Dedicado a Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedenta Swami Prabhupada e Gurudeva Srila Dhanvantari Swami

Dedicado a Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedenta Swami Prabhupada e Gurudeva Srila Dhanvantari Swami
Jagad Guru Srila Prabhupada

quarta-feira, 9 de abril de 2008



Todas as glórias a Sri Sri Guru e Gauranga!
Todas as glórias a Srila Prabhupada!
Todas as glórias aos devotos devotas reunidos!

As diferentes consortes do Senhor

Existem muitas encarnações e expansões do Senhor Krishna. Em outras palavras, a fonte original de todas as diferentes encarnações e expansões é Sri Krishna, a causa de todas as causas. Do mesmo modo, Srimati Radharani é a causa de todas as amadas consortes dEle, que são de três classes: (1) as deusas da fortuna, (2) as rainhas e (3) as gopis.

Dessas três classes, as gopis são consideradas as principais.

As deusas da fortuna são consideradas manifestações parciais de Srimati Radharani e não se relacionam diretamente com Krishna. Elas vivem nos diferentes planetas vaikuntha, onde servem os pés de lótus das diferentes expansões do Senhor, conhecidas como Narayana. As rainhas são reflexos da imagem de Radharani e se relacionam com a expansão do Senhor que manifesta Seus passatempos no humor de opulência e majestade. Mas as gopis, as companheiras pessoais de Radharani, as donzelas de Vrajabhumi, são expansões diretas de corpo dEla. Elas são agentes de diferentes reciprocidades de amor entre o Casal Divino. Sri Radha e Krishna, e agem sempre sob a orientação de Radharani.

Com o propósito divino de auxiliar o Senhor Krishna a saborear um prazer de variedades
plenas, especialmente no reino transcendental de Goloka, existe um grande número de personalidades semelhmentes à Srimati Radharani, conhecidas como gopis ou sakhis. O amor delas é impecável. Brilhante e puo como o ouro derretido. Elas conhecem profundamente o desejo de KRshan e sabem como prestar serviço amoroso perfeito para o prazer dEle. Quanto a isto, Srila Prabhupada explica:

“Avariedade de inúmeras senhoras é uma fonte de desfrute para Sri Krshna, e por isso estas expansões de Srmati Radharani necessárias para intensificar a potência de prazer de Sri Krishna. Suas trocas de amor transcendentais são as aventuras super-execelentes dos passatempos em Vrindavana. Através destas expansões do corpo pessoal de Srimati Radharani, Ela ajuda o Senhor Krishna a saborear a dança da rasa e outras atividades semelhates.” C.c. Adi 4.81.

O autor do Sri Chaitanya-charitamrta continua apresentando este tema confidencial explicando que, para Sri Krishna desfrutar de Seus passatempos amorosos, Srimati Radharani Se expande na forma de muitas e muitas gopis, pois sem muitas consortes, não há tanto júbilo da rasa. É por este motivo que existem muitas manifestações de Srimati Radharani como auxiliares nos passatempos do Senhor e, entre elas, existem diferentes grupos de consortes com diferentes variedades de sentimentos e doçuras. Assim, os diferentes grupos de gopis ou sakhis ajudam o Casal Divino Sri Radha e Krishna a saborearem a doçura transcendental da dança da rasa e de outros passatempos íntimos. No entanto, Srimati Radharani é a figura central entre todas as gopis.

Fonte: Quem é a mocinha que está com Krishna? - Chandramukha Swami

Seu servo humilde,


Suvasa Dasa




BG Cap. 5:18 Vidya-vinaya Sampane, Brahmane Gavi Hastini, Shuni Caiva Shvapake ca, Panditah sama-Darshinah

quarta-feira, 26 de março de 2008

Um devoto é um cavalheiro

Todas as glórias a Sri Sri Guru e Gauranga!
Todas as glórias a Srila Prabhupada!
Todas as glórias aos devotos e devotas reunidos!

Por favor aceitem minhas reverências!

Um devoto é um cavalheiro

Perguntado sobre o que é (quem é) um devoto? – Srila Prabhupada respondeu: - Um devoto é um cavalheiro. Como isso, entendemos claramente que um devoto deve ser amável com todos, inclusive com os animais.

Desde que comecei a participar deste fórum, jamais apresentei-me como intelectual, porque não o sou. Considero-me mais uma Ksatriya que propriamente um Brahmana. E Ksatriyas com qualidades brahmínicas, só almas liberadas como Arjuna e Yudhisthira. Entretanto, às escrituras e Srila Prabhupada, enfatizam que devemos render honra e respeito aos brahmanas perfeitos. E os brahmanas ainda imperfeitos? – Estes merecem a mesma honra e respeito, principalmente se estes estiverem ocupados ou tentando ocupar-se em servir KRSNA e seus servos. Eu particularmente, não quero nenhum respeito para mim, nem glorificação e nem mesmo reconhecimento. Todavia, como vaisnava, devo render honra e respeito a todos os vaisnavas. Prabhupada diz que a pessoa deve oferecer ou aprender a oferecer, respeitos a Deus e aos semideuses, aos brahmanas perfeitos e qualificados e ao mestre espiritual e aos superiores como pai e mãe, ou qualquer pessoa que seja versada na sabedoria védica. A estes deve-se dar o devido respeito.

Como um cidadão que paga seus impostos, quero andar pelas ruas de cabeças erguida, cantando minha japa, ouvindo ou lendo sobre as glórias de KRSNA. Ora, se um devoto é um cavalheiro, um devoto é um respeitador. Sendo um respeitador, um vaisnava jamais deverá proferir, incentivar ou apoiar ofensas contra outrem. Um devoto deve ser como Yudhisthira, Ajita shatrau, sem inimigo.

Srila Prabhupada diz: A pessoa deve praticar a limpeza interna e externa, e deve aprender a tornar-se simples em comportamento. Não se deve fazer nada que não esteja sancionado pela injunção escritural.

Sempre procuro escrever de acordo com Sadhu, Guru e Shastra. Sempre consulto às escrituras para não especular mais que o necessário.

Na Bhavad-Gita, cap. 17 verso 15 diz:

Anudvega-karam vakyam
Satyam priya-hitam ca yat
Svadhyayabhyasanam caiva
Vanmayam tapa ucyate

“A austeridade do falar consiste em falar veraz e beneficamente e evitar a linguagem que ofende. A pessoa deve também recitar os Vedas regularmente.”.


Um vaisnava não deve tolerar ofensas dirigidas a outros vaisnavas. O combate deve dar-se na forma das escrituras, com embasamento e conhecimento. Às ofensas dirigidas por outros vaisnavas ou pessoas demoníacas, devem ser combatidas com o escudo dos Vedas. Srila Prabhupada diz que Matar demônios na era de Kali significa distribuição dos santos nomes.
O Vaisnava e a vida acadêmica

Quando um vaisnava decide dedicar-se a vida acadêmica, o que devemos fazer? Devemos apoiá-lo ou devemos chacoteá-lo? – Srila Prabhupada apreciava a vida acadêmica. Ele incentivou seus discípulos a dar aulas nas universidades. Mas, não era apenas como visitantes ou palestrantes. Ele os queria ensinando efetivamente, levando às glórias de KRSNA com suas presenças nestas instituições. Nem todos, temos a misericórdia de termos nascidos autodidatas como, por exemplo, Loka Saksi Prabhu. Lembro-me que em 91 ou 92, eu fazia faculdade de história, e precisava fazer um trabalho sobre os índios da Argentina. Eu não sabia por onde começar. Prabhu Loka Saksi estava aqui em Brasília, e durante uma conversa informal com os devotos à noite, surgiu o assunto e Loka Saksi Prabhu discorreu sobre o assunto (nessa época ele não era estudante). Pura misericórdia de KRSNA. Acho que Sriman Loka Saksi Prabhu nem deve mais lembrar-se.

Acharyadeva, Gurudeva Dhanvantari Swami, Sua graça Drutakarma Prabhu, Prana Natha Prabhu, Gurusevananda Prabhu, Giridhari Prabhu, Vana Virahi Devi Dasi Prabhu e o próprio Loka Saksi Prabhu que é mestre em Filosofia e muitos outros vaisnavas. Temos vários devotos intelectuais e como meu irmão espiritual Bir Krsna Prabhu que é professor universitário em Minas Gerais, Raghunatha Prabhu, intelectual e professor universitário, temos Girindra Prabhu que também é professor e muito mais. Às pessoas de um modo em geral valorizam um acadêmico. Isso não vai contra às escrituras.

No passado, cometemos vários erros. Alguns vaisnavas mais inflamados para não dizermos, mais fanáticos, tentavam minimizar esta benéfico instrumento de capacitação. Hoje reconhecemos e nosso líderes também, que vários erros foram cometidos, e não queremos repeti-los. Gurudeva disse que nenhum líder responsável aconselharia um jovem a abandonar seus estudos para viver nos templos.

Seu servo humilde,
Suvasa Dasa
BG Cap. 5:18 Vidya-vinaya Sampane, Brahmane Gavi Hastini, Shuni Caiva Shvapake ca, Panditah sama-Darshinah


Fomos questionados em qual livro encontra-se descrito o sonho de Srimarti Radharani com Sri Caitanya Mahaprabhu.
Os livros são:
"Kapila Tantra" 9º Patala
"Svapana Vilasa Amrtam"

O "Kapila Tantra" descreve:
"Certa vez, Srimati Radhika pediu a Sri Krsna:
Eu tenho o desejo de tornar-me una em forma com Você.
Meu querido Senhor! Por favor, manifeste uma forma infundida com o Meu humor mais exaltado de êxtase profundo (Mahabhava). Por favor, manifeste-Nos nesta forma unificada.
Num sonho de Radha, Sri Krsna mostrou entusiasticamente esta mnaravilhosa forma dEle mesmo.
O auto-criado Sri Krsna desta forma dividiu Sua forma original em dois humores separados

Antah krishnam
Bahir gauram

por dentro Ele é negro (Sri Krsna)
por fora Ele é claro (Sri Radha)"

O "Svapana Vilasa Amrtam" descreve o sonho de Radharani desta forma:
"Numa certa manhã, deitados numa cama de flores, Srimati Radhika falou a Sri Krsna:
"Ó Meu amado! Esta noite Eu tive um sonho muito estranho.
Havia uma margem de areia num rio que parecia o Yamuna.
Algumas pessoas tocavam instrumentos musicais e dançavam. Muito semelhante a Nossa própria dança da Rasa.
Mas, no meio destes dançarinos, Eu vi no Meu sonho uma impressionante figura.
Um jovem Brahmana, muito belo e com compleição dourada refulgente estava a executar uma dança divina, e desta maneira estava a inundar todo o universo com Prema.

No Meu sonho, este jovem dourado às vezes perdia a paciência e gritava "Radha, Radha, aonde estás?"

Algum tempo depois Ele derramava lágrimas de êxtase enquanto cantava "Ó Krsna, Ó Krsna!"

Eu não consigo entender se este jovem Brahmana dourado é uma outra forma Sua ou Minha?

Após ouvir o sonho de Radha, o Senhor Sri Krsna revelou para Radha que Ele mesmo era aquela forma chamada Gauranga, o jovem Brahmana dourado do sonho de Srimati Radhika.

Ouvindo isto, Srimati Radhika exclamou:
"Eu tive a revelação que Eu também Sou Ele.
E por perceber como ambos, Eu e Você estamos identificados com aquela forma, parece que ambos, Eu e Você, na verdade unimo-Nos para aparecer assim."

Sri Sri Radha Syamasundara Ki Jaya !!!
Sri Gaurasundara Ki Jaya !!!
Srila Prabhupada Ki Jaya !!!

RASARAJA SRI KRSNA KI JAYA !!!
MAHABHAVA SRI RADHA KI JAYA !!!
RASARAJA MAHABHAVA SRI GAURASUNDARA KI JAYA !!!

Vosso servo
Prahladesh Dasa

http://www.bhakti-tattva.blogspot.com/

quarta-feira, 19 de março de 2008

É tempo e hora de agradecer















Todas as glórias a Sri Sri Guru e Gauranga!
Todas as glórias a Srila Prabhupada!
Todas as glórias a Sri Krsna Caitanya!
Todas as glórias aos devotos e devotas reunidos!

Sempre há, e sempre é tempo para agradecermos.

Em quase duas décadas em consciência de Krsna, Ele (Krsna), sempre foi misericordioso comigo, ainda que eu não mereça, Ele sempre foi. Há uma canção gospel que diz que, às misericórdias do Senhor, são a causa de não sermos consumidos, porque Suas misericórdias não têm fim, renovam-se cada manhã.

Com o passar de Kala, o tempo que nunca falha, podemos aperfeiçoar ou destruir nossa vida espiritual. Tudo vai depender de nossa maturidade, conhecimento e discernimento.

Podemos aproveitar este raro (raro, no sentido de que devemos senti-lo como se fosse o último) momento do Gaura-Purnima, para em nossas orações mais íntimas, agradecer a grandes almas que passaram e que ainda fazem parte de nossas vidas. São essas Mahatmas, ou grandes almas, objeto de nosso respeito e consideração, a qual devemos tê-los na mais auto-estima.

Srila Prabhupada diz no Srimad-Bhagavatam, segundo canto, pág. 470 que, a religião comum a todas as classes de seres humanos, não importa quem ou o que alguém seja, é o serviço devocional. Ele continua, até mesmo os animais podem se incluir no serviço devocional ao Senhor, e o melhor exemplo é Sri Vajrangaji, ou Hanuman, o grande devoto do Senhor, Sri Rama. Srila Prabhupada disse ainda que até mesmo os aborígines e os canibais também podem ocupar-se no serviço devocional ao Senhor se estiverem sob orientação de um genuíno devoto do Senhor. Serviço devocional, estas duas palavras não paralelo. Quando nos ocupamos em servir o Senhor, principalmente quando servimos aos servos dos servos do Senhor, estamos mais perto dEle. Seja adorando a deidade, seja pregando, seja limpando a sala do templo ou mesmo lavando as panelas nas quais foram cozinhados os alimentos do Senhor e dos servos do Senhor, estamos praticando o mesmo serviço. Sinto saudades e falta da época em que eu lavava o banheiro dos visitantes no templo do Senhor, quando eu ia para cozinha lavar as panelas da casa de KRSNA. Aliás, lavar o banheiro dos visitantes era meu seva designado por Mãe Cintamani, esposa de Gaura-Vani Prabhu.

Srila Prabhupada diz que aquele que, sem duplicidade, canta, ouve ou lembra o santo nome do Senhor ou que ora ao Senhor ou Lhe oferece reverências, torna-se perfeito, ao passo que um erudito pode ser levado ao inferno se estiver desprovido de serviço devocional. No sexto canto SB, cap. 01, verso 15, Srila Prabhupada enfatiza que aquele que se apega ao serviço devocional, tem seus desejos de gozo material automaticamente aniquilados. Este processo de bhakti, serviço devocional a Krsna (vasudeva-parayana), liberta a pessoa das reações de todas as atividades.


Durante este Gaura-Purnima, provavelmente não estarei na associação dos devotos como gostaria. Por isso, aproveito esta oportunidade para lhes agradecer. Para um determinado grupo de vaisnava, escolhi um verso de agradecimento. Este será meu serviço devocional.

Para Giridhari Prabhu, que nos últimos anos tem sido meu siksa-guru e confidente, Advaita Candra Prabhu, Amala Kirtan Prabhu, Sri Nrsimha e Maharani Vrinda D.D. Prabhus (que estiveram em dois momentos mágicos de minha vida que foram minha 1ª , 2ª iniciação e casamento), Gunesvara Prabhu, que com suas traduções de aulas de Srila Prabhupada, levou às instruções de Srila Prabhupada aos nossos ouvidos. Gaurasundar Prabhu (PGS), que na minha 1ª iniciação, me falou palavras de incentivo, Lilananda e Avyakta Rupa Prabhus que nos dão maravilhosos momentos de aprendizados no Brazilian Forum e Krsna-Katha. Às vezes a chapa esquenta, mas sempre tiramos algum proveito sem sombra de dúvidas.

Bhagavatam, 2º canto cap. 3 verso 12

“O conhecimento transcendental relacionado com o Supremo Senhor Hari é conhecimento que produz a completa eliminação das ondas e redemoinhos dos modos materiais. Esse conhecimento traz auto-satisfação porque está livre do apego material, e sendo transcendental, é aprovado pelas autoridades. Quem poderia deixar de sentir-se atraído?”.

Para Rasananda Swami, Chandra Mukha Swami, Param Gati Swami, Purushatraya Swami, Visnujana Swami (que nunca sai do meu pensamento), Jesus Cristo, que trouxe alento para nossos corações desesperados, Sridhara Swami, que plantou uma semente nos corações dos devotos de Brasília, meu querido Guru Maharaja Dhanvantari Swami, por aceitar tão indigno discípulo. E claro, nosso amado Jagad-Guru A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada, que como um servo obediente e, na tentativa de nos salvar, cruzou o oceano para levar a cabo a ordem de seu mestre e de Sri Caitanya, de pregar em todas às vilas e cidades.


Bhagavatam, 3º canto cap. 13 verso 04

“As pessoas que têm ocasião de ouvir da parte de um mestre espiritual com muito empenho e por longo tempo devem ouvir da boca de devotos puros sobre o caráter e as atividades dos devotos puros. Os devotos puros sempre pensam, dentro de seus corações, nos pés de lótus da Suprema Personalidade de Deus, que outorga liberação a Seus devotos.”.

Aqueles que por ventura não citei os nomes têm tanta importância quanto os citados. Para estes mestres e amigos, deixo este verso.

Bhagavatam, 3º canto cap. 15 verso 39

“O senhor é o reservatório de todo prazer. Sua presença auspiciosa destina-se à benção de todos, e Seu sorriso e olhar afetuosos tocam o âmago do coração. A bela cor do corpo do Senhor é anegrada, e Seu peito largo é o lugar de repouso da deusa da fortuna, que glorifica todo o mundo espiritual, o pináculo de todos os planetas celestiais. Assim, parecia que o Senhor estava pessoalmente espalhando a beleza e boa fortuna do mundo espiritual.”.


Bhakti: A melhor coisa do mundo. Srila Prabhupada tem razão. No Sexto canto do Bhagavatam, Cap. 01 verso 17, diz:

“O caminho trilhado pelos devotos puros, que são bem-comportados e plenamente dotados com as melhores qualificações, decerto é o mais auspicioso deste mundo material. Nesse caminho inexiste o medo e ele é autorizado pelos sastras.”.

No significado Srila Prbhupada diz: Ninguém deve ficar pensando que aquele que adota bhakti procede assim porque não pode executar as cerimônias ritualísticas recomendadas na seção karma-kanda dos Vedas ou porque não tem suficiente instrução para especular sobre temas espirituais. Em geral, os mayavadis alegam que o caminho de bhakti é para mulheres e iletrados. Esta acusação é infundada. O caminho de bhakti é seguido pelos sábios mais eruditos, tais como os Gosvamis, o Senhor Caitanya Mahaprabhu e Ramanujacarya. Eles são os verdadeiros seguidores do caminho de bhakti. Não importa se alguém é ou não é educado ou aristocrático, ele deve seguir-lhes os passos. Mahajano yena gatah as panthah: Deve-se seguir o caminho dos mahajanas. Mahajanas são auqeles que adotaram o caminho do serviço devocional (Sushilah sadhavo yatra narayana-parayanah), pois essas grandes personalidades são as pessoas perfeitas. Por isso, eu Te agradeço Krsna, por essa possibilidade de congregar e me associar com tão nobres e especiais almas liberadas. Sim, um devoto é sempre muito especial.

Para todos os devotos e devotas que me auxiliaram direta ou indiretamente, meu muitíssimo obrigado.

Gaura-Purnima Ki jaya!
Sri Krsna Caitanya Mahaprabhu Ki jaya!
Jaya nitya-lila-pravista Om Visnupada Paramahamsa Parivrajakacarya Astottara-sata Sri Srimad A.C. Bhaktivedanta Swami Maharaja Prabhupada Ki Jaya!
Seu servo,
Suvasa Dasa

terça-feira, 11 de março de 2008

Ouvindo da Fonte Perfeita

Se recebemos informação espiritual da fonte perfeita, Krsna, e se repetimos esta mesma informação, então o que falamos também pode ser aceito como perfeito e autorizado. Este processo de parampara, ou sucessão discipular, consiste em ouvir de Krsna ou das autoridades que aceitam Krsna, e repetir exatamente o que elas disseram. No Gita (4.2), Krsna recomenda este processo para adquirir conhecimento: "Esta ciência suprema foi assim recebida através da corrente de sucessão discipular e os reis santos compreenderam-na desta maneira". Em outras épocas, o conhecimento era transmitido por grandes reis santos que eram as autoridades no assunto. Nas eras passadas, contudo, estes reis eram rsis - grandes eruditos e devotos - e como não eram homens comuns, o governo que dirigiam funcionava perfeitamente. Na civilização védica existem muitos exemplos de reis que alcançaram a perfeição como devotos de Deus. Por exemplo, Dhruva Maharaja foi para a floresta em busca de Deus, e, meditante a execução de austeridades e penitências severas, dentro de seis meses encontrou Deus.


Srila Prabhupada
Publicado por Rasananda Swami

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

A filosofia mayavada de Schopenhauer e a Filosofia Vedanta




Todas as glórias a Sri Sri Guru e gauranga!
Todas as glórias a Srila Prabhupada!
Todas as glórias aos devotos e devotas reunidos!

A filosofia mayavada de Schopenhauer e a Filosofia Vedanta
chandramukha swami e suvasa dasa

O filósofo Arthur Schopenhauer, ficou famoso por sua filosofia pessimista. Não é por menos, o filósofo compara o mundo como uma representação a uma ilusão, como o véu de Maya na nossa filosofia Vedanta. Na obra “O mundo como vontade e representação”, encontramos duas proposições-chave de sua filosofia, enunciadas por ele como verdades incontestáveis, mesmo que num primeiro momento elas possam causar repulsa e fazer os homens tremerem, afirma Raquel Moreira, Bacharel em filosofia pela USP. Schopenhauer pauta sua filosofia em “o mundo é a minha representação e o mundo é a minha vontade”.

Tendo como ponto de partida a filosofia kantiana, Schopenhauer é bem direto e diz que não podemos afirmar que conhecemos de fato isso e aquilo, estes e aqueles determinados objetos, mas sim que conhecemos o que percebemos deles – sendo que o que percebemos deles não são os objetos tais como são em si em sua essência. “O que conhecemos de tudo aa nossa volta é apenas a nossa representação, termo de Schopenhauer que reelabora o fenômeno de que Kant fala.“Tudo o que conhecemos do mundo, tudo o que dele percebemos é nossa representação. Arthur Schopenhauer abre sua principal obra enunciando: “o mundo é a minha representação.”.

De certa forma, Schopenhauer tem razão, este mundo é “dukhalayam asasvatham”, miserável e temporário. Sabemos que este mundo é uma representação pervertida do mundo espiritual.

Na filosofia de Schopenhauer, o sujeito não é insignificante ele é apresentado como sendo o sustentáculo do mundo. Segundo ele, se todos desaparecessem, e apenas você existisse, a representação do mundo dependeria de sua existência. E se você desaparecesse, este mundo também sumiria. Isso literalmente. Se fôssemos todos conscientes de KRSNA, servos fiéis e nem um pouco invejosos, não haveria necessidade deste mundo material.

Srila Prabhupada diz na Bhagavad-Gita cap. 07, que o conhecimento completo e científico é KRSNA. E tudo se revela à pessoa em consciência de Krsna. Parece-me que Schopenhauer teve contato com o vedantismo. Porém, ele não conseguiu captar a essência. Sua filosofia é totalmente mayavada. Não há Deus. Quando ele fala da coisa-em-si e da vontade, ele nos deixa perceber que o homem é capaz de tudo e é independente. Na BG cap. 5:14 diz: “O espírito corporificado, mestre da cidade de seu corpo, não cria atividades, não induz as pessoas a agirem nem cria os frutos da ação. Tudo isto se desenvolve pelos modos da natureza material.”. Srila Prabhupada diz: Em completa consciência de KRSNA a pessoa sabe que KRSNA é o conhecimento último além de quaisquer dúvidas.

Os primeiros seis capítulos da Bhagavad-Gita descrevem a entidade viva como uma alma espiritual não-material que é capaz de se elevar à auto-realização através de diferentes tipos de yogas. É afirmado no fim do sexto capítulo, que a concentração firme da mente em KRSNA, ou seja, a consciência de KRSNA, é a forma mais elevada de todas as yogas. Portanto, “a coisa-em-si e a vontade” pregadas por Schopenhauer, são as leis que regem este universo, são em última instância, KRSNA, a Suprema Personalidade de Deus. Alguém poderia conjecturar que não podemos provar cientificamente que KRSNA é Deus. Todavia, Anselmo em seu “argumento ontológico”, diz que se há alguém superior, este alguém é Deus. Até hoje, ninguém provou o contrário.

KRSNA diz na BG: Aquele cuja mente está fixa em Minha forma pessoal, sempre ocupado em Me adorar com grande fé transcendental, Eu considero o mais perfeito. No significado, Srila Prabhupada afirma que para uma pessoa em consciência de KRSNA não há atividades materiais porque tudo é feito por KRSNA.

E o sofrimento? ParaSchopenhauer tudo é sofrimento. Schopenhauer não estava livre do sofrimento. Sua filosofia não foi capaz de salvá-lo das misérias do mundo material. Ele não nos apresenta nenhuma fórmula para cessarmos nosso sofrimento. No oitavo capítulo da Bhagavad Gitase afirma que quem quer que pense em KRSNA no momento da morte transfere-se de imediato ao céu espiritual, a morada de KRSNA.

A filosofia pessimista de Schopenhauer vendo por outro ângulo, nos faz buscar outros conhecimentos e nessa busca, podemos até chegar à filosofia vedanta. Por ser uma filosofia complexa, daria para escrever um livro falando sobre alguns pontos. Porém, nosso objetivo é o homem como o centro de tudo.

Para Schopenhauer, o conhecimento do corpo como representação e como vontade não é uma verdade lógica, nem empírica, nem metafísica: é a verdade filosófica por excelência.

No cap. 4:38 da BG, temos a seguinte informação: Neste mundo, não há nada tão sublime e puro como o conhecimento transcendental. Este conhecimento é o fruto maduro de todo o misticismo. E aquele que o alcançou, desfruta do eu que está dentro de si mesmo no devido curso do tempo. No significado Srila Prabhupada diz que quando a pessoa está situada em conhecimento transcendental, ela não necessita procurar pela paz em nenhuma outra parte, pois ela desfruta da paz dentro de si mesma. Conhecimento transcendental é exatamente o que falta na filosofia de Arthur Schopenhauer, já que sua filosofia está pautada no homem como centro.

Seu servo humilde,
Suvasa Dasa

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BG Cap. 5:18 Vidya-vinaya Sampane, Brahmane Gavi Hastini, Shuni Caiva Shvapake ca, Panditah sama-Darshinah

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Até que as Vacas Voltem para Casa - Until the Cows Come Home




Originalmente publicado em Back to Godhead [Volta ao Supremo], revista fundada por Sua Divina Graça Srila Prabhupada no ano de 1944
Artigo referente à edição do bimestre de julho/agosto de 2006
Até que as Vacas Voltem para Casa


Until the Cows Come Home
por Braja Sevaki Devi Dasi
Era véspera de Janmastami. Multidões e multidões de peregrinos estavam chegando a Vrndavana. As ruas estavam um grande caos devido ao tráfego de carros vindos de Delhi e de outras áreas ao redor. Eu estava sendo constantemente empurrada pelo tráfego de homens e animais, sentindo-me maltratada, desejando estar sozinha. De repente, um enorme touro me atacou, empurrando-me para o meio da rua. Fui atropelada por um carro, quebrando ambas as minhas pernas e vários outros ossos do lado esquerdo do meu corpo. Eu fiquei estirada ali, tentando recompor meus sentidos. Quando a compreensão do que tinha acontecido veio, veio juntamente a dor – eu não conseguia me mover, e estava sangrando profusamente. Mas o pior estava por vir. O motorista do carro desceu e pediu às pessoas que assistiam a cena para ajudá-lo a me colocar fora da pista. Imagine a dor! Então, ele pegou em seu porta-malas uma lata com óleo de motor e espalhou o óleo em minhas feridas. Que loucura foi essa? Ele disse às espantadas pessoas ao redor que isso me protegeria de infecções e que eu estaria boa em alguns dias. Ele, então, foi embora para ter a audiência sagrada da proeminente deidade de Vrndavana. Fico pensando se o Senhor Krsna deu a esse motorista alguma benção. Não acredito muito...
Infelizmente, isto realmente aconteceu. Não comigo, mas pior, com uma bezerrinha de três meses chamada Kamala (“lótus” em Sânscrito). Se ela pudesse falar, sua história seria mais ou menos assim. Mas sua história foi contada por mim através do relato de pessoas que testemunharam o ocorrido. A pior parte é que a história de Kamala não é única, rara e nem mesmo surpreende mais: é um acontecimento comum.
Há aproximadamente trezentas ou quatrocentas vacas abandonadas em Vrndavana, perambulando pelas ruas em busca de comida e abrigo. Eu sempre tive a impressão – impressão que eu tinha e que muitos visitantes de Vrndavana têm – de que elas tinham dono, e que elas perambulavam durante o dia e retornavam para seus donos quando anoitecia. Isso é verdade em poucos casos, mas, na maior parte dos casos, as vacas foram abandonadas por donos insensíveis. Famintas, doentes e desprotegidas, elas ficam ameaçadas pelo perigo do crescente tráfego de Vrndavana, e mais ainda pelos ladrões de vacas que as pegam para vendê-las para matadouros. É difícil acreditar que isso esteja acontecendo em Vrndavana, a vila de Krsna. Ainda mais difícil de acreditar é que os diversos goshalas (santuários das vacas) da cidade fazem queixas de que esses mesmos ladrões de vacas tentam roubar suas vacas protegidas. Parece que Kali-yuga chegou até Vrndavana, e as vacas, em especial, estão sentindo o efeito disso...
Mas algo deve ser feito.
Convencida por Uma Bezerra Cor de Chocolate
Em uma fria manhã de dezembro, quando uma fina neblina caía com seus dedos gélidos, eu enrolei bem meu cachecol e, refugiada em seu calor, desci a empoeirada rua que dava para a cidade. Eu estava em Vrndavana para um retiro de uma semana. Eu esperei bastante tempo pela oportunidade, e não tinha a intenção de ir a lugar nenhum: nenhum passeio, nenhuma reunião social, nada. Eu estava ali para passar meu tempo com amigos que eu não via há muitos anos, e talvez sentar em um local sagrado e cantar Hare Krsna. Seria um break merecido, uma semana solitária e de paz – ao menos assim eu pensava. Eu não fazia idéia do que estava para acontecer. Minha vida estava prestes a mudar, e o divisor de águas seria uma bezerra pequena, sem nome, machucada e de cor de chocolate.
Minha velha amiga Syama Gauri Dasi recebeu-me nos altos portões de ferro. Eu entrei e olhei ao redor: um limpo e pacífico jardim, dividido ao meio por um muro de tijolos coberto com uma mistura de lama e esterco de vaca; feneiros, estábulos e cercados eram todos revestidos com a mesma mistura, o que trazia um resultado tanto prazeroso para os olhos quanto purificador para a atmosfera. Esta é a sede do Care For Cows [Proteção às Vacas], e Syama Gauri havia me convidado para conhecer este local onde ela, durante alguns dias da semana, cuida de vacas, bezerros e touros abandonados de Vrnadavana.
Eu me senti bem ali: o ar era aquele ar puro do campo, havia cheiro de vaca, feno e esterco, e tudo muito limpo. Do outro lado do muro de tijolos, um pátio vazio que mais tarde abrigaria cerca de noventa vacas e touros, tinha apenas um enorme touro de cor cinza chamado Baba. Mais adiante, atrás do feneiro, havia uma área cercada cujo portão protegia cerca de vinte jovens vaquinhas e touros, todos com cerca de um ano - todos ainda muito pequenos para se juntarem aos demais. Mais tarde eu me referiria àquele lugar como “parquinho das crianças”, mas por ora era apenas o estábulo, e seus habitantes estavam curiosos quanto a minha chegada.
Foi neste momento que vi a pequena bezerra cor de chocolate que havia mencionado. Próxima do muro, deitada sobre algumas almofadas e sacos de feno, ela estava deitada transpirando bastante com o calor do sol da manhã. Seus olhos estavam fechados, e ela mal conseguia movê-los para ver quem se aproximava.
“Esta pequenina chegou há dois dias”, Syama Gauri me contou. “Ela foi encontrada por devotos que estavam indo para o Templo de Dauji em Gokul. Sua perna está quebrada e seu quadril deslocado. Ela tem essas feridas abertas, e não sabemos quão seriamente ferida ela está internamente. Ela ficou caída na beira da estrada por uma semana. Ninguém fez nada para ajudá-la. Os devotos a pegaram, colocaram-na no carro e a trouxeram para a cidade. Eles a trouxeram diretamente para cá. Não sabemos se ela vai superar tudo isso.
Orgulhosa por Amar as Vacas
É difícil ouvir esse tipo de coisa acerca de pequeninas criaturas de Deus. É ainda mais difícil ver pessoalmente. Talvez você esteja se perguntando se eu sou apenas uma garota de coração mole que ama vacas e está tentando levantar uma campanha para algumas vacas maltratadas. Bom, é claro que eu amo as vacas – todos os devotos deveriam amar, deveria ser um padrão. As escrituras védicas estão cheias de referências a estes tão exaltados animais, que são os favoritos da Suprema Personalidade de Deus, o Senhor Krsna.
“Krsna é a vida e alma das donzelas de Braja. Todo o seu corpo é coberto pela fina poeira que é levantada pelos cascos dos bezerros, e Ele carrega uma flauta na prega de Seu dothi na altura de Sua cintura. Sua voz melodiosa cativa todas as vacas”. (Stava Mala, Srila Rupa Gosvami).
Estas poucas linhas trazem a essência da sabedoria. Mas eu não posso dizer que as realizei plenamente. A maior parte de nós está longe de apreciar Krsna com o mesmo sentimento que as gopis apreciam, ou com o entendimento que grandes personalidades como Srila Rupa Gosvami possuem acerca dos passatempos íntimos de Krsna em Sua morada de Goloka Vrndavana. Apesar disso, esta breve jornada pelo mundo das vacas maltratadas e abandonadas de Vrndavana estava começando a fazer efeito em mim. Ela nos obriga a refletir muito sobre nossa relação eterna com Krsna, e Seu relacionamento com Suas amadas vaquinhas.
“Krsna é adorado por namo brahmanya-devaya. Seu dever prioritário é dar proteção às vacas e aos brahmanas”. (Carta de Srila Prabhupada, 16 de junho de 1974).
Muitos de nós possivelmente passaremos nossas vidas sem pensar acerca das vacas de Vrndavana. De certa forma, evitar pensar nisso não seria tão ruim, porque é muito difícil ver o estado delas, é doloroso vê-las chegando à clínica do Care For Cows com ferimentos horríveis. Parte o coração vê-las se esquivando ao ver uma mão se levantar, por terem sido tão mal tratadas, e vê-las correndo para longe ao ouvirem uma voz mais alta. Mas, de fato, dedicar-lhes um pouco de tempo é algo bom a se fazer, serviço e amor às vacas de Vrndavana que não podem ficar de pé, se moverem, ou que não têm força nem sequer para erguerem a cabeça e se alimentarem, é muito importante. Cuidar dessas vacas é uma oportunidade de se aproximar de Krsna e entender a razão de serem especiais; entender, por um momento, porque Krsna deseja suas companhias diariamente. Ou entender a razão do planeta onde Ele reside ser chamado de Goloka Vrndavana, “o planeta das vacas”. Não é por acaso – Ele é o senhor de toda a criação, e mesmo assim Ele escolheu passar Seus dias com as vacas.
“Brahma oferece uma oração, surabhir abhipalayantam. ‘Krsna, Govinda, és tão afeiçoado a suas vacas surabhis que estás sempre ocupado em levá-las à floresta e em desfrutar com Teus amigos vaqueirinhos’. O Mayavadi irá pensar, ‘O que isto significa? Deus se tornou um vaqueirinho? Como é isto? Ele deve ser muito exaltado. Como é isto dEle se tornar um vaqueirinho?’. Mas eles não conhecem a natureza do Senhor. Ele é livre. Ele ama a todos. Ele ama Seu grande devoto, Ele ama Suas vacas, Ele ama Seus bezerros, Ele ama as árvores, frutas, flores, água, tudo; porque tudo é uma manifestação de Sua energia”. (Aula de Srila Prabhupada do verso 1.8.44 do Srimad-Bhagavatam em Los Angeles – 6 de maio de 1973).
E ali estava eu, em um estábulo. Embora soubesse que o mais sagrado de todos os locais sagrados, o Sri Radha-kunda, estava apenas a alguns quilômetros de distância, ou que diversos templos de Krsna me rodeavam, ou que a extremamente adorável colina de Govardhana estava bem perto de mim, mesmo assim, eu estava no local certo, o melhor lugar para se estar, o único lugar onde eu queria estar: entre as vacas de Krsna.
Vrndavana está na área sagrada conhecida como Braja, que significa “ambiente pastoril” em Sânscrito. Escrituras tais como o Srimad-Bhagavatam e o Caitanya-caritamrta repetidas vezes mencionam quão significativo é o fato do local mais sagrado dos passatempos de Krsna ser um ambiente pastoril. Infelizmente, devido ao crescimento da cidade de Vrndavana e à ganância dos donos de terra, não há lugar para as vacas pastarem, e elas são forçadas a procurar comida nas pilhas de lixo pela rua: o que fazia Kamala quando foi empurrada em cima de um carro por um gigantesco touro faminto.
Cuidando de Kamala
Apesar de tudo, a história de Kamala tem um final feliz. Seu depoimento continua:
Uma gentil moça reportou o acidente para o Care For Cows, e dentro de quinze minutos eu já estava em uma jinriquixá a caminho da clínica deles. Eles tiraram o óleo de motor de minhas feridas e engessaram minhas pernas. Foi me dado, então, um quarto privado com uma dieta a base de grama fresca, feno e farinha de cevada. Depois de alguns dias, eu já podia ficar de pé por cerca de quinze minutos. Uma vaqueirinha tomava conta de mim, dando-me água fresca, massagens e encorajamento. O gesso foi retirado após alguns meses e, graças ao Care For Cows, eu posso andar novamente.
O Care For Cows existe devido ao esforço de Kurma Rupa Dasa, um discípulo de Srila Prabhupada e um antigo residente de Vrndavana. Por causa de seu serviço altruísta, vacas como Kamala e minha amiga de cor de chocolate – que agora se chama Pushpa (“flor”) – encontraram uma casa. O Care For Cows não apenas cura pacientes como Kamala e Pushpa – ele dá a eles uma casa para viverem. Eles não são devolvidos às ruas, pois poderiam ser novamente vitimados. Quando crescem, eles passam seus dias em pedaços de terra cedidos por moradores que residem próximos das instalações do Care For Cows. À tarde eles retornam para o pátio onde Baba passa sua manhã sozinho – ele também teve sua perna quebrada na juventude, e já se aposentou do passeio nas terras vizinhas. Ali são todos bem alimentados, escovados e abrigados para a noite. Juntos, aquecem-se para as noites frias, com a certeza de que não terão de se arriscar no trânsito para conseguir comida no dia seguinte, nem terão de temer doenças e ladrões de vacas.
Sim, eu amo as vacas. Mas não há problema em amar as vacas: isso é algo substancial. Srila Prabhupada disse durante uma aula: “Nosso movimento para a Consciência de Krsna não é um movimento sentimentalista. Ele se preocupada com todas as organizações sociais. Não é algo como ‘sentimento religioso’. Todos merecem cuidado. Por isso nós dizemos proteção às vacas, proteção às vacas”.
Proteção às vacas não é uma campanha temporária; ignorar a instrução de Prabhupada em relação às vacas é algo muito desfavorável para nossa existência humana e para nossa esperança de alcançar espiritualidade. Em 1915, o vencedor do prêmio Nobel, Ramain Rolland, escreveu:
“Para um homem cuja mente está livre, há algo ainda mais intolerável no sofrimento dos animais do que no sofrimento do homem. No último, ao menos se admite que o sofrimento é algo ruim e aquele que causa sofrimento nos outros é um criminoso. Mas milhares de animais são desnecessariamente abatidos diariamente sem nenhuma sombra de remorso. E as pessoas pensarão de qualquer homem que se refira a esse fato como sendo uma pessoa idiota. Esse é o crime imperdoável”.
É um “crime imperdoável” que as vacas de Krsna estejam sofrendo. Mas isso é apenas um reflexo do estado da Terra e da consciência de seus habitantes.
Enquanto o mundo sofre os efeitos danosos de se matar vacas por todo o planeta, podemos, ao menos, manter sadio nosso “jardim pessoal”, o local de onde nossas vidas espirituais emanam, Sri Vrndavana-dhama, e seus mais gloriosos residentes: as vacas de Krsna.
“Qualquer um que medite no nascimento do Senhor Krsna, em Sua proteção às vacas, Suas melodiosas canções com os gopas, e todos os Seus demais passatempos, será coberto de amor e bem-aventurança”. (Gopala-campu 1.97, Srila Jiva Gosvami).
Para ajudar o Care For Cows de Vrndavana, entre em contato com Kurma Rupa Dasa (kurma.rupa.acbsp@pamho.net) ou visite o site http://www.careforcows.org/.



Tradução por Bhagavan dasa (DvS)