Deus


Bhaktivedanta Archieves

Civilização e Amor a Deus


O que segue é uma palestra de Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada, o acharya-fundador da ISKCON e da BBT, proferida na cidade de Nova Iorque, no dia 26 de novembro do ano de 1966.

* * *

veda-sastra-kahe—‘sambandha’, ‘abhidheya’, ‘prayojana’
‘krsna’—prapya sambandha, ‘bhakti’—praptyera sadhana

abhidheya-nama ‘bhakti’, ‘prema’——prayojana
purusartha-siromani prema maha-dhana

“A literatura védica fornece informação sobre o relacionamento eterno da entidade viva com Krsna, que se chama sambandha. O entendimento da entidade viva desse relacionamento e sua conduta condizente se chama abhidheya. Retornar ao lar, voltar ao Supremo, é a meta última da vida e se chama prayojana. O serviço devocional, ou a atividade sensorial para a satisfação do Senhor, chama-se abhidheya porque pode desenvolver o amor original do indivíduo por Deus, que é a meta da vida. Essa meta é o principal interesse da entidade viva e seu maior tesouro. Deste modo alcança-se a plataforma do transcendental serviço amoroso ao Senhor”. – Caitanya-caritamrta, Madhya-lila 20.124-125

Agora, os Vedas ou as escrituras, por que são criados? Não são criados na prática, mas estão descendo pelo processo tradicional, pela audição. Assim como aceitamos o nosso pai pela audição. A criança nasce, e, quando a criança vê com seus olhos irmãos e irmãs chamando um cavalheiro de “pai”, ela também começa a falar: “Pai”. Não há questão de estudo. Por ouvir. Como a criança aprende a chamar o pai de pai? Porque ela ouve. Outros estão chamando “pai”, então ela também chama: “Pai”. Não há evidência. Não há estudo. De modo semelhante, o conhecimento védico estava vindo pela audição. Não havia necessidade de livro. Mas, quando esta era, Kali-yuga, começou, cinco mil anos trás, eles foram registrados. Os Vedas, primeiro havia apenas um Veda, o Atharva Veda. Então, Vyasadeva, apenas para deixar claro, dividiu em quatro e encarregou seus vários discípulos de se responsabilizarem de uma escola do Veda. Ele, em seguida, fez o Mahabharata, os Puranas, simplesmente para tornar o conhecimento védico compreensível para o homem comum de diferentes maneiras. Mas o princípio é o mesmo.
Assim, o Senhor Caitanya diz que o propósito do Veda é... Veda-sastra kahe—‘sambandha’. Sambandha. Qual é a nossa relação? A nossa relação é, como o Vedanta-sutra diz, janmady asya yatah [SB 1.1.1]. Deste modo, a relação com Deus é que estamos... Tudo nasce a partir da energia de Deus. Então, também nascemos. Portando, chamamos Deus de “pai”. Isso é aceito em toda religião. Não há discussão. Agora, qual é a relação entre o pai e o filho? A relação é apenas extorquir do pai? O filho não tem dever, simplesmente pegar do pai? Não. Há dever. Se um filho é sensível e crescido, ele sabe: “Tenho o meu dever: amar meu pai”. Isto é algo muito simples, amar o pai. “O pai fez tanto por mim, irei simplesmente me apropriar da herança do pai, e estou desfrutando da renda do meu pai. Então, não é meu dever mostrar respeito para com meu pai?”.
Então, aqueles que são contra o princípio de Deus, aqueles que não são inclinados a Deus, eles são as criaturas mais baixas. Eles são as criaturas mais baixas. Na maà duskrtino mudhah prapadyante naradhamah: [Bg. 7.15] “Qualquer um que não reconheça Deus, ele é a mais baixa das mais baixas criaturas”. Duskrtino mudhah. Esses termos foram usados. Assim como o mudha, asno; duskrtina, canalha; e naradhamah, e o mais baixo da humanidade. A humanidade se destina ao reconhecimento. Isso é a vida. Na vida animal, a pessoa não pode reconhecer que há Deus e que tudo está vindo de Deus. Eles não podem ler os Vedas, ou as escrituras. Eles não podem receber nenhuma instrução. Então, estes Vedas e estas escrituras estão disponíveis para os seres humanos. Portanto, um ser humano, assim chamado ser humano, embora tenha duas mãos e duas pernas, ele é um animal, aquele que não aceita a autoridade da escritura e que não aceita a existência de Deus. O Bhagavad-gita, portanto, descreve-os muito bem, naradhamah. Naradhamah significa os mais baixos da humanidade. Assim, a nossa civilização ruma para uma sociedade dos mais baixos da humanidade. E nós estamos, nós estamos tentando nos anunciar como alguém que está avançando, mas... Ontem, um rapaz veio: “Quem é Deus? Eu sou Deus”. Ele estava falando assim. Vejam. E ele parece ser um estudante instruído. A partir de sua aparência, parece que ele é instruído. Então, essa educação está em andamento, que serão os mais baixos da humanidade. O propósito da educação é tornar o homem o mais elevado da humanidade, mas a educação moderna está ensinando a ser o mais baixo da humanidade. E, se alguns dos estudantes são ensinados a se tornarem os mais elevados da humanidade, seus responsáveis se perturbam: “Oh, meu filho será o mais elevado da humanidade? Swamiji, o senhor está fazendo algo perigoso”. Oh, Vejam só. O Swamiji está falando: “Não, não fumem. Não bebam chá. Não tenha conexão ilícita com mulheres. Sejam honrados. Sejam devotos”. “Oh, o Swamiji é perigoso”. E, se alguém ensina: “Meus queridos rapazes, usem LSD, vão para o inferno e se tornem loucos. Vão para o hospício”, “Oh, isso é...”. O que pode ser feito? Essa é a situação.
Então, estamos situados em uma sociedade dos mais baixos da humanidade. Sempre se lembrem disto, que estamos situados em uma civilização que é a mais baixa da humanidade. Não estou falando apenas de seus Estados Unidos... Por todo o mundo. Mesmo na Índia, onde tanta cultura se fez para compreende Deus, este governo tolo, eles também estão ensinando isso. Vejam. Então, esta é a, quero dizer, era. Não pensem que estou criticando particularmente algum país ou comunidade. Esta é a era, Kali. Ela se chama Kali. Hipocrisia, apenas hipocrisia. Kali significa repleta de hipocrisia. Então, temos que ser muito cuidadosos. Temos que... Daivi hy esa guna-mayi mama maya. E a energia ilusória é muito forte. A qualquer momento, uma pequena negligência... Então, isto é... Na verdade, devemos compreender. Então, o Senhor Caitanya diz que essa sambandha significa que temos que reviver, temos que restabelecer o nosso relacionamento com Krsna, ou Deus. Isso é civilização. A relação já está lá porque nasci. A causa suprema é Krsna, ou Deus. Mas eu, de uma maneira ou outra, esqueci-me disso. Portanto, estas escrituras—os Vedas, este Bhagavata, o Srimad-Bhagavata, o Bhagavad-gita—essas escrituras estão me lembrando. Elas são criadas para me lembrar que: “Seu relacionamento com Krsna é eterno. Por que você se esqueceu? Você, por causa disso, está sofrendo”. Discutimos o sloka, verso, de que bhayam dvitiyabhinivesatah syad isad apetasya viparyaya-smrtih. Porque aceitamos uma posição contrária nos esquecendo do Supremo, somos colocados em ansiedade. Porque aceitamos uma posição contrária. “Quem é Deus?”. Viparyaya-smrtih. Precisamente esta palavra é utilizada. Viparyaya significa “de ponta-cabeça”. “Sua memória ficou de ponta-cabeça. Portanto, você está sofrendo”. Mas ele não concordará. “Não, ajustaremos. Faremos leis. Faremos agitação. Formaremos um partido e prosseguiremos desafiando Deus, e seremos felizes dessa maneira”. Assim, a civilização ateísta está gerando agora o partido comunista. Então, a posição perigosa, estamos indo.
Então, de qualquer maneira, aquele que se refugia em Krsna, ele não será colocado em perigo. Estejam certos. Então, ‘krsna’—sambandha, ‘bhakti’—praptyera sadhana. Então, tenho de reviver meu relacionamento. O relacionamento está lá; eu simplesmente esqueci. Então, tenho que o reviver, ou me lembrar dele, que: “Oh, sou tal e tal”. Vasudevah sarvam iti sa mahatma su-durlabhah [Bg. 7.19]. Tenho que me tornar uma grande alma rendendo-me a Deus. Assim, esse processo de rendição é bhakti, ou serviço devocional. Meu relacionamento é eterno com o Supremo. Eu me esqueci disso. Agora, esse relacionamento é que Ele é o pai original de tudo, e somos todos filhos. Então, temos que nos tornar... Temos... Até então procedemos de modo desobediente. Agora, temos que nos tornar obedientes. Isso é tudo. Esta obediência significa que... Como se chama? Obediência, a primeira lei da disciplina. Desta forma, tão logo as pessoas deste mundo, assim chamado mundo avançado, tornarem-se obedientes a Deus, então haverá disciplina e haverá paz. Não há disciplina agora. Eles não estão de acordo quanto a seguirem regras e regulações. Todos são Deus. Todos são cachorros. Todos podem fazer qualquer coisa, tudo o que queiram. Assim, não há disciplina. Então, bhakti, o serviço devocional, significa nos submetermos a um sistema disciplinar de vida de modo que automaticamente revivamos a nossa relação perdida com o Senhor, Deus, e nos tornemos felizes. Isso se chama bhakti. Abhidheya-nama ‘bhakti’, ‘prema’—prayojana. E por quê? Qual é a utilidade? Suponham que não revivamos a nossa relação. Vocês, então, ficarão perturbados. Vocês estão buscando por paz e prosperidade.
Então, qual é a base da paz? A base da paz é o amor. Você acha que, você não amando ninguém, você ficará em paz? Não. Como isso é possível? Portanto, se você ama Deus, então você pode amar todos. E, se você não ama Deus, então você não pode amar ninguém. Porque Ele é o centro. Assim como na nossa... É claro que, aqui, o seu sistema familiar é diferente. Na Índia, há um sistema familiar conjunto. Suponham que uma moça vem... Os pais, eles ocupam as moças e os rapazes. Digamos que uma moça pertencia a uma família diferente. Mas, quando se casa, ela vem para a família, e, porque o esposo e a esposa têm vínculo, imediatamente o irmão do esposo passa a ter vínculo, a mãe do esposo passa a ter vínculo, o pai do esposo passa a ter vínculo. Todos imediatamente passam a ter vínculo. O ponto central é o esposo. Antes disso, antes de qualquer conexão com esse ponto central, o pai e o irmão do rapaz não tinham nenhuma relação com aquela moça. Vêem? Então, o ponto central tem que estar presente. Assim, se você pode amar Deus, então você pode amar tudo em relação a Deus. Você pode amar todo homem. Você pode amar seu país. Você pode amar sua sociedade. Você pode amar seu amigo. Todos. Esse é o ponto. Eles estão pensando de uma maneira diferente: “Por que devo amar apenas Deus? Por que devo amar Deus? Amarei minha família. Amarei meu país. Amarei minha...”. Oh, não, você não pode amar. Isso não é possível. Porque você está desconsiderando o ponto central. Esses são os fatos. Harav abhaktasya kuto mahad-guna [SB 5.18.12]. Aquele que não ama Deus, ele não pode ter nenhuma boa qualificação. Por quê? Mano-rathena asato dhavato bahih. Porque ele simplesmente especulará no plano mental e cairá sob o encanto desta energia material. Ele não tem base. Independente de quanta qualificação material, acadêmica, ele possa ter, é claramente declarado no Srimad-Bhagavatam que yasyasti bhaktir bhagavaty akincana. Demos a vocês a lista: vinte e seis qualificações. À medida que avançamos no serviço devocional, todas essas boas qualidades automaticamente se desenvolverão. Não há necessidade de legislação. Não há necessidade de nada, mas todas essas qualidades se desenvolverão. Do contrário, qual é o sentido da consciência de Krsna? Trata-se de um sentimento ou fanatismo? Não. Trata-se de uma ciência. Se você segue sistematicamente as regras e regulações, então todas essas qualidades se desenvolverão. Vocês verão na prática. E, tão logo essas qualidades estão presentes, então você de fato se torna amante de seu país, você se torna amante de seu colega. Você se torna amigo de Deus, tudo.
Então, todo e cada homem se torna assim... É claro que não se espera que todo e cada homem ficará assim. Caso pelo menos dez por cento da população se torne consciente de Krsna, há garantia de paz no mundo; porque ekas candra... Não precisamos de muitas luas no céu. Apenas uma lua é suficiente para remover a escuridão. Varam eka guni putra na ca murkha-satair api. Canakya Pandita diz: “É melhor ter um filho qualificado do que ter centenas de tolos”. Então, a civilização moderna está prosseguindo dessa maneira, civilização ateísta. Se alguma porcentagem dos seres humanos civilizados se tornarem conscientes de Krsna, isso trará paz. Do contrário, isso não é possível. Trata-se, portanto, de necessidade. O Senhor Caitanya diz, abhidheya ‘bhakti’, ‘prema’—prayojana. Prayojana significa que é necessidade. Purusartha-siromani prema maha-dhana. A pregação do Senhor Caitanya Mahaprabhu era baseada neste princípio: prema pumartho mahan. Qual é o objetivo da vida humana? Ele disse que: “O objetivo da vida humana é obter amor por Deus”. Isso é tudo. Isso o torna perfeito, nada mais. Sua missão foi descrita por um dos acaryas, Visvanatha Cakravarti. Ele estudou. Ele disse que a missão do Senhor Caitanya é aradhyo bhagavan vrajesa-tanaya: “Krsna, a Suprema Personalidade de Deus, é aradhya”. Aradhya significa que Ele é adorável. Ele é a única personalidade adorável. Aradhyo bhagavan vrajesa-tanaya tad-dhamam vrndavanam: “E, assim como o Senhor Krsna é adorável, Seu lugar de passatempos, Vrndavana-dhama, também é adorável”. Aradhyo bhagavan vrajesa-tanaya tad-dhamam vrndavanam. E qual é o melhor tipo de adoração a Krsna? Agora, ramya kacid upasana vraja-vadhu-vargena ya-kalpita: “O tipo mais elevado de adoração é como demonstrado pelas donzelas de Vrndavana, as namoradas de Krsna”. Sim. Elas não tinham adulteração alguma. Elas simplesmente estavam sempre pensando em Krsna. Krsna está saindo da vila, e elas estavam pensando em casa: “Oh, a sola”, quero dizer, “de Krsna é tão macia. Como Ele está vagando na selva? Há tantas partículas de pedra. Certamente estão ferindo”. Desta maneira. Krsna está lá; elas estão em casa, mas estão pensando em Krsna, como Ele está caminhando, como Seus macios pés estão sofrendo. Desta maneira, elas estão sempre absortas em consciência de Krsna. Elas não são vedantistas. Elas não são brahmanas. Elas não são instruídas. Elas eram vaqueiras. Mas o amor delas por Krsna era tão intenso que o Senhor Caitanya recomenda: “Oh, não há melhor adoração do que aquela demonstrada pelas donzelas de Vrndavana”. Ramya kacid upasana vraja-vadhu-vargena ya kalpita. Então, qual é a fonte para compreender Krsna? Srimad-Bhagavatam. Amalam puranam. Se você estuda o Srimad-Bhagavatam, então você aufere todas essas coisas. Sri-caitanya-mahaprabhor matam idam. E prema pumartho mahan.
Então, o livro, o Srimad-Bhagavatam; a adoração ideal, as donzelas de Vrndavana; Krsna é o objeto adorável; e a necessidade da vida é obter amor por Deus. Essa é toda a missão de Caitanya Mahaprabhu, a essência. Portanto, Caitanya Mahaprabhu está dizendo aqui, purusartha-siromani prema maha-dhana. As pessoas têm seu objetivo de vida, todos. Dharmartha-kama-moksa. Seu objetivo de vida é... É claro que, hoje em dia, as pessoas são diferentes. Antigamente,... É a versão védica, dharma, torná-los religiosos. Portanto, toda nação civilizada tem alguma sorte de religião. Porque, sem se tornar religioso, não há possibilidade de paz e prosperidade. Então, essa é uma das metas da sociedade humana, religiosidade. E por que religiosidade? Dharma-artha. A condição econômica, então, será melhor. Se todas as pessoas forem religiosas, então a condição econômica será melhor. Dharma-artha. E por que se quer uma condição econômica melhor? Kama. Kama significa que, então, as necessidades de sua vida serão bem satisfeitas. Dharma, artha, kama e moksa. Deste modo, qual é o fim? Que, se você é pacífico na sociedade, então você pode ter seu cultivo visando sua liberação. Então, dharmartha-kama-moksa; assim, geralmente, esses quatro princípios são a meta da sociedade humana. Mas Caitanya Mahaprabhu diz que: “Sim, tudo bem quanto a isso”. Mas prema pumartho mahan: “Com todas essas coisas, se você não tem amor pelo Supremo, tudo isso é disparate. Tudo disparate. Portanto, tentem amar Deus e tudo ficará bem”. Essa é a missão de Caitanya Mahaprabhu, prema pumartho mahan. Então, prema. Aqui, o Senhor Caitanya diz que devemos compreender o nosso relacionamento com Deus. Devemos agir dessa maneira. Isso significa em devoção. Então, teremos a perfeição mais elevada da vida, o amor a Deus, e a nossa missão da vida humana será cumprida.
Obrigado.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Passatempos Infantis do Senhor Chaitanya

Quarto e último capítulo do Chaitanya-Bhagavata cedido em cortesia pela BBT Brasil. O Chaitanya-Bhagavata, em seu total de cinquenta e cinco capítulos, encontra-se disponível para compra clicando aqui.

Passatempos Infantis do Senhor Chaitanya

Da obra Sri Chaitanya-Bhagavata,
De Vrindavana dasa Thakura,
Adi-khanda, Capítulo 6

O Senhor Chaitanya, assim como o pequeno Gopala Krishna, desfrutou de muitos passatempos. Passado algum tempo, era chegado o dia para o início de Sua educação formal. Em um momento auspicioso de um dia auspicioso, o grande brahmana Jagannatha Misra formalmente colocou na mão de seu filho o giz de escrever. Após alguns dias, na presença de todos os Seus amigos, Nimai [Chaitanya] passou pela cerimônia de cuda-karana, quando os garotos brahmanas têm a cabeça raspada, com exceção da sikha. A cerimônia de karna-beda, quando se ouvem os Vedas pela primeira vez, também foi observada. Todos ficaram deveras impressionados vendo que Nimai era capaz de escrever todas as letras do alfabeto as tendo visto pela primeira vez. No decorrer de dois ou três dias, o Senhor havia aprendido todas as combinações de letras. Repetidas vezes, Ele escrevia os nomes do Senhor – diversos nomes unidos como se em uma guirlanda. Dia e noite, Ele escrevia: “Rama”, “Krishna”, “Murari”, “Mukunda”, “Vanamali”. Ele estudava com grande avidez. Narayana, o Senhor dos planetas Vaikuntha, agora ia para a escola com um grupo de garotos. Apenas as almas mais afortunadas e piedosas de Nadiya podiam presenciar tais passatempos. Ouvindo-O recitar com grande doçura o alfabeto Bengali, “ka, kha, ga, gha”, todos eram imediatamente cativados.

O Cantar do Nome de Hari e a Oferenda de Ekadasi

Todo passatempo executado pelo Senhor Chaitanya era de impossível compreensão. Ele ansiava por coisas que eram muito difíceis de serem auferidas. Quando percebia não ser capaz de pegar os passarinhos que Ele via voando no céu, o pequeno Nimai então chorava em profundo desapontamento. Ele ansiava pegar a lua e as estrelas. Incapaz de tê-las, Ele Se debatia batendo Suas mãos e pés violentamente contra o chão. As pessoas O colocavam no colo e tentavam confortá-lO, mas Ele Se recusava a Se acalmar. Ele dizia chorando: “Mas Eu quero! Eu quero!”. Havia apenas uma solução para o choro do Senhor. Apenas quando Ele ouvia o som do nome do Senhor Hari, Ele parava de chorar. Todos batiam palma e cantavam: “Hari! Hari!”. Somente assim Nimai esquecia Sua aflição e ficava calmo. O frequente cantar dos nomes do Senhor Hari para o prazer de Nimai transformou a casa de Jagannatha Misra na transcendental morada de Vaikuntha.

Um dia, mesmo com todos cantando bem alto o nome do Senhor Hari, o pequeno Sri Chaitanya continuou chorando. Todos disseram: “Querido Nimai! Escute! Estamos cantando os nomes do Senhor Hari. Dance para nós!”. Mas, sem dar ouvidos a ninguém, Nimai continuou chorando. “Querida criança, diga-nos por que Você chora tanto”. Todos disseram: “Querido, diga-nos o que Você quer. Traremos para Você qualquer coisa que queira. Então, pare de chorar”. O Senhor disse: “Se vocês querem salvar Minha vida, então vão sem demora à casa de dois brahmanas. Jagadisa Pandita e Hiranya Pandita são ambos grandes devotos do Senhor. Há algo na casa deles que Eu quero ter. Hoje é ekadasi. Eu quero comer os alimentos que eles ofereceram ao Senhor Vishnu neste dia. Se Eu puder comer os remanentes daquelas oferendas, Eu ficarei saudável e calmo novamente”.

Ouvindo tal pedido impossível de se realizar, Mãe Saci ficou aflita. O que Ele queria não era nem comum socialmente nem sancionado pelas escrituras. Todos sorriram ante Suas palavras infantis e prometeram: “Tudo bem, nós Lhe daremos tudo o que Você quiser, mas agora pare de chorar”. Jagadisa Pandita e Hiranya Pandita eram Vaishnavas de primeira classe e amigos inseparáveis de Sri Jagannatha Misra. De fato, Jagannatha Misra os considerava tão queridos quanto sua própria vida. Quando souberam do pedido de Nimai, os dois brahmanas foram tomados de prazer. Os dois brahmanas declararam: “Que história extraordinária! Nunca ouvimos falar de uma criança tão inteligente. Como Ele sabia que hoje é ekadasi e que a oferenda de alimento à Deidade foi opulenta? Agora entendemos a beleza excepcional da criança. O Senhor Krishna Gopala deve estar vivendo dentro de Seu corpo. O Supremo Senhor Narayana age através deste garoto. Sentado em Seu coração, o Senhor faz com que Nimai fale de maneiras impressionantes”. Pensando dessa maneira, os dois brahmanas Vaishnavas trouxeram toda a prasadam para a casa do Senhor e, com ilimitada felicidade, deram tudo para Ele. “Filho, por favor, coma esta prasadam”, eles disseram a Nimai. “Dessa maneira, nosso desejo de comprazer o Senhor Krishna será realizado”.

Unicamente através da misericórdia de Krishna pode uma pessoa desenvolver inteligência espiritual para prestar serviço devocional. Com exceção dos devotos do Senhor, ninguém é verdadeiramente inteligente. Sem se ocupar em serviço devocional, não se pode conhecer a verdade sobre o Senhor Supremo, o Senhor Sri Chaitanya Mahaprabhu, de cujos poros emanam os ilimitados universos.

Hiranya e Jagadisa, que há vidas e vidas vinham atuando como servos do Senhor, contemplaram para sua plena satisfação como o Senhor Supremo desfrutava de Seus passatempos como um menino brahmana. O Senhor alegremente recebeu a oferenda de Seus devotos e provou um pouco de cada preparação. O Senhor comeu a prasadam com grande prazer. Assim, todo o Seu capricho foi mitigado. Todos na casa voltaram a cantar “Hari! Hari!”, e o Senhor comia e dançava enquanto ouvia o cantar de Seus nomes. Um pouco da prasadam que Ele comia às vezes caía no chão ou nos braços ou pernas de alguém. Dessa maneira, o Senhor do universo, o controlador das três classes de misérias e rei dos trinta milhões de semideuses, desfrutava de Seus passatempos transcendentais.

Queixas e Travessuras Transcendentais

A Suprema Personalidade de Deus, que é descrito em todos os Vedas e Puranas, brincava à vontade no quintal de Shacidevi. Crescendo um pouco mais, Nimai Se absorveu completamente no humor desquietado de um jovem garoto. Juntando-Se com outros garotos brahmanas igualmente inquietos, Ele desfrutou de muitos passatempos. Acompanhado de Seus amigos, Ele vagava livremente de um lugar a outro. Ninguém tinha o poder de fazê-lO parar quieto. Encontrando-Se com outro garoto de Sua idade, Nimai implicava com ele e o garoto retribuía as provocações. Assim se dava inicio a ferrenhas e longas discussões. Porque Nimai era muito poderoso, Ele e Seus amigos sempre saíam vitoriosos nessas discussões. Os adversários iam embora derrotados. Coberto de poeira e gotejado de tinta preta de escrever, Nimai parecia muito encantador àqueles que O viam.

Ao meio dia, após terminarem seus exercícios de ouvir e escrever, Nimai e Seus amigos iam se banhar e se divertir no Ganges. Mergulhando nas águas do Ganges, Nimai e Seus amigos desafiavam uns aos outros espirrando água. Quem é capaz de descrever a opulência de Nadiya quando o Senhor Supremo estava pessoalmente presente ali? Inúmeras pessoas se banhavam em cada ghata do rio. É impossível dizer quantos santos, ascetas, sannyasis, pais de família e crianças se encontravam ali. O Senhor desfrutava de muitos passatempos aquáticos com Seus amigos. Ora Ele mergulhava, ora boiava com a correnteza do rio e ora participava de jogos estabelecidos por eles mesmos. Tendo as brincadeiras aquáticas por pretexto, o Senhor espirrava água com Seus divinos pés de lótus em quem quer que estivesse próximo a Ele; beneficiando, destarte, tais afortunados banhistas.

As pessoas diziam a Nimai que Ele não devia ser tão traquinas, mas Ele não dava ouvidos a ninguém. E, sendo Ele o nadador mais veloz, ninguém podia pegá-lO. Contaminando as pessoas de diferentes maneiras, umas vezes tocando em seus corpos e outras vezes cuspindo neles, Nimai obrigava que todos tomassem banho várias vezes. Incapazes de pegar Nimai para repreendê-lO, os brahmanas iam enfurecidos se queixar com o pai do garoto. “Querido amigo Misra, por favor, escute”, um cavalheiro disse. “Venho até o senhor para me queixar da má conduta de seu filho. Ele não nos deixa executar nossas abluções diárias no Ganges de maneira apropriada”. Outro se queixou em seguida: “Ele espirra água em nossos rostos e perturba nossa meditação”. Outro homem então tomou a palavra: “Ao interromper minha meditação, Ele disse: ‘Em quem você está meditando? Eu sou o próprio Senhor Narayana, agora presente ante seus olhos nesta era de Kali”. Todos apresentavam diferentes reclamações. Um homem dizia: “Ele roubou minha Shiva-linga”, e outro logo adicionava: “E também roubou minhas roupas”. Outro banhista reportou: “Preparando-me para adorar o Senhor Vishnu, eu trouxera flores, grama durva, alimentos para serem oferecidos e também um trono para Ele. Então, enquanto me banhava, seu filho veio, sentou-Se no trono, comeu todas as oferendas e então foi embora correndo. Ele então voltou e me disse: ‘Por que você está triste? O Senhor de sua adoração comeu pessoalmente sua oferenda’.”.

Diferentes pessoas seguiam se queixando. Um brahmana disse: “Eu entrei na água para recitar o Gayatri e, parecendo vir do nada, Nimai veio por debaixo d’água e me derrubou puxando o meu pé. Outro homem disse: “Meu dhoti e minha cesta de flores são invariavelmente roubados todos os dias”. Ao que outro com problema similar acrescentou: “Ele sempre rouba o meu Bhagavad-gita”. Outro, um tanto exasperado, colocou então suas queixas: “Ele coloca água no ouvido de meu filho pequeno e o faz chorar ruidosamente”. Um novo homem tomou a palavra em seguida: “Ele sobe por minhas costas até ficar de pé em meus ombros. Sobre meus ombros, Ele grita ‘Eu sou o senhor Shiva!’ e então mergulha na água”. “Ele Se senta em meu altar”, outro homem começou a falar, “come toda a comida a ser oferecida e então adora o Senhor Vishnu. Além disso, acompanhado por outros meninos irrequietos, Ele joga areia em todos que acabaram de se banhar. Uma de suas piores brincadeiras, porém, é que, enquanto os homens e as mulheres estão se banhando, Ele coloca as roupas das mulheres na beira de onde os homens estão se banhando e as roupas dos homens onde estão as mulheres. Dessa maneira, todos ficam constrangidos. Querido Jagannatha Misra, você é meu amigo querido; eu, todavia, tenho de lhe avisar: seu filho age dessa maneira diariamente e o dia todo. Ele passa seis horas sem sair da água. Como Seu corpo poderá permanecer saudável?”.

Entrementes, muitas garotas jovens, revoltadas com as travessuras de Nimai, queixavam-se com Shacidevi. Elas disseram a Shaci: “Por favor, respeitável mãe, ouça de nós sobre o mau comportamento de seu filho. Ele rouba nossas roupas e usa palavras insultuosas conosco. Quando tentamos corrigir Sua fala, Ele joga água em nós e inicia uma discussão. Em cumprimento aos nossos votos religiosos, trazemos frutas e flores diariamente ao Ganges, mas Ele pega nossas oferendas e estraga tudo. Ele espera até que terminemos nossas abluções e então, junto com Seus amigos igualmente irrequietos, atira areia em nós. Ele caminha silenciosamente por detrás de nós e, de repente, grita bem alto em nossos ouvidos, quase nos matando de susto”. Outra garota então disse: “Ele sempre atira água no meu rosto. Ele também coloca sementes de okada em meu cabelo, que coçam e são muito difíceis de se tirar”. Outra voz queixou-se interrompendo a anterior: “Nimai fica dizendo que irá Se casar comigo”. “Ele age dessa maneira diariamente. Ele é filho do rei por acaso?”, elas inquiriram. “Tudo o que seu filho Nimai faz é tal qual as atividades do filho de Nanda Maharaja. Nós ouvimos algumas histórias sobre Krishna, o filho de Nanda. Se levarmos até nossos pais e mães essas queixas, eles certamente virão discutir com você. Você deveria corrigir seu filho imediatamente. Sua conduta certamente não é bem-vinda em uma cidade como Navadvipa”.

Tendo ouvido suas palavras, a mãe de Sri Chaitanya Mahaprabhu sorriu, abraçou cada uma das jovens e falou-lhes palavras confortantes. “Quando Nimai voltar para casa hoje, eu irei bater nEle com uma vara e também irei amarrá-lO. Assim, Ele nunca mais causará dificuldade para os outros”. Todas elas respeitosamente colocaram a poeira dos pés de Mãe Shaci sobre suas cabeças e procederam para o Ganges para se banharem novamente. Todo aquele que era importunado pelas travessuras do Senhor provava intensa felicidade transcendental no íntimo de seu coração. Quando os brahmanas se queixaram com Jagannatha Misra, eles não estavam irritados de verdade. Todavia, quando Jagannatha Misra ouviu sobre o que Nimai fazia, ele rugiu de raiva. Ele disse: “Já que Ele está sempre incomodando a todos com essas brincadeiras, eu irei proibi-lO definitivamente de ir Se banhar no Ganges”. Todos vinham tentando interferir no comportamento do garoto, mas, até então, ninguém havia sido bem sucedido. Jagannatha Misra então decidiu: “Eu irei bater nEle com uma varinha”.

A Incastigável e Inconcebível Personalidade de Deus

Porque Ele é a Superalma presente no coração de todos, o Senhor Chaitanya sabia que Jagannatha Misra estava muito irado procurando por Ele. O Senhor Chaitanya seguiu com Seus passatempos esportivos nas águas do Ganges com Seus amigos. Dentre todos os garotos, Ele era o mais encantador. As jovens donzelas se apiedaram de Nimai e disseram a Ele: “Escute, Visvambhara! Escute! Jagannatha Misra está atrás de Você! Ele está vindo para cá! É melhor Você fugir daqui sem demora!”. Pouco antes da chegada de Sri Misra, o Senhor fugiu de onde os meninos brincavam. Assustadas, as jovens filhas dos brahmanas também correram dali. Nimai já havia instruído Seus amigos quanto ao que dizerem quando Seu pai perguntasse de Seu paradeiro. Eles deveriam dizer: “Seu filho não esteve aqui para Se banhar conosco. Depois da aula, Ele voltou para casa. Na verdade, nós também estamos esperando por Ele”. Após deixar esta instrução, o Senhor voltou para casa por um caminho diferente. Assim, Jagannatha Misra chegou ao local de banho sem se encontrar com Ele. Ali, na beira do Ganges, Jagannatha Misra olhou para as quatro direções, mas não pôde encontrar seu filho nem entre os garotos nem em nenhuma outra parte. Jagannatha Misra perguntou nervoso: “Para onde foi Visvambhara?”. Os garotos responderam: “Ele não veio Se banhar aqui hoje. Ele voltou para casa pelo caminho habitual. De fato, nós também estamos esperando por Ele”. Sri Misra continuou procurando por seu filho, mas, incapaz de encontrá-lO, tudo o que podia fazer era bufar de raiva.

Os mesmos brahmanas que anteriormente haviam, em um humor espirituoso, apresentado diversas queixas, foram mais uma vez até Sri Misra e falaram com ele. “Visvambhara correu para casa porque estava com medo. Você deveria ir para casa e conversar com o garoto. Permita-nos acompanhá-lo para nos certificarmos de que você não fará nada de que possa se arrepender depois. Se Nimai fizer esse tipo de travessura novamente, então nós pessoalmente pegaremos o garoto e O levaremos até você. Todas aquelas queixas que fizemos contra Nimai em sua residência foram feitas de forma gracejosa. Na verdade, não se pode encontrar nos três mundos fortuna como a sua. Nimai é um filho tão amável que os membros da família dEle nunca são tocados pela fome, pela sede, pela lamentação ou por qualquer outro sofrimento material. Seu filho é a Suprema Personalidade de Deus. Certamente você é muito afortunado por poder servir diariamente Seus pés de lótus. Mesmo que Ele cometa milhões de ofensas, sempre nos lembraremos de Visvambhara dentro de nossos corações”. Esses brahmanas vinham se ocupando nascimento após nascimento como devotos do Senhor Krishna. Esta é a razão para eles serem dotados com a inteligência superior necessária para a prestação do transcendental serviço devocional ao Supremo. O Senhor Supremo desfrutou de muitos passatempos com tais servos íntimos. Uma pessoa ordinária não pode compreender essas atividades do Senhor.

Jagannatha Misra disse: “Nimai é como um filho para vocês. Se vocês levarem Suas ofensas a sério, então eu estarei arruinado. Por favor, perdoem as atividades dEle”. Após abraçar afetuosamente cada um dos brahmanas, Jagannatha Misra voltou satisfeito para casa. Tendo tomado outro caminho, a Suprema Personalidade de Deus, o Senhor Visvambhara, já havia chegado em casa. Brilhando como a lua, Ele carregava belos livros debaixo de Seus braços. Pequenas manchas de tinta de escrever decoravam diferentes partes do corpo de compleição dourada do Senhor. Era como se uma fragrante champaka dourada houvesse atraído um enxame de abelhões.

“Mãe!”, Ele chamou, “Eu vou tomar banho, Eu quero o Meu óleo”. Ouvindo as palavras de seu filho, o coração de Shaci se encheu de felicidade. Ela não pôde ver em Seu corpo nenhum sinal de que Ele já havia Se banhado. Shacidevi entregou-Lhe o óleo. Em seu coração, ela se perguntava: “Por que os brahmanas e suas filhas jovens falavam daquele jeito sobre o comportamento de Nimai? Todo o Seu corpo está salpicado de tinta preta de escrever, e Ele estava carregando Seus livros e vestindo as mesmas roupas que usava quando foi para a escola”. Nesse momento, Jagannatha Misra chegava em casa. Vendo Jagannatha Misra, Visvambhara imediatamente pulou em seu colo. Com o abraço amoroso do Senhor, Jagannatha Misra perdeu toda a percepção do restante do mundo. Olhando para o rosto de seu filho, ele se afogou em bem-aventurança. Sri Misra pôde ver que o corpo de Nimai estava coberto de poeira e que não havia nenhum sinal de que Ele houvesse Se banhado. Sri Misra ficou realmente surpreso com aquilo. Jagannatha Misra perguntou: “Visvambhara, que plano Você carrega em Seu coração? Por que Você não deixa as pessoas se banharem em paz? Por que Você arruína os arranjos que as pessoas fazem para adorar o Senhor Vishnu? Você não teme o Senhor Vishnu?”.

“Mas hoje Eu nem fui tomar banho ainda! Os garotos foram antes que Eu pudesse ir com eles”, respondeu Nimai. Essas pessoas estão agindo de forma desonesta coMigo. Embora Eu sequer tenha chegado perto delas, elas Me acusam de coisas que não fiz. Se essas pessoas continuarem a apontar falhas no Meu comportamento e continuarem Me acusando de coisas que não fiz, então Eu passarei a Me comportar mal e a criar dificuldade para elas como dizem que faço”. Após dizer essas palavras, o Senhor sorriu e foi Se banhar no Ganges, onde Se encontrou novamente com Seus amigos. Vendo Visvambhara, todos O abraçaram. Quando ouviram sobre a maneira engenhosa com que Ele havia agido, todos riram. Todos O glorificaram dizendo: “Como Você é esperto, Nimai! Você Se livrou de algumas boas chibatadas hoje!”.

Nimai estava novamente ocupado em Suas atividades esportivas aquáticas com Seus amigos. Enquanto isso, Mãe Shaci e Jagannatha Misra consideravam com seriedade o que acontecera. Eles diziam: “Todas as queixas apresentadas contra Nimai certamente não eram mentiras; não havia, no entanto, nenhuma indicação de que Nimai havia Se banhado. Tudo estava de acordo. Seu corpo estava coberto de poeira e Ele estava vestido com as mesmas roupas, que estavam secas. Seu cabelo também estava seco, e Ele carregava Seus livros”. “Eu acho que nosso Visvambhara não é uma pessoa comum”, Sri Misra disse. “Talvez, com a ajuda de Sua potência interna, Yogamaya, a Suprema Personalidade de Deus tenha aparecido pessoalmente em nossa casa como nosso filho. Ou talvez Ele seja um grande santo, cuja identidade foge de meu conhecimento”. Sri Misra, o melhor dos brahmanas, pensava assim sobre a situação. Contudo, quando os dois pais viam seu filho, todas as suas cogitações se dissipavam. Seus corações transbordavam com carinhosa afeição por Nimai, e nada mais lhes importava. Ambos sentiam intensamente a ausência de seu filho. As horas que Nimai passava estudando lhes pareciam dois milênios.

Se os Vedas tivessem dez milhões de formas, cada uma com dez milhões de bocas, ainda assim eles não seriam capazes de descrever a imensa fortuna de Srimati Sacidevi e Jagannatha Misra. Vezes e mais vezes, eu ofereço minhas respeitosas reverências aos pés de Saci e Jagannatha Misra, a quem o Senhor Supremo e controlador de ilimitadas manifestações cósmicas Se submeteu como filho. Assim, o Senhor de Vaikuntha, Sri Visvambhara, desfrutou de maravilhosos passatempos. Devido à energia espiritual do Senhor Supremo, todavia, ninguém era capaz de reconhecer Sua identidade verdadeira.


Tradução de Bhagavan dasa (DvS), revisão de Naveen Krishna dasa (RnS), Prana-vallabha devi dasi (DvS) e Prema Vardhana devi dasi (DvS)

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A Liberação de Jagai e Madhai

A obra integral da qual este excerto foi retirado encontra-se disponível para venda clicando aqui.

A Liberação de Jagai e Madhai
Da obra Chaitanya-Bhagavata, de Vrindavana dasa Thakura, Madhya-khanda, Capítulo 13

(parte 1/2)

Na companhia dos devotos, o Senhor Chaitanya afogava-Se na bem-aventurança de Seus passatempos. Àqueles afortunados, Ele revelava a verdade referente a Si. Daqueles absortos no mundo material, Ele Se escondia. Um dia, muito de repente, o Senhor Chaitanya apresentou uma ordem a Nityananda e Haridasa. “Escute, Nityananda. Escute, Haridasa. Sob todos os aspectos, sigam, por favor, a ordem que darei a vocês. Vão a toda casa e mendiguem o seguinte: ‘Por favor, cantem o nome de Krishna, adorem Krishna e ensinem outros sobre Krishna’. Apenas repitam estas palavras e façam com que cantem. Ao fim do dia, voltem e Me reportem o que conseguiram. Implorem para que cantem. Se alguém não ceder ao pedido de vocês, então, com Minha cakra em riste, farei esse alguém em pedaços!”. Ouvindo esta ordem do Senhor; contentes, os vaishnavas sorriram. Quem poderia desobedecer a uma ordem do Senhor Chaitanya? Considerando que o Senhor Nityananda aceitou esta ordem com extremo respeito, qualquer um que não tenha fé nela não passa de um louco insensato.

Público Favorável e Público Hostil

Carregando a ordem do Senhor Chaitanya sobre suas cabeças, Nityananda e Haridasa foram sorridentes para as ruas. Conforme instruídos pelo Senhor, eles iam de casa em casa e pediam: “Por favor, cantem o nome de Krishna, adorem Krishna e ensinem outros sobre Krishna. Krishna é sua própria vida; Krishna é seu verdadeiro tesouro; Krishna sustenta sua vida; portanto, por favor, cantem o nome Krishna”. Assim, seguindo a ordem de Chaitanya, o Senhor dos universos, os dois foram a cada casa de Nadiya. Nas vestes de sannyasis, a única esmola que queriam era que todos cantassem o nome de Krishna, adorassem-nO e ensinassem outros sobre Ele. “Por favor, dêem-nos esta caridade”, eles diziam. Depois de dizerem essas palavras, eles partiam.

Se piedosos eram os residentes da casa, eles ficavam felizes com a visita dos renunciantes. Cada pessoa reagia de maneira diferente aos dois pedintes. Alguns diziam com alegria: “Sim, eu farei isso! Farei sim!”. Outros, contudo, diziam: “Vocês dois estão confusos devido a maus conselhos! A má associação com que se envolveram acabou por enlouquecê-los. Por que querem nos tornar loucos também? Todas as pessoas antes boas e sãs agora são loucas; e tudo por causa da má influência de Chaitanya”. As pessoas que não haviam recebido autorização para entrar na casa de Srivasa quando queriam ver o Senhor Chaitanya dançar afugentavam os dois pregadores dizendo: “Matem-nos! Matem-nos!”. Outra pessoa disse: “Eles são ambos ladrões, indo de casa em casa para roubar. Por que homens santos deveriam se comportar dessa maneira? Se vierem à minha casa novamente com seu pretexto falso, levarei eles à corte real”. Embora ouvissem repetidamente tais palavras, Nityananda e Haridasa apenas riam. Devido ao poder da ordem do Senhor Chaitanya, eles nada tinham a temer. Todos os dias, iam eles de casa em casa. Ao retornarem, contavam tudo em detalhes para o Senhor Chaitanya.

“Quem São Estes Homens? Por que Agem Dessa maneira?”

Certo dia, pelas ruas, Nityananda e Haridasa cruzaram com dois ladrões completamente bêbados. Gigantes em tamanho e com a aparência pior do que a de piratas, as histórias que contavam eram de atos abomináveis, e não havia um único pecado que os dois não houvessem cometido. A despeito de terem nascido em família de brahmanas, ambos bebiam vinho e comiam carne de vaca. Entre seus hábitos, também estavam roubar e incendiar casas alheias. Os dois beberrões desobedeceram às injunções da corte de lá comparecerem, e assim tinham sempre de evitar serem vistos por oficiais da lei. Ao longo de todo o dia, seu tempo era usado bebendo vinho e comendo carne. Eles rolavam pelas ruas públicas; e, quando um via que o outro não estava atento, esse o golpeava com socos. À distância, Nityananda, Haridasa e muitos outros assistiam às palhaçadas dos dois bêbados. Em um momento, eles eram muito carinhosos entre eles dois; mas, logo em seguida, um estava puxando o cabelo do outro. Também gritavam alto palavras obscenas, como aquela iniciada com “c” e aquela iniciada com “b”. Eles destruíam completamente a reputação dos brahmanas de Nadiya. O vinho arruína toda a vida e o caráter de quem o bebe.

Embora tenham cometido todo pecado concebível, os dois ainda estavam livres do maior dos pecados – a blasfêmia a um vaishnava. Dia e noite, eles se associavam com outros alcoólatras. Contudo, eles nunca haviam ofendido um vaishnava. Mesmo que o grupo que se ocupe em criticar os vaishnavas seja de pessoas muito altamente piedosas, todas elas perdem toda a boa fortuna que acaso tivessem. Mesmo que os ofensores sejam sannyasis, em virtude da ofensa aos vaishnavas, devem ser considerados mais baixos do que os bêbados. Isto porque os alcoólatras ainda têm chance de serem liberados, mas, quanto aos blasfemadores, toda a esperança já se perdeu. Caso uma pessoa critique os vaishnavas, mesmo que tenha estudado todas as escrituras, sua inteligência é destruída. No caso de uma pessoa que critica o Senhor Nityananda, não apenas sua inteligência é destruída, senão que ela é destruída por completo.

Enquanto rolavam pelo chão, os dois bêbados brigavam trocando socos. Mantendo-se afastados, Nityananda e Haridasa assistiam. O Senhor Nityananda voltou-Se a um grupo qualquer na multidão de espectadores e perguntou a eles: “Quem são estes homens? Por que agem dessa maneira?”. Eles responderam: “Goswami, estes dois homens são brahmanas. Seus pais descendem de famílias muito exaltadas. Seus membros familiares, que há muitas gerações vivem em Nadiya, jamais tiveram qualquer mácula em termos de reputação. Tais homens traíram a tradição de honradez de sua família. Desde pequenos que assim se ocupam em atividades pecaminosas. Vendo quão mal se comportavam, a família deles os renegou. Como dois desterrados, eles vagueiam aqui e ali com outros beberrões. Quando os vêem, as pessoas sentem medo considerando que a qualquer momento eles podem incendiar suas casas. Eles são ladrões, alcoólatras e comedores de carne; não há nenhum pecado que eles não tenham cometido”.

Nityananda Decide Liberar Jagai e Madhai

Ao ouvir a descrição dos dois, o coração do Senhor Nityananda apiedou-se deles, e Ele decidiu que iria liberá-los. Ele pensou: “O Senhor Chaitanya descendeu a este mundo para salvar as almas mais caídas, e quem pode ser mais degradado do que esses dois? Como Chaitanya Mahaprabhu oculta Suas glórias e opulências; sem saberem de Sua identidade verdadeira, as pessoas zombam dEle. Se Meu Senhor, entretanto, for misericordioso com esses dois, então o mundo inteiro saberá de Seu poder supremo”, considerou Nityananda Prabhu. “Caso Eu seja capaz de fazer com que esses dois recobrem a Consciência de Krishna original deles, então Eu, Nityananda, serei um verdadeiro servo do Senhor Sri Chaitanya. Os dois estão tão bêbados que sequer sabem quem são. Se eles puderem se perder dessa mesma forma no cantar do santo nome do Senhor Krishna, se puderem exclamar o nome de Meu Senhor enquanto choram, então Minha pregação terá sido bem-sucedida. Quando tocadas pela sombra de um dos dois, as pessoas correm para se banhar no Ganges sem nem mesmo retirarem suas roupas. Se, quando estas mesmas pessoas virem os dois, considerarem que tal visão é tão purificante quanto um banho no Ganges, então Me sentirei digno de Meu nome e feliz Me sentirei ao escrevê-lo”.

As glórias e a misericórdia do Senhor Nityananda são um oceano sem costa. Para libertar os mais caídos é a razão de Seu aparecimento neste mundo. Após pensar conSigo dessa maneira, Ele sugeriu que Haridasa observasse os dois bêbados: “Olhe, Haridasa, veja como estão em péssimo estado. Apesar de terem nascido em uma família brâmane, eles agem tão mal que não lhes há escapatória para as punições infernais de Yamaraja. Mesmo quando os muçulmanos o tentavam matar, você seguiu indulgente para com eles em seu coração. Se seu coração também se apiedar desses dois homens, certamente o Senhor também concederá a eles a liberação. O próprio Senhor disse ser incapaz de ir contra seus desejos. Você deseja, e Ele dispõe. Com o nosso Senhor Chaitanya liberando estes dois homens deploráveis, deixemos que todos vejam quão magnânimo Ele é! Da mesma forma que cantam os Puranas sobre a liberação de Ajamila, que todos os mundos testemunhem a liberação destes dois pecadores”.

Haridasa conhecia muito bem a verdade referente à posição do Senhor Chaitanya. Assim, no íntimo de seu coração, Haridasa sabia que aqueles dois já estavam salvos. Haridasa disse a Nityananda: “Por favor, ouça, ó Senhor. Tudo o que Você deseja certamente o Senhor Chaitanya realiza. Você me engana dizendo que eu posso falar com o Senhor porque eu sou um animal e preciso ser enganado; Você age repetidamente dessa maneira apenas para bondosamente me lembrar de minha posição baixa”. Sorrindo, o Senhor Nityananda abraçou Haridasa e disse de maneira muito gentil: “Cumprindo a ordem do Senhor, falemos a esses dois bêbados a mensagem de Sri Chaitanya Mahaprabhu. O Senhor instrui que todos cantem o nome de Krishna, especialmente os mais degradados. Falar com estes dois pecadores é o nosso dever. Eles cantarem ou não os santos nomes, depende do Senhor”.

Dois Sannyasis em Apuros

Tomada a decisão, Nityananda e Haridasa colocaram-se em direção aos dois para repetirem a mensagem do Senhor Chaitanya. As pessoas piedosas que estavam próximas, no entanto, disseram a Nityananda e Haridasa: “Para manterem suas vidas seguras é melhor não se aventurarem a se aproximar deles. Próximos a esses dois homens, sempre tememos por nossas vidas. Como poderemos suportar ver vocês dois se aproximando deles? Porque desde muito se ocupam eles em matar brahmanas e em abater vacas, não esperem que eles possam entender a posição gloriosa de um sannyasi!”. A despeito dos avisos, cantando repetidamente o nome de Krishna, eles se aproximaram dos dois pecadores. Aproximando-se o bastante para que eles pudessem ouvir, Nityananda e Haridasa repetiram alto a mensagem do Senhor Chaitanya: “Digam Krishna, adorem Krishna, cantem o nome de Krishna. Krishna é sua mãe, Krishna é seu pai, e Krishna é seu tesouro e sua vida. O Senhor Krishna descendeu a este mundo unicamente para salvar todos vocês. Portanto, abandonem, por favor, suas atividades pecaminosas e adorem o Senhor Krishna”.

Ouvindo tais palavras pronunciadas com autoridade, os dois alcoólatras levantaram suas cabeças e olharam para os dois pregadores com seus olhos vermelhos em fúria. Ao verem a quem pertenciam as vozes, eles fitaram os dois sannyasis e gritaram: “Pegue-os! Pegue-os”, e colocaram-se a correr atrás deles. Nityananda e Haridasa fugiram às pressas, enquanto os dois bêbados corriam atrás deles e gritavam. Seus gritos eram insultosos, e, assustados, os dois devotos fugiam deles. As pessoas começaram a dizer: “Nós os avisamos. Não tendo nos ouvido, agora correm perigo os dois sannyasis”. Dentro de seus corações, os materialistas e ofensores riam e maliciosamente pensavam: “É bem apropriado que o Senhor Narayana puna esses charlatões”. Já os brahmanas piedosos diziam: “Krishna, proteja-os! Krishna, proteja-os!”. Com medo, todos se dispersaram. Os devotos corriam em fuga e os dois vadios seguiam atrás deles. Embora gritassem: “Eu vou pegar vocês! Eu vou pegar vocês!”, eles não conseguiam alcançá-los.

O Senhor Nityananda disse: “Se sobrevivermos a isso, seremos certamente bons vaishnavas”. Haridasa disse: “Ó meu Senhor, por que Você fala? Por causa de Suas idéias, agora estamos prestes a ter uma morte brutal. Porque Você considerou que seria uma boa idéia instruir esses bêbados sobre o Senhor Krishna, nossas vidas estão prestes a ser findadas”. Falando dessa maneira, o Senhor Nityananda ria e Se divertia, enquanto que os dois vadios os perseguiam e lhes atiravam insultos e desaforos. Os dois bêbados eram gordos e desajeitados; embora não pudessem correr muito rápido, corriam tão rápido quanto podiam. “Ei, irmãos!”, disseram os dois ladrões. “Por que vocês estão correndo? Por que fogem de Jagai e Madhai? Vocês não entendem a verdadeira natureza de Jagai e Madhai; vocês nos julgaram erroneamente”. Tais palavras apenas incentivaram Nityananda e Haridasa a continuarem correndo. “Krishna! Salve-nos! Krishna! Salve-nos! Govinda!”, eles gritavam com medo. Haridasa disse a Nityananda: “O Senhor Krishna me salvou algum tempo atrás das mãos cruéis dos algozes muçulmanos, hoje, todavia, em virtude das idéias de um encrenqueiro de natureza inquieta que me acompanha, terei de me deparar com o fim de minha vida”. Sri Nityananda respondeu: “Eu não sou encrenqueiro. Olhe em seu coração e você verá que o seu mestre sim é um encrenqueiro. Conquanto seja um brahmana, seu mestre dá ordens como se fosse um rei. É por causa das ordens dEle que estávamos indo de casa em casa falando aquilo que falamos. Eu jamais ouvi alguém dar as ordens que Ele dá. ‘Vá até os ladrões e pecadores’. Ninguém diz isso. Se não seguirmos Suas ordens, tudo estará acabado. Se as seguirmos, tudo também estará acabado. Uma vez que você pensa que seu mestre não tem culpa, ambos deveríamos dizer: ‘Eu sou culpado’.”.

Enquanto os dois fatigados ladrões corriam atrás deles, os devotos jocosamente discutiam dessa maneira. Assim corriam em direção à casa de Srivasa Thakura. Confusos em consequência da intoxicação do vinho, os dois ladrões tropeçavam enquanto desvairadamente perseguiam os devotos. Não sendo mais capazes de ver os dois sannyasis, os dois beberrões pararam. Por fim, os dois começaram a se empurrar e a brigar, causando grande comoção. “Para onde eles foram?”. Desorientados pelo vinho, eles não sabiam. Ao olharem rapidamente para trás para saberem se os dois ladrões ainda estavam a persegui-los, os devotos puderam constatar que não. Tendo parado de correr, os dois devotos se abraçaram. Rindo, eles foram ao encontro do Senhor Chaitanya.

O Senhor Chaitanya Ouve o Passatempo de Sankirtan

Já na casa de Srivasa, Nityananda e Haridasa encontraram o Senhor Chaitanya sentado em meio aos devotos com Seus encantadores olhos de lótus e Seus membros de beleza ímpar. A pulcritude do Senhor encantava até mesmo o Cupido. Nessa assembléia de vaishnavas, o único tópico discutido era a Consciência de Krishna. Como o Senhor de Svetadvipa na companhia de Sanaka e outros sábios, o Senhor Chaitanya, na companhia de Seus devotos, explicava a verdade acerca de Si mesmo. Então, Nityananda e Haridasa aproximaram-se do Senhor para Lhe contarem as atividades do dia. “Um estranho incidente hoje ocorreu”, eles começaram. “Nós nos cruzamos com dois homens singulares. Embora nos tenham dito que nasceram em famílias de brahmanas, eles estavam completamente alcoolizados. Visando o bem deles próprios, nós dissemos a eles: ‘Por favor, cantem o nome do Senhor Krishna’. Mas eles reagiram demonstrando descontentamento e nos perseguiram querendo nos agredir. Por pouco, conseguimos escapar com vida”.

“Quem são esses dois homens?”, o Senhor Chaitanya perguntou. “Qual o nome deles? Se são brahmanas, por que agem dessa forma grosseira?”. Gangadasa e Srivasa, que estavam sentados próximos a Chaitanya Mahaprabhu, descreveram os pecados de Jagai e Madhai. Eles disseram: “Senhor, seus nomes são Jagai e Madhai. Eles nasceram aqui nesta cidade, e ambos são filhos de um piedoso brahmana. Más companhias, entretanto, fizeram com que os dois se degradassem; eles, Senhor, não conhecem nada além de intoxicação. Seus nomes instigam medo no coração das pessoas. Não há ninguém como eles aqui. Além deles dois, ninguém mais rouba casas. É impossível descrever todos os seus pecados. Você, no entanto, tudo vê e tudo sabe, meu Senhor”.

O Senhor Chaitanya disse: “Eu sei. Eu sei. Se esses dois pecadores aparecerem diante de Mim, Eu os reduzirei a pedaços”. “Se Você os reduzir a pedaços”, o Senhor Nityananda disse, “Eu não ficarei aqui. Por que Você está irado com eles? Deixe-Me primeiramente fazê-los cantar o nome de Govinda! Pessoas naturalmente piedosas irão facilmente cantar o nome do Senhor Krishna, mas esses dois conhecem apenas atividades irreligiosas. Se nós os liberarmos e os trouxermos para o serviço devocional, então ficaremos verdadeiramente conhecidos como Patita-pavanas, os salvadores dos caídos. Por Me salvar, Você Se tornou glorioso. Contudo, caso salve esses dois pecadores, Sua glória crescerá de maneira exponencial!”. Sorrindo, o Senhor Chaitanya disse: “No instante em que O viram, todos os dois foram imediatamente liberados. Visto que Você está preocupado com o bem-estar deles, o Senhor Krishna logo Se encarregará de beneficiá-los com toda auspiciosidade”. Ao ouvirem estas palavras saindo da boca do Senhor, os devotos irromperam em uma jubilante exclamação de “Jaya! Jaya!”. Todos estavam convencidos de que os pecadores já estavam salvos.

A Liberação de Jagai

Em seu hábito de deambular de um lugar a outro, por arranjo divino, os dois bêbados chegaram ao trecho do Ganges no qual Se banhava o Senhor Chaitanya. Ali, seguiam com sua ocupação de aterrorizar as pessoas. Famosos e importantes, ricos ou pobres – todos sentiam o medo nascer em seus corações. À noite, ninguém se aventurava ir ao Ganges. Se fossem, iam em grupos de dez ou vinte. Durante a noite, os dois beberrões ficavam próximos à casa do Senhor Chaitanya. Ouvindo o Senhor cantar, eles ficavam acordados a noite toda. Ao longo da noite, quando ouviam o kirtana do Senhor com o acompanhamento de karatalas e mrdangas, os dois bêbados dançavam alegremente. Mesmo distantes, eles podiam ouvir o kirtana. Ao som transcendental, eles dançavam e então bebiam mais vinho. Ouvindo o kirtana, eles cantavam, sentavam-se, ficavam de pé, dançavam. Afogados na intoxicação do vinho, eles não sabiam nem onde estavam nem quem eles mesmos eram. Ao se depararem acidentalmente com o Senhor, eles diziam: “Nimai Pandita! Cante as belas canções da deusa Durga! Você canta muito bem! Nós iremos visitá-lO e levaremos a parafernália para o kirtana de Durga”. Vendo os dois ladrões, o Senhor Chaitanya mantinha distância. Outros, ao verem os dois, tomavam uma rota diferente.

Um dia, enquanto andava pela cidade, o Senhor Nityananda foi parado pelos dois bêbados. “Quem? Quem?”, Jagai e Madhai perguntaram aos gritos. “Estou indo para a casa do Senhor”, respondeu Nityananda. Embriagados, eles perguntaram: “Qual é o Seu nome?”. Nityananda respondeu: “Meu nome é Avadhuta”. O tempestuoso Senhor Nityananda, perdido em Seu humor de garotinho, conversou com os dois bêbados como se em uma brincadeira. Ele já havia decidido em Sua mente que libertaria os dois, daí Ele ter premeditado Se encontrar com eles passando por aquele lugar naquele horário. Quando ouviu o nome “Avadhuta”, Madhai pegou um pote de barro e raivosamente o quebrou contra a cabeça do Senhor Nityananda. Quando Nityananda foi atingido pelo pote que antes trazia vinho, sangue escorreu por Sua face. Nityananda meditava silenciosamente no Senhor Krishna. Ao ver ensanguentada a cabeça do Senhor, Jagai ficou compassivo. Quando Madhai posicionou-se para golpear novamente o Senhor, Jagai o censurou: “Por que você age dessa maneira cruel e impiedosa? Por que golpear esse estrangeiro? Não O golpeie novamente. Que benefício lhe traria machucar um sannyasi avadhuta?”.

As pessoas correram desesperadamente até o Senhor Chaitanya para Lhe contarem o que havia acontecido. Acompanhado por muitos devotos, Chaitanya Mahaprabhu imediatamente foi até onde estava Nityananda. Ainda com os dois bêbados Ele Se encontrava. Embora o sangue de Sua cabeça tivesse escorrido por todo o Seu corpo, Nityananda sorria. Ao ver Seu amado Nityananda coberto de sangue, o Senhor Chaitanya ficou imensamente encolerizado. Esquecido do mundo externo, Ele chamou por Seu disco devastador. “Cakra! Cakra! Cakra!”, Ele exclamou repetidamente. Imediatamente se fez presente Sua Sudarsana-cakra – brilhando assustadoramente diante dos olhos de Jagai e Madhai. Os devotos pressentiram uma grande calamidade por vir, mas o Senhor Nityananda rapidamente Se aproximou de Sri Chaitanya e Lhe suplicou: “Senhor, embora Madhai quisesse Me acertar, Jagai o deteve. É unicamente devido ao Meu mau karma passado que sangrei um pouco, mas Eu não estou infeliz. Senhor, por favor, dê os corpos destes dois homens para Mim. Eu não experiencio nenhuma dor; por favor, fique calmo”.

Assim que ouviu as palavras “Jagai o deteve”, um radiante Senhor Chaitanya abraçou Jagai. “Que o Senhor Krishna seja misericordioso com você”, Ele disse a Jagai. “Como você protegeu Nityananda, agora você Me tem como sua propriedade. Você pode pedir-Me qualquer coisa que deseje seu coração. De hoje em diante, você está firmemente situado em uma vida de serviço devocional puro, na qual experimentará amor por Krishna”. Em apreciação à bênção do Senhor a Jagai, todos os devotos gritaram tumultuosamente “Jaya! Jaya!” e “Hari! Hari!”. Em simultaneidade com os dizeres do Senhor Chaitanya “você está firmemente situado em uma vida de serviço devocional puro”, Jagai desfaleceu subjugado pelo intenso êxtase amoroso. O Senhor Chaitanya disse: “Jagai, levante-se e olhe para Mim. Eu realmente o presenteei com a dádiva do amor e da devoção puros ao Supremo”. Jagai então viu o Senhor Chaitanya manifestar Sua forma de quatro braços, na qual portava búzio, cakra, maça e lótus. Vendo tal manifestação, Jagai novamente desmaiou. Com Jagai caído ao chão, Chaitanya Mahaprabhu acomodou Seu pé sobre o peito dele. Jagai pôde entender o grande tesouro que são os pés do Senhor, tesouro este que é a própria vida de Laksmidevi – um tesouro inestimável. Agarrado aos pés de lótus do Senhor, Jagai chorou como uma criança. Assim desfruta eternamente o Senhor de passatempos extraordinários.

A Liberação de Madhai

Uma única vida residia nos dois corpos de Jagai e Madhai. A mesma pureza e o mesmo pecado residia em ambos. Quando o Senhor demonstrou misericórdia para com Jagai, o coração de Madhai imediatamente se purificou. Negligenciando a presença do Senhor Nityananda, Madhai apressou-se em cair como uma vara diante de Sri Chaitanya, agarrando então Seus pés de lótus. Ele disse: “Senhor, Jagai e eu cometemos ambos os mesmos pecados. Assim sendo, Senhor, por que Você não é igualmente misericordioso para com nós dois? Por favor, seja misericordioso comigo. Eu cantarei Seu nome, pois, além de Você, não há ninguém que possa me libertar”. O Senhor Chaitanya respondeu: “Porque você fez com que o corpo de Nityananda sangrasse, Eu não irei proteger você”... (continua)


Tradução de Bhagavan dasa (DvS), revisão de Naveen Krishna dasa (HdG), Prana-vallabha devi dasi (DvS) e Prema Vardhana devi dasi (DvS)

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A Excelência do Srimad-Bhagavatam

A Excelência do Srimad-Bhagavatam

Sua Santidade Purushatraya Swami

“Aqui na Índia, para ser reconhecido como um pandita (erudito no conhecimento védico), é condição sine qua non conhecer bem o Srimad-Bhagavatam”, disse-me uma vez um amigo meu, indiano, super erudito nas escrituras, Ph.D. em sânscrito e um dedicado devoto de Krishna. Esse dado, por si só, já demonstra a excelência desse livro transcendental.

O Srimad-Bhagavatam, também conhecido como Bhagavata Purana, é uma escritura sagrada com características muito especiais. É a jóia rara da vasta literatura védica. No começo desta era, a fim de preservar o conhecimento védico para a humanidade, uma personalidade mística iluminada, o sábio Vyasadeva, compilou e editou, em diversas classes de escrituras, todo o conhecimento revelado captado da Transcendência através de canais competentes: os grandes rishis ou personalidades santas iluminadas. Dessa forma, os Vedas e uma gama de escrituras subsidiárias foram manifestados em linguagem escrita para o bem da humanidade na posteridade. Como legado pessoal, Vyasadeva nos deixou o magnífico épico Mahabharata, que narra episódios do período védico, e o profundo Vedanta-sutra, livro base do sistema Vedanta de filosofia. Ao fim de tudo isso, inspirado pelo seu guru Narada Muni, Vyasa encerrou esse trabalho hercúleo com mais uma composição sua, um livro em que ele expressa suas mais íntimas realizações espirituais obtidas em samadhi. Nasceu, então, o Srimad-Bhagavatam, o Maha Purana, o último livro da vasta literatura védica editado por Vyasadeva. Essa magistral e sublime escritura sagrada oferece à sociedade humana o supra-sumo e a quintessência em espiritualidade e filosofia perene.

O Srimad-Bhagavatam ocupa um lugar de destaque no cenário da literatura védica. Até mesmo o grande acharya Shankara, ferrenho oponente ao teísmo e proponente da filosofia Advaita Vedanta, recorreu ao seu texto para glorificar o Senhor Krishna.

Esse fato é sugestivo, pois, nessa linha filosófica, não se dá o devido valor à literatura smrti, na qual o Srimad-Bhagavatam se enquadra. Os Puranas são, inclusive, vistos com desdém, com a alegação de tratar-se meramente de histórias, literatura essa considerada apropriada somente para pessoas menos inteligentes e sem cultura. Os dotados de inteligência superior e tino filosófico, dizem eles, não devem perder tempo em ouvir lilas, cantar e dançar no kirtana, alimentar devoção a alguma divindade e outras expressões de sentimentos devocionais. Bhakti seria, ao ver deles, um estágio inferior a jnana, conhecimento filosófico especulativo. Meditação aham brahmasmi, renúncia completa (neti neti) e mumukshu (desejo intenso por moksha, liberação) seria o único caminho para a alma condicionada se livrar do samsara e se fundir no Brahman.

Para os Shankaristas, somente a literatura sruti deve ser tomada como referência para se entender a realidade. Mesmo assim, toda a seção karma-kanda (ritualística) dos Vedas deve ser descartada e somente a seção jnana-kanda (os Upanishads) deve ser levada em consideração. Segundo essa tradição, os pramanas resumem-se no prasthana-traya, as três principais referências dos shastras, que se apresentam na seguinte ordem de importância: 1. Os dez Upanishads comentados por Shankaracharya, a saber, por ordem de importância: Brhad-aranyaka, Chandogya, Taittiriya, Atareya, Mandukya, Mundaka, Prashna, Kena, Katha e Isha Upanishads; 2. Os Vedanta-sutras (ou Brahma-sutras) de Badarayana (outro nome de Vyasadeva); e, em terceiro lugar, o famoso Bhagavad-gita, que contém as instruções de Sri Krishna a Arjuna. O Srimad-Bhagavatam está, portanto, fora dessa lista. Interessante notar que Bhagavad-gita, mesmo sendo um smrti, pois se trata de um capítulo do épico Mahabharata e pertence à classe de literatura chamada Itihasa, ganhou um lugar no prasthana-traya, certamente devido à sua inegável fama. Seria talvez um desprestígio desmerecê-lo.

A metodologia empregada para a exegese Advaita Vedanta prescreve uma hierarquia entre os três prasthanas. As instruções e informações contidas nos Upanishads são consideradas nesse sistema como a palavra final. Caso uma das assertivas dos Upanishads seja contraditada nos outros dois prasthanas, a saber, Vedanta-sutras e Bhagavad-gita, o que prevalece é o conceito emitido no primeiro prasthana. Mesmo dentro da lista dos dez Upanishads comentados por Shankara, existe uma gradação de importância. Dentro desse sistema, as instruções de Krishna no Bhagavad-gita, instruções essas sagradas para os devotos, são assim relativizadas, o que é motivo de desgosto aos devotos Vaishnavas. Todo o conceito de bhakti explicado por Sri Krishna, de forma explícita e irrefutável, pode ser, dessa maneira, distorcido e adulterado, e posto a serviço da filosofia mayavadi. Nessa filosofia impersonalista, Krishna, como Purushottama, é ofuscado pela idéia de um Brahman abstrato que seria nirguna, nirvishesha, nirakara, em suma, sem atributos.

Por outro lado, o Srimad-Bhagavatam é Krishna do princípio ao fim. É um livro totalmente transcendental, pois, conforme está enunciado em sua introdução, ele rejeita o dharma secular e concentra-se exclusivamente no summum bonum, o bem último, a auto-realização espiritual. É bhakti do princípio ao fim. Suas lilas eternas e Seus ensinamentos intemporais, recebidos diretamente da boca de Krishna (Uddhava-gita, no décimo primeiro canto) ou através de personalidades divinas ou almas auto-realizadas, como Kapiladeva, Shukadeva, Prahlada e outros tantos, constituem o cerne dessa grandiosa escritura sagrada. É, portanto, uma literatura eminentemente teísta. Para aqueles que querem apreciar as qualidades divinas de Deus, é, sem dúvida, a melhor referência.

Apesar do desdém que os mayavadis dispensam aos Puranas em geral, o Srimad-Bhagavatam foi objeto de apreciação da parte de Shankaracharya em sua composição Govindastakam. Ele glorificou tanto Sri Krishna quanto o livro que descreve Suas lilas eternas. Em um dos seus oito famosos versos de dezenove sílabas, ele assim se expressa: “Por favor, prosta-te diante de Govinda. Ele é o reservatório de todas as qualidades adoráveis. Todas as pessoas santas adoram Seus misericordiosos pés de lótus dentro de seus corações. Ele é meu Senhor adorável. Todos os semideuses, assim como Srimati Vrindadevi, adoram-nO na terra de Vrindavana. Seu puro e belo sorriso emana bem-aventurança, como a flor kunda jorra néctar. Ele infunde êxtase transcendental aos Seus amiguinhos vaqueiros.”

Outra incursão de Shankaracharya no terreno do teísmo foi seu inusitado e famosíssimo verso Bhaja Govindam. Conta-se que ele caminhava pelas ruelas de Varanasi com seus discípulos e, ao ver um professor ensinando regras gramaticais de sânscrito a seus alunos com uma didática muito mecânica e repetitiva, inspirou-se para compor vários versos cujo estribilho se tornou muito famoso. Shankara chama de mudhas, tolos, aqueles que, ao invés de adorar Govinda, ficam encantados e distraídos com a erudição seca. Ele disse jocosamente: “O que vai adiantar saber todas as regras gramaticais para conjugar a raiz verbal [du]kr[s], karane, da oitava conjugação? Isso não vai te proteger na hora da morte. Adore Govinda! Adore Govinda! Adore Govinda!” (Como em português, a conjugação do dhatu “kr”, significando “fazer”, é totalmente irregular e cheia de exceções).

Por cerca de trezentos anos, Shankara reinou absoluto no cenário do sistema Vedanta com seu Shariraka-bhashya, o comentário dos Vedanta-sutras, que propõe o monismo Advaita. A reação Vaishnava veio de Ramanuja em seu Sri-bhashya, estabelecendo a visão teísta da linha filosófica Vishishta-advaita Vedanta. Cem anos mais tarde, outro grande filósofo Vaishnava, Madhva, apresentou outra versão, desta vez uma visão dualista, a filosofia Dvaita. Grandes debates filosóficos ocorreram nesse período. Tanto Ramanuja quanto Madhva tiveram que “lutar com as mesmas armas” usadas por Shankara e seus sucessores para impor o ponto de vista Vaishnava no contexto do sistema Vedanta. Até então, a metodologia empregada para se estabelecer, com base nos shastras, os conceitos dos três elementos básicos do sistema de Vedanta, a saber, a entidade viva, esse mundo material e a Transcendência, e as relações entre esses princípios, era exclusiva e obrigatoriamente baseada nas esotéricas assertivas dos Upanishads e nos enigmáticos e sucintos aforismos dos sutras. Os eruditos se perdiam nos labirintos das conclusões shastricas, enquanto que o acesso a essas verdades era inacessível para as pessoas comuns.

Mais tarde, Sri Caitanya Mahaprabhu inaugurou uma nova era Vaishnava e rompeu com essa metodologia fundamentada na tradição do prasthana-traya. Ele enfaticamente sugeria a todos nesses termos: “Não percam tempo com o tecnicismo árido dos Upanishads e Vedanta-sutra. Vão direto para o néctar, o Srimad-Bhagavatam.” Essa abertura democratizou o conhecimento das escrituras e trouxe um grande alívio e ânimo novo para todos os Vaishnavas. Sri Caitanya afirmava: “Para que perder tempo em comentar o Vedanta-sutra? O próprio autor, Vyasadeva, já revelou todo o seu conteúdo esotérico no Srimad-Bhagavatam.”

Jiva Gosvami, o filósofo por excelência da linha de Caitanya, em seu Tattva Sandarbha, declarou que não iria se deter em refutar a versão Advaita em seu livro, pois os dois grandes filósofos-acharyas do Vaishnavismo, Ramanuja e Madhva, já tinham, anteriormente, apresentado brilhantes argumentos e voltar ao mesmo assunto seria mera repetição. Ao invés disso, Jiva Gosvami tratou de estabelecer elaboradamente, com base em muitas citações dos shastras, a posição única e excelsa do Srimad-Bhagavatam. Definitivamente, o Srimad-Bhagavatam supera todas as outras escrituras, pois corrobora tudo o que foi dito nas demais escrituras e revela uma dimensão espiritual raramente conhecida. O próprio livro declara: sarva-vedanta-saram hi sri-bhagavatam ishyate­: “O Srimad-Bhagavatam é declarado ser a essência de toda a filosofia Vedanta” (SB 12.13.15).

O Srimad-Bhagavatam é puro néctar. É lila e tattva combinados. Através de suas páginas podemos nos deliciar com passatempos transcendentais e, com clareza, definir e realizar os três estágios da auto-realização, a saber: sambandha-jnana, o conhecimento de nossa relação eterna com Krishna; abhidheya, o processo para estabelecer esse relacionamento, o serviço devocional; e prayojana, a meta última da vida, prema-bhakti, o amor puro por Krishna.

As glórias do Srimad-Bhagavatam são aqui sintetizadas:

srimad-bhagavatam puranam amalam yad vaishnavanam priyam
yasmin paramahamsyam ekam amalam jnanam param giyate
tatra jnana-viraga-bhakti-sahitam naishkarmyam aviskrtam
tac chrnvan su-pathan vicarana-paro bhaktya vimucyen narah

“O Srimad-Bhagavatam é o Purana imaculado. É o mais querido para os Vaishnavas porque descreve o puro e supremo conhecimento dos paramahamsas. Este Bhagavatam revela os meios para nos livrar do trabalho material, junto com os processos de conhecimento transcendental, renúncia e devoção. Qualquer um que tenta seriamente entender o Srimad-Bhagavatam, que propriamente o ouve e canta com devoção, torna-se completamente liberado” (SB 12.13.18).

O tesouro maior do Srimad-Bhagavatam é o fato de revelar os aspectos mais confidenciais de Sri Krishna, a Suprema Personalidade de Deus, e Seus associados eternos no mundo espiritual. Tem o poder de estabelecer a consciência de Krishna no coração do devoto, mesmo em meio a tantas influências mundanas dessa civilização mal dirigida. O texto declara que, embora Krishna não esteja mais presente neste mundo, Ele, que estabeleceu o dharma e o conhecimento transcendental no seio da sociedade humana, está presente agora, em plena Kali-yuga, na forma do Srimad-Bhagavatam, o Purana brilhante como o sol, e tem o poder de remover toda a ignorância e a ansiedade material.

krsne sva-dhamopagate dharma-jnanadibhih saha
kalau nasta-drsam esa puranarko ’dhunoditah
(SB 1.3.43)

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Escrito originalmente como prefácio para o Material de Estudo Bhakti-Vaibhava Brasil, disponível em: www.devocionais.xpg.com.br

O Srimad-Bhagavatam pode ser adquirido em www.sankirtana.com.br.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Jane Burgermeister - O vírus H1N1

Jane Burgermeister é uma jornalista austríaca que teve a audácia, no melhor dos sentidos, para abrir um processo contra a Baxter e outras empresas farmaceuticas, junto com a OMS, por tentiva de genocídio.

O número do processo judiciário que Jane Burgermeister impetrou contra Baxter e OMS, entre outros, que até então tinha sido mantido em sigilo, foi divulgado em seu blog, após estes números terem sido obtidos de forma ilícita por Bill Deagle, um ex-médico (que aparentemente matou um de seus pacientes) que diz ser profeta e delatador de organizações secretas. Aparentemente, um seguidor deste Bill Deagle fez ameaças de morte a Jane.Jane Burgermeister também quis por fim aos rumores de que ela não havia feito as acusações formalmente.

O número do processo de investigação no escritório de acusação de Viena contra a Baxter, por ter contaminado 72 kilos de material de vacinas com o virus da gripe aviária fornecido pela OMS é 501 Vt 23/09w.

A polícia iniciou a investigação após as acusações terem sido feitas em 8 de Abril.
O caso contra a Baxter foi lançado em paralelo no "Diretório de Segurança de Viena e Escritório Regional para Proteção da Constituição e Combate ao Terrorismo", após os escritórios da polícia enviarem um dossie para estes e o número de sua entrevista neste escritório é AZ - I-400/17-TE/09.O mais incrível é que toda a imprensa corporativa ao redor do mundo não dedicou nem uma linha a este assunto, que geraria, sem dúvida uma boa audiência. Uma coisa é certa, as acusações são reais, a Jane Burgermeister é real e as vacinas que estão preparando para nós são com certeza muito reais também.