Dedicado a Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedenta Swami Prabhupada e Gurudeva Srila Dhanvantari Swami

Dedicado a Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedenta Swami Prabhupada e Gurudeva Srila Dhanvantari Swami
Jagad Guru Srila Prabhupada

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Buscando o Nosso Verdadeiro Interesse



Buscando o Nosso Verdadeiro Interesse

É com muita satisfação que iniciamos o Instituto Bhaktivedanta de Estudos Vaishnavas. Para aqueles que ainda não estão familiarizados com as palavras sânscritas "bhaktivedanta" e "vaishnava", gostaríamos de apresentar os seus significados básicos. Podemos dividir a palavra "bhaktivedanta" em três: "bhakti", "veda" e "antah". "Antah" significa meta, finalidade ou objetivo, e a palavra "veda" significa "conhecimento verdadeiro". De modo que a palavra "vedanta" significa o conhecimento que nos leva a uma verdadeira conclusão, um conhecimento que tem um objetivo claro. E qual seria este objetivo? Isto é respondido no Srimad-Bhagavatam (7.5.31), o mais importante Purana, da seguinte maneira: svartha-gatim hi vishnum, a verdadeira meta da vida, ou nosso verdadeiro interesse é alcançar Vishnu, a Pessoa Suprema.
Além de ser de menor importância, qualquer interesse diferente de Vishnu é automaticamente satisfeito quando O alcançamos e harmonizamos nossa vida com Ele. Este é também o significado da palavra "vaishnava". Vaishnava é, portanto, a denominação dos seguidores de Vishnu, ou Krishna. Eles devotam suas atividades seguindo as instruções encontradas na Bhagavad-gita e, assim, agem com o propósito de alcançá-lO. "Bhakti" é a palavra que define esta devoção. Portanto, bhakti-yoga é o processo através do qual se purificam os sentidos, mente e inteligência através de práticas espirituais objetivas e se estabelece uma conexão direta com a Pessoa Suprema. Da palavra Vaishnava surge o Vaishnavismo, com sua teologia simultaneamente monista e dualista, conforme apresentado por Sri Chaitanya Mahaprabhu através da filosofia achintya-bhedabheda.
O Vaishnavismo defende que a Verdade Absoluta é Achintya, paradoxalmente pessoal e impessoal. Ou seja, Vishnu, Quem tudo permeia, é onipresente, e a energia cósmica é Sua manifestação divina. Entretanto, além deste aspecto impessoal, em última análise, Ele é a pessoa suprema e original. Acompanhado de Sri Lakshmi, a deusa da fortuna, Vishnu reside além das coberturas materiais do Universo e visita o mundo material a intervalos, quando aparece como um avatar, ou encarnação divina (Bhagavad-gita 4.7-8). O Vaishnavismo centraliza sua adoração não exclusivamente a Vishnu, mas também aos avataras, dos quais Krishna e Rama são os mais conhecidos.
O Vaishnavismo possui uma história antiqüíssima e recentemente foi propagado em especial pelos dois grandes acharyas, ou mestres, Ramanuja (1017 d.C.) e Madhva (1200 d.C.). Filosoficamente, o Vaishnavismo estende-se do dualismo (dvaita) de Madhva, passa pelo não-dualismo qualificado (vishistadvaita) de Ramanuja e encontra seu grande equilíbrio e síntese com Chaitanya Mahaprabhu (1486 d.C.). Além de demonstrar de forma prática Seus ensinamentos (que nada diferem dos ensinamentos de Sri Krishna na Bhagavad-gita), Mahaprabhu propaga que, apesar de qualitativamente iguais, Deus e as almas são por natureza distintos, e o verdadeiro destino das almas individuais é desenvolver bhakti pura por Deus, Vishnu, ou Krishna. Com isto, se alcança a morada eterna e transcendental.
O Senhor Chaitanya predisse que o Vaishnavismo assumiria proporções gigantescas e se espalharia por toda a Terra. De fato, nos meados dos anos sessenta, depois da chegada de Sua Divina Graça A. C. Bhaktivedanta Swami na América, o Vaishnavismo gradativamente ganhou o mundo todo. Devido ao seu esforço devocional, o acesso à Consciência de Krishna se tornou plenamente possível em praticamente todas as principais cidades. Agora, portanto, podemos encontrar Vaishnavas, ou devotos de Krishna, não apenas cantando alegremente nas ruas, mas interagindo com a sociedade em universidades, empresas, comércio etc.
Aos mais interessados na filosofia, queremos convidá-los para visitar o nosso menu principal e, no item FILOSOFIA, desfrutar dos textos que ajudarão na compreensão da Teologia Vaishnava, ou Consciência de Krishna como é mais conhecida. Estudando-a, a partir de perspectivas abrangentes, uma pessoa pode facilmente aplicá-la e, assim, aperfeiçoar diferentes aspectos externos e internos de sua vida. Na realidade, ao formarmos o IBEV e trabalharmos para disseminar uma filosofia espiritual autorizada, ambicionamos despertar nos nossos alunos a capacidade de analisar, interpretar e avaliar suas vidas, sempre levando em consideração a aplicação prática do conhecimento Vaishnava.

Essas Histórias revigoram nosso ânimo de viver!


Essas Histórias revigoram nosso ânimo de viver!Às vezes convivemos tantos anos com nossos irmãos espirituais, irmãs, sobrinhos, sobrinhas, etc... e pouco sabemos deles। Essas histórias nos aproximam e nos unem। Neste momento estou recebendo Drutakarma Prabhu em Campina Grande। Ele é um devoto muito humilde e sábio que tem feito uma excelente pregação para a missão de Prabhupada। Aqui ele está falando em inglês, mas, já está lendo em português com boa pronúncia e tudo। Hoje eu traduzi sua aula do Bhagavatam do Inglês para o português mas, ele leu o texto diretamente de nosso livro editado pela BBT Brasil। No começo do Movimento tive oportunidade de traduzir para o português muitos palestrantes em Inglês। O primeiro devoto que conheci era Americano, seu nome era Dhruvananda e, como eu era um estudante universitário engajado no movimento estudantil, consegui muitas palestras em faculdades, escolas de yoga e restaurantes macrobióticos। Depois que fui para NG eu praticamente não fiz mais nenhum serviço de tradução porque havia muitos devotos melhores que eu nesse serviço। Hoje, tive a oportunidade de prestar esse tipo de serviço de novo e me lembrei de uma coisa interessante, praticamente uma piada। Era fevereiro de 1978, um dia antes de Nityananda Mahotsava। Hridayananda Maharaja estava visitando o pequeno templo de Salvador e eu o recepcionava na melhor de minha condição como um devoto externo e dentista. Ele já sabia falar bom português, mas, sempre que tinha dúvida durante suas palestras, olhava para mim para confirmar e eu confirmava ou o corrigia. Fiquei mal acostumado... Um dado momento, Phanindra Prabhu, o presidente do templo pediu que eu fosse comprar as oferendas para a cerimônia de fogo de minha segunda iniciação bem como da primeira iniciação de Bhakta Sérgio. Enquanto eu me preparava para sair, Hridayananda Maharaja apareceu e me perguntou para onde eu ia. Um pouco tímido de revelar para que seriam as compras, eu lhe disse que eram para a primeira iniciação de Bhakta Sérgio, (hoje Sahadeva das). O momento histórico é relevante. Prabhupada havia deixado o planeta em novembro de 77 e os novos gurus ainda não estavam iniciando porque ainda não tinha acontecido a reunião do GBC que anualmente é realizada em Mayapur durante o festival de gaura purnima, onde o assunto da sucessão discipular de Prabhupada seria discutido. Eu havia recebido primeira iniciação em agosto de 77, dois meses antes de Prabhupada deixar o planeta. Então, para receber a segunda, havia uma situação inusitada. O presidente organizou tudo e também organizou a primeira iniciação de Sérgio, mas, não tinha consultado o Maharaja. Então HDG, falou em português: "- Iniciação? Não, eu não posso dar iniciação porque sou um patifo" Como eu estava mal acostumado em corrigir seus erros de português, disse, ali na frente de todo mundo: "- Patifo não Maharaja, patife." Então, com seu humor, muito familiar para nós brasileiros, Ele virou-se para todos e disse: "- Viram, ele concorda que eu seja um patife॥" Passei vergonha ali na frente de todo mundo, não sabendo o que falar ou fazer. Afinal, eu não tinha intimidade alguma com o Maharaja e não queria, obviamente, constrangê-lo. Já que eu disse que o momento histórico era relevante vou continuar o relato só para contribuir com meu testemunho. Phanindra, o presidente, interferiu e disse: "- Então pelo menos o senhor pode dar a segunda iniciação de Dhanvantari." Aí ele respondeu: " Ah, tudo bem. Segunda iniciação eu posso dar porque antes de Prabhupada deixar este mundo eu já estava iniciando discípulos para ele." Foi então que recebi a segunda iniciação no dia de Nityananda, um mês antes do gaura purnima de 1978 e ouvi o gayatri de Srila Prabhupada. Seu servo,


Dhanvantari Swami



quarta-feira, 18 de julho de 2007

Seguindo às instruções de Krsna


Todas às glórias a Sri Sri Guru e Gauranga!
Todas às glórias aos devotos e devotas reunidos!
Todas às glórias a Srila Prabhupada!


Seguindo às instruções de Krsna


Srila Prabhupada diz: “Às pessoas conscientes de Krsna nunca perderão nada por seguir as instruções de Krsna”. Seguindo assim estas instruções, viverão confortavelmente, sem nenhuma necessidade material, e tyaktva deham punar janma naiti (Bhagavad-Gita 4.9): depois de abandonar este corpo, irão diretamente a Deus, Krsna. “Esta é nossa forma de vida”.

Na Bhagavad-Gita, 3:21 Krsna diz:

Yad yad acarati shresthas
Tat tad evetaro janah
Sa yat pramanam kurute
Lokas tad anuvartate

“Os homens comuns seguem os passos de um grande homem, qualquer que seja a ação que este execute. E quaisquer que sejam as normas por ele estabelecidas por seus atos exemplares, são seguidas por todo o mundo”.

Srila Prabhupada nos informa no seu significado que: As pessoas em geral sempre requerem um líder que possa ensinar o público através do comportamento prático. E mais, o Senhr Caitanya disse que um mestre deve se comportar corretamente mesmo antes de começar a ensinar. O propósito da vida humana, conforme descrito nas escrituras, destina-se a compreender a causa última, ou seja, compreender Krsna. Srila Prabhupada complementa ainda dizendo que “os devotos aceitam que a causa última é realmente Krsna, porque esta conclusão é apoiada por toda a literatura védica e também pelo próprio Krsna, o qual afirma que aham sarvasya prabhavah:“Eu sou a fonte de tudo”.

Friedrich Nietzsche, no livro “Assim falou Zaratustra”, afirma que Deus está morto. Ele nos diz: Deus morreu: agora nós queremos que viva o Super-homem. Porém, este homem superado ou homem superior de Nietzsche, com todas às qualidades que lhe foi dada, apenas será um homem superior ou aryan, se ele estiver conectado com Deus. Caso contrário será como Srila Prabhupada diz: São todos uns néscios e sem-vergonhas preguiçosos vestidos como cavalheiros. Srila Prabhupada vai mais longe dizendo, “Krsna está no coração de todos, e Ele nos dar ordens. Assim sendo, Krsna pode ordenar paz e harmonia aos animais, às serpentes e a todo mundo”.

Sem Deus, creio ser impossível qualquer elevação ou superioridade do homem. Este homem proposto por Nietzsche, não chegou a realizar-se, haja vista que por si só, o homem sem Sraddha (fé), auto-intitulado, está fadado ao fracasso. Srila Hridayananda Maharaja, nos diz que Sraddha significa literalmente pôr o coração. E pôr o coração, significa entregar-se com total confiança.

Mas, como compreender tudo isso? Como podemos nos tornar homens superiores?
- Krsna Prema e Prema Bhakti, amor puro em serviço devocional, estes são o remédio. No significado do Srimad-Bhagavatam, 6º canto, cap. 04 verso 32, Prabhupada comenta que: “ Alguns dizem que o Absoluto não tem forma (nirakara), e outros afirmam que o Absoluto tem forma (sakara). Portanto, a palavra forma é o fator comum, embora alguns aceitem-na (asti ou astika), ao passo que outros tentem negá-la (nasti ou nastika). Já que considera a palavra “forma” (akara) o fator comum, o devoto oferece suas respeitosas reverências à forma, embora outros possam continuar duvidando se o Absoluto tem uma forma ou não.”
Srila Prabhupada diz que é muito difícil que uma pessoa afetada materialmente compreenda a natureza pessoal da Suprema Verdade Absoluta. As pessoas que estão apegadas à concepção corpórea de vida estão, tão absortas no materialismo, que lhes é quase impossível compreender que existe um corpo transcendental o qual é imperecível.

O próprio Krsna diz que vartmanuvartante manushyah partha sarvashah, todos os homens seguem Meu caminho em todos os aspectos, ó filho de Prtha. Jamais poderemos ser homens superados sem a presença de Deus. Temos todos que nos refugiar em bhakti marga, o caminho da devoção. Srila Prabhupada afirma que assim tudo ficará claro. Srila Madhvacarya diz que “os não-devotos, que são menos inteligentes, pensam que sua conclusão é definitiva, mas porque são inteiramente eruditos, os devotos podem entender que a Suprema Personalidade de Deus é a meta última.”


Seu servo humilde,

Suvasa Dasa

visite http://premabhakti.blogspot.com/
BG Cap. 5:18 Vidya-vinaya Sampane, Brahmane Gavi Hastini, Shuni Caiva Shvapake ca, Panditah sama-Darshinah

quinta-feira, 12 de julho de 2007

A ARTE DE PREGAR


A ARTE DE PREGAR
Purushatraya Swami

Um tema que sempre surge nas conversas entre devotos é o comentário de que o crescimento de nosso movimento é muitíssimo lento, se compararmos com certos grupos religiosos de apelo mais popular ou outras correntes espiritualistas de moda. Todos, em geral, gostariam de ver os templos cheios de brahmacaris, congregações fortes e ativas e templos por toda parte. Nossa realidade é, no entanto, outra. As novas adesões ocorrem em doses homeopáticas. Entra ano, sai ano, estamos sempre vendo as mesmas caras. E, por falta de apoio maior, todo final de mês, os responsáveis de manter em dia os alugueis dos simples imóveis dos nossos templos chegam, às vezes, ao limite da capacidade de suportar as tremendas pressões psicológicas de se viver sempre no vermelho.
A consciência de Krishna é, sem dúvida, bem diferente das religiões convencionais. Estamos sempre buscando atingir pessoas normais e sãs, que, hoje em dia, são cada vez mais raras. Muitas dessas pessoas já têm suas “religiões” seculares, como vegetarianismo, ecologia, new age, hatta-yoga, etc. Outros são praticantes fanáticos dos prazeres sensuais e desdenham a espiritualidade. Vemos que as religiões que se especializaram em resgatar os desesperados, que estão no fundo do poço, estão com suas casa cheias e transformam-se em verdadeiros negócios empresariais.
Uma razão que afeta tremendamente a nossa pregação é o despreparo dos devotos em passar a mensagem da consciência de Krishna de uma maneira clara, sensata, inteligente e adequada ao tempo, lugar e circunstância.
Qualquer devoto deve estar sempre preparado para responder as perguntas. Ele deve individualmente pensar e meditar nos temas mais comuns que normalmente aparecem como perguntas de pessoas curiosas. Perguntas como: Quem é Krishna? O que o levou a tornar-se um devoto? etc., devem sempre estar “na ponta da língua”. A impressão que me dá ao ver a inaptidão dos devotos em responderem perguntas ao vivo na TV é que eles nunca pensaram sobre o assunto que estão sendo indagados publicamente. Esses segundos na TV são momentos preciosíssimos que não podem ser desperdiçados. Por outro lado, se a resposta do devoto for clara e natural, isso causa um impacto muito forte na audiência.
Essa inaptidão em se expressar parece ser uma característica bem brasileira. Nossa informalidade é interessante e simpática, mas tem certos momentos que não funciona e seu efeito é, em muitas ocasiões, contraproducente. É absolutamente necessário que aprendamos a nos dirigir corretamente ao público, com segurança e clareza. Uma vez, em Bombaim, no templo de Chowpati, eu dei uma palestra para um público de mais de mil pessoas. Minutos antes da palestra, um devoto veio até mim e me pediu que lhe desse alguns dados pessoais, no que ele anotou num papelzinho. Na hora da apresentação ao público, constatei que não era a mesma pessoa a quem tinha falado, mas um outro jovem brahmacari, que tinha o tal papelzinho nas mãos. Sua apresentação me surpreendeu. Ele nem sequer me conhecia, mas fez uma apresentação impecável em todos os sentidos. Outra ocasião, na África do Sul, fiquei impressionadíssimo com a apresentação pública de um devoto local. Era uma cerimônia depois do Ratha-yatra, com a presença de dois políticos importantes, membros do parlamento, e vários sannyasis. A maneira com que ele apresentou não ficou nada a desejar ao mais experiente apresentador do Jornal Nacional da TV Globo. Temos que nos aperfeiçoar nessa arte. O que tenho visto mesmo entre líderes e devotos seniores, com raras e louváveis exceções, são apresentações ao público pobres, cheias de trejeitos e cacoetes. Um devoto contou-me um fato que acontecera com ele. Depois de uma fala em público, um estrangeiro, que estava ainda aprendendo nosso idioma, chegou para ele e perguntou: O que é esse tal de “né” que você tanto fala?...
As horas que antecedem uma apresentação pública devem ser dedicadas à profunda concentração e preparação psicológica. O ser humano tem uma capacidade única de antever os acontecimentos. Ele pode “viver” em sua mente momentos que não aconteceram na realidade, mas tem toda a probabilidade de acontecerem no futuro próximo. Todo conferencista, por mais experiente que seja, projeta em sua mente a situação que ele vai viver. Ele condiciona sua fala às condições do local e características do público a que ele vai se dirigir. Ele está perfeitamente preparado para o que vai acontecer e então ficará bem à vontade e seguro. Dessa forma ele poderá expressar-se com toda naturalidade e passará sua mensagem com precisão e clareza.
Por outro lado, sem essa preparação, qualquer fala ao público poderá ser um fiasco— “Dá um branco” e, na hora H, a pessoa esquece das coisas mais obvias. Uma vez, acompanhando um grupo de devotos para uma apresentação em um programa de TV, fui testemunha de que houve, durante a longa viagem até ao local do programa, muita prajalpa, tama-guna e comilança entre esses devotos. Depois do programa, quando comentávamos que as perguntas feitas não foram bem respondidas pelos devotos, um comentário surgiu: “Fui pego de surpresa...” Uma desculpa esfarrapada, inaceitável...
Outra coisa importantíssima que deve prevalecer em nossa pregação ao público em geral é que devemos ter a habilidade de tratar certos temas que têm a tendência de causar certa comoção e desconforto nos ouvintes. Um tema que, se não for bem apresentado, pode causar certas suscetibilidades é a questão dos quatro princípios. O devoto deve ter a sensibilidade e a habilidade de apresentar esse importante ponto da consciência de Krishna sem chocar a platéia. Muitas vezes, ao invés de dizer: “Não comer carne, nem peixes e ovos”, podemos simplesmente dizer: “Tornar-se vegetariano”. Ao invés de algo negativo, damos uma afirmativa positiva. Às vezes para enfatizar o fato de que abolimos toda e qualquer intoxicação, damos muita ênfase ao consumo de café, que é consumido pelas pessoas em geral de forma inocente. Esse detalhe pode ser importante para aqueles que querem galgar níveis mais e mais elevados de consciência, mas para uma pessoa sem nenhuma noção prévia sobre as sutilezas espirituais, isso poderá soar como algo fanático. Muitas vezes, certos devotos evitam o café mas consomem outros alimentos industrializados que contém substâncias tão nocivas quanto a cafeína para a consciência. Quer dizer, essas coisas podem virar meramente um tabu, falado da boca para fora. Isso, muitas vezes, torna-se contraproducente na pregação, pois sugere um tipo de purismo e puritanismo artificial, que afasta pessoas inteligentes e sensíveis. Outros devotos, a despeito de seguirem os quatro princípios, têm princípios morais duvidosos. Questionamos aqui sua potencia espiritual na pregação sobre os princípios reguladores.
Devemos evitar na pregação pública, para um público que não teve nenhum, ou muito pouco, contato com os devotos, tópicos que sejam excludentes, isto é, que enfatizam uma grande distancia entre os karmis e devotos. Muito melhor é buscar temas que nos unem, e não que nos afastem. Se uma pessoa toma uma atitude defensiva no primeiro contato com os devotos, dificilmente mudará sua posição. Como se diz: “A primeira impressão é a que fica”.
Participei, a um par de anos atrás, de um congresso inter-religioso a nível mundial. Nesse congresso tomei parte de um workshop sob o tema “Construindo a Paz”. O facilitador era uma pessoa com muita experiência em conflitos e guerras por todo o planeta. Em certa altura de nosso workshop ele propôs que escrevêssemos uma lista de coisas que existem dentro de nossa religião que excluem as pessoas de fora. Nosso grupo era muito eclético: tinha pessoas de umas dez nacionalidades diferentes— asiáticos, europeus, africanos, etc.— cada um praticamente de uma religião diferente. Depois disso reunimo-nos em pequenos grupos para discutir nossas diferenças e achar pontos em comum. A conclusão que se chega é que ao enfatizar as diferenças, o germe da discórdia e da desconfiança estará sempre presente.
Espero que os devotos que estão lendo essas linhas compreendam exatamente o que quero me referir. Obviamente não queremos comprometer os princípios que seguimos e devemos ser cada vez mais estritos em nosso sadhana pessoal, mas temos que ter a sensibilidade e a habilidade para fazer com que mais e mais pessoas fiquem atraídas por Krishna, adotem o serviço devocional como prática espiritual de vida e adquirem força interior para vencer as energias animalescas que convivem em nós e puxam a consciência para baixo.
Constatamos que, infelizmente, a maioria dos devotos são despreparados filosoficamente. Sem o cultivo de anos e anos lendo e relendo os livros de Srila Prabhupada, a possibilidade de maestria no conhecimento da consciência de Krishna fica muito reduzida. Muitos devotos se contentam somente com o conhecimento básico e acham que já é suficiente. Muitos até não têm interesse nas aulas, pois irá escutar coisas que eles já conhecem. O fato é que para que possamos pregar, temos que interiorizar e vivenciar todo esse conhecimento que já sabemos intelectualmente. Isso requer muita prática e muitas horas lendo e ouvindo. Mesmo já conhecendo bem os temas expostos numa classe de Bhagavad-gita ou Srimad-Bhagavatam, temos que ficar muito atentos para aprendermos diversas maneiras de apresentar o mesmo tema. Quando escutamos vários oradores diferentes, muitas idéias naturalmente aparecerão em nossa mente que irão enriquecer a nossa própria pregação.
Para finalizar contarei três episódios significativos na pregação no Brasil, que vêm à minha mente nesse momento. Certamente existem muitos outros exemplos, mas por ora vamos nos contentar com esses três. O primeiro foi no início dos anos oitenta. Os devotos costumavam participar do encontro anual de comunidades rurais, onde se reuniam todas as “tribos” alternativas, muito em voga naquela época. O zelo de pregação de alguns devotos, forçando muito nos kirtanas e tentando com insistência “fazer a cabeça do pessoal” causou uma certa irritação geral e muitos tornaram-se antagônicos em relação aos devotos. Paramgati Maharaj era muito influente junto aos alternativos e, compreendendo bem a situação, promoveu uma reunião dos devotos antes do encontro do seguinte ano. Nessa reunião ficou estabelecido que a nossa estratégica de pregação para os encontros que se seguissem seria simplesmente essa: “Fica proibido qualquer tipo de pregação proselitista. Vamos participar dos encontros somente para servir.” A coisa funcionou e causou uma revolução nessa pregação. As pessoas ficaram totalmente surpresas com a mudança radical no comportamento dos devotos e passaram a apreciar os devotos de coração. Quer dizer, a melhor pregação naquele momento foi, simplesmente, “não pregar”. Dois anos depois, Nova Gokula foi escolhida para sediar esse Encontro Nacional das Comunidades Alternativas e foi o maior e mais bem sucedido encontro que já aconteceu. (Lembra-se Lilananda?...)
Houve uma celebração ecumênica pela paz promovida pelo então cardeal de São Paulo Dom Evaristo Arns. Ele convidou representantes de todas as religiões e entidades espiritualistas. A cerimônia aconteceu numa grande catedral da cidade. Lokasakshi Prabhu, experiente em encontros inter-religiosos, compreendeu bem aquela situação particular e no ato de inscrever-se, ao invés de se colocar como representante do movimento Hare Krishna, ele afirmou ser o representante do Hinduismo. O resultado foi que, na primeira fila, ficavam as cadeiras dos representantes das religiões oficiais do mundo: Cristianismo, Judaísmo, Islamismo, Hinduismo, Budismo. E atrás deles estavam os demais, designados pela igreja católica como “Seitas”. Normalmente estaríamos juntos com o pessoal detrás, como estavam muitas pessoas qualificadas que não representavam essas linhas religiosas principais. Só os representantes das religiões formais tiveram o privilegio de discursar nesse mega evento e, entre eles, o nosso representante Hare Krishna, o que deixou muita gente atônita.
Durante o Encontro para Nova Consciência, que acontece todo ano durante o carnaval, em Campina Grande, Candra-mukha Swami estava participando de um painel em que participavam também outras personalidades, entre eles o conhecido escritor católico Leonardo Boff. Na hora das perguntas, alguém colocou para Maharaj uma questão envolvendo o tema “reencarnação”, o que deixou o escritor católico visivelmente embaraçado e incomodado, visto que os católicos rejeitam esse princípio. Essa “deixa” poderia ter sido aproveitada por um pregador inexperiente e ávido para desbancar qualquer posição em contrário à doutrina reencarnacionista. Maharaj tinha “a faca e o queijo na mão”, mas, vendo o desconforto que isso causaria à pessoa que estava a seu lado, preferiu não responder essa pergunta e passar assim para a seguinte pergunta. O teatro inteiro lotado percebeu essa atitude do devoto e somente essa atitude foi milhões de vezes mais convincente do que inúmeros argumentos racionais.

Srila Prabhupada ki jay!

Simultaneidade de Lilas 3


Parte 1

No seu Tika no Manah-siksa,Thakura Bhaktivinoda diz:"Sem primeiro lembrar-se e adorar o Mestre Espiritual e o Senhor Gauranga,um devoto não pode oferecer serviço devocional amoroso puro ao divino casal Radha e Krsna.Qualquer desvio deste processo restringirá todo o avanço espiritual."
Outro texto do Bhakti Ratnakara:"Em meditação(manasi seva) Srinivasa Acarya certa vez ofereceu uma fragrante guirlanda de flores ao Senhor Gauranga,o qual estava sentado numa Simhasana repleta de jóias,rodeado pelos Seus queridos devotos,na floresta de Navadvipa.
Dominado por emoções transcendentais,Srinivasa Acarya começou a chorar profusamente.Em reciprocidade amorosa, o Senhor Gauranga ofereceu a mesma guirlanda de volta a Srinivasa.Isto interrompeu a meditação de Srinivasa.Retornando a consciência externa,Srinivasa ficou surpreendido ao constatar que a guirlanda adornava seu pescoço, e difundia um aroma imcomparável.
Então Srinivasa começou a meditar no Holi Lila(Passatempo de atirar cores)de Radha Govinda em Vrndavana.Na sua forma espiritual concebida mentalmente como Mani-manjari,Srinivasa Acarya ofertou pó colorido a Srimati Radhika.Desta vez, quando quebrou sua meditação,tinha todo o corpo coberto com pó colorido divinamente perfumado."

Podemos perceber que Srinivasa Acarya deu o exemplo perfeito do princípio de primeiro adorar Gauranga Lila e depois Radha-Madhava Lila.
No entanto,no Gaudiya Vaisnavismo ocorre a simultaniedade na adoração de Lilas.
A seguir a explicação de Bhaktivinoda Thakur no Jaiva Dharma:
"Gauranga Lila e Govinda Lila devem ser adoradas simultaneamente,porque ao alcançar a perfeição,os sadhakas Gaudiya Vaisnavas obtém dois corpos espirituais.
Geralmente, ao alcançar a perfeição espiritual,uma entidade viva tem somente um svarupa(corpo transcedental).

Porém, em muitos casos,o destino último dos seguidores de Srila
Rupa Goswami é obter duas forma espirituais:

1) Uma forma majestosamente bela de Kaisori (Uma jovem) Manjari-gopi, para servir Radha-Govinda na associação de outra sakhis e manjaris de Vraja.

2) Uma forma masculina maravilhosamente dourada de Kaisora (Um jovem) para servir o Senhor Gaurasundara e Seus associados em Navadvipa-Dhama.

O mais afortunado devoto participará simultaneamente nestas Lilas para eternamente servir o Senhor."

Aprecio muito o seguinte verso do Sri Caitanya-Caritamrta (Madhya-Lila,25-277):

caitanya-lila-amrta-pura krsna-lila-sukarpura
duhe mili'haya sumadhurya
sadhu-guru-prasade taha yei asvade
sei jane madhurya-pracurya

Caitanya-lila-amrta-pura: os passatempos do Senhor Caitanya Mahaprabhu são plenos de néctar.
Krsna-lila-sukarpura: os passatempos do Senhor Krsna são tão qual a cânfora.
Duhe mili:os dois encontrando-se.
Haya:tornam-se.
Su-madhurya:muitíssimo saborosos.
Sadhu-guru-prasade: pela misericórdia de pessoas santas e devotos na posição transcedental.
Taha: isto.
Yei: qualquer pessoa que.
Asvade: prove este néctar delicioso.
Sei jane: pode compreender.
Madhurya-pracurya: a imensa quantidade de doçura no serviço devocional.

"Os passatempos de Sri Caitanya Mahaprabhu são plenos de néctar e os passatempos do Senhor Krsna são como a cânfora. Quando se misturam estes ingredientes,resulta um sabor muito doce.Pela misericórdia dos devotos puros,todos que saboreiam isto podem compreender a extensão desta doçura."

No Sri Caitanya Candrodaya, Srila Kavi Karnapura explica como Sri Caitanya abençoou Sri Advaita Acarya:"Oh! Acarya, estou sempre absorto nos Meus passatempos, residindo em Vrndavana, e darei a vocês todos os corpos (espirituais) adequados para juntarem-se a Mim nos passatempos de Vrndavana."Sri Advaita Acarya respondeu:"Pelo Seu desejo nós poderemos alcançar o que quer que o Senhor deseje, numa outra morada ou outro corpo. Iremos sempre lembrar nossa origem nos Seus passatempos maravilhosos."

Parte 2

Existem dois tipos de passatempos do Senhor:

Nitya (Regular)

Naimittika (Lilas ocasionais)

Os passatempos de Nrsimhadeva com Prahlada Maharaja são Naimittika Lila. Começam e terminam e depois começam e terminam em outro Universo.

Prahlada Maharaja certamente ocupa uma posição especial.

"Meu querido Prahlada, enquanto estiveres neste mundo material, irás terminar com as reacções de todas as actividades piedosas por sentir felicidade, e por actuar piedosamente irás neutralizar as actividades impiedosas.
Devido ao factor tempo, irás deixar este corpo, mas as glórias das tuas actividades serão cantadas nos sistemas planetários superiores, e estando livre de todos os condicionamentos, irás retornar ao Lar, ao Supremo."

Srila Prabhupada explica:
"Prahlada Maharaja é um Siddha misto, ou seja, ele é perfeito porque em parte executou serviço devocional e em parte por causa da sua perfeição eterna. Ele é comparado a devotos como Narada." Srimad Bhagavatam 7.10.13

Portanto, a forma de Prahlada Maharaj não é Siddha Deha, mas Sadhaka Deha, visto que não há descrições do fim dos passatempos de Prahlada Maharaja e como alcançou Siddha.

Ou seja, não existe uma descrição pormenorizada do Siddha Svarupa de Prahlada Maharaja.

Seu servo
Prahladesh Dasa

Vivendo no Gita e em Srila Prabhupada

Bloco de texto
Todas as glórias a Srila Prabhupada!!
Lembrando para viver Do Srimad Bhagavad-Gita Como Ele É: "É muito melhor cumprir os deveres prescritos próprios, embora com defeitos, do que executar com perfeição os deveres alheios। A destruição durante o cumprimento do próprio dever é melhor do que ocupar-se no deveres alheios, pois seguir o caminho dos outros é perigoso।" BG 3।35 SIGNIFICADO: Devemos, portanto, executar em plena consciência de Krsna nossos deveres prescritos em vez daqueles prescritos para outros। Materialmente, os deveres prescritos são impostos segundo a condição psicofísica da pessoa, sob o encanto dos modos da natureza material। Os deveres espirituais são aqueles que o mestre espiritual decreta para o serviço transcendental a Krsna। Mas quer materiais quer espirituais, a pessoa deve ater-se a seus deveres prescritos mesmo confrontado a morte, ao invés de imitar os deveres prescritos alheios। Os deveres na plataforma espiritual e os deveres na plataforma material talvez sejam diferentes, mas aqueles que os executa sempre faz bem em seguir a instrução autorizada. (...) Srila Prabhupada ki jay!!

terça-feira, 10 de julho de 2007

O Coxo e o Cego


O Coxo e o Cego


Recentemente, uma professora de Filosofia em Portugal, chamou a atenção para o facto de que actualmente a Filosofia está restrita ao meio Acadêmico.

Numa de suas aulas SS Hrdayananda Das Goswami adverte que vivemos um período de grave crise no pensamento filosófico.

A História da Filosofia passou por diferentes fases. Até a queda do Comunismo, ainda havia uma certa participação geral.

Hoje em dia as pessoas só pensam em como manterem-se e em aumentar seus bens.

No entanto, sempre vão surgindo declarações interessantes, como por exemplo, a seguinte citação do editorial do repórter português Pedro Pinto:

"Uma sociedade sem qualquer interesse por filosofia, sociologia ou curso de letras em geral nunca será bem sucedida.

Incapaz de olhar para si mesma e reflectir sobre seu trajecto, será impotente para apreender as mudanças em curso e adivinhar tendências.

Mas uma sociedade sem matemática, sem pessoal qualificado na área das ciências, em computação, engenharia, análise numérica, economia, etc., também nunca será rica.
O desenvolvimento da tecnologia, a especialização internacional e a emergência da globalização tornaram imperativo ter pessoal qualificado nas vertentes mais abstractas da ciência."

Aqui o repórter Pedro Pinto não menciona o interesse pela vida espiritual como um ponto essencial para que uma sociedade seja bem sucedida.

Mas ao referir a filosofia, sociologia e outras já é um bom começo.

Esta citação também faz lembrar a analogia que Srila Prabhupada fazia do coxo e do cego:


"No momento atual, a Índia pode ser comparada ao coxo e os países ocidentais, ao cego. Nos últimos dois mil anos, a Índia foi subjugada por governos estrangeiros, e as pernas do progresso foram quebradas. Nos países ocidentais, os olhos da população tornaram se cegos, devido ao ofuscante fulgor da opulência material."
"O cego dos países ocidentais e o coxo da Índia devem unir-se neste movimento da consciência de Krsna. Então, o aleijado da Índia poderá caminhar com a ajuda do ocidental, e o ocidental cego poderá ver com a ajuda do aleijado.
Em suma, o avanço material dos países ocidentais e os bens espirituais da Índia devem combinar-se para a elevação de toda a sociedade humana." (Srimad Bhagavatam 4.25.13)

Vosso servo
Prahladesh Dasa